DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Depois de uma peça mostrando uma inacreditável entrevista (dada ao jornal ABC) numa língua estranha que me lembrou de imediato o palhaço rico dos circos da minha infância, fiquei a saber que José Sócrates foi jantar com o rei de Espanha. Espero que o rei não tenha visto e ouvido o mesmo que nós, para bem do nosso infeliz primeiro-ministro. É que Juan Carlos é conhecido pelo imediatismo do seu sentido de humor, e aposto que não resistiria a dizer ao convidado (desta vez com uma pancadinha amigável nas costas e um largo sorriso, certamente): “Por qué no te callas, Pepe?”»

 

João Carvalho: «Portugal trepa tudo quanto é escala e aproxima-se vertiginosamente dos países da UE com valores mais altos. Impostos mais elevados, salários mais baixos, ensino mais deficiente, avaliação mais ridícula, língua mais maltratada, ciência mais incipiente, sabedoria mais fraca, autoestradas mais numerosas, défice mais profundo, dívida mais assustadora, política mais ineficaz, políticos mais impreparados, corrupção mais activa, imprensa mais controlada, justiça mais lenta, economia mais débil, finanças mais desperdiçadas, orçamentos mais irrealistas, crescimento mais tímido, trabalho mais precário, desemprego mais dramático, pobreza mais acentuada e homossexuais mais casadoiros. Só falta sermos felizes. O que se explica: quanto mais o país trepa mais a gente se afunda.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O convívio em democracia assenta em regras, em valores, em princípios. A vida política é feita de combates, de opções claras e determinadas. Quando em nome de um hipotético e malogrado consenso e de uma crise económica e financeira, o mais alto magistrado da Nação está disposto a abdicar daquilo em que acredita para se colocar à margem da discussão política, está apenas a dar uma triste imagem de si e do seu papel.»

 

Eu: «Nesta legislatura, dotada de poderes de revisão constitucional, julgo ter chegado a hora de haver finalmente consenso entre socialistas e sociais-democratas: não são necessários mais do que duzentos deputados no hemiciclo de São Bento. Numa altura em que se pedem tão pesados sacrifícios aos portugueses, também a instituição parlamentar deve sacrificar-se. Nos estritos termos constitucionais e mantendo o princípio da proporcionalidade na conversão de votos em mandatos, aliás também ditado pela lei fundamental portuguesa. Não há democracia sem Parlamento. Mas a democracia portuguesa não funciona melhor com 230 deputados do que com duzentos. Naturalmente.»

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