Swift ficou irado com o êxito universal das Viagens de Gulliver. Ele tentara, afirmou, envergonhar os homens, e em vez disso apenas conseguira fazer com que se rissem.
Como instrumento do combate político, a ironia é ineficaz: não esclarece nem mobiliza, e os seus cultores parecem-nos quase sempre alheados, descomprometidos, detached.
Apesar disso, não é uma ferramenta desprovida de virtudes:
– A ironia mantém-nos dentro da arena em batalhas desiguais.
– A ironia atrai aliados improváveis.
– Em alguns casos, a ironia aponta exemplos aos seus alvos — mostra-lhes o que poderiam ter sido, se não se tivessem transformado naquilo que são.
Nietzche escreveu que todas as afirmações estúpidas merecem respostas inteligentes. A ironia é a resposta dos que aprenderam a esperar. Podia desenvolver o tema, mas o ensaísmo blogosférico aborrece-nos.

Pelamordedeus desenvolva que há quem leia…
:)))
podeserquesim, quando tiver tempo.
Certíssimo. Inteiramente de acordo. Venha daí o ensaio.
Estou à espera de uma vaga de fundo, como o professor marcelo.