Conseguiram


Sérgio de Almeida Correia,

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(créditos: Público/DR)

Há sensivelmente dez meses deixei nota neste espaço sobre o mau serviço que era prestado aos utentes do Aeroporto Humberto Delgado, vulgo Aeroporto de Lisboa. 

Esta semana, a Bloomberg divulgou a lista dos melhores e dos piores aeroportos do mundo. 

Pois bem, entre os dez piores aeroportos do mundo o Aeroporto de Lisboa conseguiu ser o pior. Isto é, o 132.º e último lugar. O Porto ficou em 125.º. E não me venham dizer que há muitos outros aeroportos importantes entre os piores, como Londres-Gatwick e Paris-Orly, porque a gravidade do caso não muda de figura, visto que o movimento daqueles não tem comparação com os nossos.

Se o objectivo da privatização da ANA por parte da antiga ministra das Finanças e do ex-primeiro-ministro Passos Coelho era prestar um péssimo serviço ao país, o objectivo foi plenamente conseguido, não ficando atrás do que se fez com os CTT. 

E tome-se nota de que não sou, por princípio, contra as privatizações. Mas em tudo na vida só há duas maneiras de fazer as coisas: bem feitas ou mal feitas. Neste caso, assim o penso desde a primeira hora, foram mesmo mal feitas e enganando-se os contribuintes e utentes. E para quê? Os resultados estão à vista de todos.

0 comentários em “Conseguiram”

  1. Disparate. O problema nada tem a ver com a privatização. O problema tem a ver com o grande e súbito aumento do número de clientes do aeroporto, conjugado com as limitações de que este à partida sofria.

    Se o aeroporto tivesse permanecido público, provavelmente estaria hoje ainda bem pior do que o que está. Com o adicional de que o Estado não teria dinheiro para construir um novo.

    1. claro que é disparate.
      Chegar aquela fila terceiro-mundista e ver 2 guichets abertos os outros 10 fechados tem mesmo a ver com o tamanho do aeroporto…. os voos chegam às 6:00 da manhã os funcionarios entram às 10:00…

      1. E são funcionários do SEF, não funcionários da ANA, há que dize-lo. Portanto a responsabilidade dessa fila terceiro mundista é do Estado e não da entidade que gere o espaço.

  2. O problema, melhor dizendo, o grande problema, é que Marquês de Pombal só houve aquele, e pelo andar da carruagem, neste caso seria de avião, nos tempos mais próximos não vai haver mais algum.

  3. E qual era a posição do Aeroporto de Lisboa antes de ser privatizado? Para que possamos tirar conclusões e a partir daí fazer uma análise séria sobre quais as questões a corrigir, julgo que seria bom compararmos o antes com o depois. 😉

    1. Tem toda a razão.

      Aliás, como refere uma notícia de dia 7 do Público, abaixo referida por um outro leitor, o mesmo aeroporto ganhou um prémio internacional, o que não deixa de ser estranho.

      O que lhe posso dizer, daquilo que apurei, é que em 2018 estes aeroportos não apareciam nos lugares que apresentam este ano (mesma entidade, i.e. Bloomberg):https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-06-06/the-best-and-worst-airlines-and-airports-of-2018

      Para a World Airport Awards em 2018, Lisboa estava em 57.º e o Porto em 71.º, sendo que para esta mesma entidade em 2017 Lisboa estava em 68.º e o Porto em 75.º, em 2016 em 57.º e 70.º, em 2015 em 52.º e em 65.º, em 2014 em 58.º e 63.º, em 2013 estava o Porto em 53.º e Lisboa em 67.º e em 2012 o Porto em 55.º e Lisboa em 61.º.

      A Air Help (https://www.airhelp.com/en-ie/airhelp-score/airport-ranking/) coloca Lisboa também em último lugar (132.º) e o Porto em 125.º para 2019.

      Outros rankings (Conde Nast, Smart Traveler, Far & Wide, etc) não são conclusivos porque só apresentam os primeiros e os últimos e nem Lisboa nem o Porto aparecem, não permitindo comparações anuais. Pelo menos a estas não tive acesso. Se houver alguém que tenha esses dados seria bom que fossem divulgados.

      Os critérios não são sempre os mesmos, mas há um indicador que é o resultante das queixas dos utentes. E quanto a estes basta frequentar essas estruturas e ouvir quem o usa com frequência (não falo dos lounges das companhias).

  4. Dos aeroportos não posso falar. Os CTT, os que utilizo, não estão piores (em parte por terem sido sempre maus).

  5. O problema que a privatização do aeroporto trouxe foi a falta de proteção do serviço púbico, onde cai precisamente o controlo de passaportes. Já na área de vendas onde as rendas são pagas a peso de outro, não faltaram obras ampliação e melhoramentos. Como resultado, temos um aeroporto que começa a rivalizar com alguns centros comerciais, enquanto que a área de controlo de passageiros continua com os mesmos recursos de há mais de 10 anos. Nem mesmo a área dos passaportes electrónicos mereceu ampliação, até porque mesmo que se quisesse, não há espaço físico para tal.
    O coelho troikado fez o que lhe cumpria, baixou as orelhas aos franceses da Vinci, da mesma forma que o 44 o fez na altura que foi necessário renovar a concessão.

