![image;s=644x461[1].jpg image;s=644x461[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21873217_zuCSi.jpeg)
Chego à livraria, pergunto à empregada:
– Tem os Cem Anos de Solidão?
Ela olha-me com ar perplexo, como se eu tivesse deixado a frase a meio. E questiona-me, em tom de enfado:
– Sabe dizer-me o nome do autor?
Na era das redes sociais, todos os subentendidos parecem condenados à extinção. Tive aqui mais uma prova.

E não terem sido “Os Lusíadas” dê-se por feliz… Ainda perguntavam se andava à procura de um hospital…
Eheheh. Era bem capaz de ouvir isso.
Não se admire, pois há uns anos, numa livraria, perguntei se tinha a obra, e a senhora, dirigindo-se para as prateleiras de autores portugueses, questionou-me “É poesia ou prosa?”. Respondi-lhe: “É ficção!”
Percebi, depois, que a senhora estava ali em, digamos, estágio.
Saliento: a livraria não era no meu Alentejo profundo, era mesmo na capital do Império.
Com essa é que me matou… :-))))
Ainda há livrarias em Beja? Vá lá. Nem tudo está perdido
Há uma.
Ela não deve ter encontrado. Andou à procura de Sem Ânus de Sulidão.
Mauzinho
Já me questionei se no caso de pedirmos livros “de fricção” seremos atendidos com mais zelo e competência.
Boa ideia.
“Friccionados”, o que faz sentido pois apreciamos fricção.
Provavelmente dita empregada está a recibos verdes ou foi recrutada em regime de outsourcing. Provavelmente sairá em Outubro. Provavelmente já se passou no passado. Provavelmente não tem grande tempo para se perder em fantasias romanescas de futuros risonhos. Provavelmente não tem futuro.
Passou-se ontem.
Provavelmente esta livraria não tem futuro. Como quase todas, aliás.
Seguramente a longo prazo estaremos todos mortos. Como escreveu aquele coiso naquela cena tipo sei lá o quê.
Agora é que me tramou com essa de estarmos não sei como a longo prazo. Se assim for que o pessoal que se entretenha com outras coisas que não a ler Gabriel Garcia Marquez. Sei lá, a beber drinks em festas da Comporta … É só uma ideia
Ou a beber um drinque de fim de tarde com a ministra. Outra maneira de passar o tempo.
Há companhias mais aliciantes.
Grandes festas se fazem na Comporta,mas paga-se bem para abrirem a porta.
Grande festa na Comporta fazem as melgas a valsar com os mosquitos.
Provavelmente esta livraria não tem futuro. Como quase todas, aliás.
Por culpa de muitos editores (que aderiram ao AO), por culpa de muitos escritores (que não escrevem nada de jeito e aderiram ao AO), por culpa dos donos das livrarias (que vendem merdas com o AO) e que preferem ter gente mal paga que não percebe nada daquilo a pagar uma carreira a alguém que faça da livraria um espaço de referência.
Mas sobretudo, é mesmo a qualidade do que se faz — quando as coisas têm interesse vendem-se. Eu farto-me de comprar livros em Inglês na Amazon inglesa. Em português, os poucos que me despertam a atenção, tenho sempre de verificar em que ortografia vêm (felizmente no meu nicho são poucas as bestas que escrevem com AO — só a miudagem mais nova que já não aprendeu nada e só reproduzem banalidades anti-ocidentais e que também não adianta ler) e para ser franco não tenho pachorra para ter esse trabalho que eu não devia ter. Prefiro nem perder tempo com as edições portuguesas, tirando as de até 2002 que são obviamente BOAS.
Portanto, é muito bem feito as livrarias estarem todas com os pés para a cova. Revoltem-se! Partam tudo, partam a fuça aos gajos que assinaram o AO — partam a fuça ao gajos que escrevem com o AO. Exijam a abolição do AO! Não? Estão muito contentinhos com a ortografia inclusiva daquele retornado manhoso da maçonaria que felizmente já bateu a bota? Então olha, fechem a tasca e vão mas é plantar batatas, seus bois mansos.
