![image[1].jpg image[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21727185_tZwhd.jpeg)
«Este governo não há-de cair – porque não é um edifício. Tem que sair com benzina – porque é uma nódoa.»
Eça de Queiroz, O Conde d’Abranhos (1925), p. 106
Ed. Livros do Brasil, 2017.
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«Este governo não há-de cair – porque não é um edifício. Tem que sair com benzina – porque é uma nódoa.»
Eça de Queiroz, O Conde d’Abranhos (1925), p. 106
Ed. Livros do Brasil, 2017.
dizia alguém antes do uso dos sprays. Com muita graça.
Escrevo a palavra benzina e logo a associo ao odor da dita. Os odores perduram tanto ou mais do que as imagens e os sons na nossa memória.
Pode crer. Muita nódoa tirei com ela quando não havia outra coisa.
P. 114, na edição que aqui tenho. Mas, seja qual for a página, interessa – interessa-me – que a citação que faz me remete para esta outra e que, como essa que relembra, em muito ultrapassa a questão do momento: “Em todo o caso não vejo senão uma solução simplista – uma Tirania. É necessário um sabre, tendo ao lado um pensamento.” Em carta a J. P. Oliveira Martins, de Outubro de 1890.
Uma tirania (mesmo no sentido clássico), pelos nossos tempos, só mesmo em desespero; desengano reiterado quanto à lucidez do Soberano. E já não sei se pela tirania, ela mesma, se pela desesperança quanto a, fora dela, isso de “um pensamento”.
Veremos, quando tudo isto passar.
Costa
Esta é a mais recente edição de um verdadeiro clássico da nossa literatura. Um clássico que Eça deixou esquecido na célebre arca póstuma – quase tão fértil em inéditos como a de Pessoa.
Felizmente passou da arca ao prelo. É uma obra tão actual hoje como no tempo em que foi escrita.
Um clássico já lido, O Conde de Abranhos e A Catástrofe. Por ler, coisa a ultrapassar em breve, As Batalhas do Caia. Não de Eça; não viveu para contar. De Mário Cláudio.
Estes dias (também) servem para isto.
Costa
Comecei ontem a reler essa obra-prima que é ‘A Cidade e as Serras’. E é sempre como se estivesse a lê-la pela primeira vez. Um imenso prazer intelectual revisitar esta prosa que não cessa de nos transmitir emoções – década a década, século a século, ei-la de frescura intacta.
Primeiro título de um plano de releituras que vai prolongar-se pelos próximos dez dias de reclusão doméstica. Reclusão voluntária, seguindo o superior exemplo do supremo comandante.
«Este governo não há-decair — porque não é um edifício. Tem que sair com benzina — porque é uma nódoa.»
Tem toda a razão. E agradeço-lhe. Acabo de aplicar benzina na fórmula acordística.