
“Grupelhos” é uma bela expressão, em desuso, em tempos utilizado dentro do “Partido” para descrever a tralha de múltiplos “m-l”s que por aí andavam. Os “radicais pequeno-burgueses de fachada identitarista”, julgo que foi assim que Cunhal os intitulou. Nesse universo as pantominas de então foram muitas e devem ter sido “sanguinolentas”. Mas não havia o mediatismo de agora, em que tudo é mostrado, sumarento ou bolorento que seja, e pouca memória ficou. [Estará quase tudo nos arquivos do geringôncico Pacheco Pereira, presumo].
As declarações de hoje de Katar Moreira são bem ilustrativas desse meio actual. Atacada no seu partido por aqueles a quem um deputado socratista, agora seu apoiante, reduz a “bovinos de ganadaria”, defende-se dizendo que é vítima daqueles que usam “ódio”. E avança que a candidataram por ser “negra” [“racializada”, no castelhano actual] e “gaga”, para ganhar votos por isso – ela é ainda mais radical na crítica, diz que queriam a “subvenção”, o vil metal . Quando há meses os oponentes desta linha política racialista apontámos a demagogia de haver uma candidata obviamente por ser “negra” e “gaga”, os adeptos do(s) grupelho(s) ofenderam-se. Afinal é a própria candidata-objecto que agora o afirma …
Mais do que o tétrico folclore das reuniões, escrutinado pelo feixe de “tv, rádio e cassete pirata”, seria importante colocar um assunto à frente do “affaire Katar Moreira”: na semana agora terminada uma série de acontecimentos, provocados pelo terrível assassinato de um estudante cabo-verdiano, mostrou à exaustão a total demagogia deste racialismo esquerdista, e a profunda desonestidade intelectual dos seus locutores “gramscianos”. E isso é muito mais relevante do que se será o Ricardo Sá Fernandes ou a Joacine Katar Moreira a ter mais votos lá na reunião do grupelho.
Espero bem que alguns filhos de amigos e uma (ou outra) tão viçosa amiga possam compreender isto. Por outras palavras, a la western: que não se cavalga com bandoleiros sem se ser bandoleiro.
Racista eu? Dez vezes uma Katar ou um Ba do que a tropa toda dos Sá Fernandes e Tavares. E dos “gramscianos” socratistas.

Já estou a ficar empaturrado com tanta pipoca. Não tivesse trocado a cola por moscatel e já tinha mudado de canal.
cuide da sua saúde
Só sei que as tricas do Livre apareceram no alinhamento do jornal das 13;00 antes das eleições do PSD.
Pois é, a pantomina, bolorenta ou sumarenta, atrai …
…de fachada socialista” o termo identitário é pós não sei quê
pois …
Respeitosamente assino por baixo
António Cabral
obrigado
Corrigindo: Ouvia-a hoje a falar e fiquei com dúvidas: a mulher é gaga ou faz-se de gaga?
Depende dos contextos, ao que ouvimos
Sou forçado a concordar quando diz que prefere a Katar ou o Ba aos Sá Fernandes ou Tavares.
No fundo é a isso que se resumem as democracias capitalistas; é-nos dado o poder de escolha entre um monte de merda e um ganda cagalhão, sendo que ambos foram colocados em posição elegível por quem não dá a cara.
E não, não sou comunista e nem de esquerda.
GC
Os termos são seus e eu não os sigo (além de que, ainda que eu defenda o direito ao insulto, prefiro que alguém que chama, ainda que de modo não totalmente explícito, “monte de merda” e “cagalhão” a pessoas nomeadas o faça assinando com o seu próprio nome e não sob anonimato). O que digo é que, não beliscando o livre-arbítrio individualizado de Ba e Katar Moreira, presumo que ambos, por biografia, sejam mais sociologicamente estipulados do que os doutores afinal “não-marxistas”