Está a ser injusto com tantas generalizações. Se eu tiver tempo, mais tarde tentarei explicar porquê.
Espero que sim — o meu espalhafato todo tem esse objectivo. Mas, vendo bem, não é verdade que o critério dos livreiros é frouxo? Capas, edições, livrarias… na verdade é tudo bastante vulgar.
E mais: aquela coisa abjecta que é haver um grupo que compra pequenas editoras para depois as extinguir e isolar-se num mercado medíocre e banal criado à sua imagem.. Quer dizer, não estão interessados em elevar a edição de livros a um patamar de excelência — estão interessados em destruir e em vender o peixe podre dos seus investidores (quase que apostava de onde vêm). Só isso merece uma bomba de hidrogénio nas ventas.
Falo por mim: não compro qualquer livro em acordês.
Se é nacional, limito-me a não comprar. Se é em inglês ou francês compro no original ou em traduções nessas línguas.
Como me informo via net se os livros estão ou não em acordês, reduzi bastante as minhas idas a livrarias físicas e em Portugal.
Faço exactamente o mesmo. E acrescento: nunca me faltam livros com interesse, sem mutilações ortográficas. Sou contra o extermínio de consoantes.
Posso contar-lhe uma estória que aconteceu comigo…
Sensivelmente a meio da década de 80 ainda um jovem inocente, entrei numa casa de discos bastante conhecida naquele tempo em Lisboa, fui atendido por uma empregada, e disse que queria os Outlandos d`amor, e não é que o raio da rapariga desata-se a rir compulsivamente como uma doida.
“Ainda me pergunta como?” continuando a rir-se e as tantas eu feito estúpido também já ria . (…)
O álbum em questão era da banda The Police.
(que para mim naquela altura era a melhor banda do mundo…)
Isso foi dito por uma empregada de uma livraria…
Isto acontece porque hoje se esbateu a necessidade de estar apto para o lugar. Queixam-se os livreiros que as pessoas já não compram nas livrarias, pois é verdade que é em bem poucas que se encontra quem sabe ajudar um cliente que goste de ler e de livros, não apenas para matar tempo, mas porque tem prazer em cultivar-se e obter informação com a arte dos bons livros.
Se uma livraria não cumpre este papel, então basta-me estar comodamente diante de uma livraria virtual a comprar as minhas escolhas resultantes de conhecimento pessoal e das recomendações de outras apaixonados pelos livros que não encontro em muitas livrarias físicas e onde já me cruzei com empregados que nem gostavam de ler.
Já faço isso cada vez mais. No último mês encomendei três livros de livrarias virtuais. Chegaram-me, bem reais, dias depois à caixa do correio.
largos dia tem 100 anos – de outro consagrado. Restou a dúvida. Metódica ?
O realismo mágico, circunda a orbe ?
Esse “consagrado” chama-se Pinto da Costa?
Sim. Mr Peacemaker himself,
O frascário tem tinetas de plumitivo.
Pelo menos não anda na droga ou a roubar – pois no “mocho”, por tal, não foi parar…
Cultura…
Garcia Marquez? Quer dizer Garcia Martins, não?
A pipoca mais doce, Nobel da blogosfera rosa. Isto anda tudo ligado.
Editora Guerra e Paz, recomendo bastante para compras online. 🙂
Também eu, eheh.
Este “Delito de Opinião” está a ser lido por milhões de pessoas aqui nas notícias Sapo.
De quem teria sido a ideia de aqui ser publicado?
Quem? Então merecia ter sido escolhido com comentários sérios e não com piadolas que ajudam a brincar com o tema e quererem lá saber de um dos livros mais lidos de sempre.
Tenho uma má notícia para si: acaba de perder a primeira oportunidade para causar boa impressão aqui no DELITO DE OPINIÃO.
Tenho também um notícia péssima para si: já não terá uma segunda oportunidade. Seja você quem for.
