
(Sé de Lisboa)
1. A Sé de Lisboa é um bom exemplo, o templo matriz, neste caso cristão, assente sobre o anterior templo, aqui islâmico. Sobreposições recorrentes por esse mundo afora. Mostrando como estamos assentes em memórias politicamente (re)construídas, mesclas históricas cuja depurações são (in)visíveis nos edifícios públicos, monumentos, na arte pública (no sentido de induzida por elites políticas), em marcos comemorativos, e na toponímia. Audíveis nas práticas advindas da ciclicidade imposta pelos calendários, nas expressões literárias e musicais privilegiadas, nas histórias de encantar (imaginar) que se contam aos mais-novos, ditas “educação”. Mesmo a noção de “património” (cultural, histórico) preservável, até algo sacralizável, publicitável pois comemorativo e/ou armazenável, no âmbito da museologia, é ideia nova, oitocentista e muito discutida em XX e agora. Não apenas os itens mas mesmo os conjuntos. Parte da nossa Lisboa velha foi arrasada no terramoto. Mas a Paris que tanto se louva (e visita) foi arrasada em XIX para ser “alindada” e modernizada no molde que Bruxelas logo seguiu. Sob modalidades que arrepiariam as actuais sensibilidades “patrimoniais”. Tal como a reforma da Alta coimbrã promovida pelo Estado Novo, já então assunto debatido. A “História”, como matéria-prima de identidades próprias e por isso também das alteridades constitutivas, é sempre uma “amnésia organizada” e nisso um elencar do que deve ser preservado, celebrado, escondido ou arrasado. E o papel de uma historiografia autónoma e democrática, construída por historiadores e oriundos de outras humanidades, é o de complexificar essa “História”, vasculhar e iluminar reminiscências, revivendo a miríade dos seus condimentos, assim temperando-a como forma de temperança nos seus usos, menos abrasivos, mais inclusivos. Ou seja, menos amnésias para mais justiças actuais e futuras.
Ou seja, se sabemos que a “História” é forjada isso não implica a miséria semântica de a pensar falsificada. Mesmo não reduzindo a historiografia a um instrumento político a “História” é-o, ainda que (desejavelmente) dotada daquela, em tempos célebre, “autonomia relativa”. Dado que, como se diz, quem controla o passado controla o presente – que o futuro a todos escapa. Por isso quando surgem vozes convocando a revisão desses discursos sobre o passado convém não nos reduzirmos ao encanto com a redescoberta de hipotéticas novidades factuais, como se Schliemanns ou Champollions brotassem em cada mural de facebook. Pois trata-se de recalibrar ênfases, apurar cozinhados, assim religar grupos. Não estamos diante de um para sempre intangível passado mas sim do mais-que-tangível futuro. E assim o fundamental não são as boas causas propaladas, sempre infernais. Mas as lógicas discursivas, a sua coerência. E os objectivos dos locutores, única raiz no sentido de única razão de concordância. Enfim, o simples “quem fala?” e “para quê?”.

2. Neste actual debate sobre o património histórico e simbólico, sobre a “História”, logo se levantou a questão da devolução dos bens culturais (tangíveis). Em termos que demonstram a mera simplificação dos processos históricos. E, acima de tudo, o afã na diabolização de alguns agentes históricos e da demonização da sociedade portuguesa. A função é simples, a hiperbolização dos problemas sociais, a sobrevalorização da agit-prop. Que os políticos radicais que subsistem exactamente por esse vozear tonitruante, o populismo, a isso recorram é da “espuma dos dias”. Mas que académicos, e renomados, se associem a isto? Em nome de uma qualquer causa? Isto não é uma minudência, é uma evidente exemplo da superficialidade, que não é histérica pois é, isso sim, interesseira.
Blogo há tanto tempo que até me surpreendo. Pois já tem 16 anos (!) este meu postal sobre a devolução à Etiópia do obelisco de Axum. Trata-se de algo normal, necessário, a ponderar de modo sistémico e com avaliação pontual. Mas o que a esta gente interessa não é temperar a História, com as ambivalências, contradições e complexidades de cada processo. É mesmo o estupor histérico de uma “nova História”. E nesta, “higienizada”, ser deles a “visão dos vencedores”, pobre, complexada. Revanchista no caso de alguns locutores. Sãosebastianista no caso dos núcleos académicos, numa paupérrima, pois deveras masoquista, erotização do pensamento.
