
Em 1973 o país mais pobre da Europa Ocidental estava há 12 anos em guerra, de facto 3 guerras coloniais. Era o segundo país não comunista no mundo que mais gastava, percentualmente, em despesas militares. As guerras, para quem não saiba, eram absurdas. Nem discuto se estavam ganhas, empatadas ou perdidas. Nem tão pouco discuto se os portugueses eram maravilhosos colonos, ou só mais ou menos. Ou péssimos. Nem elaboro sobre se os regimes subsequentes foram magníficos, catastróficos ou normais. As guerras eram absurdas pois o tempo histórico das colónias europeias ultramarinas tinha passado. O Estado Novo nelas insistiu. Não argumento se era fascista ou não. Se era um Estado Bom ou Mau. Apenas digo que era o Estado Novo. Muito resistente: aguentou o fim da II Guerra; a pressão democratizadora da entrada na NATO; o plano Marshall despejado nos vizinhos. a campanha do prestigiado governador colonial Norton de Matos (um homem da sua época, com muita visão); a forte campanha do ex-nazi com aspirações a caudilho; o êxodo de centenas de milhares de emigrantes; a integração económica transpirenaica; a invasão de Goa; a morte de Salazar; o opróbrio internacional.
Ao fim de 12 anos de guerras o regime, relativamente exaurido, mexeu nas formas de promoção dos militares profissionais – que, desde sempre, tinham sido um dos seus sustentáculos. Os oficiais mais novos, entrados nas academias militares em finais de 50s e inícios de 60s, e nisso algo militantes do regime e suas formas de nacionalismo, então exaustos de sucessivas missões em África, devido a essas medidas associaram-se corporativamente contra o regime. Pouco ou nada politicamente conscientes (como tantos deles repetiram em registo memorialista), foi esse o motivo que os levou a sistematizar e a comungar a impossibilidade de manter essas guerras. E o regime que as exigia. O que os conduziu aos golpes de Março e de Abril de 1974. A este segundo já o regime não conseguiu reagir militarmente e, na ausência de confrontos, a população de Lisboa saiu à rua. E deu corpo ao futuro mito. Nacionalista, falsificador da história, desta higienizador.
Em que consiste esse mito nacionalista? Na censura. Isso ilustra-se assim: há uma bela canção da época, panfletária como então era norma, de Sérgio Godinho cujo refrão é “Só há liberdade a sério quando houver / A paz, o pão / habitação / saúde, educação“. Ora quando se fala do antes, no célebre “onde estavas no 25 de Abril” a tal “paz” parece que desapareceu das questões prementes. Como se as únicas questões relevantes, influentes, fossem as internas ao Portugal, a Pátria.
E com isso se torna evidente o tal mito, nacionalista: a democracia, a liberdade, a II República, como quiserem, foi fruto das energias e anseios portugueses, internos, endógenos. Da nossa “virtude”, capitaneada pelos “gloriosos capitães”.
A que propósito vem isto? Ontem os populistas (integrados pelos fascistas do PNR) tiveram o seu arroubo, o “fiasco amarelo”. Uma amiga minha saúda esse falhanço da extrema-direita, esta tão em voga pelo mundo afora, citando um execrável texto de um desses fazedores de opinião consagradores da cleptocracia socialista. Reza assim o texto, que saúda o tal fiasco: “No Brasil, na Itália, muitos estão a sucumbir. Nós não. Porque ninguém veio de fora para nos libertar. Fomos nós que conquistámos a nossa liberdade e a nossa democracia. Frágil, imperfeita, cheia de erros.”.
A tal falsificação da história, a “naturalização” e “endogeneização” da democracia portuguesa. Essa que, de facto, resultou de que “alguém veio de fora para nos libertar”, de que em três futuros países se combateu o Estado Novo. Mas estas trapalhadas, este nacionalismo viscoso, falsário, esta mitificação necessária a um atrapalhado regime repercute-se. Com apreço, pelos académicos, intelectuais. Até por quem tem experiência de África.
Porquê? Porque para gostar das patetices que estes fazedores de opinião botam basta que eles defendam Vara, Sócrates, e quejandos. Desde que sejam dos “nossos”, do PS, do Livre, do BE (ou, vá lá, do PC) podem cuspir todas as asneiras, mesmo estas de um nacionalismo tão bacoco como os dos Livros Únicos do Estado Novo. De facto, que se lixem os “fiascos amarelos”. O que interessa é que o juiz Alexandre seja arrumado, como foi a PGR. E que o Vara se safe. E entretanto que se digam todas as asneiras que a gente aplaude. Ulula. É esta imunda merda, natalícia, que é a “esquerda” portuguesa. Um Feliz Natal para todos vós. E o 19 que mereçam – o ano em que Sócrates regressará da Ericeira. Para gáudio da Clara Ferreira Alves e deste tipo de gente, essa que “ao fim destes anos todos só nos enganámos numa coisa, julgámos que havia uma campanha da direita contra Sócrates”, e o povo aceita-lhes a desfaçatez. De “esquerda”. E a rapaziada partilhará. E dirá de “direita” (e se calhar até “anónimos”) os que se enjoam com este lixo. O fedor da cloaca. Vosso.

“Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa… Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada!
As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem… E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do… que dia é hoje, ah?”
