

Não há muito para dizer sobre os terríveis atentados no Sri Lanka que a imprensa não tenha já relatado (ou venha a relatar, acontecida que foi há pouco outra explosão) – talvez lembrar que nos últimos dias houve um ataque do ISIS no Congo, e que a “insurgência” islamita em Moçambique se vai disseminando para sul. Entre tantos outros países onde formas super-agressivas de islamismo político se vão disseminando, isto para além das habituais formas de ditaduras políticas e intolerância sociocultural – os militantes “activistas” e “identitaristas”, bem como os Estados europeus, são completamente excêntricos ao autoritarismo religioso do Islão, patente nas formas inaceitáveis de tratamento da apostasia e de perseguição dos ateus, bem como da perseguição e discriminação de minorias religiosas. Tanto nos países de maioria muçulmana como nas práticas das populações muçulmanas residentes na União Europeia “dos direitos humanos”. Alguém se interroga sobre como actuam os líderes religiosos muçulmanos em Portugal (e na UE) face aos que querem abandonar a sua religião, como pregam sobre o assunto, que pedagogia da tolerância praticam, que modalidades institucionais instauram? De facto, a liberdade de culto, um dos valores fundamentais conquistados na Europa é posta em causa no interior de núcleos crescentes da população sem que isso seja apontado pela maioria dos intelectuais dos países europeus (algemados aos pós-marxismo identitarista) e sob o silêncio (timorato) dos Estados.
Um dos grandes problemas é o do negacionismo do processo em curso. Trata-se de uma “guerra civil” islâmica, uma “guerra santa” endógena, uma enorme conflitualidade interna ao islamismo, uma religião política por excelência, talvez a mais política de todas, promovida pela desvairada violência do “integrismo”, querendo esmagar (converter ou exterminar) outras correntes. Aquilo que é um “ur-fascismo”, para usar a problemática definição de Umberto Eco. Mas também, concomitantemente, de uma “guerra santa” contra os cristãos (e também contra os hindús, mas mais calma em termos de atentados ainda que a conflitualidade latente entre Índia e Paquistão não augure nada de bom neste domínio). É tendencialmente uma guerra universal, inegociável, pois os “integristas” tudo querem, não há como negociar.
Nesse âmbito temos o supremo problema de que o “ocidente”, ao confundir democracia com “multiculturalismo” – versão secularismo, à qual em Portugal Rebelo de Sousa deu carta de corso logo que tomou posse, diante do silêncio ignorante e estuporado da classe intelectual e dos políticos (dos jornalistas já nem se fala) – não coloca o problema tal e qual ele existe. Começa isso por não o nomear, em requebros e meneios que são verdadeiramente suicidários. O exemplo do dia, tonitruante por vir de quem vem, é a forma como Obama e Clinton se referiram às vítimas dos horríveis atentados no Sri Lanka. Repare-se bem nisto: se há um mês o desgraçado morticínio numa mesquita neo-zelandesa foi enunciado pelo ex-presidente americano como uma agressão à “comunidade islâmica” (e não aos “Adoradores do Profeta” ou aos “Adoradores do Pedregulho”), agora os atentados são por ele (e pela sua ex-vice) considerados como atingindo os “Adoradores da Páscoa” (e não a “comunidade cristã”). Nesta vergonhosa pantomina retórica reina o substrato negacionismo, o propósito de não identificar, sonoramente e com exactidão, os alvos: os cristãos.
O inimigo é, evidentemente, o ur-fascismo islâmico. Mas é evidente que Obama, e os tantos “Adoradores do Obama”, são perigosos. Chamberlains actuais, nada mais do que isso.

os líderes religiosos muçulmanos em Portugal […] como pregam sobre o assunto
Uma vez, numa visita à mesquita de Lisboa, o xeque disse aos (dezenas de) visitantes que qualquer pessoa pode livremente ir assistir às suas prédicas, às sextas-feiras cerca da uma da tarde. A entrada é livre, as prédicas são em português. Não há segredo nenhum.
Lavoura, este seu comentário não dialoga – ou seja, não comenta – com o texto.
Comenta, sim.
Há muitos líderes políticos europeus que se queixam de que os xeques muçulmanos nas mesquitas nesses países pregam em línguas estrangeiras e que, por isso, ninguém pode ir lá verificar se eles não estarão a pregar coisas indesejáveis.
Ora, em Lisboa (pelo menos na mesquita principal) não é isso que se passa e, se qualquer pessoa quiser saber o que o xeque prega, pode ir lá escutá-lo, porque a entrada na mesquita é livre e as pregações são em português.
Ficarão assim a saber o que o xeque prega sobre qualquer assunto.
