
Mais dois textos péssimos sobre Bolsonaro, o “Quem tem medo de Bolsonaro” no “Público” e o “#VocêsTambémNão” no “Observador”. Ambos higienizam Bolsonaro, até dulcificando-o. O primeiro é mais simples, criticando as deputadas portuguesas por protestarem com o candidato fascista brasileiro mas sem se oporem a Maduro, o títere venezuelano, o que lhes ilegitimará a “virtude” denunciatória. Sim, tem alguma razão, e vários factores justificam a nossa atenção na Venezuela – o respeito pelos princípios democráticos logo à cabeça, a grande comunidade emigrada e lusodescendente, o facto de ser um enorme produtor de petróleo e, claro, a rábula do “Magalhães”, mais um item da tramóia socratista que até hoje assombra o nosso país.
Mas este argumento, que é muito comum, tem algo que se lhe diga: é que políticos, articulistas e locutores de redes sociais que se aprestam a invectivar Maduro também se calam face a Duterte, excepto, porventura, quando o pérfido líder do maior país católico asiático insulta o papa; e se protestaram contra o (ex)marxista Mugabe nada dizem face aos desmandos do (nada)marxista Museveni; e se lhes ocorre criticar a teocracia iraniana não leio muitos “militante do CDS” – como assina Borges de Lemos, assim explicitamente associando o seu partido na tralha que alinhavou – a invectivarem a ditadura ateocida saudita, nem a do Qatar, para onde a Federação Portuguesa de Futebol, organismo tutelado pelo estado, contribuiu para enviar o apetecível negócio do Mundial de futebol. Ou seja, se isto é para criticar os zarolhos, então é melhor que o “militante do CDS” que desarticula no “Público” se dezarolhe, tal como os seus concordantes se devem dezarolhar. Porque assim estão a cuspir para o ar, a ilegitimarem as suas “virtudes” críticas, políticas.
O segundo texto, de Rui Ramos, é mais refinado, a expressão alta, editada, em voz de intelectual relevante de uma linha de textos em jornais e redes sociais de figuras menores sobre esta matéria. Confesso a minha irritação, repulsa mesmo, vendo que pessoas que se reclamam de uma direita democrática (ou mesmo de um centro-direita) – os termos valem o que valem, acima de tudo têm usucapião simbólico – diante da erupção de um tipo como Bolsonaro num país que nos é tão relevante (política, cultural e economicamente) como o Brasil, têm como pulsão da escrita não a crítica a esse energúmeno mas sim à dos críticos ao energúmeno. Para Ramos a questão da ascensão de Bolsonaro, tal como a anterior de Trump – assim elidindo que, por menos que se goste de Trump, os discursos de ambos não são compagináveis -, centra-se nisto: a malevolência dos discursos e práticas da esquerda radical. Isto não é, como faz com muito tino, Luís Menezes Leitão considerar que as modalidades histriónicas de luta anti-Bolsonaro são incompetentes, alienam opositores. Isto é apontar o cerne da questão à esquerda e não ao movimento fascizante.
Isto tem dois corolários e uma dimensão prévia: o primeiro é, que pela ausência de discursos de políticos, de intelectuais e de sub-intelectuais de direita/centro e até mesmo da esquerda democrática – e decerto que em muitos casos por higiene, pela aversão dos hipotéticos locutores em se verem misturados com o trauliterismo da extrema-esquerdalhada -, se deixa o monopólio do repúdio aos movimentos anti-democráticos às expressões dessa extrema esquerda e da esquerda folclórica. Há o abandono de um campo de (re)afirmação dos valores democráticos a esse corropio de agit-prop. E depois queixam-se que são estes desvairados movimentos que causam e/ou reforçam os fenómenos à extrema-direita. Isto tem algum fundamento? Em tudo isto há mesmo o matizar da bestialidade, que transpira condescendência: “Bolsonaro tem um jeito agressivo e grosseiro“, reduz Ramos! Estará o autor a brincar? Ou está a deixar que só entre a tatuada Isabel Moreira e os enverhoxistas Rosas e Fazenda se diga o óbvio: que Bolsonaro é um fascista do piorio, completamente avesso aos valores democráticos – esses mesmos que o centro e a direita afirmam.
O segundo corolário bem que se casa com este, e vem, até por coincidência, no belo texto de ontem de Adolfo Mesquita Nunes, “A afirmação da direita” no “Diário de Notícias: uma direita politicamente deprimida e intelectuamente deficitária que pensa a realidade em função do posicionamento da esquerda (seja lá o que esta for), esta é que é o pólo dinamizador (“a esquerda não gosta do Bolsonaro?” “então eu até nem digo mal do gajo”).
E nisto tudo continua-se a dizer uma semi-verdade que é de facto uma falsidade (“com a verdade me enganas”): que são estas expressões trauliteiras e maximalistas, estas tipas com as mamas e as bundas à mostra nas manifestações, que reforçam os bolsonarismos, que os causam, que é a extrema-esquerda que os “empodera” (como agora se diz em péssimo português). Não é verdade, o que potenciou Trump – fenómeno que R. Ramos associa ao de Bolsonaro – foi, em primeiríssimo lugar, a incapacidade dos republicanos (da direita americana, se se quiser) de promover dentro de si (Trump nem era do partido, convém lembrar) uma alternativa enérgica e consistente o suficiente para enfrentar uma estafada Clinton. Tal como o que reforça Bolsonaro é a incapacidade do centro e da direita brasileira (naquele espectro político demencial) de afirmarem movimentos e personalidades o q.b. significantes. Essa é a verdade factual, não são os guinchos da Isabel Moreira, quais bateres de asas da borboletas no Atlântico Austral, que há limites para isso da “fractalidade” fazer medrar o mal.
