Quem será o Nobel da Literatura?


Pedro Correia,

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Quem serão os contemplados com o Nobel da Literatura? Este ano deverão ser anunciados dois – não apenas o de 2019 mas também o de 2018, que não chegou a ser atribuído.

Faltam 24 horas para sabermos. Gostaria de perguntar aos leitores do DELITO em quem apostam. Pela minha parte, reitero desejos antigos: ver Milan Kundera ou John Le Carré distinguidos pelo Comité Nobel. Mas talvez o Nobel, desta vez, premeie uma mulher. A canadiana Margaret Atwood ou a norte-americana Joyce Carol Oates, por exemplo.

Seria justo.

92 comentários em “Quem será o Nobel da Literatura?”

  1. Por várias razões, e uma das quais é mesmo o processo que abalroou a Academia Sueca e levou ao adiamento da entrega do prémio no ano anterior, um dos premiados será uma mulher. Atwood seria uma boa favorita mas enfrentar o metoo não será o que a Academia Sueca fará neste ano.

    Para mim o preferido seria Lobo Antunes. Milan Kundera e Cormac McCarthy encher-me-iam de satisfação.

    1. Também gostaria muito de ver o primeiro Nobel brasileiro. Rubem Fonseca, sobretudo. Mas presumo que seja politicamente incorrecto aos olhos dos académicos suecos.
      Em escritoras, Lygia Fagundes Telles ou Nélida Piñon. Qualquer delas merece.

  2. Milan Kundera está fora do baralho. Desde A insustentável leveza do ser, que já foi há dezenas de anos, os seus livros têm sido fracotes. Eu li-os quase todos e não tenho dúvidas, a sua fase de fulgor passou depressa, atualmente não passa de um professor de literatura, de escritor tem pouco e fraco.

      1. Não, os seus livros têm sido fracos somente depois da Leveza do Ser. Antes, eram fantásticos, muito bons.

        1. não sou crítico literário nem grande conhecedor mas … o trecho do comunismo como kitsch do “A Insustentável Leveza do Ser” já teve o seu Nobel, a própria História. Seria curial que lhe dessem o prémio, literalmente falando.

    1. Javier Marías seria um excelente vencedor. Mas é politicamente incorrecto, como as crónicas dele bem demonstram. E os tempos não são nada propícios à incorrecção política.

      1. Concordo consigo Pedro Correia.
        Mas seria um bom golpe contra a “tirania da maioria”, como disse Stuart Mill.

          1. Creio que no caso do Kafka a culpa terá sido do Max Brod por não ter sido suficientemente lesto a enviar os manuscritos pelo correio…

          2. Conrad é muito recuado – em termos literários será incompreensível não o terem premiado mas não faço a mínima ideia de como seria a constituição e o conteúdo cultural dos juris desse tempo. Dos que foram nossos contemporâneos já será mais fácil … surpreender-nos, dado que o Nobel é um prémio que se auto-assume (o seu juri, claro) como uma espécie de “campeonato mundial da literatura”. Greene é mais compreensível que não tenha sido premiado, à luz de um conservadorismo avaliativo – não sendo um escritor de rupturas (às quais os juris não costumam ser muito sensíveis) – ele tem livros muito “ligeiros”, e de sucesso comercial. Terá pesado para não o nomearem. Borges foi uma questão política, obviamente. Nabokov incompreendo mesmo, e só poderá ser o facto de ser uma espécie (muito peculiar) de “russo branco” que terá levado a isso. Agora Yourcenar? Vista de hoje, talvez com anacronismo, tinha tudo para ganhar o prémio – mulher, lésbica, auto-“exilada”, valores “humanitários” inscritos nos seus textos (está no regulamento, pois o prémio não é apenas literário), etc. Nunca compreendi que não lho tivessem dado.

