No fim da tabela


Sérgio de Almeida Correia,

Durante horas e dias a fio, canais de rádio e de televisão e inúmeras páginas em jornais, revistas e blogues dissertaram sobre os insultos a Moussa Marega proferidos no jogo entre o Vitória de Guimarães e o Porto. A indignação foi real, pelo que li, vi e ouvi. Menos real é a conclusão do episódio.

Depois de tudo o que anteriormente aconteceu com muitos outros jogadores (Hulk, Semedo, Renato Sanches, Quaresma, por exemplo), e tendo em atenção o que se vai vendo lá por fora, cujo último exemplo chegou da Alemanha e do jogo entre o Hoffenheim e o Bayern de Munique, que levou a uma “greve” em campo dos jogadores das duas equipas antecipando o final do jogo, estava convencido de que em relação ao que se passou em Guimarães viria sanção pesada.

Pura ilusão.

De acordo com a notícia de A Bola, pelo que aconteceu, no total, os “vimaranenses foram multados no valor de €17,941“, dizendo as multas respeito a “deflagramento de potes de fumo e flashlights (€4017)“, “entrada de materiais pirotécnicos (€3392)“, “arremesso de dois fachos (€2678)“, “arremesso de cadeiras (€7140)“, e “insultos a Marega (€714)“.

Como se vê pela discriminação das parcelas, arremessar cadeiras ou atirar uns fachos para o relvado é mais grave do que proferir insultos racistas ou imitar os urros de símios dirigidos a um dos protagonistas do espectáculo.

Para os senhores do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, os insultos a Marega não valem um corno. O valor da multa é um estímulo a que os energúmenos das claques continuem a sua acção cívica. Meia dúzia de euros resolvem o problema.

11 comentários em “No fim da tabela”

  1. que levou a uma “greve” em campo dos jogadores das duas equipas antecipando o final do jogo

    Pois, o que mais me chocou no episódio dos insultos a Marega foi a reação dos colegas de Marega, sobretudo os da equipa do F.C. Porto, que, em vez de se solidarizarem com o seu colega insultado, procuraram à viva força (e com recurso a força física) tentar impedi-lo de fazer greve.

    Enquanto que os jogadores do Bayern e do Offenheim, todos solidários, fizeram greve, os jogadores do F.C. Porto e do Vitória mostraram uma chocante falta de sensibilidade e de solidariedade para com o seu colega de profissão.

    Foi isso que mais me chocou. Mais, até, do que os insultos racistas propriamente ditos.

  2. Ora bem, parece-me que a federação ´bem mais disciplinada e democrática que outros órgãos conhecidos. Todos os dias somos insultados por quem nos governa e por muitos parlamentares, e pagamos imposto para isso.

    O camarada comentarista acutilante, rapaz humilde e desafortunado, direi mesmo, órfão das benesses divinas, é capaz de encontrar explicação para isto.

    1. Olhe Vento. Não encontro.
      Ou por outra: encontro mas o caro antecipou-se-me e disse exactamente o que eu diria.

  3. “Como se vê pela discriminação das parcelas, arremessar cadeiras ou atirar uns fachos para o relvado é mais grave do que proferir insultos racistas ou imitar os urros de símios dirigidos a um dos protagonistas do espectáculo.”

    E não é? Ainda bem que não se fizeram reféns do circo mediático.

    Como dizem os ingleses às crianças: “sticks and stones may break my bones, but words will never hurt me.”

  4. “, arremessar cadeiras ou atirar uns fachos para o relvado é mais grave do que proferir insultos racistas ou imitar os urros ” Claro que é mais grave. Atirarem-me com uma cadeira à cabeça é, para mim, muito mais grave do que chamarem-me branco da merda, por exemplo. Ou imitarem qualquer som que ofenda caucasianos.

    1. Júlio: eu compreendo-o. Geralmente considera-se ofensivo ou de mau gosto se se goza com uma deficiência que uma pessoa tem. Muitos anti-racistas parece que pensam que ser preto é uma deficiência e que, portanto, gozar com a cor escura é uma ofensa. Quem pensa assim tem, no fundo, subjacente a ideia de que ter a pele muito escura é mau. Ou seja, intitulam-se anti-racistas mas têm uma atitude racista ainda que sem intenção. Quem acha que imitar, na presença de um negro, os sons de um macaco é ofensa é que é verdadeiramente racista. Se eu fosse jogador no Uganda e a assistência (100% negra) gozasse com a minha brancura, eu ofender-me-ia? Acho que não.