3. A polémica levantada pela estátua lisboeta de António Vieira, de 2017, colocada pela câmara e pela igreja católica, é bem denotativa da superficialidade das abordagens (sobre isso já botei este texto e este outro). Da simplificação da História, das suas personagens e contributos, e do que dela se pode fazer. Mas acima de tudo mostra a pobreza de reflexão, uma mimetização do estrangeiro, um frenesim de “estar na moda”, de seguir o queiroziano “o que se passa em Paris” (agora nos EUA).
Mas mostra também uma monumental distracção sobre o processos de reconstrução da História através da manipulação estatal do espaço público. Académicos, jornalistas, escritores, activistas políticos eriçam-se com a pobre e esconsa estátua que glorifica o vulto das letras nacionais, porque, dizem, ela elide o Mal de que Vieira foi paladino ou, pelo menos, não-opositor. Há 400 anos Vieira não foi activista anti-escravização dos africanos e, em assim sendo, essa estátua é um objecto obscurantista e reprodutor da actual exploração dos “afrodescendentes”.
Ora em 2016 nesta mesma cidade o mesmo poder político mudou o nome do aeroporto, edificação pública com muitíssimo maior visibilidade do que a tal estatueta, numa das tais utilizações da toponímia para construir a “História”. Resmunguei-a “homenagem folclórica“, dada a tendência lisboeta de não abandonar os nomes antigos (a “Praça do Comércio” é um símbolo disso). E irritei-me contra essa abjecta celebração. Pois trata-se de uma descarada reconstrução da história deste regime, do seu partido socialista, e da sua progressiva autonomização enquanto espectro republicano face ao partido comunista durante o Estado Novo até mesmo à sua formação. E com isso se glorifica um homem que em pleno 1941 escrevia sobre Hitler: “O ex-cabo, ex-pintor, o homem que não nasceu em leito de renda amolecedor, passará à História como uma revelação genial das possibilidades humanas no campo político, diplomático, social, civil e militar, quando à vontade de um ideal se junta a audácia, a valentia, a virilidade numa palavra.” (Revista AR, 44, p.2, Junho de 1941). E isto não se trata apenas de um homem nas suas circunstâncias. Mas sim de um já oficial superior no quadro de umas forças armadas cujos oficiais, mesmo os apoiantes do Estado Novo (a esmagadora maioria então), se dividiam fluida ou explicitamente – algo que veio a marcar as posteriores linhas de promoção, mais uma coisa indita – entre “germanófilos” e “anglófilos”. E mesmo depois Delgado nunca foi um “democrata” mas sim um aspirante a caudillo.
Mas para estes “intelectuais” e estes “activistas”, que agora dissecam a ambivalência e insuficiência actual do pensamento do seiscentista Vieira esta invocação e evocação de Delgado é insignificante, ainda que se afadiguem a gritar “fascista” ao prof. Ventura, a mais as suas tropelias com os ciganos. Aqui há atrasado, no tempo dos meus pais, Hitler promoveu o holocausto cigano – tão defendidos por parte destes locutores, que até elidem as acusações de “racismo” se um cigano mata um negro, ao invés do que fazem se o assassino é … até desconhecido -, massacrou homossexuais – causa querida de tantos destes militantes, que até chegam a fundamentar as suas opções político-filosóficas nas suas apetências sexuais -, exterminou os militantes marxistas, de que estes são herdeiros, invadiu mundo afora até o conseguirem parar, e Delgado aplaudia e glorificava? Não é importante. A estátua de Vieira, e mais o tipo dos escuteiros, e o infante D. Henrique, e quejandas? Essas sim, escondem a verdadeira história do sofrimento e da opressão, reproduzem mentalidades exploratórias, discriminações negativas …
Isto seria pungente. Se não fosse nojento. E mostra, acima de tudo, duas coisas: a questão de que se fala não é a sociedade portuguesa, é apenas uma mimetização da discussão americana e, como tal, precisa de encontrar materiais análogos para debate, devido à ininteligência e superficialidade dos seus locutores – sobre essa superficialidade histriónica, tão atrevida que até se permite convocar um “apartheid” no Portugal actual já botei aqui.
E a segunda coisa, mais profunda, é óbvia: que por mais que anunciem afrontar a “identidade nacional” fermentada numa História obscurantista, há algo que não enfrentam. É a mitografia do partido socialista, sufragada na apropriação do espaço público. E porquê? Porque, como tanto o vêm demonstrando há anos, são dependentes … Entenda-se bem, são clientes. “It’s the economy, stupid” como dizem os gringos.
