O politicamente correcto


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A aparente “esquerda” actual, o identitarismo escolar, vem convicta da sua superioridade moral. E quer ser pedagogicamente moralista. Isso crisp/ma-se no politicamente correcto. A correcção dos pequenos actos e, acima de tudo, do verbo é a garantia da justeza ideológica, da adesão às boas causas. Os exemplos são constantes, e fastidiosos. E alguns perniciosos. Mas é claro que este policiamento implica a sua negação. Para esses correctistas referir a existência de uma prática e de uma  mundivisão “politicamente correcta” é uma afirmação espúria, falsa. Coisa de “direita”, ou seja, no linguajar de décadas, falar do “politicamente correcto” é coisa de “fascista”. Para eles não há nada disso. E resmungam, até abespinhados, “o que é que não se pode dizer?”.

O politicamente correcto não é apenas um policiamento verbal. É uma pantomina moralistóide, uma coerção sobre acções sociais, tantas delas desprovidas de efeitos prejudiciais ou de sentidos depreciativos. Apenas alheias ao rame-rame da agit-prop militante. O politicamente correcto é uma mundivisão, muito  new age, ainda que laica, na sua aparente placidez, irenismo. De facto, é uma “filosofia” (com aspas) totalitária, que tudo quer controlar.

O exemplo mais sonante dessa patética mundivisão aconteceu ontem, num campo de futebol: o futebolista Neymar fez uma estrondosa finta a um adversário. O árbitro acorreu e puniu-o com uma repreensão (cartão amarelo). Pois tamanho drible, tamanha demonstração de talento, lhe surge como uma humilhação do adversário.

É diante desta triste gente que estamos.

21 comentários em “O politicamente correcto”

  1. Não é inocente o que se está a passar.
    É um nivelamento por baixo, tão baixo que já confundem os nossos direitos com os direitos dos animais.
    Um nivelamento que a escravização geral exige.
    Escravização que o liberalismo selvagem exige.

    João de Brito

    1. «Escravização que o liberalismo selvagem exige.»

      Muito politicamente correcto! Se o liberalismo diz liberdade chame-se de selvagem para o negar.

  2. O que o vídeo mostra é que o tipo falhou a finta, e em seguida o que não demonstra é que o árbitro lhe deu o amarelo pela “lambreta” ao adversário. Já agora alguém perguntou ao árbito em quem ele vota? Se calhar vota Le Pen…

    (o Neymar merece o amarelo, logo à entrada, pelo penteado)

  3. No caso em particular o amarelo terá sido por protestos. O árbitro marcou falta. À letra de lei a jogada é ilegal, bola presa. Mas à letra de lei não pode haver pontapés de bicicleta, qualquer tipo de toque ou encosto, ou sequer um carrinho.
    Mas adiante. O “maluquismo” está a acabar no campo e na vida, para se reduzir às redes sociais em ambiente controlado e sanitizado.
    As “trocas” de mimos via Twitter, as reacções”espontâneas” capturadas no Insta, os desafios do balde e assim. Tudo em conformidade com o sistema vigente.
    Curioso como tudo clama o direito à diferença, e nunca nos quisemos tão iguais como hoje

    1. é possível – o vídeo é fraco e truncado – que tenha sido por protestos que foi amarelado. Mas o cerne é o que diz, bola presa é falta, mesmo num caso destes, de mera finta (o Sporting tem um jogador, fraquinho, Bolasie, que foi apresentado como um tipo que tem uma finta especial: nela também faz um “transporte” – como se dizia no vólei – e ninguém o contesta). E depois, nada do que saia do “deve-ser” se penaliza

  4. O politicamente correcto é, exclusivamente, uma das vertente das técnicas de propaganda de um regime que, insidiosamente, vai controlando as mentes, as consciências e os comportamentos dos cidadãos e, simultaneamente, vai instalando a auto-censura nos media, rumo a uma sociedade de pensamento único.

  5. Mas que é que a esquerda (ou a direita) têm a ver com isto??

    Já agora: Neymar não levou amarelo pelo gesto técnico. Levou amarelo por protestos. O árbitro chamou-lhe a atenção pelo que entendeu ser falta de desportivismo (que também é função dele) ao considerar que o acto foi uma tentativa de humilhação do adversário. Neymar protestou e acabou por ver o amarelo.

    É o mesmo Neymar que agrediu um adepto quando foi receber uma medalha. Também devia ser de esquerda, nessa altura. Ou então o adepto era de esquerda e se calhar estava a pedi-las.

    A propósito: a história do fair play foi toda criada por conservadores britânicos e é mutio mais invocada pela direita que a esquerda. Esquisitices.

    Talvez o árbitro fosse homofóbico e não tivesse gostado da cor do cabelo.

    Mas que raio tem a direita ou a esquerda a ver com isto?

        1. Respondi apenas para o lembrar, pois ao me aparecer por aqui mostrou que isso lhe estava esquecido. O mínimo de dignidade que se lhe pode exigir é que não me incomode.

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