Caro Luís Lavoura.
Também era só o que mais faltava ministrarem cursos de bombistas nas mesquitas. Para mais em Portugal e na língua portuguesa.
🙂
Lavoura eu não coloco essa questão. Até porque acho que as prédicas podem ser em qualquer língua, e mal seria se houvesse uma proibição de usos linguísticos. O que digo – e é coisa que muito ultrapassa a questão linguística – é que ninguém explicita preocupações com as pressões exercidas sobre os muçulmanos pelas suas próprias instituições religiosas ou pelas vizinhanças e parentelas, que ninguém pergunta ou investiga (não no sentido policial, mas no sentido sociológico) quais são as práticas dos líderes religiosos e outros no sentido de garantir total livre-arbítrio religioso aos de origem muçulmana, que tipo de pedagogia da tolerância face à apostasia (que é um direito fundamental) e ao ateísmo. Com isto não estou a afirmar que há uma universalidade repressora em contextos europeus – estou a dizer que não se pergunta. E também digo que essa discriminação, atentado à liberdade, não é tomada em conta nas relações com os países muçulmanos. Não só pelos Estados, mas também pelos indivíduos, mui democratas, mui indignistas, mas sempre prontos para irem comprar tapetes, fumar haxixe, praticar devaneios sexuais ou pura e simplesmente apanhar sol e ver as belezas culturais e naturais, onde as pessoas são perseguidas pelas suas crenças. Depois voltam para casa, bronzeados, e toca de ser “multiculturalistas” e “democratas”.
Quanto às preçes e prédicas? Que quem as quer fazer e ouvir o faça na língua que mais lhe dá jeito.
ninguém explicita preocupações com as pressões exercidas sobre os muçulmanos pelas suas próprias instituições religiosas ou pelas vizinhanças e parentelas
Era o que mais faltava, o Estado andar a impedir as pessoas de exercerem pressões umas sobre as suas vzinhas e parentes, ou a impedir as instituições religiosas de exercerem pressões sobre os seus fiéis.
O Estado tem obrigação de respeitar a liberdade religiosa. Mas não tem o direito de procurar impedir as pessoas de doutrinarem religiosamente os seus familares ou amigos.
quais são as práticas dos líderes religiosos e outros no sentido de garantir total livre-arbítrio religioso
Geralmente as pessoas não pretendem garantir o livre-arbítrio religioso dos outros. Praticamente todas as pessoas educam os seus filhos na religião que consideram correta e não gostam que eles se afastem dela. Os muçulmanos, como os restantes.
Lavoura, v. está a perorar. É conhecido, descrito, sabido – eu só conheço textos sobre França, mas quero crer que haverá alguns noutros locais – que os oriundos de contextos islâmicos sofrem pressões de elementos, congregados, para seguirem comportamentos, posturas e crenças. Coisas que nós não aceitamos para o global dos habitantes – não se trata da influência das famílias, do proselitismo das associações religiosas. Trata-se de condicionamento e de perseguição, de exclusão. V. pode continuar a elaborar mas saiba que está num registo que é desinteressante, em torno de palavras apenas. Eunuco.
O livre-arbítrio é a base da sociedade europeia. Nós distraimo-nos sobre isso. E o multiculturalismo quer apagar isso: está no casamento, tão ao invés de imensas outras situações. Se há práticas sociais que condicionam e obstam ao livre-arbitrio elas devem ser combatidas pelo Estado, é para isso (e não para gerir os transportes ferroviários ou as contas da água) que ele existe. E quem não percebe isso não percebe nada. Nem mesmo de blogs.
Muito bom!
Salve Zazie
Na minha opinião tem razão quanto à critica a Obama e Clinton. Contudo tentar associar intrinsecamente o islamismo ao terrorismo é, na minha opinião, limitado. O Corão, na sua essência, pouco diverge do Antigo Testamento ( também por lá se encontra o desejo da expansão/conquista mundial do judaismo,entre outras coisas como o Povo Eleito). Na génese do terrorismo temos de ter também em consideração a politica externa do Ocidente, e as consequências da Globalização. No primeiro caso o apoio, pelos governos ocidentais a ditadores sanguinários que praticaram durante décadas um terrorismo de Estado ( ex: Indonésia e Suharto, Egipto e Mubarak) ou favoreceram uns Estados como Israel
e a Arábia Saudita em detrimento de outros como o Irão, ou a Palestina sem outro argumento (ex:direitos humanos,etc) que não o de interesses económicos/geostratégicos (ex: 7%do PIB americano depende do investimento saudita). Por exemplo e escrevo de cor a génese da Irmandade Muçulmana foi o regime politico brutal, de perseguição, ostracismo e assassinato politico, promovido por Mubarak com o apoio do Ocidente. E o mesmo se podia dizer sobre o Bahrein, ou o Iemen…quanto à Globalização recordo o Congo e a Indonésia onde são/foram injectados milhões pelo BM sabendo que uma parte significativa era desviada para os bolsos dos ditadores amigos do ocidente, ao mesmo tempo que se confiscavam terras em nome do Progresso, destruindo um tecido social milenar, e se atiravam para a miséria abjecta o população rural (tipico na África subsariana)…isto já para não falar nas Escolas de Recrutamento de Terroristas que são os campos de detenção no Iraque, ou os “danos colaterais”, tão bem revelados pelos videos tornados públicos pela Wikileaks – o ataque cego por drones (para se matar um lider terrorista é aceitável mandar pelos ares um quarteirão inteiro)…..jpt isto é tudo muito complicado.
