Fiel a si própria


Cristina Torrão,

Greta Thunberg Stina Stjernkvistimago images.jpg

Fonte: Stina Stjernkvist/imago images

 

Com esta greve dos motoristas de matérias perigosas, os portugueses acabaram por descurar algo que, não fosse a dita greve, provocaria discussões acaloradas nas redes sociais: Greta Thunberg iniciou ontem a sua viagem a Nova Iorque, a fim de participar numa cimeira das Nações Unidas.

Afinal a mocinha sempre vai poluir os céus. Que alívio, pensarão os críticos, podemos atacá-la como a qualquer outro ambientalista de pacotilha.

Não, não podem! Greta não vai de avião. Esteve meses à procura de uma alternativa e a escolha acabou por cair na embarcação Malizia II, equipada com painéis solares e turbinas submersas que geram electricidade sem emitir dióxido de carbono. A viagem durará cerca de duas semanas. O barco é dirigido por um velejador alemão.

Greta Thunberg continua fiel a si própria. E, não obstante todos os seus admiradores e apoiantes, há muita gente a odiá-la. Gente que critica os tais “ambientalistas” que passam a vida a cruzar os céus, de cimeira em cimeira. Em relação a Greta, a crítica não chega, passa-se ao ódio. Apenas por ela se manter fiel às suas convicções. É perverso, mas é a realidade.

Ulrich Wagner, psicólogo social e Professor de psicologia na Universidade de Marburg, dá a sua explicação para este tipo de comportamento:

Muitos consideram que o aquecimento global não é um problema. Outros consideram que é, mas que não podemos fazer nada contra ele, ou seja, mudar o nosso estilo de vida não faz sentido. Por isso, não aguentamos bem que haja alguém que ponha os nossos comportamentos básicos em questão.

A intervenção de Greta Thunberg, a sua postura, obriga as pessoas a pensarem em si próprias, a fazer uma análise crítica de si. Gera-se um conflito interior, coisa que não apreciamos.

Quando nos vemos em conflito com o mundo, tendemos a procurar explicações simples para isso. Pomos então a responsabilidade em pessoas concretas. Rejeitar pessoas é sempre muito fácil. É o que se chama “piscologiar”: os que destoam e assumem posições polémicas são apelidados, em casos extremos, de doentes mentais.

Outra técnica é a desacreditação: tenta-se desacreditar Greta Thunberg, acusando-a, por exemplo, de servir de propaganda a terceiros, em vez de defender convicções próprias. É um comportamento habitual. Pessoas que trazem inovações não são apreciadas.

Pois é, gostamos mais de fracos, de vira-casacas, de hipócritas. Esses, sim, mostram-nos que afinal ainda há quem possamos censurar, quem nos eleve a modelos de virtudes.

 

Nota: o segundo link é alemão; a tradução é livre, de minha autoria.

 

P.S. O pai da Greta acompanha-a. Grande Pai!

57 comentários em “Fiel a si própria”

  1. É a solução para a humanidade: barcos de 10 milhões de dólares feitos de fibra de carbono. 7 mil milhões de parasitas can’t wait to have one.

  2. Cristina, a embarcação Malizia II, equipada com painéis solares e turbinas submersas que geram electricidade, é construída em fibras, metais e outros materiais, está coberta por tintas, etc. O meio que Greta Thunberg encontrou para atravessar o Atlântico, não emite dióxido de carbono mas, para ser construído, também poluiu. No meu ponto de vista, não está em causa o meio mas sim, o fim e a pertinência. O problema, que resulta de um conjunto enraizado de problemas, só tem uma solução e essa não passa pela redução mas sim pela radicalização da não utilização de materiais poluentes ou que são produzidos recorrendo a fontes altamente poluentes. Coloca-se a questão: quem está disposto, em nome de uma necessária travagem na produção de materiais poluentes, prescindir do consumo de coisas simples do dia-a-dia?
    Bartolomeu (o padre voador)

    1. Eu prescindo de muita coisa que outras pessoas acham essenciais. E não sou infeliz por isso. Talvez até seja mais feliz do que muita gente que vive com o nariz enfiado no telemóvel, ou se desloque de carro para ir beber um café, ou comprar pão.

      Quanto aos materiais de que é feito o barco, ninguém pode fazer milagres. A questão não é prescindir completamente de materiais ou processos poluentes. A questão é diminui-los ao mínimo. Ninguém pode viver sem poluir.