Quanto à Extrema Direita parece que estavam, sobretudo, do outro lado da barricada, vestindo coletes azuis:
https://www.dn.pt/pais/interior/conselh o-da-europa-avisa-extrema-direita-infilt rou-se-na-psp-e-ha-politicos-com-opinioe s-xenofobas-9936054.html
Bom Natal, jpt…Tudo de Bom
As riquezas cá do quadradinho são tão poucas que não é viável pagar (aqui também) uma primavera árabe….
“Portugal é pequenino, mas é um torrãozinho de açúcar”…
R.I.P
jsp
“Em 1973 o país mais pobre da Europa Ocidental”
E continua a ser, 45 depois. E o 3º mais pobre, contados todos os países da Europa Ocidental e Oriental. Depois da cornucópia da CEE aqui depositar milhões.
Ah, e o mais analfabeto, também de toda a Europa, Ocidental e Oriental.
“Depois da cornucópia da CEE aqui depositar milhões”
Onde estão eles ?
Comidos pelas ratazanas que saíram do cano de esgoto rebentado em 25/4.
Ratas velhas e vermes que “mataram” um país.
País de malfeitores e ignorantes. O autor (inocente ?) do post que se informe,
Na verdade esta questão dos amarelos deixam-me preocupado. Eu fico completamente fecundado, isto é, emprenhado, melhor, aquilo que sabemos em matéria de acordo ortográfico, que se adoptem por esta Europa afora medidas tais que levam a população a contrair icterícia.
Tudo isto se deve ao facto de existir também cativações na saúde que impedem uma campanha eficaz a estes atentados à saúde pública, isto é, a existência de medidas que levam a contrair a amarelinha, vulgo icterícia.
Neste sentido compreendo que o pessoal tome em suas mãos o problema para combater tanta precariedade.
Portanto, perante o que é contingente nada melhor que recorrer-se à medicina alternativa para evitar que a epidemia se transforme em pandemia. A icterícia tem muitas causas, e verifica-se que pode ser contagiosa. De tal forma é contagiosa que as forças de segurança criaram uma táctica semelhante à usada em Aljubarrota, a técnica do quadrado, para confinar os contagiantes a alas específicas do espaço público. Era um método muito usual no antigamente para que os leprosos não se aproximassem, para além das campainhas.
Dito isto, a Associação República e Laicidade anda preocupada com a mensagem do Patriarca na RTP. Alegam estas aves canoras “privilégio incompatível com a laicidade do serviço público” para cantarolar tantos desmandos. sociacao-pela-laicidade-critica-rtp-por-m ensagem-do-cardeal-patriarca-de-lisboa
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/as
Não são capaz de compreender que um serviço público é feito para onde existe público que aceite o serviço. Mas os passarinhos entendem que serviço público público mesmo deve ser a República e Laicidade, como tal são estes que merecem ser noticiados ou botar gramática em qualquer órgão de comunicação.
Foda-se!, melhor dizendo, Feliz Natal.
o meu pai (que teria hoje 93 anos, não fora dar-lhe a mania da morte aos 68) fez parte destas campanhas do MFA, logo aqui, na terra de direitolas – honestamente, acho que são mais extrema-direita – da família da mulher, minha mãe, todos eles de bico calado, o respeito é lindo, diante de fardas, apesar de ser sempre ele, o militar disciplinado, a saber estar calado no momento exacto, podiam passar duas, três horas, mas demolia depois o interlocutor em cinco minutos).
os cadernos de rascuho ainda os guardamos, filhos e filhas.
um primor de integridade, com muito de radical, uma exigência quase impossível.
pai.
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(viajou para nós há 25 anos …)
A fraca adesão da manifestação prova que:
– Não há corrupção no país
– A classe política é exemplar
– O regime respira saúde
– A carga fiscal que temos não é exagerada face aos serviços que o estado nos presta
– As condições de vida da geração que financia o sistema são equilibradas com os benefícios auferidos por quem o estabeleceu.
– Gozar com os deploráveis indignados é a melhor maneira para manter tudo na mesma.
Um pouco confuso.
Um post deste tamanho a dizer que foi censurado parece-me um conta-senso.
Os apoiantes de Sócrates estragaram o 25 de Abril?
Em três futuros países combateu-se o Estado Novo, e num país que já existia o Estado Novo tornou-se inviável porque ninguém o quis apoiar.
O Estado novo perdeu por falta de comparência.
Não querer participar numa manifestação de patuscos é sinal que se apoia Sócrates e Vara? Um indivíduo fazer grandes asneiras não quer dizer que todas as asneiras do mundo são da sua responsabilidade.
A maior asneira do regime de Salazar foi chamar para a tropa os universitários expulsos, ou suspensos, das Universidades, sobretudo a de Coimbra, como castigo, depois das lutas de 1962. Em Janeiro de 1963, umas centenas de jovens iniciaram o curso de cadetes milicianos na EPI. Entre eles , o meu conterrâneo e amigo, José Augusto Rocha que foi presidente da Associação de Estudantes de Coimbra. Homem de grande cultura, de verbo fácil, José Augusto propagou as suas ideias políticas no seio dos militares do quadro, sobretudo os mais jovens.
Encontrei-o na Guiné – Bissau a cumprir uma comissão na maldita, naquele tempo , ilha do Como. Um patriota que defendeu as suas ideias dentro do sistema, ele e os outros estudantes das lutas de 1962 foram extremamente importantes na luta contra o velho regime. Cá dentro.
Já não esta entre nos mas continua vivo na memória de quantos tiveram o privilégio de com ele conviver.