            Ao comentar aqui perguntei ao senhor Google porque não ganhou Nabokov o prémio Nobel: deu-me isto, que tem alguma piada (e elenca vários autores que na época foram consdierados e desdenhados) – para que ganhasse em 1965 Sholokov (aquele do Don Tranquilo, uma pepineira) https://www.theguardian.com/books/2016/jan/06/borges-auden-nabokov-neruda-nobel-prize-literature-1965

            e uma visão horrível do homem, que talvez não tenha ajudado aos que o gostariam de ver laureado https://www.bostonglobe.com/ideas/2016/12/02/nabokov-was-such-jerk/PLLEJmD9tqWgj5CSgDumrK/story.html

            ou um texto mais interessante mas que mostra uma personalidade literária pouco cativante https://www.doppelgangermagazine.com/june/naben_ruthnum/

            https://eyeoflynx.wordpress.com/2014/03/05/great-authors-who-didnt-win-a-nobel-prize-for-unlikely-reasons/ – ou uma lista de não premiados e as razões possíveis de Nabokov não ter ganho em 1974, tal como Greene que fora nomeado (ganharam dois suecos que …faziam parte do juri: o clientelismo também existe no sacralizado Norte …)

  3. Vou torcer pela Margaret Atwood porque gosto
    de a ler ( seria merecido na minha modesta opinião) e porque não li Joyce Carol Oates .

    1. Kika, e porque não duas mulheres?
      Em 114 anos de Nobel apenas 14 mulheres o receberam; os homens continuariam com uma vantagem ENORME e inultrapassável até ao século XXI…
      Gosto de ambas, mas não acredito que nenhuma delas seja premiada.
      Amanhã saberemos 🙂
      ⚘
      Maria

      1. Nada contra . Só que também não estou de acordo que
        prémios sejam atribuídos a mulheres unicamente por estarem
        em inferioridade numérica. Para mim será sempre o talento que deverá
        prevalecer. A Joyce Carol Oates já está na minha lista.
        Aguardemos então 🌻

          1. Só li Virginia Wolf e confesso que foi um exercício difícil
            para a minha pequena pessoa e a biografia curiosamente
            tão ou ainda mais difícil.

        1. Também não estou de acordo que ganhem (apenas) por serem mulheres, mas o que não falta são mulheres a escrever muitíssimo bem por esse mundo fora 🙂
          E até acho que cá em casa há mais livros escritos por homens… mas que seria muito engraçado se ganhassem duas mulheres, lá isso seria.
          🍃🍁🍃
          Maria

      2. “Em 114 anos de Nobel apenas 14 mulheres o receberam; os homens continuariam com uma vantagem ENORME…” É o que eu digo mais abaixo. Já agora, quantos escritores pretos foram contemplados? E gays etc.
        Abandonamos definitivamente os critérios de mérito?

        1. “Escritores pretos”, Zé?
          Se os brancos tivessem permitido que eles aprendessem a ler e escrever mais cedo teria certamente havido alguns.
          Agora já há bastantes a ganhar prémios literários e não só.

          “Gays”?
          Dentro do armário, alguns.

          “Critérios de mérito”?
          O que é isso?
          O que é bom para uns, será péssimo para outros… e não tem nada a ver com o género.
          🍁
          Maria

  4. Apenas um lembrete
    Em 2018 a Academia das Ciências indicou Agustina Bessa-Luís (e Manuel Alegre) para Prémio Nobel da Literatura.

    Isabel

    1. Também votaria nele.
      Pelo que escreve e pelo que fez em jovem: seria assim uma espécie de homenagem ao Jorge Luis.
      ⚘
      Maria

  5. Salman Rushdie é desde há alguns anos o meu escritor vivo preferido, junto com Vargas Llosa que já foi laureado e por isso não conta. Porém, não acredito que a academia tenha tomates para enfrentar o islamismo radical e o cancro do politicamente correcto que corrói uma certa intelectualidade dominante e o bom senso geral.
    E já que de tomates escrevo, partilho a opinião de jpt acerca da inevitabilidade de um dos premiados ser mulher, pelas razões que o próprio refere.

  6. Salman Rushdie é desde há alguns anos o meu escritor vivo preferido, junto com Vargas Llosa que já foi laureado e por isso não conta. Porém, não acredito que a academia tenha tomates para enfrentar o islamismo radical e o cancro do politicamente correcto que corrói uma certa intelectualidade dominante e o bom senso geral.
    E já que de tomates escrevo, partilho a opinião de jpt acerca da inevitabilidade de um dos premiados ser mulher, pelas razões que o próprio refere.

