
Luís M. Jorge: «Portas, o justiceiro, relata ao país cinco julgamentos de meliantes da Amadora ou da Damaia, não percebi bem, que sobressaltaram velhinhas nos autocarros e foram absolvidos. Um escândalo, uma vergonha. Um minuto depois, Crespo pergunta-lhe pelos submarinos. Portas, homem de estado, responde-lhe que não comenta casos concretos da justiça.»
Nuno Gouveia: «Existe uma velha cartilha ideológica que diz que a esquerda é amiga dos pobres, enquanto a direita, essa maléfica trupe de malfeitores, defende apenas os ricos e os capitalistas. Este simplismo ideológico, que muito boa gente genuinamente acredita e defende, tende a dificultar um debate sério sobre o desenvolvimento de uma sociedade. Claro que em países politicamente maturos esta cartilha não é tão evidente no debate público. Mas em Portugal, onde o partido mais à direita se chama Centro Democrático Social e o grande partido de centro-direita é o Partido Social Democrata, esta divisão adultera muitas vezes o debate.»
Eu: «A paixão partilhada por Laura – deslumbrante Gene Tierney, escolha perfeita para este papel – traz à tona as piores facetas dos homens que se deixam sucumbir pelo seu feitiço. De tal maneira que saber quem a matou passa a ser a questão que menos interessa perante a certeza de que todos seriam capazes de matar por ela. Incluindo o polícia que se perdeu de fascínio pelo seu retrato. «O homem mata o que ama», dizia Oscar Wilde. O amor em excesso pode ser fatal. E a ilusão do amor também.»
