Poetisa, pitonisa


Pedro Correia,

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Eis-me em Lagos. E a caminho da Meia Praia, num final de Inverno que mais parece início de Verão, deparo com esta placa. Homenageando justamente uma das maiores escritoras portuguesas de todos os tempos. E também justamente aqui, pois Sophia está profundamente ligada a Lagos, onde compôs alguns dos seus mais belos poemas.

Gosto desta homenagem. E gosto também que a placa toponímica a designe por “poetisa”, reabilitando assim este belo substantivo feminino agora escorraçado do discurso cultural dominante, que designa homens e mulheres pela palavra poeta, na reiterada tentativa – que em certos casos deriva para obsessão ideológica – de esbater diferenças de género. 

Há palavras que me tocam muito. Uma delas é precisamente poetisa – que rima com pitonisa. Agrada-me vê-la exposta a quem passa, nesta Rua Sophia de Mello Breyner Andresen, em Lagos. Onde hoje vejo «a luz mais que pura sobre a terra seca», como a autora do Livro Sexto escreveu, aqui bem perto, há mais de meio século. 

0 comentários em “Poetisa, pitonisa”

  1. Tão má como a eliminação da palavra “poetisa” é a eliminação da palavra “embaixatriz”, que foi subsituída por uma inexistente e feia “embaixadora”, com o argumento foleiro de que uma embaixatriz é a mulher de um embaixador – quando é bem sabido que boa parte dos embaixadores são homossexuais, outros são infiéis às mulheres, e que ninguém tem nada de qualquer forma a ver com o embaixador ter ou não ter mulher.

    1. Infiéis às mulheres? Quais mulheres? Adultério? Bíblia? Apedrejamento já.
      Ou morte à sede com a cabeça enterrada na areia molhada.
      Outra coisa, os homossexuais não podem ter mulheres? E quem é que decide isso?
      … vou beber alguma coisa fortificante para ver se “isto” passa. Passa ou xuta, vai dar ao mesmo.

  2. Outra palavra que foi abastardada é “inquietação”, que o francófilo Manoel de Oliveira resolveu substituir pela palavra francesa “inquietude”, que não existe em português, no que foi imediatamente secundado pelos pedantes intelectuais nacionais.

    1. “sem diferenças de género não estávamos cá.” E diferenças que se reconheçam facilmente. Senão pode acontecer como ao Ronaldinho (futebolista brasileiro) que pensando que era mulher foi com um travesti. Descobriu já um bocadinho tarde. Vive la diference!!

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