https://youtu.be/UaqY12VHFv4
Curioso como muitos documentários, ou videos reportando a hipocrisia poltica ou a violência dos danos colaterais causados pelo “Ocidente”, pela ” Guerra pela Democracia” estão bloqueados no youtube….
https://youtu.be/PpokeMU_60I
https://www.fnac.pt/Guerras-Sujas-Jerem y-Scahill/a922010?gclid=EAIaIQobChMI1PPf nPrj4QIVUUPTCh3RNg4HEAQYASABEgLSF_D_BwE&Origin=google_pla_livro
Através de um relato corajoso, Jeremy Scahill revela a verdadeira natureza das guerras sujas que o Governo dos Estados Unidos se esforça por ocultar. Do Afeganistão ao lémen, à Somália e mais além, Scahill traz-nos um relato da linha da frente, numa investigação de alto risco que explora as profundezas da máquina assassina global da América.
Enquanto os líderes dos EUA arrastam o país, cada vez mais, para conflitos em todo o planeta, criando terreno fértil para uma enorme desestabilização e para a retaliação, não só os Americanos enfrentam um risco maior como a própria nação está a mudar.
Em “Guerras Sujas – O Mundo é Um Campo de Batalha”, Jeremy Scahill desmascara os guerreiros das trevas que travam estas guerras secretas. Dá também um rosto humano às baixas causadas por uma violência pela qual ninguém se responsabiliza, e que é, hoje, a política oficial: vítimas de ataques noturnos, prisões secretas, ataques com mísseis de cruzeiro e drones, e grupos inteiros de pessoas consideradas “suspeitas de extremismo”.
raisparta, detesto ouvir ecoar patacoadas …”tentar associar intrinsecamente o islamismo ao terrorismo”. Onde é que isso está no texto? Não está, mesmo. E é explícito que não está. O que são as patacoadas? É a quantidade de vezes que se refere que há terrorismo islâmico (o que está afixado no texto e é uma verdade factual) e surge alguém com o choradinho a dizer que “o islão não é terrorista” (o que não está afixado no texto). É esse pensamento não só incompetente (islamofilo) como falsário (deturpador dos textos, como é este seu caso) que é preciso pontapear.
O que está no texto, ao qual você acorre com ligações para barafustar com coisas que lá não estão? Que o que se passa é uma guerra interna ao islão, com estas formas, facções, terríveis e terroristas combatendo outras doutrinas, facções, realidades islâmicas. E que essa guerra interna é acompanhada por guerras com o exo-islão – um postal é curto demais para articular tudo, mas há bastante literatura sobre o assunto. Como é que pode vir para aqui botar que eu associo intrinsecamente o islão ao terrorismo? Raisparta o “multiculturalismo” de pacotilha que conduz a tudo isso.
Quanto ao resto – enfrentar o islamismo radical, terrorista, ur-fascista, não nos deve fazer esquecer a convivência, “intra-portas” e internacional, com formas autoritárias, discriminatórias, persecutórias, que estão presentes não só nas sociedades islâmicas como nos contextos islâmicos quando estes minoritários. Isso não é dizê-los terroristas … é dizê-los o que são, ateofóbicos (quantas vezes assassinos), anti-democráticos. Por cada cem patetas que aparecem a protestar por alguém dizer “maricas” há uma mera unha de mindinho que reclama contra a perseguição dos ateus, e apenas um macaco de nariz que treme relativamente às pressões sofridas pelos oriundos de contextos islâmicos que se querem laicizar.
É disso que eu falo, mal ou bem, E não que o islão é o terrorismo. E isso está escarrapachado no texto. É uma vergonha intelectual dar-lhe outro sentido
Bom, aqui vão as minhas desculpas. Obrigado pelo esclarecimento
O seu postal contém conteúdo implícito tão importante quanto o que explicitamente aborda.