    2. Há quem prefira ser convenientemente lecionado.
      “A lecture, furthermore, from a child who hasn’t finished her schooling, whose frontal lobes haven’t formed, who has no sense of humour, whose every utterance is the second-hand opinion of alarmist grown-ups whose doomsday claims she is completely unequipped to assess?”

  3. Painéis solares e turbinas submersas.
    Pesquise como é construído um painel solar e uma turbina submersa das utilizadas nessa embarcação e constatará que foram utilizados combustíveis fósseis, materiais mais, operários que fizeram a turbina e se calhar não foram de bicicleta para a fábrica. Aí que horror onde é que isto vai parar!

  4. Cara Cristina Torrão,
    O pai da Greta será apenas comparável ao pai do pequeno Saúl!!
    E também a Cristina Torrão vem aqui tecer loas ao marketing da santidade da pobre Greta.
    Eu não odeio a pobre Greta, longe disso! Eu tenho pena da pobre Greta e dos pobres tontos que seguem as suas suras, éditos e outras revelações.
    Por outro lado tenho algum asco aos Savonarolas que criaram a pequena Greta, que fazem a interpretação autentica e promovem a santidade da pobre miúda.
    É uma outra variação às palavras de Guerra Junqueiro.
    O que lhas falta em ciência equivale-se em escrúpulos mas sobeja-lhes em lata!!
    Talvez um dia destes a Cristina caia em si, reflita, e se aperceba da dimensão da tolíce desse título referido a uma miúda de 16 anos!!

    1. Caro Justiniano, eu tenho 54 anos, estou em paz comigo própria e a com a minha consciência, não se preocupe. Já caí em mim há bastante tempo e uma das consequências foi precisamente dar mais atenção ao meio ambiente. Antigamente eu era mais como o Justiniano, ainda bem que já não sou.

      A Greta não é pobre, não tenha pena dela! E fique a saber que, para mim, uma miúda de 16 anos vale tanto como um homem que, por ser homem, pensa que sabe mais do que qualquer mulher, nova ou velha.

  5. Qual é a opinião da Greta sobre o uso excessivo de aparelhos electrónicos e solução para painéis solares em fim de tempo de vida?

    1. Bem, leia as respostas que já dei.

      Passa-se de um extremo ao outro. Típico. Ainda vai dizer, à Bolsonaro, que a Greta polui tanto como qualquer outra pessoa, pois também ela precisa de ir à casa-de-banho, talvez, todos os dias.

      1. Extremo é dizer que não gostando da Greta imediatamente se adora um Bolsonaro.
        A Greta é apenas mais uma lírica, mas com razão, é uma miúda e percebe pevas de ambiente ou ecologia. Tão tontinha como os que acham que o futuro da mobilidade é a trotinete.
        Ela é tao informada sobre o assunto (diferente de ter princípios) como o Trump.
        A ecologia e o ambiente são complexos, e as soluções vão para lá do boicote à carne ou ao carro.

        1. Eu acho que ela percebe muito mais do que o Anonimus julga. Além disso, tem uma causa e luta por ela. Acho que é bem mais útil ao mundo e mais inteligente do que 90% da juventude europeia.

          A ecologia e o ambiente são complexos, claro. Por isso, penso ser bem-vinda toda a acção que nos recorde esses problemas. É importante pensar nisso, é importante debater.

        2. @anonimus

          Todas estas causas, activistas e panistas que aparecem nos jornais derivam de sound-bytes e do susto que resulta do choque entre o conhecimento vulgar à maneira da popular mechanics e as questões científicas propriamente ditas. Esta Greta está para as ciências do ambiente como tomar um antibiótico que já estava no armário da casa de banho desde a última dor de dentes está para a medicina.

        1. Se fosse eu, a minha primeira preocupação seria saber e perceber o significado e alcance das expressões TOTÓS e GRANDES, e só depois é que faria avaliações de TOTÓS anónimos e identificados.
          Em caso de dúvidas sobre os significados, podemos sempre recorrer ao pedro correia (que não é anónimo é leão) pois ele até se ri de boca aberta, e quem se ri de boca aberta é muito grande inteligente.
          Alex.soares (TOTÓ anónimo)

  6. Não me vou alongar muito, mas utilizar questões ambientais para aumentar impostos cujo o fim a que se destinam é tudo menos “verde”… E não venham com a história que essas penalizações pretendem reduzir o consumo e consequentemente reduzir a produção de resíduos.

