Da ironia.


vidabreve,

Swift ficou irado com o êxito universal das Viagens de Gulliver. Ele tentara, afirmou, envergonhar os homens, e em vez disso apenas conseguira fazer com que se rissem.

 

Como instrumento do combate político, a ironia é ineficaz: não esclarece nem mobiliza, e os seus cultores parecem-nos quase sempre alheados, descomprometidos, detached.

 

Apesar disso, não é uma ferramenta desprovida de virtudes:

 

– A ironia mantém-nos dentro da arena em batalhas desiguais.

– A ironia atrai aliados improváveis.

– Em alguns casos, a ironia aponta exemplos aos seus alvos — mostra-lhes o que poderiam ter sido, se não se tivessem transformado naquilo que são.

 

Nietzche escreveu que todas as afirmações estúpidas merecem respostas inteligentes. A ironia é a resposta dos que aprenderam a esperar. Podia desenvolver o tema, mas o ensaísmo blogosférico aborrece-nos.

4 comentários em “Da ironia.”

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