Ó Leopedro, tá bem que não lhe dei com o ‘gosto muito do seu programa’, mas agora que publicou o meu comentário e respondeu à ‘não voltes a fazer isso’ fique-se encostado à importante notícia ‘Sara Norte sofre com entorse no tornozelo’ .
Mas isto fica só pra nós, que os que esperavam por o ‘ele não vai censurar o que outro disse’ não vão saber nada.
Nesta altura do ano convém usar chapéu. Evita-se apanhar demasiado sol na moleirinha.
Livraria portuguesa, com certeza…
Tuguesa. De Tugal.
Há cerca de um ano entrei numa papelaria e pedi um bloco de papel de carta. O empregado não sabia o que era. Expliquei-lhe, e ele disse que nunca tinha ouvido esse nome. Tinha 17 anos. Foi perguntar ao patrão e veio o próprio dizer-me, que tinha vendido o último há já alguns anos. Embora eu use os meios digitais, ainda gosto muito do papel. Ou talvez goste da minha caligrafia…
Aconteceu-me algo semelhante, quando tinha 17 anos, quando o meu avô me falou em zepelins. Pensei que eram gambuzinos.
Isso já é uma raridade — acho que já só encontra uns blocos assim-assim em alguns supermercados do Intermarché ou então em lojas online. Ainda assim já são formatos standard não é aquele papel de carta quase translúcido com folhas altas e estreitas.
A falta de lojas de especialidade —onde tudo é igual à loja do lado porque é certinho e “é o que se vende” — é sinal de uma sociedade vulgarizada, estragada por um ensino medíocre com objectivos meramente “sociológicos” praticados por um certo espectro político que domina a cultura.
imediatamente o tom, determinado, quiça superior : “chego a livraria, pergunto a empregada “.
Este post parece escrito com desembaraço, desalento, derrota.
(um titulo agora no Sapo, em que o juan carlos diz que os que tem menos de 40 anos s recordarao pelo elefante. Talvez a empregada da livraria tenha menos de 40 anos e nao se recorde…)
Mas, Pedro, é uma partilha rica, essa experiencia na livraria.
Neste momento da criaçao da Disney do Fomento (banco), eu perguntaria pelos cem anos de solidao mas no banco de portugal.
Centeno não tem motivo para invejar o lugar de exílio do rei emérito de Espanha.
Também ele encontrou um exílio dourado, no Banco de Portugal. Justo prémio para o ministro das Finanças que conduziu o País ao maior défice trimestral da História.
pelo passar de olhos, o Pedro ate se divertiu com os comentarios neste post. Mas agora voltou ao normal, ao mau feitio.
Costuma acontecer-me, quando o PIB português cai 16,5% num trimestre. b-com-queda-historica-cai-165-em-portuga l-12484138.html
https://www.tsf.pt/portugal/economia/pi
ainda assim, desejo que o PIB nao atormente o sono do Pedro.
Melhor é nem se levantar, pois o PIB tem tendencia a piorar. Se a realidade o aflige, durma, durma, carissimo.
Tendência a piorar? Veremos se não ficará Centeno como recordista absoluto do PIB negativo, proeza que o levou a ser recompensado com a maior poltrona do Banco de Portugal.
Há uns anos pedi um livro do Jorge Luis Borges e a empregada foi procurar na prateleira dos autores portugueses… Limitei-me a responder “Não se incomode, eu procuro.”.
Não deixa de ser interessante serem sempre empregadas, meninas; ainda bem que os meninos são sempre espertinhos e sabem logo onde estão os livros.
Talvez por haver mais mulheres do que homens a atender nas livrarias, como certamente saberia se costumasse frequentá-las.
Tremendamente culta, essa empregada. Afinal Borges tem ascendência portuguesa.
As empregadas das livrarias são os bodes expiatórios para tudo,para a maioria das criticas, que vejo por aqui, mostra que normalmente são meninas incultas, que se deviam de dedicar a pesca da salsicha.
“Que se deviam de dedicar”?
Já sei!!!
telescola em Setembro….
Talvez com esta professora: ivro-e-para-ler-e-nao-para-ter-11674381
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/l