(No meu blog individual Nenhures estou a colocar uma série de postais sobre o assunto – alguns que estavam em “rascunho” há já algum tempo. Já publiquei o 2. Não os replicarei aqui, para não sobrecarregar o DO com as minhas derivas. Mas, e sem querer angariar clics, quem tiver algum interesse nestes ditirambos lá os poderá vir a encontrar).

“Isto seria pungente. Se não fosse nojento.”
“Esta gente é um nojo”.
Medina Carreira, circa 2009.
O seu post é minucioso e preciso, mas não é preciso ir muito além destas frases…
Antes de mais importa informar que a sereia dinamarquesa acabou de ser pinchada, por alegação de racismo.
Na realidade é uma atitude racista para com os peixes colocar uma mulher com cauda e barbatana de peixe.
É racismo, sim, senhores. Pois isto de confinar os peixinhos ao oceano e criar um ser anfíbio não só é demonstrativo de racismo como também de supremacia rácica pela mobilidade que lhe confere. E esse racismo também evidencia-se no local em que se encontra colocada, pois goza a torto e a direito com os peixinhos, demonstrando assim a sua capacidade em permanecer e respirar também fora de água.
Mas também é uma atitude discriminatória para com os homens, pois também estes deviam ter uma estátua com cauda e barbatana para que se estabelecessem as paridades.
Em contraponto, o nosso santo António, milagroso que era e é, foi capaz de abolir esta atitude; e consciente que era que os homens desse tempo, tal como os de hoje, eram incapazes de se sensibilizarem para tão proféticas homilias e intervenções públicas que fez, ajudando também a libertar os pobres de Assis das mãos dos agiotas, e contrariando todos os preconceitos, lá se decidiu a fazer um sermão aos peixes respeitando sempre o seu elemento natural e nunca lhe passando pela cabeça em fazer um milagre que colocasse caudas e barbatanas só a mulheres.
E eles, os peixinhos, escutaram-no e até chegaram ao êxtase. Não será acaso, certamente, que se celebre o santo sem um boa sardinhada e bom pedaço de broa.
A tradição revela-nos que ao comer uma boa sardinha estaremos também nós a ingerir o conteúdo proferido por tão elevado santo e doutor, que também é casamenteiro para alguns e não lhe fica nada mal.
Vai daí, “E mostra, acima de tudo, duas coisas: a questão de que se fala não é a sociedade portuguesa, é apenas uma mimetização da discussão americana e, como tal, precisa de encontrar materiais análogos para debate, devido à ininteligência e superficialidade dos seus locutores – sobre essa superficialidade histriónica, tão atrevida que até se permite convocar um “apartheid” no Portugal actual já botei aqui. E a segunda coisa, mais profunda, é óbvia: que por mais que anunciem afrontar a “identidade nacional” fermentada numa História obscurantista, há algo que não enfrentam. É a mitografia do partido socialista, sufragada na apropriação do espaço público. E porquê? Porque, como tanto o vêm demonstrando há anos, são dependentes … Entenda-se bem, são clientes. “It’s the economy, stupid” como dizem os gringos.”.
Portanto, tá tudo mostrado.
Levar a pinchada da pequena sereia dinamarquesa a sério é o mesmo que ver escrito numa parede ‘o De Vento é coiso’ e chamar a polícia para descobrir o culpado e principalmente o motivo de tal pinchada.
Percebo sua agonia pelo coiso. Portanto, já revelou o que a incomoda. E este tema da pinchada que me inspirou não lhe foi nada estranho e até que a tocou. Era mesmo para ser levado a sério.
https://oglobo.globo.com/celina/estatua-d a-pequena-sereia-pichada-com-frase-peixe-r acista-1-24513703
Não há dúvida de que o estudo da História se tem desenvolvido e se tornado complicado. Por um lado é bom, pois, antigamente, aceitávamos a História que nos impingiam, sem sentido crítico. Por outro, nestes tempos tão estranhos, as polémicas históricas são levadas ao absurdo.
