E vacinas contra a pouca vergonha, não há?


Teresa Ribeiro,

Se forem despachadinhos, os funcionários dos partidos políticos, de quem, como se sabe, dependemos todos, poderão ser vacinados contra a gripe A já na primeira fase, antes mesmo das crianças. Se isto não é vergonhoso, não sei o que lhe chame.

16 comentários em “E vacinas contra a pouca vergonha, não há?”

  1. Mas a Teresa está assim ansiosa por vacinar as crianças?

    Eu não estou. Tenho dois filhos (um dos quais é asmático) e não tenho nenhum desejo especial de que eles sejam vacinados. Por mim, os funcionários que quiserem podem-lhes passar à frente.

    1. Luís, se as vacinas têm ou não contraindicações é uma outra discussão. O que está aqui em causa são as prioridades das nossas autoridades políticas e de saúde relativamente à prevenção e defesa contra a gripe A. Concorda com este critério? Eticamente não o repugna nem um bocadinho?

  2. Antes, muito antes das crianças, contemplam-se os elementos «insubstituíveis» dos partidos? Meus senhores, começa a ser tempo de lembrar (e eu já andava à espera de qualquer vergonha do género) um dito popular muito antiguinho: “os cemitérios estão cheios de insubstituíveis”.

    Não menos caricato é encarar a existência de gente insubstituível nos partidos. Devem ser aqueles que mudam com a mudança dos líderes. Os que andam com malas pretas também. Ainda os que angariam votos a 20 ou 30 euros. Talvez os que pagam as quotas dos militantes para estes poderem votar. E os que cultivam relações privilegiadas com investidores, empreiteiros, dirigentes de futebol, etc. Esqueci-me de alguém?

  3. Como se as crianças não devessem estar sempre primeiro, Teresa.
    Acho espantoso que os Deputados constem nas prioridades, por exemplo. Se tivermos em conta o que faltaram na legislatura anterior uma semana em casa por causa da gripe não lhes causará mossa.

  4. É verdadeiramente escandaloso. Lamento que os profissionais da indignação que por aí proliferam não se escandalizem com isto. Porque motivo os 230 deputados hão-de ter prioridade nas vacinas? Vários deles recusaram este privilégio, o que muito os honra. Barack Obama fez o mesmo nos EUA. E é verdadeiramente inaceitável que as secretárias dos senhores secretários de Estado e dos senhores líderes partidários figurem também nas listas de prioridades.
    As vacinas devem ter como prioridade as crianças e todas as pessoas que estão em grupos de risco.

  5. Balhamedeus Teresa, balhamedeus. A ser assim é muito mau. Cada vez me sinto mais vacinada contra este modo de entender as coisas.
    🙂

  6. Nem mais. tem toda a razão.
    De repente lembrei-me do afundamento do titanic, e das primeiras pessoas que se ” enfiaram ” nos salva vidas, porque seria?

  7. Tendo em conta que haverá neste país 1 milhão de crianças e adolescentes, talvez muito mais, e que nesta primeira fase estamos a falar de bem poucas vacinas (alguns milhares ou dezenas de milhares, não mais), custa a ver como é que se poderia colocar “as crianças em primeiro lugar” neste caso. Quais crianças? Com tão poucas vacinas e tantas crianças, seria preciso selecionar criteriosamente as crianças – o que seria bem difícil.

    1. Ah! Afinal, o Luís está certo. Se não houver vacinas para todas as crianças, mais vale passar aos funcionários dos partidos, que é muito mais fácil. Bem visto.

      (V. nem imagina a quantidade de funcionários “insubstituíveis” que se arrastam pelos partidos maiores, mas isso é outra coisa.)

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *