A ler


Sérgio de Almeida Correia,

Para além de colega e actualmente meu bastonário, o Luís Menezes Leitão é, igualmente, companheiro nesta casa que nos acolhe. Espero que, apesar disso, o autor me perdoe.

Faltando-me a paciência e a disposição para sobre o tema escrever alguma coisa, não podia deixar de aqui trazer o que ele escreveu na sua crónica do jornal i sobre as comemorações do 25 de Abril pela Assembleia da República.

Para se concordar não é preciso estar no mesmo campo político. Tal como para criticar também não se exige estar do outro lado da barricada.

É que há coisas que me parecem de tal forma evidentes que só por birra ou ausência completa de bom senso se pode insistir. E nesta insistência temos tido dirigentes que são imbatíveis, conseguindo mostrar dentro e fora do Parlamento que é possível articular as duas na perfeição.

2 comentários em “A ler”

  1. Sérgio, antes de mais gostaria de dizer-lhe que vejo um governo, o PR e os parlamentares não como mandatários da minha consciência, pois esta pertence-me, mas como gestores de um país a quem lhes foi conferida uma missão por período limitado.

    Não sendo eles donos de minha consciência, e não lhes permitindo qualquer autoridade sobre ela, também não me permito pensar ter domínio sobre a consciência deles.

    Mais ainda, o estado de emergência não me subordinou em nada aos princípios que defendo e que, coerentemente, só os modificarei perante factos ineludíveis.

    Creio que eles são pessoas crescidas para agir em conformidade e celebrarem o que entenderem celebrar quer em nome pessoal quer em nome de uma nação ou parte de uma nação.
    Neste sentido, se as celebrações estão confinadas ao espaço de um parlamento seguindo o que a ciência, consciência e prudência determina, entendo que não há razão para um grito dos escravos, no qual não me incluo pelos motivos expostos, a não ser a razão de quem se possa sentir escravo.

    Não obstante, indigno-me, sim, que não se esteja a debater, informar e preparar o que será ou como acontecerá a vida a partir de 02 de Maio. Com todos os desafios que isso possa trazer. E esta situação não é confinada a um acto ou determinação governamental, porque envolve os legítimos receios de parte de uma população mas também as legitimas expectativas de outra tanta parte.
    Concluindo, entendo que o luto e o acompanhamento dos defuntos deve ter início, seguindo as mesmas normas, e acabar-se com o luto dos mortos vivos. Acredito mesmo que a democracia não está suspensa e não necessito de exemplos vindos “de cima” para acreditar nisso mesmo.

  2. E sobretudo ter em conta que qualquer ideia diferente da preconizada pelo Sr. presidente da Assembleia da República, é uma ideia populista. Não foi na antiga Assembleia Nacional que o discurso era muito semelhante? Quem não é por mim é contra mim!

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