  7. O Nobel da Literatura ficaria muito bem a Philip Roth, no entanto, é impossível dado ter falecido.

    Há dias assim, a puxar para a pátria à beira mar plantada gostaria imenso que o António Lobo Antunes fosse o escolhido para ser Nobel da Literatura.

    Como não vão dar-me essa alegria pode ser à Margaret Atwood e ao Haruki Murakami. (Acho que serão dois escritores a receber o prémio este ano)

    1. Duvido que Murakami receba. O júri do Nobel não aprecia escritores “comerciais” (embora tenha galardoado García Márquez).
      Mas sobretudo porque é muito recente (de 2017) o Nobel concedido a outro japonês, Kazuo Ishiguro. Prémio justíssimo, diga-se.

      1. Concordo. O Murakami é vítima do sucesso. Gosto dos livros dele. A tradução portuguesa feita pela Maria João Lourenço (tradutora oficial) é muito boa.
        Já li alguns livros de Kazuo Ishiguro e quando lhe foi atribuído o Nobel da Litetatura achei muito merecido.

          1. Uma belíssima crónica, sim. Depois disso já identifiquei o prédio, e o andar. Sempre que passo nessa rua olho lá para cima e lembro-me desse texto escrito do fundo do coração.

          2. “Aún hoy, si paso por la calle Filipa de Vilhena, el corazón se transforma en una gota. Los árboles no han cambiado, poca cosa ha cambiado por ahí. Casi siempre doy la vuelta con el coche para no encararme con nuestra ventana. Sé cuál es. “

            Tão bonito. Gosto muito das crónicas do Lobo Antunes e não conhecia esta. Obrigada.

  8. Já que os suecos gostam tanto da diversidade literária, porque é que não premeiam a língua portuguesa? Só tem um nobel, com mais de vinte anos, e nomes há que mereciam lá chegar – Lobo Antunes, Ruben Fonseca, Agualusa, Mia Couto, Germano Almeida, e talvez no futuro Gonçalo M. Tavares e Afonso Reis Cabral. Podiam dar um à lusofonia. Mas duvido que venha aí outra surpresa, quase tanto como a de um “consagrado” ganhar o prémio.

      1. E já agora, Pedro, só para agitar as águas 🙂 vou botar o Chico Buarque nessa lista, embora não acredite que aconteça.
        Seria linda a festa, pá, com a Banda a tocar…
        ⚘
        Maria

        1. Nunca será de excluir, Maria. Os critérios da Academia Nobel são ínvios. O García Márquez costumava contar que o Pablo Neruda só ganhou o prémio, em 1971, porque contactou antecipadamente os membros do júri dizendo-lhes que estava «a morrer» e ou recebia o prémio naquele ano ou jamais o receberia.
          O facto é que recebeu mesmo. E viria a morrer dois anos depois.

          1. Bem, Pedro, acabou a ‘Angústia’, pelo menos para o Peter Handke.
            E sim, foi uma surpresa!
            A Olga Tokarczuk estava entre as favoritas, o que também não quer dizer nada…
            E para o ano há mais.
            That’s all, Folks!
            🌲
            Maria

            Deu para perceber que não adorei, não deu?
            O mundo é tão grande e ficou tudo na Europa.

          2. Mas devias … Muito me surpreendeu. Quanto à polaca desconheço, nunca li.

            Quanto ao Nobel em português: Mia Couto, Agualusa, Germano Almeida? Ele há cada ideia …

          3. Isso é bom. Mas estes três não-portugueses propostos pelo comentador, por mais apreciáveis que sejam (e são), seriam opções algo surpreendentes para prémios nobeis …

          4. Não sei se seriam assim tão surpreendentes depois de algumas escolhas, como os francófonos Le Clezio (este também meio africano) e Modiano, por exemplo. Serão nomes menores na literatura, mas já houve tantos em Estocolmo…

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