Ao estudarmos História, confrontamos sempre dois tempos: o presente e o passado, mais ou menos longínquo. Hoje temos valores diferentes, uma ética diferente, e é grande a tendência para julgarmos atitudes passadas à luz dos nossos dias. Ninguém consegue ser 100% objectivo, mas também nunca devemos esquecer que a mentalidade era diferente. Para dar um exemplo: sou uma grande admiradora de D. Afonso Henriques. Isto não quer dizer, porém, que deseje, hoje em dia, um governante com as suas características. Muito pelo contrário! Além disso, e apesar de achar que devemos admirá-lo pela sua obra, também não podemos cair no erro de pensar ele ter sido guiado por mão divina, já que, para muitos, a formação de Portugal parece ter estada planeado por Deus e D. Afonso Henriques, qual Messias, sabia ser ele o incumbido dessa tarefa.
Resumindo: é legítimo que o admiremos, mas sem o desejarmos de volta, nem o idolatrarmos, pois ele era um homem como os outros e cometeu muitos erros. Era, sim, um homem da sua época. E, apesar de o podermos criticar, à luz da nossa ética, pois ele estava longe de achar que todos os humanos são iguais, também não o podemos condenar por isso.
Quanto às estátuas: no Leste europeu, as estátuas dos governantes marxistas foram destruídas. Não eram elas também património histórico, retrato de uma época? O mesmo se fez com a estátua de Salazar e com a de Saddam Hussein, por exemplo. Destruição de património? Distorcer a História? Ou actos de justiça?
É claro que não defendo a vandalização. Mas, por vezes, é difícil estabelecer fronteiras. Habituámo-nos a considerar Colombo como um herói e não há dúvida de que a sua viagem foi importante para a Humanidade. Mas sabemos hoje que não foi ele quem descobriu a América. E talvez seja legítimo discutir se ele de facto merece ser eternizado sob a forma de estátua.
Duvido muito que grande parte das vandalizações o sejam por protesto. Penso que há muito aproveitamento, seja por diversão, seja para culpar determinados grupos. Hoje, em dia, tudo é aproveitado e distorcido.
“Quanto às estátuas: no Leste europeu, as estátuas dos governantes marxistas foram destruídas. Não eram elas também património histórico, retrato de uma época? O mesmo se fez com a estátua de Salazar e com a de Saddam Hussein, por exemplo. Destruição de património? Distorcer a História? Ou actos de justiça?”
Uma coisa é a natural reacção às acções de líderes recentes, da nossa geração, da que imediatamente nos antecedeu, a dos nossos avós talvez. Líderes demonstradamente errados nas opções tomadas, já no seu tempo, já há luz, e violando-os reiteradamente, de valores largamente tidos como essenciais já nesse seu tempo. Que insistiram em práticas, opções, já então inaceitáveis. Será enfim natural (o que não desculpa tudo, entenda-se) que a queda de um regime autoritário – mais ainda, totalitário – traga consigo a remoção ou destruição do que foram seus símbolos solenes.
Coisa bem diferente é a destruição de símbolos ou evocações de uma história mais distante. Destruição fundamentada numa interpretação que, em lugar de contextualizar, legitima e censura conforme valores actuais factos ocorridos há larguíssimas dezenas ou há centenas de anos. Ao ponto de se pretender o puro e simples banimento dos seus agentes ou a sua integral demonização, ao ponto de se tomar a acção e a memória de gente que agiu conforme práticas e regras que no seu tempo eram comuns, generalizadas (muito que isso – e muito bem – seja impensável nos dias de hoje e, ocorrendo nos dias de hoje, fosse nada menos do que intolerável) como absolutamente imprestável e totalmente repugnante.
É destruição de património, sim (quantas dessas estátuas não apresentarão bem mais do que o homem, contendo valor artístico em si mesmo e nelas representando na verdade sinais de uma época que nunca deixará de ter existido e que nos trouxe onde estamos, faça-se e diga-se o que se quiser).
É distorcer a História, sim (continue-se a apagá-la, a reconduzi-la aos valores de hoje, deste ano, deste mês, da mais recente histeria propagada nas redes sociais; recorde-se dos homens que a fizeram apenas o que por estes tempos interessa recordar e um dia destes teremos gente de bem a tomar Churchill e Hitler como gente da mesma laia: supremacistas brancos, imperialistas europeus, defensores de uma sociedade “patriarcal” e a restante ladaínha dominante. E será essa A Verdade).