Mas permita agora, ainda que parcialmente, mostrar outra face da moeda:
O ocidente tem vivido da hipocrisia. Graças a putrefactos intelectuais e políticos, a coberto de jornaleiros ditos científicos, o ocidente tem vindo a ser ludibriado por uma agenda escondida do grande público.
Em síntese, esta agenda teve início e ficou bem patente com a criação do Club de Bilderberg; e que, graças a Deus, Putin conseguiu contrariar. Com a anexação da Crimeia e a divisão da Ucrânia deu-se inicio a este processo.
Adicionalmente, anteriormente à entrada em cena de Putin, entre outros objectivos a prosseguir não faltou desvirtuar os valores substantivos construídos com muito sangue vertido no ocidente. E não faltou a ajuda dos iluministas do século XX para fazer um ataque, que continua, à Igreja Católica Apostólica Romana, vulgo ICAR. Camuflando suas misérias, os iluministas, influenciando “sedativos” governamentais, procuraram também outros alvos que não a ICAR: sendo que o alvo principal ou a abater seria o princípio religioso que rege a humanidade. E não faltaram as matanças legalizadas, como o aborto.
Neste sentido, o proselitismo político, também apoiado pelo(a)s neo-esquerdistas avançados civilizacionais, procurou em simultâneo ajuda e deu cobertura aos movimentos a quem agradava também ver diminuído o princípio moral e religioso, a saber: o lóbi feminista e gay. Sendo que através da ONU pretendeu-se estender universalmente esta nova religião e ordem, o relativismo moral e até mesmo científico.
Não faltou que paulatinamente a catequese da nova religiosidade fosse implementada usando as crianças em idade escolar para concretizar tais objectivos.
Não contaram estes senhores e senhoras que o processo religioso que levavam a efeito acabasse um dia por se virar contra ele(a)s mesmo(a)s; e as reacções surgiram: primeiro a revolta dos fundamentalistas islâmicos, que também é fruto do proselitismo desta nova corrente, e depois a entrada em cena de Putin, a que, Muito Bem, se seguiu Trump e nos últimos tempos Bolsonaro. Outros semelhantes a estes virão.
A todos os cristãos deixo o meu mais profundo pesar, e chamo a atenção para os erros que muitos cometeram em não ter vindo em socorro da ICAR. Estes outros também eram os alvos a atingir, ainda que sub-repticiamente, numa outra fase. Os luteranos, evangélicos, pentecostais, católicos e todos os demais cristãos, UNAM-SE. O perigo está dentro das próprias fronteiras. E não são só os fundamentalistas islâmicos que devem ser combatidos! Há outra espécie de fundamentalismo, incluindo o legislativo, que merece atenção.
O que é isso do pós marxista identitarista? Em que escrito de Marx se baseia?
Não me baseio em nenhum escrito de Marx. A malvada, assassina e genocida exegese foi enterrada em 1989. Aleluia por isso, danados sejam os seus apoiantes, em particular os actuais.
Parece-me que se deveria falar em pós modernismo, pós-capitalismo, uma vez que Marx morreu nos idos anos 90
parece-lhe a si, tem esse direito à parecença
Sobre o Congo deixo esta preciosidade:
https://youtu.be/ll7aUgeK3-o
É de lá que a Microsoft vai buscar o Tântalo (onde são usadas crianças como animais)…a tal empresa que Bill Gates fundou e “alimenta” a Fundação Bill Gates. A Fundação que protege as crianças em risco….tudo uma hipocrisia sem limites.
O Gates é horrível, os americanos também. Coitados dos “pretinhos”. E dos “pretos”, tão inocentes eles são. Pobres de Deus, por assim dizer.
E vai outro:
https://youtu.be/JcJ8me22NVs
Depois admiram-se que uns se façam explodir acendidos pela Raiva da Injustiça
a decência é não estar atrás de um ecrã a dizer coisas dessas: são estes que são explodidos, abatidos, massacrados. Não são eles que se fazem explodir. Você está a aparvalhar tanto neste texto que não lhe aprovarei mais comentários, cruzou a indignidade.
Jpt e o respeito pela liberdade de expressão/opinião?
eu disse que não lhe aceitava mais comentários (neste texto) mas aprovei estes últimos para explicitar o que devia ser conhecimento adquirido: isso que invoca não se aplica aqui, isto não é um órgão de comunicação social, é um blog, uma conversa. Não há censura, só se fala com quem se quer – há um comentador cujo “nome” é corruptela da personagem de Morris (e Goscinny) que uma vez veio aqui deixar imprecações num postal em que ecoava o susto por causa de umas manifestações violentas perto de casa e de me ter esquecido de avisar a minha filha, imprudente descuidado, e lá veio o indivíduo elogiar os holigões que nos desassossegaram. Continua a meter comentários nos meus postais: apago todos. O gajo não me respeita, e à minha família, eu não falo com o indivíduo. Percebe?
