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Temos desde o início a sensação de que ele prefere não estar lá, naquele cenário de luxuosa degradação humana em que se movimenta para solucionar casos difíceis envolvendo ricos e famosos, espécie de detective às avessas, conhecedor dos meandros do crime nas suas mil facetas e do castigo que lhe vem associado.
Temos desde o início a sensação de que ele preferia ter permanecido na Boston natal, católica e conservadora, homem de família que é, apesar de tudo. Mas as circunstâncias encaminharam-no para a pista errada: o padre molestador que o afastou da fé, o pai transviado que o fez descrente nos laços humanos, a podridão dos poderosos na sua duplicidade moral, que o tornou irremediavelmente convicto de que toda a bondade é sinónimo de fraqueza, emergindo como o maior dos pecados.
Esta foi uma excelente notícia da temporada televisiva em curso: Ray Donovan prossegue a sua saga iniciada em 2013 – cada vez menos solar, já distante da Califórnia, onde decorreram os capítulos iniciais da série, agora desenrolada em Nova Iorque, quase sempre em cenários reais, numa toada nocturna, lunar, onde toda a esperança parece perdida. A mulher morreu, os filhos (Bridget e Conor) entraram na idade adulta, ele sonha com uma vida onde o crime não tenha lugar. Mas pressentimos que é um combate condenado ao fracasso. Ele e os irmãos, Terry e Bunchy, parecem tocados por uma estrela funesta que os faz caminhar por pontes cada vez mais estreitas entre as margens da vida.
Eis-nos perante uma das melhores séries norte-americanas desta década, criada pela escritora e guionista Ann Biderman para o canal por cabo Showtime. Uma série amarga e tensa e desencantada, servida por um notável elenco onde se distingue o veterano Jon Voight (já premiado com um Globo de Ouro pelo seu extraordinário desempenho no papel de Mickey Donovan, o patriarca da família) e por diálogos que nos reforçam a convicção de que o melhor cinema, nos tempos que correm, se transferiu para os ecrãs televisivos. Ao ritmo de 50 minutos por episódio.
Ray Donovan, sexta temporada – iniciada em Outubro. Com Liev Schreiber, Jon Voight, Susan Sarandon, Dash Minok, Eddie Marsan. Na TV Séries. Os 60 episódios das temporadas anteriores estão disponíveis na Netflix.

Excelente série, uma das melhores que já vi em televisão. Conta com desempenhos excepcionais, mesmo de actores em papéis secundários.. Gostei também muito da tua caracterização da personagem principal. É isso!
Obrigado, Teresa. Incluo ‘Ray Donovan’ no pódio das melhores séries televisivas deste século. Com ‘Os Sopranos’ e ‘Mad Men’.
Excelentes, as três.
Obrigado pela dica. Vou visitar a série.
Verá que gosta. Aposto.
um pedaço de gajo: vi-o actuar, pela primeira vez, num CSI (where? can’t rememer, at all!).
ficou-me aquela sensação de não estar ali, mas sem a sensação de estar em qualquer outro lugar: algo de etéreo, diria.
Também já escrevi sobre C. S. I. t/a-ideologia-nas-series-de-tv-8523102
Aqui:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p
A primeira vez que recordo o Liev Schreiber foi no The Manchurian Candidate, com o Denzem Washington e a Merryl Streep. No CSI ( no único de seu nome) teve participação em 4 ou 5 episódios como substituto do Gil Grissom no graveyard shift.
Um enorme actor. Que não é só de tela: é também de palco.
sexy m+++++ f++++++

acabo de reparar, Dulce, que me faltou algures um b, lá no comentário 🙂
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deeee, err, aahh,mmm, bonzudo? 😀
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p.s. – caro Pedro, m’azatão e os homens, à segunda-feira, por ex.?

Homens à segunda-feira?
Eu escrevo sempre à segunda. E nos outros dias todos.
man, Pedro, long life to biodiversidade:
sim, s*** m************
Muito bem apresentada na sua essência,Pedro. É uma excelente série, muito bem escrita e admiravelmente interpretada. Teve umas temporadas atonas, mas recuperou muito bem.
Uma série única, sem clichês, sem lugares-comuns, sem enredos fáceis de adivinhar. Uma série que começa por falar-nos do lado lunar da soalheira Califórnia e que se vai tornando mais densa e negra, ano apos ano. A temporada 4 é sublime – digna do melhor cinema negro clássico norte-americano.
Todos os grandes temas da ficção surgem em ‘Ray Donovan’: o amor, a família, o ciúme, a inveja, a ganância, a traição e a morte.
Grata pela sugestão!
Andava para aqui sem séries “de jeito” nos favoritos, enquanto aguardo pelas continuações de umas quantas bem boas; a arrastar-me pela 3.ª (fraquinha) temporada de «Berlin Station» e a apreciar também a 3.ª de «True Detective».
Veja de Sinner 1 e 2, diferentes para ver a mentalidade americana
Permita-me umas sugestões e a minha respectiva pontuação : Peaky Blinders (9), Taboo (9), The Handmaid’s Tail (9), Mr Mercedes (8), Young Sheldon (8), The Good Doctor (8), The Man in the High Castle (8,5), The Blacklist (8,5).
Espero ter contribuído.
Registadas as suas escolhas. Agradeço as sugestões.
Fora do circuito norte-americano, deixo aqui outras duas – uma francesa, outra dinamarquesa. 655581.html t/a-ideologia-nas-series-de-tv-8523102
Forbrydelsen:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5
Engrenages:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p
Nota máxima, para ambas.
Peaky Blinders aborreceu-me; Taboo é uma das que aguardo a 2a temporada; The Handmaid’s angustiou-me logo no 1o episódio; Mr. Mercedes não deu para levar com aquilo; The Blacklist é muito “normal”.
Agradecida pelas sugestões.
E, de caminho e para a troca, aguardo 2as temporadas de Big Little Lies, Killing Eve, e o final de GOT, claro.
True Detective, 3a, está muito bom, como esteve a 1a.
(Desculpe, Pedro, o seu post não era exatamente para isto)
Gostei muito de ‘Big Little Lies’, tal como gostei de ‘Olive Kitteridge’. Ambas exemplares, no formato mini-série.
‘True Detective’ teve uma excelente temporada inicial. Caiu muito na segunda. Ainda não espreitei a terceira.
Recomendo também ‘The Bodyguard’, da BBC.
Entretanto, vai começar a rodagem da temporada 7 de ‘Ray Donovan’. Excelente notícia.
Maravilhosa sinopse, e concomitante caracterização do protagonista, que nos deixas aqui, Pedro. Muito bom!
Um abraço
Obrigado, Pedro. Gostei de saber que também és fã da série.
Abraço.
ups, ainda não vi esta série.
Obrigado pela dica.
Julgo que gostará. Espero que sim.