O comentário da semana


Pedro Correia,

21614489_VMzVp[1].jpg

 

«Começou com parte substancial das mulheres e dos homens (perdão, toda a gente) a ser engolido pela voragem do aparente, numa emancipação artificial. Como modelo de felicidade apareceram os casais delgados muito alinhados, iguais aos dos anúncios a margarinas magras com sabor a manteiga, ele de ar blasé, de camisa azul clara aberta, calças de sarja bege e sapatilhas adidas, ela de blusinha de viscose, saiinha a condizer e sapatinho de bailarina, ambos a sorrir muito para irradiar aquela felicidade pessoal e profissional que se reconhece ter sido alcançada com a prática da outrora auto-ajuda, hoje couching.

A seita dita proibições na alimentação e impõe o exercício físico. A seita com muitos e muitas beatas prontos a catequizarem todos os hereges que não resistem aos pecados capitais da gula e da preguiça. Começaram por ser adeptos do chamado estilo de vida saudável e vão alargando o seu campo de acção. Cada vez que os contestamos (a medo, nunca se sabe) temos de ouvir sermão e missa cantada. Porque é blasfémia, porque deturpamos tudo e só estamos a demonstrar a nossa ignorância e apego aos mitos antigos.

O facto é que quando se começa por confundir apetite, desejo e humanidade com perversão acaba-se a ver pecado numa simples travessa e a pugnar pela ausência de corpo, esse pedaço de culpa, que a modernidade há de querer esconder.»

 

Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

13 comentários em “O comentário da semana”

  1. Agora quase me sinto menos mal por ontem ter ido devorar um empadão de perdiz, pernil e sei lá mais quantas iguarias no Dona Isilda (o mais indigesto foram as fotos de Ricardo Salgado, Paulo Portas e Joe Berardo na parede).

    1. Pelos vistos escapou-se a fotos indigestas de gentes como Antónios Costas e Josés Sócrates e outros que tais!….

      É que a juntar aos mencionados, deixava de ser indigesto e entrava no domínio da indução ao vómito!!!

  2. Falta autocrítica.
    Reparem no caso do Bernardo.
    A indignação que se levanta… tudo por causa de uma onda de indignação. Aqueles que atacam a decisão têm exactamente o mesmo comportamento do que o dos que atacaram a publicação.
    Ah, mas esta causa é justa. Pois, na mente dos outros, a causa do conguito também o era.
    E fazendo uma conjectura, caso tivesse sido um mulato brazuca a comparar o Bernardo a um padeiro, e por isso fosse castigado, que diriam os luso-indignados?

    1. Riríamos com a piada e, se soubéssemos, zombaríamos dos brasileiros. O que está bastante longe de processar alguém por fazer uma piada.

      Como portugueses – no limbo entre os povos mais ricos e influentes e os mais desfavorecidos -, temos a obrigação de não ser infantis e perceber que a vitimização não conduz ao respeito.

  3. Que nenhum verdadeiro português se atreva a dizer mal do “coaching”! Estavam quase todos os nossos compatriotas a praticá-lo intensamente há mais de hora e meia quando um ilustre herói nacional (perdoem-me os pleonasmos), ele também beneficiário confesso de “coaching”, deu o pontapé definitivo na malapata. Viva o “coaching”, pois foi graças a ele que se “fez” história !

  4. Um tiro ao lado.

    A forja da culpa nos outros como instrumento para os excluir e afastá-los como concorrentes na urbe.

    lucklucky

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *