31 comentários em “Estátuas para derrubar (2)”

    1. Defensores do racismo e do totalitarismo…

      Pronto, mais uma estátua minha a ir abaixo por dizer “carago não, carago”.

          1. Não defendo o derrube de estátuas, Cristina. Aliás, sou contra. Como já escrevi aqui.
            Devemos assumir a história, com as suas luzes e sombras. Como é próprio da natureza humana. Só assim colhemos lições do passado. Se ocultarmos o passado e fizermos de conta que nunca existiu, não colhemos lição alguma.

            Nada mais ridículo do que olharmos para a história como se fosse um filme da Walt Disney, cheio de criaturas fofinhas e sempre com um final feliz.

            Esta série limita-se a dar ideias àqueles fanáticos “reconstrutores da História” que se dedicam a derrubar ou conspurcar estátuas de gente tão diversa como Colombo, Padre António Vieira, Churchill e Gandhi.
            Como noutros tempos outros fanáticos conspurcavam (por exemplo) a estátua do Eça em Lisboa, só porque estava acompanhado de uma moçoila nua.

            Se são anti-estátuas, ao menos comecem por ser contra as estátuas de tiranos sanguinários, com pulsão totalitária e genocida.

          2. Admira-me esta estátua na Finlândia. Em sítios recônditos da ex-União Soviética, como a que publicou do Estaline, não me admira tanto. Mas, na Finlândia, não percebo mesmo.

            Há meses, li no PT-Post (jornal português na Alemanha) que um jovem procurava, na antiga RDA, estátuas destas personagens. Interessava-lhe saber se tinham sido todas destruídas. E não foram, ele encontra algumas, em arrecadações e armazéns antigos.

        1. A “minha” que isto da liberdade vale até a “minha” pessoa não ser desafiada :-)))

          Desculpa, mas desde que soube que a Lena D’Água foi considerada a melhor artista feminina nos “Play” ainda não recuperei do quase AVC que tive.

  1. Quando, na idade da inocência, militava no PS, ofereceram-me (verdadinha!!) um busto bibelot do Lenin parecido com este, que na altura me deixou 9rgulhosa e comovida. Creio que ainda o tenho num caixote da arrecadação. Para o lixo não foi. Já não funcionava com a decoração minimalista.

    1. Tenho muitas dificuldades com a idade da inocência…
      Durão Barroso era do MRPP e escreveu (de memória) que era inevitável o dr. Arnaldo de Matos conquistar o poder e impor a ditadura do proletariado. Dirigiu o PSD e hoje está na nata da alta finança internacional.
      Também se dizia que para ser um bom socialista era preciso ter sido comunista na juventude (Soares, Sampaio, etc., etc.).
      E quem começa pelo PS, até onde chega?

      1. Olhe Francisco de Almeida, chega a ” isto” , uma espécie de encruzilhada numa terra de ninguém, queimada até ao âmago, com a dúvida primordia a desbravar caminho por entre o restolho carbonizado. Como duvidar é pensar, posso então ter a certeza que penso?

        1. Estou, digo, sou demasiado velho para angústias existenciais; e estava à espera de uma resposta mais prosaica, tipo chega ao Chega; ou então o inverso, uma afirmação ofendida pela sugestão (que estava veladamente na pergunta).

          Eu não duvido que penso.
          Há muitos anos houve um filósofo que disse “Penso, logo existo!”. Mas eu lembro-me do conselho de uma sábia senhora que num qualquer programa de TV aconselhava um (uma?) jovem a arriscar e fazer o que tinha na vontade sem pensar muito porque se pensasse, não fazia. E acrescentava a sábia senhora que de nada se arrependia do que tinha feito na vida mas tinha imenso desgosto pelo que não tinha feito. Desde aí que eu adoptei parafrasear Descartes: Penso, logo hesito!
          Como também tenho errado muitas vezes, situo-me nos antípodas de Cavaco, o que me faz logo sentir melhor e adormecer depressa e sem ajudas, desejando apenas, tal como há mais de meio século na Guiné, acordar de manhã a mexer vinte dedos.