      1. E por isso sigo a mesma linha de pensamento do Carlos Guimarães Pinto como é exemplo o recente artigo no Público. Em casa já adotei medidas com impacto positivo na minha carteira com redução de consumo de água e eletricidade, no entanto, comportamentos que acarretam aumentar custos… esses ainda não são fáceis de adotar porque o nível de vida não é assim tão “folgado”.

  7. Sou fã dessa miúda, porque ela teve a coragem de pensar e de agir.

    A grande frustração de muita gente adulta e a sua raiva perante as “conversas da miúda” – é por isso mesmo, por ser uma miúda. Não lhe julgam capaz de ter ideias próprias, no entanto, ela apesar de inexperiente já conseguiu mover muitos assuntos em que outros com poder para o fazer não o fizeram. Não vejo grandes ódios contra gente dessa.

  8. Cristina, não sou contra pessoas mais, ou menos novas, mulheres ou homens que lutem por aquilo que entendem nas suas consciências ser prejudicial para o planeta – ambiente, pessoas e animais. Também não as idolatro, não porque descreia das suas intenções e da justeza das causas que defendem mas, simplesmente porque não acredito em deuses. O meu anterior comentário não se referia ao texto que escreveste, ás tuas opiniões e á legitimidade dos mesmos. Simplesmente achei que a “escolha” do transporte que levaria a Greta Thunberg até ao lado de lá do oceano, com todas aquelas tecnologias, não se enquadra no espírito da “cruzada” que a jovem (Joana D’Arc) pretende levar a cabo. Diz-me um amigo ecologista que só utiliza a bicicleta para se deslocar, que não polui. Eu pergunto-lhe se a bicicleta nasceu da terra como um vegetal. Ele contrapõe; não emite dióxido de carbono. Eu retruco; e os pneumáticos, e os óleos lubrificantes da corrente e cassete de mudanças já para não falar do destino que a ginga terá quando decidires troca-la. Ele remata; queres comparar a poluição de um automóvel com a bicicleta. Bom, a verdade é que estas trocas de opinião devem assentar sempre numa base de consciência cívica e ecológica, sem esquecer que um número inimaginável de trabalhadores e suas famílias dependem da poluição que se produz a cada instante. Imaginemos que seria possível fazer parar instantaneamente todas as indústrias que poluem a um nível critico. Quantas pessoas ficariam automaticamente privadas de alimentos? Quantas pessoas no espaço de uma semana morreriam? E se da mesma forma instantânea, no dia seguinte parassem a atividade de tudo o resto que polui o nosso planeta?
    Bartolomeu (o padre voador)

    1. Caro amigo, penso que esta tua posição é muito acomodada. Não se pode viver sem poluir, a questão não é acabar com a poluição. A questão é encontrar alternativas que reduzam a poluição. Porque, se ninguém fizer nada, vai ficar mesmo impossível viver neste planeta. A poluição está muito ligada à pobreza mundial e às desigualdades cada vez maiores. É uma bomba que, mais cedo, ou mais tarde, acaba por explodir.

      Sim, muita gente depende das indústrias poluidoras. Por isso, é tão importante encontrar alternativas, substituir as mais poluidoras por outras mais sustentáveis, que também irão dar emprego às pessoas. É impossível? Eu acho que não. Somos uma espécie com muita imaginação e criatividade, devemos fazer uso dela.

      Se pensarmos que nada vale a pena, nada se faz, nada se modifica. Isso é verdade.

      1. Sim, é impossível, Cristina! E é-o por um motivo; porque não há alternativa. Se excluirmos a gula insaciável dos donos das grandes indústrias poluidoras, assim como a gula insaciável dos políticos que eles compram para poder continuar a poluir e a aumentar as produções, reduzindo os preços de custo, temos a gula insaciável dos consumidores dessas produções. Dizes bem, o mundo vive com uma bomba ao colo, que explodirá a qualquer momento. Um bocado mal comparado, é como um fumador ou um viciado no consumo de drogas ou álcool, a quem o médico afirma que morrerá se não fizer uma desintoxicação, mas o fulano está convencido que não poderá viver sem eles. Estamos na mesma situação. Sabemos perfeitamente que consumimos em grande escala produtos que para nos chegarem ás mãos passam por diversos processos altamente poluentes, e mesmo assim, insistimos em os adquirir. O mais caricato é sabermos que à 40/50 anos a trás a maioria destes produtos não existia e vivíamos perfeitamente sem eles.

