Maluquices

Todos temos a nossa dose de loucura, com a qual passamos a vida toda a tentar rastrear, conhecer, manobrar, enfim encontrar habilidosamente o melhor modo de com ela conviver.
O que é que nos faz diferentes e ao mesmo tempo tão iguais não é o conhecimento, nem a aptidão, nem a agilidade, mas sim a capacidade de controlar o animal que somos, de domesticar a selvajaria que nos assola, de reprimir a raiva que nos sufoca. O ténue verniz da civilização que nos reveste estala ao mais pequeno toque e a bestialidade que vive sob o polimento solta-se e vocifera e mata e esfola e grita e espuma e arranha…
É a loucura total.
O que é que nos faz rir incontrolavelmente de coisa nenhuma, o que é que nos faz chorar convulsivamente por rigorosamente nada, o que é que nos faz gritar desvarios a plenos pulmões sem qualquer razão?
Na era da tecnologia, onde tudo está ao alcance dum clique, ainda não há como medir a loucura e o clique é por vezes o bastante para virar tudo de pernas para o ar.
Se eu hoje aventar uma opinião considerada polémica, sou rotulada de louca. Amanhã, noutra latitude, a mesma opinião, com toda a controvérsia inerente, pode ser considerada uma tirada genial.
O louco mais louco, debaixo da sua capa de sanidade, é provavelmente menos suspeito de ser louco do que os reconhecidamente loucos, que não tentam sequer esconder a sua loucura .
Costuma dizer-se que a genialidade e a loucura andam de mão dadas, numa roda talmente acelerada em que o olho incauto não capta a noção de quem é quem ou o quê.
O EAN/UPC de um cérebro em série ainda não traz um dígito de verificação funcional.
Pessoas há para quem escrever é catártico e um modo de expurgarem os delírios e se resolverem em paz com a própria loucura.
“A ciência não averiguou ainda se a loucura é ou não a mais sublime das inteligências.” – Edgar Allan Poe
(Imagem retirada da internet)

Loucura é achar toda esta merda normal.
Perante o real ominoso a loucura é o melhor remédio (daímôn).
É normal ficar-se incrédulo perante tanta anormalidade, mas é a realidade que se conhece.
Não posso acreditar é uma frase que gasto diariamete ao ponto de parecer um disco riscado.
“Somos loucos com intervalos de sanidade”
Estou em crer que os intervalos tendem a diminuir de frequência duração.
https://youtu.be/xkYQXS4_R-E
Peccatum – The Moribund People
The broken minds are for the mad
They say
And shun it like a dog astray
I know nothing of such a lie
And neither did he
Blessed be the unmasked enemy
Of the righteous content mass
Some suffer to the point
Where they grow numb
Where they grow numb
Others are so numb
They deserve to suffer
Dormência é realmente uma explicação estupenda da passividade das gentes.
A loucura é sempre uma tentativa para afugentar o sofrimento.
Ou o sofrimento é a revolta pela aceitação da loucura colectiva.
Não é a minha maneira de pensar que me torna louco. É a dos outros.
Marquês de Sade.
Não é encerrando o teu próximo numa casa de saúde que provarás que tens razão.
Dostoievksi
Só loucura é lucidez,
acreditem nesta verdade.
Só o estado de embriaguez,
vos trará a felicidade.
Virem-se pois para o bagaço,
para o vinho e não água pé.
Nem dão por que vos aperta o laço,
morrem na mesma mas com fé.
Isso não é viver, Corvo. Nem morrer. É pairar e esfumar-se completamente ignorado.
Talvez seja esta a explicação para a nossa implícita passividade?
https://www.publico.pt/2011/04/22/jorna l/a-historia-de-portugal-contada–pelos-n ossos-genes-21878549
Estava a brincar, Maria Dulce.
Contudo, todo o bêbedo ri e todo o sério chora. Ou se não chora mais lhe valia chorar do que arrepelar-se.
🙂
Não tinha lido o que apresenta em link, mas isso é comum a toda a humanidade. Todos iguais e um único berço e uma só mãe.
África, terra Mãe.
Oh ironia!
da nossa era,
que da mesma Eva,
nos corra o sangue
na nossa veia.
Muito estado de embriaguez pode ser confundido com loucura, e não só a de álcool, Corvo.
Vai bem esgalhado, Corvo.
Porém a felicidade é algo que se aprende. Não nos é dada nem alguém a oferece.
Creio antes ser algo que se constrói, Vento, porque cada indivíduo é feliz à sua maneira, alguns de modo bem louco para os demais.
Eu não me referi à maneira, Dulce. Somente à aprendizagem. A Felicidade aprende-se a construir, não nos é dada nem oferecida por terceiros. É como o Amor: basta-se a si mesmo. O Amor não necessita ser amado. Por isto mesmo o Amor compõe-se de 3 personalidades Unas e Distintas: o Amor, o Amante e o Amado.
