Já havia os directos de horas intermináveis sobre autocarros a caminho dos estádios.
Agora regista-se uma inovação nos noticiários televisivos: directos, dia após dia, sobre estações de abastecimento de combustível onde não se vê ninguém, excepto a desgraçada da jornalista (são quase sempre mulheres) a preencher tempo de antena sem novidade alguma: «Aqui regista-se perfeita normalidade»; «Todos os postos que visitámos tinham muito poucas viaturas»; «A tarde tem estado muito tranquila»; «Não há filas em lugar nenhum»; «Encontrámos muitos postos vazios não por falta de combustível mas por falta de clientes.»
Um imenso bocejo. Em perfeito contraste com o alarmismo dos ministros que andaram uma semana inteira a entrar-nos em casa a falar como se o País estivesse em estado de sítio e fosse necessário mobilizar as tropas especiais para travar uma agressão de um país estrangeiro ou uma invasão de marcianos.
Com momentos que me fizeram lembrar a guerra do Solnado. Deixo-a ali mais em cima para quem não sabe ou já não se lembra.

A guerra do Solnado é uma excelente parábola do arranjinho de greves não selvagens a que chegaram os partidos políticos de esquerda e as centrais sindicais, e que os acontecimentos da semana finda vieram pôr a nu.
Veja-se, por exemplo, a greve dos trabalhadores de conservatórias e notariados que esteve a decorrer no mesmo período, e à qual quase nenhum destaque foi dado nos media ou pelos paineleiros televisivos do costume. Como é que a coisa funciona? É simples: o pessoal tem vontade de ir de férias em Agosto, como muitos outros; mas a chatice é estarem empregados num serviço público, que é suposto funcionar de forma “hebdomadeira” (senão, como justificar a sua existência e o número de mamões a ele alocado?). Vai então, procura-se no calendário uma semana jeitosa, de preferência com um feriadito de permeio, e mete-se aviso de greve. Os que têm planos alternativos asseguram os serviços mínimos e o resto pode ir apanhar sol na bunda, confortavelmente instalados nas casas dos sindicatos que pululam pelo país fora. A bandeira da luta pela dignificação da carreira e justas retribuições é içada a preceito e lá aparecerá um adjunto de secretário de Estado a mostrar-se solidário com as preocupações dos trabalhadores, tão maltratados pela troika. Tudo muito civilizado, porque afinal somos todos filhos do mesmo socialismo.
Pode ter piada (terá? eu não acho) mas, infelizmente para si, nada do que diz concorda com os factos. Mas não é só o Marques Mendes que tem direito a inventar coisas, qualquer um de nós pode inventar o que quiser. Até eu.
Se calhar, passaste estes dias como eu: a olhar para as filas intermináveis de idiotas a tentarem tirar o CC ou o passaporte. Mas certamente do outro lado do balcão. Ninguém te agrediu? É tempo de começares a dar mais valor aos securitas…
Quem está longe, como eu, lê notícias e pensa que o país está em estado de sítio, mas depois falamos com familiares ou amigos e está tudo na mesma “pasmaceira”. Que país esquizofrénico…
Na greve anterior o país ficou do avesso em 4 dias. Houve queixas. Agora o país não ficou do avesso. Há queixas?
Queixas, agora, só em Hong Kong. Nada que te interesse, de certeza.
Para o que vai acontecer em Hong Kong faz cá uma diferença que eu me interesse…
Já o amigo, quando “resolver” Hong Kong com o seu interesse, avise a malta.
Há aquela esperança de que a gasosa se acabe a meio de um abastecimento, e um maluco saque de uma arma e comece aos tiros em directo. Se explodir a bomba melhor. A bem da boa informação.
Não me espantaria nada que haja quem torça por isso.