  9. Com tantas coisas graves que acontecem no mundo como violação de direitos humanos, as preocupações de alguns não ficam nada bem pois mais parecem manobras de diversão.

    E tenho duvidas que alguns acreditem no que dizem, o mais certo é haver interesse nisso.

    Além disso ignoram algo tão importante como violação de direitos humanos que devia prevalecer sobre o resto.

    Greta não sabe nada da dura realidade que é o mundo. Para ela se não houvessem as alegadas alterações climáticas, o mundo seria perfeito. Mas um dia ela vai perceber que se enganou, pode é não o admitir.

    A realidade actual é esta:
    1. Quase todas as pessoas só se preocupam consigo.
    2. Quase todas as pessoas só se preocupam consigo.
    3. Quase todas as pessoas só se preocupam consigo.

    Portanto não venham para aqui dizer que estão preocupados com outros que daqui a centenas de anos poderão ter problemas, quando não estão preocupados com os que vivem hoje e têm mesmo problemas.

    E sabemos que quase tudo no mundo gira à volta de interesses e não de valores. Já deixei de acreditar em “santos” à muito tempo. Triste país da manipulação!

    1. Está a afirmar coisas sem conhecimento de causa, acusando pessoas de não se preocuparem com os que vivem hoje, sem saber se é assim. É uma técnica trumpista que não aprecio.

      1. Parece que tenho mesmo razão pois podia dar exemplos e não deu, mas ainda vai a tempo!

        O que aprecia é falar superficialmente.

        Eu dou:
        Os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
        https://www.dw.com/pt-br/os-70-anos-da-declara%C3%A7%C3%A3o-universal-dos-direitos-humanos/a-46670750

        E a maior parte do que eu disse não foi contestado.

        1. Quer que dê exemplos de quê? De que sei que os Direitos Humanos não são respeitados? Julga que me está a dar uma grande novidade?

          Aqui vai algo entre os muitos textos que já escrevi sobre o assunto:

          https://andancasmedievais.blogspot.com/2018/03/escravos.html

          Também aqui no Delito de Opinião já publiquei textos relacionados com os direitos dos mais fracos. Procure, se quiser!

          E vá lendo o que vou postando por aqui.

          1. É bom falarmos com bases. Aqui no DO em cerca de 30 posts seus, 2 são sobre a Greta, 1 sobre migrantes que poderá ser considerado direitos humanos e tirando este, nenhum sobre assuntos importantes.

            O comentário de Violeta é bom:
            A Violeta aos 18 anos percebeu a realidade do mundo, outros nem mais tarde percebem. Ou então querem continuar a iludir os outros.

            Apesar da manipulação, há alguma informação que é suficiente para perceberem que acontecem factos graves que deviam preocupar a sociedade.

            Já que falou na Greta, deixo aqui um assunto importante para reflectir. Salvo erro a Greta é sueca e apesar disso nós soubemos cá que ela esteve de grave às aulas. Eu pergunto se nós sabemos cá tudo o que acontece cá e que é importante?

            Por aqui nós vemos a dimensão da manipulação. Querem construir uma casa a partir do telhado!

  10. Eu penso que isto de nos abstermos disto e daquilo não leva a nada. Conheço pessoas que se comportam como mártires (fazem-me lembrar os que, por motivos religiosos, fazem sacrifícios e procuram o sofrimento para irem para o céu. De facto nunca irão). Nada se ganha quando nos abstemos de qualquer coisa que continua a ser fabricada. A produção está orientada para o desperdício.
    Penso que a origem ultima de todos os problemas ambientais está no excesso de população. Nunca existiram tantos biliões de humanos. Há que reduzir a população. Se o não fizermos isso acontecerá na mesma (como acontece com outras espécies quando são de mais) contra a nossa vontade. A China e a Índia já compreenderam isso. Mas na Europa não. Até dizem que é preciso aumentar a natalidade por causa das reformas! Absurdo dos absurdos.

