Já me tinha saltado à vista em 2018, por ocasião da mesma discussão, e na altura fiquei calado. Mas voltei a reparar agora. Parece que há muita irritação da parte de alguns defensores da despenalização da eutanásia por haver pessoas que são contra por razões religiosas. Vai daí, lançam-se numa diatribe a favor da “laicidade do estado” (os mais suaves) ou contra “a intromissão das religiões”, “os ratos de sacristia” ou a “igreja do cardeal Cerejeira” que “parece querer voltar aos tempos da Inquisição”.
Convém relembrar o óbvio: a laicidade do estado significa a separação entre este e as instituições religiosas, não a supressão destas ou a sua hostilização por parte dos poderes públicos. Quanto à inquisição contemporânea e outros delírios, que eu saiba numa sociedade pluralista as religiões têm o seu lugar e as pessoas podem perfeitamente defender os seus princípios baseados na sua fé, políticos incluídos. Por isso sim, há pessoas contra por razões religiosas e isso é perfeitamente legítimo. Assim como a maioria é influenciada por razões políticas ou de outra ordem, e têm igual legitimidade. Aliás é curioso verificar como por vezes a defesa da “liberdade religiosa” para alguns parece ser ou a defesa de apenas determinados cultos ou uma atitude de “sim, tenham lá a fé que quiserem mas exprimi-la em público ou expressar ideias baseadas nela é que não pode ser”. Sobretudo numa altura em que tantas opiniões são exprimidas com base em variados conceitos novos e não poucas vezes intrigantes quanto ao contexto – no outro dia lia algo sobre “uma abordagem ao colonialismo do ponto de vista LGBT(?)”. Por isso, protestar contra a influência da religião no pensamento dos seus seguidores não é laicidade nenhuma, é apenas desagrado com algo que o emissor não aprecia, mas que numa sociedade aberta (ou diversa, como se diz agora), terá de aceitar, assim como as confissões tiveram de aceitar a legalidade da blasfémia. Caso contrário, não contem comigo para regressar às políticas da 1ª República de má memória.

Não é essa a questão.
O problema não é as religiões imporem aos religiosos o não à eutanásia.
Ninguém, de fora, quer impor seja o que for às religiões e aos religiosos.
O problema é as religiões quererem impor aos não religiosos a criminalização da eutanásia.
Isso chama-se intolerância perante a diferença, abuso de poder, expoliação da liberdade de cada um.
João de Brito
Que eu saiba, a eutanásia não vigora em Portugal e ainda é considerada um crime, logo dizer que são os religiosos que a querem impor não tem qualquer sentido. Já agora, também podemos dizer que há quem imponha a criminalização da fuga aos impostos, ou o seu relativismo não chega a tanto? são outros. Ou será que pouquíssimos países no mundo a adoptaram por “imposições dos religiosos”? Quanto ao “Ninguém, de fora, quer impor seja o que for às religiões e aos religiosos” daria para contra-argumentar pela noite fora, mas peço ao João de Brito que reflicta se não terá sido muito apressado: ninguém quer mesmo impor nada aos religiosos? Desde os trolls na net que dizem que “as religiões deviam era acabar todas” até países que impõem oficiosamente o ateísmo de estado, como a China, essa fase é capaz de perder todo o seu sentido.
Não haja dúvida, é mesmo de ideias como essas que o meu post refere..
O João de Brito é daqueles personagens muito singulares. Se a Igreja for contra a sarna, o João de Brito faz questão de ter sarna. E assim é!!
A questão é que o João de Brito também é religioso. Acredita na religião Política.
Que é aliás a religião dominante na Europa. Guerras religiosas provocaram mais de 100 milhões de mortos na Europa no século passado.
Por exemplo o João de Brito quer a criminalização de quem se recusar a pagar para a Eutanasia que defende.
Por isso onde está essa liberdade de que fala mas que não cumpre?
Outra, o João de Brito na sua religião Política quer impor a criminalização do divorcio se for um patrão e um trabalhador.
lucklucky
Vá um pouco de ironia.
Então, religiosamente, acabando o sofrimento antes da morte certa, nunca haveria
o ‘Deus me salve’. Mas salve de quê? Da dor ou do ter andando a dar milho aos pombos e o sofrimento que está a ter é a ‘entrada pró inferno’ ?
Nunca consegui perceber aquele alivio religioso do ‘estava na hora dele’, acontece em que circunstâncias for, até a última duas mortes de pai e filho morrerem afogados nos dejectos dos porcos foi um chamamento divino.
E ainda sobre os cuidados a pessoas em estado de grande sofrimento havia, até aos meados dos anos 60, nos Hospitais as Irmãs da Caridade (freiras) que confortavam/estavam sempre ao lado dessas pessoas, mas parece que ‘atrasavam a hora deles’ e passaram para a grande actividade comercial de lares de idosos.