  6. Curiosamente, saiu uns dias antes um prémio qualquer atribuído ao mesmo aeroporto como sendo o melhor.

    Curiosidades à parte, gostava de saber onde andam hoje as luminárias que andaram a dizer que a Portela tinha capacidade para mais 20 anos, para justificarem a não construção de um novo aeroporto, que vinha a ser estudado desde finais da década de 60 para a Ota, dando uma guinada na recta final para Alcochete, para depois nem o pai morre nem a gente almoça, e agora andamos à volta do projecto do Montijo. Cheira-me que ainda não é desta que Lisboa terá um aeroporto de jeito.

    1. Não é o aeroporto de Lisboa que necessita ser ampliado, mas sim o seu corredor aéreo, que está estrangulado pelas bases aéreas militares que rodeiam a capital e não permitem maior trafego.
      Reforçar a equipa do SEF no controlo de passaportes e alegar a saída dos passageiros após a recolha de bagagens seria suficiente para os problemas actuais.

          1. Não estou a julgar ninguém.
            Mas se acha que um aeroporto internacional, com dois terminais (já dou de barato considerar o barracão do terminal 2 como sendo um terminal de um aeroporto internacional), a rebentar pelas costuras em passageiros em trânsito, resolve o seu problema com ampliação do corredor aéreo, mantendo a estrutura física actual, só pode ser mesmo a opinião de um expert em aviação. Quem sou eu para duvidar…

          2. Ou seja, é preciso as duas coisas.

            Era capaz de ser interessante ver o aumento de passageiros por libertação de corredores aéreos ser “absorvido” pela actual estrutura aeroportuária… de aero-apeadeiro lotado a aero-apeadeiro super-lotado.

          3. Umas das duas, pois a estrutura há muito que está a receber obras de ampliação (o que é aliás referido no artigo em causa e qualquer viajante pode confirmar). E falando como viajante frequente, fora da época alta eu nunca vi o “aero-apeadeiro” lotado. Tenho sorte, só pode.

  7. Não são privatizações a 100%. São ppp’s. É normal terem o pior funcionamento possível, é para issoque são criadas. São pagos para fazerem nada, depois fechar com prejuízos quando os interveninentes enriquecerem o suficiente e ter que ser nacionalizado de novo. Ou é privado ou não é.

  8. …….não vale a pena “inventar”……….o grande problema é….sempre foi….e será…..a falta de “estruturas” aeroportuárias adequadas ao tempo….e ao espaço……tudo o resto…..é mera “treta”……..!!!!

  9. Pedro Marques era o indicado para trabalhar nas “bilheteiras fechadas” com outros familiares dos socialistas….

    A.Vieira

  10. o post, o tema presta-se a pano para mangas, embora o assunto tenha em diferentes momentos esgotado toda a polemica.

    Mas aqui o autor presta-se a um genero de balanço, a sugerir que nao valeu a pena a privatizaçao, e que os contribuintes foram enganados.

    Digo eu, os contribuintes sao sempre enganados… ate om a verdade. E justamente essa é a questao, pois quanto a insuficiencias e deficiencias de serviço prestado pela ANA, isso é coisa de concorrencia, de pressao e reclamaçao dos utentes.

    È da ANA que estamos a falar, mas nao vi ninguem comentar noticia recente de a uniao europeia subsidiar agora a modernizaçao da tap. Ou seja, sempre os contribuintes…

  11. Não contesto a lista, mas contesto que com base nela se fale “do mundo”. Basta andar por outros continentes que não o europeu e o da América do Norte para, sem dificuldade, encontrar pardieiros piores do que Lisboa.

    E tenho muitas dúvidas que os males do aeroporto sejam atribuíveis à privatização (no que toca ao controlo de passageiros vindos de fora da zona Schengen, onde os atrasos são por vezes terceiro-mundistas, a responsabilidade é clara e ostensivamente do Estado, e não do operador privado que gere a Portela).

    Onde sim me parece que o Estado andou mal foi na reversão da privatização da TAP – também há uma lista onde a companhia aérea de “bandeira” lidera o mundo em atrasos. Como passageiro frequente, garanto-te que enquanto foi verdadeiramente privada os aviões saiam a horas. Agora é uma desgraça. Pequenos exemplos: ontem, a TAP lixou uma conferência onde participei (uma das oradoras chegou com quase 3 horas de atraso); na semana passada fez-me chegar a Lisboa 4 horas e meia depois da hora (vindo de Bilbao); há três semanas aterrei em Madrid com 3 horas e 20 minutos de atraso. E só não continuo para evitar entupir-te a caixa de comentários com o estado vergonhoso a que chegou a TAP.

    Mas estamos de acordo, só há duas maneiras de fazer as coisas: bem feitas ou mal feitas.

    1. Caro Diogo,

      Da TAP não falo porque há muitos anos que não viajo nos seus aviões.

      Quanto ao aeroporto falo como utente e comparo. Dos wc mal cheirosos, com falta de sabão líquido, às filas no controlo de segurança, sem esquecer o calor insuportável e o tempo que a bagagem demora, tenho apanhado de tudo. Se já era mau antes, ficou pior depois.

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