
PSD: GUIÃO PÓS-ELEITORAL
Escrito por José Pacheco Pereira em Fevereiro de 2005, no rescaldo imediato da derrota do PSD. Basta substituir a data e o nome de Pedro Santana Lopes pelo de Manuela Ferreira Leite:
“Não há volta a dar a esta realidade. Sócrates recebeu uma vitória de mão beijada, que não era difícil de antever a não ser pela cegueira de muitos dos apoiantes de Santana Lopes que, no seu culto da personalidade, nunca admitiram os erros evidentes e a crise para que conduziram o PSD.”
“Agora é tempo de reconstruir a oposição.”
“Tenham medo, tenham muito medo pelo PSD nas autárquicas e nas presidenciais.”
“Falta aproveitar a mudança da conjuntura para criar condições para intervir na estrutura.”
“Santana Lopes, mais do que ninguém, usa o nome de Sá Carneiro para se apresentar como seu herdeiro. A atitude que tomou ontem de não se demitir e insistir em aumentar o fogo e as cinzas em que deixou o partido, é o exacto oposto daquela que Sá Carneiro tomaria. É nestas alturas que se vê a dimensão dos homens.”
“Se se pretende renovar o PSD, depois de 20 de Fevereiro, dever-se-ia lutar não apenas por um congresso extraordinário mas por um processo que implicasse uma demissão colectiva de todas as estruturas distritais e eleições simultâneas para essas estruturas pelo método das directas em conjunção com a escolha de delegados para o Congresso. Não é impossível de fazer com os actuais estatutos, e daria um abanão a todo o partido, fazendo participar o maior número de militantes numa escolha que irá ser decisiva para a sobrevivência do PSD como grande partido nacional.”
Muito bem lembrado. Até porque Pacheco Pereira estava cheio de razão.
(O ilustrado opinador tem de corrigir um tique nos reflexos: não é «dever-se-ia lutar», mas sim “deveria lutar-se”.)
Pacheco Pereira estava obviamente cheio de razão. Em 2005.
Mas, ainda há alguém que leve o Pacheco a sério? Coitado do Pacheco, deixem o homem em paz mais as suas teorias da conspiração, o pobre.
Mas ele até tinha razão, Lúcio. Em 2005.