Quanto a ser actos de justiça, talvez o possam ser pontualmente, nos casos de algumas figuras mais recentes e que tenham actuado no nosso tempo de vida ou no dos nossos pais ou a avós. Mas sê-lo-ão quanto aos que fundaram ou consolidaram países ou regimes a que tanto devemos, desde logo pelo facto de aqui poder estar a trocar pontos de vista; aos que se destacaram nas ideias, nas artes e nas ciências; aos que afinal agiram conforme as práticas consensuais do seu tempo, aos que ainda que com manchas na sua acção – desde logo de acordo com o magno critério do que pensa hoje um miúdo de 20 anos com a densidade intelectual de um peixinho vermelho, respeite-se o animal, cegamente maniqueísta e arrogantemente inculto (ou completamente estupidificado), e que parece ser O critério relevante -, contribuiram decisivamente para o edifício em que hoje vivemos e que apesar de todos os seus defeitos vamos considerando bem melhor que as alternativas já experimentadas ou propostas (melhor mesmo, afinal, para os que se servem dele para o atacar)?
Costa
«(…) e um dia destes teremos gente de bem a tomar Churchill e Hitler como gente da mesma laia: supremacistas brancos, imperialistas europeus, defensores de uma sociedade “patriarcal” e a restante ladaínha dominante. E será essa A Verdade»
«gente de bem» e de mal porque, lá está, a “verdade verdadeira” é que, por muito que V. estrebuche, o que poderá distinguir Churchill de Hitler, até nem nunca será a questão de ambos terem, ou não, em comum, o serem de facto «supremacistas brancos, imperialistas europeus, defensores de uma sociedade “patriarcal”»… ou algo de parecido já que, para ambos, a “supremacia branca” até apenas era a base da pirâmide ideológica onde a sua “tribo” se situava no topo.
Ó Vaz, você lá vai fazendo com incansável devoção revolucionária o seu trabalhinho por aqui. Chega a comover.
Lá vai estrebuchando, enfim.
Costa
(…)
Não, Colombo não descobriu a América. Sabemo-lo hoje. Hoje, cá está. Mas agiu de má-fé? Reclamou essa descoberta ontem, há dez anos, há cinquenta?Usurpou dolosamente a glória de norte-europeus de acções largamente indocumentadas, para efeitos práticos desconhecidas, até bem depois do seu tempo? Questionar-se-á que foi após Colombo e na sequência da sua acção que a América de facto se tornou conhecida deste lado do Atlântico e se iniciou o que a levou ao que é, de bom e de mau, nos dias de hoje?
É difícil estabelecer fronteiras? Não o devia ser, neste caso. Não o é para os vândalos que mandam nas ruas. Sobretudo a fronteira válida não pode ser – não se pode aceitar, não se pode contemporizar – a que eles impôem.
Uns não têm escrúpulos, não hesitam em reescrever – ou apagar – o passado de acordo com os seus cânones. Outros curvam-se numa culpa histórica cobarde e masoquista, ou perdem-se em contemporizações castradoras. A continuar assim, o desfecho está assegurado.
Lisboa arrasada com o terramoto de 1755. Nunca consegui perceber na reconstrução passar a ser/haver a baixa e o bairro alto pombalinos e sobre a reconstrução de todo aquele casario de Alfama ou Mouraria nada é dito.
Caro Jpt, que sirva de lição para muitos benfiquistas que querem branquear…, o Seninho jogador top do FCP teve de ir para angola cumprir o serviço militar e ser jogador de uma equipa da província Angolana, miraculosamente os jogadores benfiquistas nas mesma situação ficavam livres.
Na 2ª republica os Salazar ou o Marcelo queriam lá saber do futebol, mas os dirigentes, governadores, elites arranjavam sempre maneira de dispensarem os jogadores do benfica das lides da tropa, já os jogadores do FCP até tinham de ficar de fim de semana no quartel, no dia da final da taça de portugal contra o benfica, rip Seninho.
‘…muitos benfiquistas querem branquear…’
Mas branquear o quê?
Essa dos jogadores do Benfica se safarem, e também alguns do Sporting, na tropa de serviços por cá e mobilizados para a guerra lá fora, tinha tudo a ver com os clubes arranjarem substitutos ‘não mobilizáveis’ pagando determinada importância, quer queiramos ou não eram quase todos jogadores da Selecção daqueles tempos.
No meu tempo, meados anos 60, conheci vários jogadores de topo que nunca ficavam de serviço e alguns que não foram mobilizados pagando (provavelmente o seu clube) a outros para ficarem/irem no seu lugar. Era assim que funcionava, se os do FCPorto não o faziam era por eles ou clube não estarem interessados.