Seria bom que a oposição não confundisse o direito de obrigar o Governo a dialogar com a humilhação a que o pretende sujeitar de cada vez que esse diálogo for necessário – escreve hoje José Leite Pereira no Jornal de Notícias.
Esta advertência, cujo espírito subscrevo, é no entanto reveladora do que é a nossa cultura política. Os termos usados, desde logo obrigar a dialogar, que soa a punição e revela uma preocupante distorção da forma como se encara o preceito democrático do diálogo e acima de tudo humilhação, descrevem-nos uma cultura baixa, revanchista.
Recear que o governo seja doravante sujeito a humilhações de cada vez que for necessário negociar é, infelizmente, uma expectativa muito realista. Não pretendo, com este comentário chorar lágrimas de crocodilo pela sorte do novo executivo rosa. Longe disso. Fossem outras as cores do governo minoritário e o fundamento desta apreensão mantinha-se. Porque há coisas que transcendem as famílias partidárias. São essas que lixam, invariavelmente, o País.

O diálogo com a oposição é um imperativo – até constitucional – para qualquer Governo, com ou sem maioria absoluta no Parlamento. Sem maioria, é mais que um imperativo: é uma condição básica de sobrevivência. Sócrates já demonstrou que dialoga pouco e mal. Mas 2009 não é 2005: queira ou não queira, nesta legislatura terá mesmo de escutar o que diz a oposição.
Bem observado. Não sabia, mas vindo de quem vem não admira. O JN também é do regime e este director consegue ser o pior a escrever editoriais naquela Direcção, o que permite distinguir o trigo do joio. Sempre se pode torná-los torná-los anónimos como no Público.
Isso é que me preocupa: a mordaça da Imprensa, a acomodação mesmo que os ventos eleitorais tenham ditado outra frescura num regime podre.
Se o Sócas vai dialogar ou não, tou-me a marimbar. Até porque não acredito e esticará a corda para ir a eleições dentro de dois anos. Sempre pela vitimização que tem deixado sequelas pelos bem-pensantes da paróquia de tão maus pastores e tão subserviente rebanho.
Para Sócrates, pior do que dialogar mal vai ser escutar, compadre. Porque a versão dele parece que é o ‘diálogo de surdos’.
Creio ter percebido o alcance das palavras do Zé. Na verdade, parece-me perfeitamente surrealista que agora toda a oposição clame, em uníssono, que o governo não pode aplicar as suas medidas, por não ter maioria!
Além de idiota, revela uma falta de cultura democrática confrangedora. Tentar extrair dos resultados das eleições, que os portugueses não quiseram dara a maioria ao PS e por isso ele não pode tomar medidas que estão no seu programa revela uma senilidade preocupante. Com oposições assim, teremos de aguentar Sócrates enquanto ele quiser.
Excelente post. Estou totalmente de acordo, sobretudo com a última frase.