          1. Descarte ainda não conhecia o cérebro humano. E daí o seu grande erro,
            Se conhecesse o cérebro humano, como agora o conhecemos, diria ‘ Penso, porque existo’.
            Obrigado pela lembrança de há meio século na Guiné, mas o desejo era bem mais simples, chegava acordar.

    1. Esse nem no México escapou a ser assassinado e foi dos poucos inimigos de Stalin não reabilitado postumamente por Khruschev.
      Mas talvez o animalzinho ternurento (rena do Pai Natal? … que não o Rudolfo pois não tem o nariz vermelho) aos pés da estátua tenha sido uma homenagem de uma criança inocente.

      1. Não é fácil arranjar uma verdadeira estátua deste senhor, a maioria das esculturas da dócil figura são mais pequenas e maneirinhas, daquelas prontas a ornamentar as casas da esquerda caviar.

        Sim, no México a golpe de picareta e depois da expurga familiar. Isto é tudo gente que se tratava com meiguice. E por falar na América Central e do Sul, é zona do mundo pródiga em ditadores capazes de figurar nesta rubrica do DO.

        1. Agradeço a sugestão, Isabel, mas não vou segui-la. Qualquer vítima de Estaline (sobretudo alguém que ficou com o crânio desfeito com uma picareta assassina) merece a minha simpatia.

      1. Simplificando ao máximo: quem depois de decidir pela formação compulsiva de um exército, manda fuzilar desertores não terá a minha compreensão (e não vale o argumento de que era a prática corrente à época). Estou longe da visão romantizada de Trotsky da nossa elite intelectual. Mas não percebo nada disto e estou certa que há batalhões de simpatizantes prontos a provar-me
        por A + B que estou errada. Como dizia o Herman: ‘eu é mais bolos’.

          1. «o que pensariam os sobreviventes metralhados de Kronstadt»? Provavelmente que tiveram azar… que, eventualmente, esperavam não ser metralhados mas sim aré metralhar os que os metralharam.

            O que eu adoro nestas pseudo discussões é que, como quem não quer a coisa, há sempre alguém que acha os bolcheviques uns criminosos e depois até se põem a dar exemplos de crimes cometidos por eles contra, por exemplo neste caso, os esquerdistas barricados no Kronstadt…

            Ó “Anónimo” das 23:43, os “metralhados de Kronstadt” eram contra o governo bolchevique porque o achavam “burguês” demais: o que eles queriam era que mais sangue rolasse pelas ruas…

        1. Cara Isabel Paulos, não fosse até porque o “post” que deu origem a toda esta miserável troca de impressões que se vê por aqui, de facto, surgiu a partir desse pressuposto que V. parece agora querer esconjurar («não vale o argumento de que era a prática corrente à época») mas apenas aplicado ao “romântico” de alguns anónimos, o Trotsky (e admito que até esteja errado no meu julgamento de que V., sem eu me aperceber, sempre defendeu o mesmo princípio… mesmo até para o padreco dito «imperador da nossa língua»!), e eu até deixaria passar em branco a sua afirmação de que V. está «longe da visão romantizada de Trotsky da nossa elite intelectual»… assim e claro, sem qualquer exigência de um compromisso da sua parte, é capaz de me elucidar a quem se refere dessa tal “nossa” (no caso, sua!) «elite intelectual»? Que parte da nossa “elite intelectual” tem uma «visão romantizada de Trotsky»?

        2. Mas o que se passou por lá foi uma guerra civil.
          Dê uma volta pelas guerras civis, comece pela dos EUA pra não ir mais longe, e dia qual foi aquela que ‘sim senhor aquilo é que foi uma coisa como deve ser’.

          1. Não tenho ilusões do que é a guerra; a questão não e essa. O que me parece pernicioso, apesar de muito comum, é dividir o mundo entre déspotas bons, maus e assim-assim. A menos que seja por ironia, claro; aí cada um é livre de ter o seu tirano predilecto.

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