O comentário da semana


Pedro Correia,

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«Mais do que o posicionamento do PSD no espectro político, o problema actual (parece-me no meio da minha ignorância) é um problema de geografia — a questão do domínio crescente do PS nos meios urbanos e a própria perda de influência do PSD nos meios rurais do norte e do centro do país de onde provinha uma boa fatia da sua fidalguia — que complementava as ligações às academias no Porto e nas universidades privadas que entretanto sofreram todas uma derrocada na sua credibilidade e até na sua utilidade.

O problema do PSD está ligado ao fim da percepção da existência do dinheiro europeu, ao enfeudamento de gestores do PS nos organismos que gerem os dinheiros dos QCAs, e à destruição e esvaziamento do interior que o PS vem operando há muitos anos através de organismos totalitários desenhados em Lisboa (como a Protecção Civil e as DRAs) que são mais uma instância do bloqueio que o Estado socialista e o municipalismo republicano da maçonaria suburbana está a fazer à sociedade civil fora das cidades. Nada pode mexer a não ser na órbita dos poderes autárquicos e do poder dos ministérios.

O PSD é péssimo nisso porque é um partido civil, de pequenos proprietários e comerciantes, e estoirou todo o capital de confiança que existia com os erros sucessivos de PPC e as mentiras de Paulo Portas (que defraudou irremediavelmente os 15% que votaram nele em 2011). O sinal mais evidente da anemia do PSD é o desinteresse pelos congressos do Partido, que costumava ser o benchmark da política nacional.

A última manifestação de confiança do eleitorado no PSD foi destruída por António Costa, não por mérito próprio mas pelo silêncio pactuante com que a comunicação social (e organismos maléficos como a agência Lusa) controlou a golpada eleitorial de António Costa — e a permanente auto-capacitação e auto-legitimização do Parlamento para legislar sobre coisas que não estavam nos programas eleitorais e que trouxe para a ribalta as demandas fracturantes e normalmente idiotas e incultas do PAN e do BE — porque são os filhos das madrassas públicas que estão agora a chegar ao poder.

Em suma, O PSD perdeu qualidade nos seus quadros, mas o PS também.

Agarrem-se, pá.

 

(Mais importante ainda: estou na dúvida se se diz auto-legitimação ou auto-legitimização).»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste meu texto.

7 comentários em “O comentário da semana”

  1. “auto-legitimização).» Este é que deve usar por ser mais comprido. Está na moda complicar. Ninguém diz acesso, opção, recebi, disse. Toda a gente diz acessibilidade, opcionalidade, recepcionei, verbalizei. Etc., etc. Devemos seguir a moda baseados no dito Maria vai com as outras.

  2. É pá, q’a grande escritura e vai-se ler e nada.
    Mais uma vez: os jornais e outros (excepto RTP) são privados e pertencem a grupos económicos. Eles lá sabem
    O povo vota em quem lhe apetece. É assim em eleições.
    Agora é esta treta tal e coisa, coisa e tal, já passou o tempo do prec, do c.r., da
    constituição, do tribunal constitucional, dos bloqueios, das cavacadas, socretadas, troikadas, portas e cia, vamos lá ver se pega a revisão eleitoral daquela chatice de haver eleitos no alentejo do sul (no norte ainda se faz umas bajas) e nunca mais vem o que ‘me dá jeito’.

  3. Se o SLB ficar com menos pontos que o fcp, coliga-se com o Tondela e sagra-se campeão.

    Interessante que, em Portugal, às vezes votamos é em deputados, outras em programas, outras em partidos, ou até em líderes (quando o Barroso se pirou, diz-se que o psd perdeu a legitimidade). Conforme.

  4. O autor não refere os mecanismo de aceitação social e as sub culturas que se formam.
    O PSD acabou porque a mediatização fez os membros do PSD precisarem e quererem ser aceites pelo jornalismo monocultural neste caso Marxista que se faz em Portugal.
    Quando um deputado contacta mais com jornalistas – e isto vai desde a leitura dos jornais, notícias das TVs até ao próprio contacto directo – do que com os seus eleitores obviamente que vai tender a ficar igual aos jornalistas.
    Depois temos o poder social em Lisboa, os convites para encontros, eventos, cocktails etc e como a recusa ou “esquecimento” mostra logo onde está o poder ao cortar as socialização necessária à auto promoção no sistema.

    Obviamente o que isto faz é aparecerem pessoas fora do sistema.

    O PSD acabou porque acabou o seu espaço cultural. Num certo sentido foi suicídio porque o PSD sempre que esteve no Governo favoreceu o poder do Estado contra o poder Individual.

    luckluky

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