    1. Absurdo é querer reduzir a população quando a tecnologia evolui encontrando soluções mais eficientes. Nem me atrevo a imaginar como aplicar esta sua ideia em certos países de África ou Ásia, os quais são responsáveis por 90% da poluição dos oceanos…
      O foco deve ser a redução de desperdício em toda a cadeia de abastecimento da economia, os japoneses há muito que o praticam (Lean Management), no ocidente só agora estamos a chegar lá, mas mais vale tarde que nunca…

      Greta, concorde-se ou não com ela, tem, pelo menos, a virtude de fazer-nos pensar no assunto.

      1. “Nem me atrevo a imaginar como aplicar esta sua ideia em certos países de África ou Ásia, os quais são responsáveis por 90% da poluição dos oceanos…”

        Veja quais são os países que aproveitam a falta de fiscalização, a ausência de Estado, para despejarem, por África, os seus lixos. África, e os países pobres, subdesenvolvidos, continuam a ser o aterro dos desvarios consumistas dos mais ricos

        1. Isso também, mas é uma pequena parte, a ausência de saneamento básico e educação são os maiores responsáveis, basta visitar qualquer grande cidade africana para ver com os próprios olhos (ando por aqui há mais de uma década, sei do que falo).

    2. Somos muito
      Consumimos muito
      Desperdiçamos muito.

      Todo o comércio é baseado no consumo e em ciclos de vida curtos.

      Enquanto não pensarem nisto, podem vir carros a petróleo, óleo de palma, movidos a vento, o que for.

  11. Já sabia que vinha aí polémica com este postal. Estou de férias, não me apetece argumentar. Ontem fiz um barbecue de lamber os dedos, bebi um vinhão e um espumante como não bebia há anos e só venho aqui para cumprimentar a Cristina pelo texto, impecável

  12. Pureza ideológica dos dezasseis imaculados aninos empunhando a espada justiceira da donzela de Orleães.
    Também nessa idade já fui parvinha como ela assumindo a minha vida como missão prioritária a salvação do mundo.
    Aos dezoito anos curei-me.

    Violeta Gina dos Prazeres e Morais.

  13. Grande Pai.
    Porque pode.
    Pequenos Pais não podem tirar duas semanas para ir velejar, porque as suas Gretas têm de comer.

      1. A maneira como a garotinha se desloca não tem importância nenhuma, salvo como valor simbólico. Pode alguma vez a África ser cruzada por auto-estradas como a Europa? Podem os africanos (bem como os asiáticos e os habitantes da América Latina) ter a vida que têm os europeus e americanos do norte? Só estou a perguntar, não estou a afirmar nada.
        Toda a produção está organizada para o desperdício em grande escala. Aqueles que, como os vegans e a garotinha sueca, se dedicam (ou preconizam) a uma espécie de clausura e de renúncias nada conseguem excepto propaganda (o que também é importante).
        O problema tem de ser atacado a nível da produção e não só do consumo. Aliás a propaganda a favor do consumo excede em muito a contrária. E a população mundial tem de diminuir. Se não diminuir de forma inteligente diminuirá através de catástrofes e sofrimento.

      2. Também já vi criticarem-na por não dar muita importância ao plástico. Quando analisada à lupa, toda a gente é hipócrita nalguma coisa.

        Mas sinceramente, esta hipocrisia, já confirmada por várias jornais de renome (o NY Times publicou o mesmo), é grande demais. Se queria mandar uma mensagem abstinha-se de ir, participava por vídeo conferência, que afinal é uma solução sustentável que ela própria promove.

        Pergunto-me se o “grande pai” lhe contou dos vôos da tripulação. E pergunto-me não porque sou um monstro, mas porque tendo na família directa alguém com uma semelhante doença do espectro do autismo, sei que teria muita dificuldade em não a encorajar a fazer uma coisa que a motiva e a faz superar-se, e em não a proteger da maledicência, sem cair na esparrela de ir longe de mais. É porque genuinamente acredito nos motivos da miúda que me parece estranho que a viagem dela custe vários vôos e ela o aceite de bom grado.

        Por muito que se concorde (ou não) com a “luta” dela, tenho sérios “mixed feelings” relativamente ao bom senso de ser esta miúda e esta família a travá-la. Espero que no fim de contas isto lhe(s) faça mais bem que mal.

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