“A hora dele” é uma expressão popular para estas ocasiões, não é um consolo. Essa das irmãs atrasarem “a hora deles” ainda é pior que o argumento “ad hitleruu” em relação aos defensores da eutanásia, ou da “eles querem é matá-los para ficar com as pensões”. Não sei se o anónimo já teve de consolar pessoas À beira da morte, mas quem o faz merece-me bem mais respeito do que autores de “ironias” neste assunto tão sério. Deve acha que a questão tem tanta profundidade como discutir marcar de gin.
Eu acrescentaria sobre a terrível influência do estado na introdução do legalismo para legitimar novos cultos farisaicos e egocêntricos que confundem laicidade com arranjos em roda livre que pretendem sobrepor ao comum, fazendo que o comum aceite e que aceite também uma opção dita individual que agride a estrutura de uma sociedade.
O motivo da reflexão deve ser outro: É capaz o estado laico conceber e legislar sobre teorias artificiais provocando administrativamente um ciclo contrário ao que é comum e natural?
Claro que não.
O estado laico, e outros socorrendo-se desta laicidade, pensavam que a lei libertava e, mais ainda, que seria a penalização legal contra os demais que os levaria a ser aceites. Os movimentos de resposta a estas agressões surgem hoje um pouco por todo o mundo; e se não existir ponderação para o fenómeno poderá ocorrer uma grande fricção social.
Outra coisa será circunscrever os temas a matéria de direito. O direito está consignado nas mais variadas cartas e constituições; e quando foi concebido teve carácter universal, isto é, era para iguais e para diferentes, mas nunca para transformar a diferença em igualdade e exaltar o individual.
Assim, procurando também arredar o religioso da vida social e de uma nação só revela que se procura a estigmatização do comum em favor do diferente.
O Brasil, USA, Rússia, Síria e outros mais têm vindo a demonstrar que a anterior perseguição e tentativa de arredar o cristianismo da vida das nações não só congregou estes como também outros das demais religiões a estes e vice-versa.
No caso brasileiro e norte-americano convém ter em boa nota que muitos dos apoiantes dos anteriores governantes são os mesmos que, perante as agressões legislativas desses e a tentativa de se funcionar em roda livre contra o senso-comum, apoiam a legislatura actual.
Tudo isto para dizer que o conservadorismo não é ofensa, porque há matérias em que se é conservador por natureza. E neste conservadorismo não há religião e ideologia que se sobreponha. É uma falsa questão atacar a religião para justificar o conservadorismo que se pretende contrariar assim como, da mesma forma, não há ideologia que a este se contraponha.
No caso português, existe uma nota conjunta de budistas, católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus, hindus e outros mais contra a despenalização da eutanásia. Acrescentando que outros não religiosos, os ditos conservadores, também alinham por estes princípios.
Concluindo, a caça às bruxas está mal enquadrada.
Nem é preciso ser-se conservador. Mas não tenho a menor dúvida de que há por aí muita gente que quer aprovar certas normas não tanto pelo que elas significam mas para pode contrariar os religiosos. O que não deixa de ser uma violação à laicidade do estado.
O jacobinismo não se impressiona com a razoabilidade de argumentos nem com o discurso legitimador mais elementar. O jacobinismo é movido por uma imensa fé!!
Sim, assume a forma de uma religião laica e não poucas vezes fervorosa até ao fanatismo.
Hitler na Alemanha aplicou o “sistema”.
Por isso na Alemanha ninguém fala nisso.
Com o desgoveno que temos os esquerdóides, (BE incluído) essa medida progressista deve ir no futuro ser um caça “idosos reformados, doentes e inválidos!
A.Vieira
Aqui já se falou nisso, mas tem de haver algum cuidado para não misturar ideias eugenistas com dramas pessoais reais que ninguém de fora poderá julgar.
Hitler na Alemanha aplicou o ‘sistema’.
Aqui temos o truque da ‘muitos não sabem e vai pegar’.
O que é que os assassinatos do Hitler tem a ver com a eutanásia?
Bem, não me diga que foi tudo a pedido dos doentes em estado terminal.
Rectifique a asneirada, ou é ignorante ou está a atirar areia prós olhos de quem sabe ler.
Este estropício anonimo vem aqui, `a laia de chico esperto, explicar aquilo que não sabe, logo inventa!! As leis de eutanasia do Reich para além de compreenderem o consentimento presumido para aqueles que não estavam em condições de prestar o consentimento esclarecido, coisa que seria atestada por junta médica especializada, compreendiam principal e igualmente a eutanásia por consentimento expresso!! Era esse o texto da lei, seu ignorante presunçoso!!
Vcmce é um gebo, vesgo e corcunda. Da espécie dos malhadinhos da areia!!
Muito bem. Totalmente de acordo.