Eu gosto de conversas acesas, e até azedas. De debate ríspido. Que venha até o insulto se vier. Agora que me venha aqui, como veio, deturpar o que escrevi para debitar a habitual ladainha do coitadismo não aceito. Quer arengar nas caixas dos comentários? Ok. Mas sem deturpar o que está no texto acima.
Quanto ao resto: não há pingo de ética neste apropriar de sofá do sofrimento das populações para sublinhar a retórica do dia, deturpando os factos. Que é que V. está aqui a fazer a propósito do Congo – e por arrastamento, de uma situação que poderá ser similar, em Moçambique. Massacres em aldeias, gente camponesa desgraçada, são essas as vítimas. Não são esses os “mártires islâmicos” que você “contextualiza”, em vero elogio. É uma vergonha. Uma vergonha de sofá.
Estimo-o intelectualmente. Mas jpt não deve haver grande diferença “de classe” entre quem mata, fazendo-se explodir. Ambos, na maioria das vezes, são desgraçados, ao contrário dos lideres religiosos que lucram com a guerra. Deixo aqui um link do relato de um pai judeu que perdeu a filha – minuto 17). Abraço. E não me interprete mal. Abomino a violência
https://youtu.be/d8mvBUI9s8E
Para queimar “étapes” : valha-nos a “Santa , e Ortodoxa, Rússia”…
JSP
O Putinismo tem marcado a inflexão generalizada, parece-me
Não sei se será o Putinismo que nós salvará mas sei que a única esperança que nós cristãos temos está na Rússia ,
esse é um dos segredos de Fátima .
Luis Almeida
Por essa de Fátima não estava eu à espera. Mas respondo (à letra): então bem pode esperar sentado.
Os russos são os únicos que sabem como se devem tratar os muçulmanos , veja o caso da Chechênia .
Luis Almeida
Parece-me que o que está a acontecer no Sri Lanka é uma resposta ao que aconteceu na Nova Zelândia.
Uma resposta à letra (grande).
Entre estados, a guerra é diferente.
Os cristãos guerreiam pelo petróleo.
Os muçulmanos, pela fé.
Outra razão para lutarmos (todos) pelas energias renováveis.
João de Brito
Para raciocínio lógico não está mal pensado
Excelente texto.
A.Vieira
obrigado pela sua simpatia
Sendo verdadeiros – não os uso – esses tweets de Hillary e Obama são ridículos, artificiais, de plástico, pelo excesso de correcção política no uso das palavras. Cristãos são para ser designados como tal e o episódio é bom para me recordar como assisti à “”histeria Obama” como fenómeno que não tinha nada a ver comigo.
Mas permita-me chamar-lhe a atenção, jpt, que meia dúzia de postes abaixo do seu, tem um colega de blogue que não se ensaia nada em atribuir os atentados a “um movimento islâmico” e isso antes de que qualquer autoria tenha sido atestada.
Eu bem sei que Luís Menezes Leitão não é um nome ventilado nas candidaturas à presidência dos Estados Unidos, mas parece-me o género de comentário que merece um comentário, tanto mais quando o autor “mora” na sua “vizinhança”. E tanto mais que, pelo que escreveu, ele se mostra conhecedor das proezas do LTTE, uma organização com pergaminhos na tradição do bombismo suicida. O extremismo pode ter muitas facetas.
Até pode ser que venha a ter razão; mas na altura em que o atribuiu foi apenas um palpite infundado.
António Estrela Teixeira V. levanta várias questões, bem diversas, no seu comentário. Vou por partes:
1. As comunicações tuiterizadas: confesso, ainda que tenha uma conta twitter – que uso apenas para colocar ligações aos textos de blog – nela não me pus a seguir as figuras da política americana (sigo alguns amigos, muito destwiterizados já, e alguns velhos bloguistas). Mas vi estas comunicações partilhadas e, inclusive, várias outras de outras personalidades americanas do espectro PD (como deveríamos assinalar o partido) que usam a mesma terminologia. Está visto, é o jargão da moda naquele meio, e alastrar-se-á pelos locutores da “esquerda” europeia, tão desnorteada anda há mais de uma década que até se obamizou, in illo tempore.