  5. 1 – No Hoffenheim vs. Bayern a interrupção do jogo nada teve a ver com episódios racistas.

    2 – O árbitro do V.S.C vs. F.C.P é que deveria ter tomado uma decisão, como fez, aliás, o seu congénere alemão.

    3 – O Marega foi sancionado com a exibição de um cartão amarelo. Ninguém se pronunciou para retirar a amostragem do cartão, mesmo aqueles que se pronunciaram contra os insultos e as atitudes. Quem defendeu a sua origem foi o único sancionado e com consequências (o número de cartões acumulados levam à exclusão quando atingem determinada soma).

    4 – O F.C.Porto também foi multado e muito mais que a sanção mais baixa apresentada. Provavelmente, por não ter abandonado o campo ou por ter escalado jogadores que poderiam vir a ser sujeito a insultos.

    João Moreira

    1. O árbitro do V.S.C vs. F.C.P é que deveria ter tomado uma decisão

      Certo, o árbitro deveria ter tomado uma decisão, após conferenciar com os capitães das equipas. E, esses capitães deveriam, em nome das suas equipas, ter-se solidarizado com o seu colega de profissão que estava a ser vilipendiado, e ter defendido junto do árbitro a suspensão ou conclusão do jogo.
      Os capitães não fizeram isso, e deveriam ter feito.
      O que se presenciou foi precisamente o oposto: os jogadores de ambas as equipas, em vez de se solidarizarem com o seu colega, criticaram-no e procuraram, inclusivé por meios de força física nada bonitos, impedi-lo de levar a cabo a sua decisão.
      Ou seja: o árbitro esteve mal, sim, mas os jogadores e capitães também deveriam ter estado muito melhor.
      É, ao fim e ao cabo, a diferença entre alemães e portugueses.

  6. “Maria vai com as outras”, perdão queria dizer Sérgio vai com as outras.

    : «Em face de notícias veiculadas por alguns órgãos de comunicação social, cumpre esclarecer que as multas aplicadas pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol no âmbito do jogo Vitória SC-FC Porto não estão relacionadas com insultos racistas. As multas ontem divulgadas pelo Conselho de Disciplina/Secção Profissional resultam de outro tipo de infrações, que nada têm a ver com atos discriminatórios, conforme está devidamente publicado e fundamentado no mapa dos processos sumários (Comunicado Oficial 180) que pode ser consultado no site da FPF e da Liga Portugal. Por outro lado, como é público e notório, e relativamente à ocorrência de eventuais infrações disciplinares tendo por base, aqui sim, atos discriminatórios, o Conselho de Disciplina instaurou, no passado dia 18 de fevereiro, um Processo Disciplinar que de imediato foi enviado à Comissão de Instrutores da Liga Portugal, onde se encontra em fase de inquérito.»

    Texto retirado do zerozero.pt
    https://www.zerozero.pt/news.php?id=279351

    Concluído o inquérito quem vai ser castigado é Marega por falta de fair play. Insultou mais de vinte mil vitorianos presentes no Estádio e muitos mais que viram o jogo pela TV.
    Armado em vítima e endeusado até por políticos foi ele com gestos obscenos que incendiou o espectáculo. Ouviram-se insultos de toda a espécie incluídos racistas, mas estes minoritários. Aliás coisa que não é inédita.
    Querem denegrir o Vitória e por arrastamento Guimarães mas não o vão conseguir.
    Francisco Ferreira sócio do V.S.C( presente no Estádio).

  7. E a máquina propangadística do slb lá se conteve. Uns quantos ainda vieram “pedir” a expulsão do Marega (à luz da lei seria admoestado por interromper o jogo e sair sem autorização), mas quando viram a corrente internacional a favor do maliano, lá enfiaram a viola no saco.
    (conclusão: ’tá-se tudo ca*ando para o preto)

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