Leitura sectorial das legislativas


João Pedro Pimenta,

Por razões infelizmente mais relevantes não pude dar no momento a atenção que as eleições mereciam. Mas não deixei de olhar bem para os resultados, e logo à partida, antes das previsões da Geringonça, da resistência do PSD, do desastre do CDS e da multiplicação dos PANs, reparei na entrada dos três novos partidos no parlamento, das diferenças entre eles e das semelhanças.

Um é liberal clássico/libertário, outro de direita musculada e populista e outro de esquerda europeísta (e um pouco africanista) e semi-radical. São por isso muito diferentes ideologicamente falando. Mas têm em comum não terem grandes figuras mediáticas, mesmo se o Chega tinha um comentador da bola; e se repararmos bem, o Livre, há quatro anos, tinha carradas de gente conhecida e falhou com estrondo. Desta vez o Aliança, comandado por um dos políticos mais conhecidos deste país (e que ainda há dois anos era o mais desejado pelo PSD para a disputa da câmara de Lisboa), teve um resultado patético para as expectativas a que se propôs.

A outra grande semelhança é que quase não têm sigla nem a palavra “partido” no nome. Nenhum deles. É significativo quanto ao prestígio dos partidos tradicionais e das designações mais simples que os substituem.

18 comentários em “Leitura sectorial das legislativas”

  1. Lá vem a manipulação da linguagem “populismo”

    Qual a diferença entre democrata e populista?

    lucklucky

    1. Curiosa pergunta, vinda de quem manipula a palavra marxista em todas as ocasiões.

      Pode até nem sempre haver diferenças. O populismo começar por medrar em democracias, mas basicamente alimenta-se do que o homem comum quer ouvir, de receios reais ou infundados, com respostas simplistas ou sem sequer resposta nenhuma.

      1. Ah, o “homem comum”, pois é, todos os que usam a expressão não se vêem como parte do povo nem julgam que têm os seus impulsos, são uma classe à parte…

        Por exemplo Dívida Política em mais de 245mil milhões de euros é o quê senão resultado de Populismo?
        Foi feita pelo povo ou pela classe à parte?

        Vamos “tirar aos ricos” para dar aos pobres é populismo?
        “tendencialmente gratuita” é populismo?
        Preços falsos na maior parte da economia política como transportes publicos, serviços estatais, hospitais etc. é populismo?
        A ADSE é populismo?
        Metade da população que não paga impostos sobre o IRS é populismo?
        Impostos progressivos é populismo?
        Estado Social é populismo?
        Quando o jornais e TV’s que nos “avisam” contra o malvado populismo enchem-se de futebol é populismo?

        O PS e depois o PSD os maiores criadores de Dívida Política, por isso são Partidos Populistas…
        E como corolário disto tudo Constituição de Abril é uma Constituição Populista?

        Claro que é.

        Como eu já venho dizendo,
        Aquilo com não concordam com que o povo gosta é Populismo
        Aquilo com que concordam com que o povo goste é Democracia.

        Demonstre a manipulação.

        lucklucky

        1. A minha resposta está ali em cima. Se isso o deixa mais feliz, existe populismo tanto à esquerda como à direita. Criar dívida pública não tem nada, ou não tem necessariamente a ver com populismo.

          Repito que não posso deixar de ficar espantado com alguém que parece muito incomodado pelo facto de eu usar a palavra populismo quando ao memo tempo usa o termo marxismo para tudo e mais alguma coisa.

  2. Os partidos tradicionais têm, por uma questão de sobrevivência, que se adaptar rapidamente às mudanças da sociedade e à velocidade com que essas mesmas mudanças ocorrem.

  3. Pouco me interessa se as novas entradas na assembleia da república não têm sigla, se são mais simples. Duas delas são entradas da extrema direita; não me parece que o Livre possa, em termos de propósitos, ter comparação com esses dois partidos. E não é apenas porque um é de esquerda e os outros dois de direita, mas sobretudo porque, suponho eu, se vota pensando em quem, na perspectiva pessoal, pode conduzir os destinos do país para um maior bem do povo português. Todo o povo. Partidos que são, por princípio, contra tudo que está instaurado, que segregam camadas da população e são de raiz preconceituosos???
    Note-se que não defendo nenhum deles embora possa parecer. Mas a destrinça impõe-se.
    Tenha um dia em bom

      1. Capaz de ser preconceito, mas não me referia ao PAN e sim aos três partidos que conseguiram um deputado cada.
        Boa noite

    1. Você parece-me especialista em segregamento da população Bea, diga-me se os portugueses pagam todos o mesmo imposto?

      lucklucky

    2. Gostava de saber o que diria se o PNR tivesse entrado. Onde é que o colocaria?
      Independentemente de gostos e inclinações políticas, não vejo onde é que o Iniciativa “segrega camadas da população”, por exemplo. Quando vemos os partidos mais à esquerda a dizer que “é preciso tirar o conservadorismo” de determinado sector da sociedade, isso não será igualmente uma segregação e um preconceito?
      Sobre a ausência ou diferença de sigla, fiz essa referência para demonstrar que um novo tipo de partido impõe-se sem o recurso a essa palavra e usando apenas um vocábulo.

      1. Quanto à última parte do seu comentário, julgo ter entendido o mesmo que disse.
        Diria do PNR o que sempre digo, cuidado com eles, são a direita mais à direita que se conhece, defendem uma ideologia que me repugna em actos e pensamentos (deles).
        Não baralhe os dados, o senhor, pelo que de si leio, é uma pessoa inteligente e sabe das coisas. E a esta hora tardia já não me apetece entrar em explicações de avé maria a quem sabe a missa toda.

        1. Não bralho nada. Aliás estou a fazer a distinção entre esses partidos precisamente para que se evitem confusões, distinção essa que é indispensável (então quando se diz que a IL, associada ao ALDE europeu, onde estão as formações de Macron e dos liberais-democratas britânicos, é de “extrema-direita”…)

    3. Comparar o IL com o chega é ridículo só mesmo na mente de uma esquerdista para quem a direita é toda igual e não tem um mínimo de discernimento a analisar partidos como o be e livre (menos) totalmente antidemocráticos e intolerantes.

      1. Não. Nem a direita nem a esquerda, nem ninguém é absolutamente igual a. O que eu disse, ou pelo menos quis dizer, foi que ambos os partidos de direita se afirmam veementes contra o sistema na sua totalidade e que não acredito nessa proposta.
        Quanto ao BE e ao Livre, suponho que lhe faria bem uma leitura calma dos pressupostos de ambos já que a campanha lhe escorreu sem deixar marcas. Ou nem os ouviu por serem partidos de esquerda.

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