2. A histeria obamista à qual diz não ter aderido também não foi minha infecção – ainda que tenha achado interessante um mulato (naquela sociedade aprisionada pelo vil racismo e sua sequela “one-drop” considerado negro ou, para usar o jargão deles, “afroamericano”) ter chegado a presidente. Sempre me espantou o encanto dos locutores portugueses pelos políticos americanos – e na era blogal às adesões tempestuosas a gente como Bush ou Obama sempre as julguei defeitos de entendimento. Simpatizei com Obama, na sua verve de pregador, na elegância de quem é hábil no “jam the news”, mas como ícone pop, não mais do que isso. E cortei com qualquer simpatia após o atentado à Charlie Hebdo, com as suas vis declarações inculpadoras do modelo laico francês, ignaro e pérfido que foi.
3. em relação a isto. Contrariamente ao que diz eu não acho que seja um caso de “correcção política” no uso das palavras, mas exactamente o contrário. É a negação da identidade da maioria das vítimas. A questão é vasta, e não posso pretender entendê-la por completo: mas prender-se-á com estratégias (obtusas, em meu entender) de evitar a crispação do “mundo cristão”, de propagandear que este é um alvo (que é, entre outros), de deixar entender a existência de uma “guerra de religiões” (que tenha substituído a anterior propalada “guerra de civilizações”). Não vou repetir o postal, julgo que não é apenas isso, mas parece-me que o breve texto deixa entender a minha compreensão da coisa … Mas para além desse objectivo de não extremar posições no tal “mundo cristão” (de facto no “ocidente”) há outra posição subjacente, de efeitos mais vastos e com raízes bem alongadas: o facto de que há identidades que não são convocáveis e outras que não só o são como o devem ser. Por outras palavras, que há uma hierarquia ética nas identidades afirmadas: eu não deverei afimar-me “branco” mas o “negro” deve-se assim dizer; nem “português” mas o “curdo” sim; nem “cristão” (que o sou, culturalmente falando, e por imputação externa) mas o “muçulmano” sim – ou mesmo “heterossexual” mas o “homossexual” sim. Isto é o fruto de uma autofagia “pós-colonial”, “pós-moderna” (agora está na moda falar do “marxismo cultural”, termo que me desagrada). Isto porque “fomos” e “somos” o poder, ilegítimo e malévolo. E um tipo vê as minorias cristãs a serem lentamente arrasadas no médio oriente e o silêncio,cheio de “aisance” sobre isso e irrita-se. E vê esta minoria no sri lanka a ser esventrada e recusarem-lhe uma identidade que decerto reclamam e pensa ser um escândalo. Ainda para mais neste momento. E nestes termos: certo é que “worshippers” não será bem “adoradores” (no sentido até pejorativo que lhe damos) mas muito mais cultuantes, menos desvalorizador. Mas é um escândalo, uma vergonha, e um acto político explícito de penalização do que parece oriundo do tal malévolo “ocidente” (a cristandade), que contrasta com a patética valorização das “comunidades” a este externas, essas sim dignas de valorização no espectro do (coxo) “multiculturalismo”.
4. secundariamente, quanto ao que refere sobre o postal do Luis Menezes Leitão: a) a gente num blog colectivo tem alguma solidariedade, mas isso não implica que sejamos responsáveis pelo que outros escrevem – se houver uma enorme discordância constante então será melhor cada um ir escrever para o seu lado, mas não mais do que isso; como tal não posso esperar que os vários co-bloguistas aqui concordem com os recorrentes dislates que boto, apenas que não se sintam constantemente incomodados; b) o LFM ao escrever que os atentados eram oriundos do terrorismo islamita não só ecoou o que logo apareceu na imprensa internacional como escreveu algo que era absolutamente plausível – como logo as informações do país vieram corroborar. Mas mesmo que não viessem isso não invalidaria o seu pensamento. Pois o mais previsível é que fosse isso – e lembro o atentado de Atocha quando tantos bloguistas de esquerda, alguns dos quais eu conheço, saltaram – ainda com as ambulâncias a percorrerem Madrid, e eles insensíveis à desgraça acontecido – invectivando a ETA pois estava a beneficiar Aznar, em pleno cume eleitoral. Lembro isso para lhe recordar que uma coisa é escrever com base em suposições mais do que aceitáveis (como fez LFM,e fê-lo num blog, não num jornal, onde as obrigações de comprovar factos são bem maiores do que num blog conversacional) e outra bem diferente é fazer, como nesse recuado caso, uma suposição para dela retirar imediatos corolários de índole política (abaixo Aznar, viva a esquerda, que se lixem as vítimas)
Mas esta é também uma questão algo académica – LFM presumiu, e tantos de nós também, e logo ao ouvir as primeiras notícias, que o atentado tivesse o dedo do radicalismo islamita. E esteve certo.