O amante e o amado entendo. O amor é um conceito vago engloba tudo e não engloba coisa alguma, uma forma de sentir que não é experienciada igualmente por todos os indivíduos.
O amor não se sente, vive-se. É um conjunto de acções e não de sublimações.
Como não se sente, Vento ? Como é que se pode viver algo que não se sente? Como se pode conhecer o amor sem o sentir ? Ná!
Lembra-se daquela canção que dizia “O beijo que dei a você é meu, é meu”? Só nos pertence o que damos. Logo, não se sente: vive-se.
Quando Tomé afirmou “se não ver, se não tocar…, não acreditarei”, ele também não sabia que há aspectos que não necessitam ser vistos, tocados e sentidos para serem vividos e experienciados. Os sentidos perecem, mas o amor permanece.
Sentimento e sensação não são sinónimos. Os sentimentos não precisam ser tocados para ser vividos. Vivem-se para além dos sentidos
“Vivem-se para além dos sentidos”. É isso que tenho vindo a dizer. O sentimento faz parte dos sentidos, que perecem. Mas o amor mantém-os despertos mesmo quando parte.
O sentimento não faz parte dos sentidos. Pode perder-se toda a sensação e ter sentimentos. É intrínseco e abstracto ao ser humano e muito possívelmente a muitos animais ditos irracionais. Mas alma ou não , eis a questão, não é bem deste campeonato
Os sentimentos podem ser bons ou maus, consoante a perspectiva. O amor não entra nessas equações sentimentais, pois anula o que é mau e vivifica o que está “morto”. Por isto não há amor maior quea
concluo:
Por isto não há amor maior que aquele que dá sua vida pelo outro. Porquê? Porque o amor desprende-se daquele que o leva: é a renúncia. O amor que se centra em si e em suas necessidades, depende somente. Isto é egoísmo. O amor é vivido sem se impôr. Aceita até mesmo o abandono.
O amor Une quando n´ele se vive.
“Para que eu em “Ti”(amor) e “Tu” (amor) em mim estejamos neles e eles em nós”.
O tal fogo que arde sem se ver
O amor é a equação de Dirac de todos os sentimentos. É a antimatéria que se deseja alcançar
Dirac tenho-o tatuado no braço
Com um vector a atravessar?
Lá isso é verdade, caro Vento. O amor não necessita ser amado.
Necessita é de dinheiro porque quando ele falta o amor salta pela janela.
Então e o proverbial amor e uma cabana?
O amor não se vende, é gratuito.
Mas ganha-se e perde-se também
Voltamos ao início: a felicidade aprende-se.
Ou constroi-se , tal e qual eu dizia antes deste ouroborus argumentativo.
Tudo podemos construir. Mas só se constrói bem o que se aprende a construir.
Estou a aprender a ser feliz
Aquilo que eu vou ser ninguém me diz
A guitarra que só toca por amor
Não acalma o desejo, nem a dor
Até amanhã ( ou até logo, Vento)
A felicidade.
E há, porventura, alguma coisa fora dela que nos seja oferecido?
Pode haver sim Corvo, o que não significa que seja algo que nos faça felizes.
Há duas fases na vida. Quando ela nos dá coisas, e quando ela no-las tira.
Poder-se-ia portanto considerar a vida perfeitamente equilibrada, não fosse um singelo pormenor que faz toda a diferença.
Por uma que dá cem que tira.
Felizmente que para todos os grandes males há sempre dois grandes remédios. Álcool e futebol, a esperança renasce e a vida sorri, porque sai-se sempre por cima.
Se a nossa equipa perde, álcool p’ra cima que nada melhor para afogar as mágoas. Se ganha, álcool p’ra frente que a coisa é para comemorar.
A vida é mãe e é madrasta, no princípio, conhece-se o fim.
Não é,não foi e espero que nunca venha a ser assim tão terrível Corvo. Já perdi toda a ascendência . O tempo cicatriza devagar, mas sabemos que deve ser assim. Se custa? Não há palavras.
Neste momento estou na linha da frente e Deus queira que assim continue sempre.
Desafortunadamente não sou grande fã de bebidas alcoólicas ou de futebol.
Gosto do meu gin tónico e de um bom tinto a acompanhar carnes grelhadas em carvão, posta mirandesa, vazia alentejana… mais nada. Futebol, vejo a selecção e as finais do Sporting para apoiar os verdes da casa. Nem sei como vivi estes anos todos sem esses remédios santos caramba.
Corvo, por vezes a vida deveria usar vaselina.
A que temos vem com Super Cola 3. Pega-se e não larga enquanto não se biodegradar
A sagacidade surge quando a mente acredita no que o corpo não sente, e a loucura quando se crê em tudo o que se pensa.
https://youtu.be/aoJYZITMZAI
As phantoms we answer
At war with reality
Loucras e gostos musicais, Valk-NUT