Um comentário em “Canções do século XXI (918)”

  1. Pedro, acabei de ver o Joker. Fenomenal a interpretação de Joaquin Phoenix. O filme retrata, como as circunstâncias económicas e sociais podem tornar pessoas normais, em “monstros” (visão socialista) .

    Há uma bem presente crítica ao sistema político e económico vigente, em que uns têm tudo e muitos têm pouco mais que sonhos. Uns mornos, cheios de nadas . Outros de vingança (sobre aqueles que afirmam ser a miséria culpa dos miseráveis). – outra visão socialista

    Gostei mais da componente psicológica do filme, do percurso normal, de um indivíduo, em direcção à loucura, do que a tal vertente de crítica social.

    Outro aspecto interessante, do filme, é como a violência pode surgir de um desejo esmagador de fazer o Bem. Assim dos mais justos, sairiam (saem) os mais violentos (que é a justiça senão o uso da violência em nome do Bem?).

    Um aparte :Claro que em determinados casos os fins justificam os meios – nunca devemos matar, excepto em nome da paz (parodoxal). O Bem e o Mal como dependentes do contexto.

    Há no final um certo desconforto, no espectador, ao perceber que todos nós, sobre determinadas circunstâncias poderíamos ser o Joker , e por isso, por ele, acabamos por sentir certa empatia, compaixão pelo vilão.

    Pergunto-me, quando o sistema está podre, corrupto, manietado, viciado pelo Poder político, as forças de segurança, de justiça, representam quem? Protegem – nos, ou são usadas pelo Estado para se protegerem do seu “Povo”? Batman, neste sentido, seria o vilão e Joker, o herói.

    Outra questão surgiu – me já no carro, com o meu filho. Numa sociedade moldada sobre princípios imorais como deveremos olhar para os bem sucedidos, para os bem adaptados? Com admiração, ou repugnância?

    Um filme que faz pensar. E agora deito o cão.

    PS:Gostava de ouvir a opinião de outro cinéfilo.

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