Não, não concordo que seja uma “questão algo académica”. Compreendo que faça como eu, que escreva sobre o que muito bem lhe apeteça e que, como eu, embirre com os eufemismos do discurso político da esquerda americana. Mas as conclusões quanto à identidade dos autores dos atentados de Colombo continuam a ter sido prematuras, mesmo que as queira justificar pela iniciativa de ir procurar aquilo que se quer corroborar por essa net fora. Na net há sempre alguém para achar tudo, até que a Terra é plana. E a aposta que o seu colega de blogue fez não se redime só por se vir a verificar que afinal acertaram no prognóstico. Acertou, mas foi um palpite. Em contraste, foi nítida a precaução das autoridades cingalesas em não se precipitarem na identificação dos autores, e só hoje, dois dias passados, é que os atentados foram reivindicados e atribuídos ao Daesh. Aliás, o assunto ainda não parece esgotado.
A propósito do exemplo pedagógico que evocou aqui em Espanha, aproveito para lhe agradecer por me ter propiciado uma visão muito mais “panorâmica” a respeito da exploração política subsequente aos atentados de Atocha. Imagine lá que eu ficara com a impressão que o comportamento desonesto fora o de Aznar, ao querer forçar a atribuição da autoria dos atentados à ETA! Afinal, talvez não, o enfâse da sua censura vai para “bloguistas de esquerda” “insensíveis” que se puseram a fazer “suposições”, baseados na versão que lhes fora apresentada pelo chefe do Governo! Não deviam ter acreditado na versão de Aznar e precipitaram-se – mal! É caso para perguntar, perante tanta verve reservada aos aldrabados, sobra-lhe alguma, jpt, para o aldrabão?
PS – Fiquei com a sensação de que não compreendeu aquilo a que eu me estava a referir quando evoquei o LTTE e o seu “modus operandi”, que era tão semelhante ao dos actuais atentados. E que era protagonizado por tamiles radicais de religião hindu. E que também podiam ter elegido aqueles mesmos objectivos para atacar. Até há bem pouco tempo (http://herdeirodeaecio.blogspot.com/201 6/02/aqueles-homens-que-se-tornam-maiore s.html), o terrorismo teve outros protagonistas que não os islâmicos naquelas paragens. Talvez fosse por isso que as autoridades cingalesas se mostraram tão cuidadosas a pronunciarem-se quanto à identidade dos autores, não lhes fosse acontecer algo parecido com o que aconteceu com Aznar. Mas, voltando ao princípio do PS, se calhar engano-me quanto à sensação.
António Estrela Teixeira o que me verdadeiramente me surpreende é que me venha a mim cobrar – dá-me até a sensação de surgir aqui como um paladino de uma qualquer deontologia blogal – o que está escrito num postal de um co-bloguista (insisto, irrita-me a palavra “colega”, efeitos da tropa, porventura). Não concorda com o teor ou com a pressa do Luís Menezes Leitão? Vá lá ao postal dele dizer-lhe isso. Não me venha cobrar a mim. O meu postal é medíocre, uma patetice, inadequado? Ok, lamento que assim seja. Mas tenha a piedade, por assim dizer, de me cobrar o que eu tristemente elaboro e não o que outrem colocou no blog. LFM ao escrever o seu texto violou princípios fundamentais (direitos humanos, ou coisas similares)? Caluniou alguém? Então nós, os tais co-bloguistas, poderemos ser convocados a ter alguma atitude.
Mas não me parece que tenha sido isso que aconteceu, ele imputou responsabilidades sobre este atentado, seguindo o sentir geral e a atribuição plausível, e você vem-me chatear com isso? É totalmente descabido. Para além de mais é muito pobre em termos de entendimento: a sua preocupação face a coisa destas é se um bloguista português (em especial este, presumo que não tenha andado nos últimos dias a comentar nos imensos órgãos de comunicação e na miríade de blogs ou locais de redes sociais que seguiram essa percepção a protestar com a pressa de imputação autoral …) botou sobre a autoria dos atentados antes disso estar certificado. Lamento, mas não há outra forma de o por: isso não é maníaco, é demoníaco.
E digo-lhe que, em princípio, concordo que devemos ser co-responsabilizados por algo que foi colocado num blog em que colaboramos – até porque, como referi, isto não é um órgão de comunicação social. E em assim sendo, tal como não estamos vinculados a uma certificação factual, podemos elaborar em boa-fé, também não estamos protegidos por uma qualquer “edição”, uma direcção que seja a responsável por conteúdos menos aceitáveis e nos isente de tomadas de posição. Porventura não terá lido mas eu já narrei (não sei se em postal se em comentários) a minha reacção ao conhecido blog colectivo Malomil: há algum tempo, sei lá porquê, um dos bloguistas publicou as célebres cassetes roubadas há trinta anos a Tomás Taveira. Visto aquilo (eu era leitor quotidiano) deixei nos comentários do postal (daquele, não de um outro qualquer co-bloguista) um longo rosário de impropérios, sem rodeios, invectivando-o e aos seus companheiros de blog. Como conhecia alguns dos co-bloguistas, e até de apresentar-lhes livros ou actividades conjuntas, a partir daí cada vez que um deles me contactava sob intuitos profissionais eu respondi com a ligação para aquele postal, para que soubessem o que deles pensava.
Mas, sublinho, isto é uma coisa completamente diferente.
Atocha? Fique na sua, que eu fico na minha. Que me lembro bem disso. Aconteceu antes das redes sociais, com muito menos frenesim dos jornais na internet. Eu estava em Mpauto. Há um tipo, meu colega, com o qual até tive algum relacionamento pessoal, bastante conhecido no meu meio socioprofissional, que duas horas depois daquilo acontecer estava a vomitar impropérios contra Aznar, porque iria ganhar as eleições por aquilo ter acontecido. O tipo então era cabecilha dos grupos do BE, depois (como a história nos mostra ser recorrente) veio a acoitar-se no núcleo propagandístico do socratismo, onde ainda reside. E lembro-me bem de ter pensado, de um homem que eu conhecia (fora até meu professor, então ele assistente): “foda-se, este gajo não vale nada”, tamanha a desumanidade que brotava daquelas teclas. E nunca mais o li. Aperto-lhe a mão, quando o encontro, com a necessidade dose de hipocrisia para subsistir quando em Lisboa. Portanto, você fica com a sua visão história e eu com a minha etnografia.
Tamil? O que tem acontecido nos últimos anos? Eu não tenho acompanhado em detalhe, mas parece-me que nada anunciaria o recrudescer das suas actividades. Mas talvez esteja enganado, e você encontre indícios (na tal net, da qual desconfia) de que eles estavam a preparar um ataque.
Em suma, o que lhe digo? Que me parece tétrico que para si – e para tantos outros – a questão aqui, o problema, a força motriz das teclas, seja que um tipo qualquer em Portugal tenha dito que eram os muçulmanos os autores do atentado, umas horas antes do governo local o ter indiciado (se é que assim foi). É demencial, AET. Quando não é, porque é muitas vezes entre os agentes políticos, completamente malévolo.
Se me permite, excelente resposta.
tá bem, Vorph.
Mostra bem a massa manhosa e cobarde de que são feitos BO e da HC — tal como os snowflakes merdosos que os defendem.
Mais um bom post que me informou de algo que desconhecia e verdadeiramente grave ou não (essa dos adoradores é mais uma entre muitas) e estou em total concordância com o texto.
O que é de lamentar é que ainda existam pessoas capazes de defender ESTA doutrina multiculturalista e que sejam esses os 1ºs a ajudar na destruição dos valores judaico-cristãos que estão na base dos valores europeus e a promover indirectamente o que eles supostamente mais odeiam …
WW
obrigado pela sua simpatia, ainda bem que lhe agradou o postal
Tucker: Left struggles to say the word ‘Christians’
https://youtu.be/IfXG4q1D8hA
É da Fox, mas costumo gostar de ouvir este jornalista
não precisa de se desculpar por ouvir a Fox.
Vídeos do Youtube, o supra-sumo da credibilidade! Isso e rotular como “esquerda” políticos de direita como Hillary Clinton ou Barack Obama.
Só os cristãos é que celebram a Páscoa? Pensar um bocado não mata…
Nem sempre concordei com Hillary Clinton ou Barack Obama, dois políticos americanos neoliberais. Em particular a política externa defendida pelos mesmos no Médio Oriente foi um desastre.
No entanto tenho a aplaudir o facto de que tanto Clinton como Obama, dois cristãos, não se tenham posto com políticas identitárias de forma a semear o ódio, pois são inteligentes ao ponto de saberem que não só os cristãos celebram a Páscoa assim como nem todos os cristãos celebram a Páscoa (a maioria dos cristãos americanos prefere a Acção de Graças).
Leitura recomendada: aster-worshippers-obama-hillary-conserva tive-backlash.html 85 012/oct/26/afghanistan-bomber-eid-mosque-v ideo ouple-attacks-synagogue-worshippers-in-b uenos-aires
https://slate.com/human-interest/2019/04/e
https://www.bbc.com/news/magazine-403434
https://www.theguardian.com/world/video/2
https://www.jta.org/quick-reads/homeless-c