Esta esquerda folclórico-neocomunista demoniza os adversários do momento, como o RR avança? Sim. E nós, bloguistas portugueses vimos isso em Portugal, e até podemos sorrir na memória, como Pacheco Pereira do Abrupto era o diabo na terra, a reencarnação de Primo de Rivera ou coisa assim e desde que passou a ser o ideólogo da geringonça regressou ao estado humano. E notei-o, chocado, no meu regresso ao país, nesta constante invectiva dos geringôncicos socratistas aos seus críticos como “invejosos, ressentidos, ressabiados”, o tal argumento que imputa deficiência moral ou doença mental (ranço/podridão, raiva) aos adversários políticos, típica modalidade bolchevique. E está espalhado esse tique velho-comunista. Mas, sem rodeios, não é essa a questão importante face ao bolsonarismo.
Finalmente, há o tal ponto subjacente. É que o matizar da relevância bolsonar, esta remetência para uma mera “grosseria”, estes sorrisos que se vão vendo nos textos e sub-textos das redes sociais diante de um aparente mero “politicamente incorrecto”, esta pulsão da escrita direccionada para a crítica ao críticos e não para a imundície, denota algo de profundo: em muitos, para além do paroquialismo do isabelomoreiracentrismo, há uma muito superficial (para não dizer pior) adesão aos valores democráticos. É isso que sai por todos os poros destes textos, por mais militantes ou simpatizantes do partido de Amaro da Costa, Francisco Lucas Pires ou Mesquita Nunes surjam. De facto e se, tal como o RR escreve, não há grandes diferenças entre Sanders e Trump quanto à valia dos tratados internacionais também não há grandes diferenças quanto à valia dos principios democráticos entre os Fazendas e Mortáguas e estes redutores de Bolsonaro a um atrevido algo grosseiro.

o Qatar, para onde a Federação Portuguesa de Futebol […] contribuiu para enviar o apetecível negócio do Mundial de futebol
Não vejo por que não haveria de ter contribuído.
A FPF deve, entre outras coisas, tentar promover o futebol em países onde ele ainda é pouco jogado. Como o Qatar.
O futebol, ou qualquer desporto, não deve ser uma coutada de europeus e sul-americanos. Outros países também devem ter odireito a jogá-o, e a organizar campeonatos.
E não se trata de um negócio muito apetecível. Organizar grandes competições desportivas é financeiramente muito arriscado. E quem melhos que o Qatar para poder suportar tais riscos?
Marginalmente ao tema do postal, relembro-lhe que a FPF, como instituição de um Estado Democrático, deve velar pelo futebol mas deve também zelar os princípios democráticos. Poderia apontar-lhe a falácia que é achar que o Qatar vai receber o Mundial como medida de divulgação e incentivo ao desporto, mas iria criar um debate ainda mais marginal.
O postal centra-se, e bem, na mania que tanta gente tem de zelar meios e fins em vez de Princípios, velados olhos que os guiam. É uma pena o Luís Lavoura desviar o olhar para o acessório, ainda mais quando o centro é algo tão iniquamente excêntrico.
Obrigado pela sua caridade Sarin
Não sei se o Luís Lavoura é personagem ou pessoa, mas na hipótese de ser pessoa não sei se me incomodam mais as ideias que por vezes partilha, as piadas indirectas de que é alvo ou a inércia que demonstra perante estas.
Não foi caridade, foi respeito pelo tema e alguma urticária com o desviar da atenção mas também com a indicação do bo(m)bo da festa. Olhe que, sem se desviarem do tema, surgiram potenciais alvos bem mais caricatos – como se não tivessem percebido nadinha daquilo que o jpt escreveu…
Sarin, em minha opinião a FPF não tem nada, mas mesmo nada, a ver com as caraterísticas (anti-)democráticas dos outros países onde se joga, ou deveria jogar, futebol. Em minha opinião o desporto não deve ter nada, mas mesmo nada, a ver com a política. Os habitantes do Qatar, já bem lhes basta estarem submetidos a uma ditadura, ao menos que tenham o direito de jogar e de ver jogar futebol; não devem ser punidos, ostracizados do mundo do desporto, pelo facto de o regime do seu país ser ditatorial.
Estou completamente contra os boicotes que alguns países aplicam a outros no campo desportivo.
O business da FPF deve ser somente promover o futebol. Não deve ser um braço armado do Estado português para punir países que ele não aprecie.
Caramba, o Luís gosta mesmo de Bolsonaro!!!! Só assim consigo perceber a insistência em discutir questões marginais ao texto!!!
eu acho que ele (o LL) é uma personagem. Se fictícia ou verdadeira é que já não sei …
mas também, confesso e afianço, o DO sem o LL não seria a mesma coisa …
Se a questão era marginal ao texto, então para que é que lá estava escrita?
Eu leio os textos por inteiro. Com cuidado. Comento aquilo que acho que devo comentar. Quer seja o assunto principal ou um assunto secundário no texto. E sempre fiz assim. Não é de hoje.
Bolsonaro e os motivos dos atacantes dos seus atacantes merecem-lhe palavras nenhumas, antes a analogia pequenina?
Tem razão, não é de hoje e não me é novidade… enfim, Eu mereço!
PS: as minhas desculpas.
Sarin o LL só me quer chatear, o resto é secundário
A si e a outros autores, pela mesma lógica…
O P.S. era para si, já agora.
E, já-agora-também, estou chateada consigo pela ausência de resposta. Mas não é por isso que não tenho visitado O Flávio, que desejo de boa saúde.
O Flávio tem andado parado – eu acho piada, já que alude ao meu blog, que me apareçam aqui tipos com remoques ao meu anonimato, anónimos eles próprios, quando até um blog com o meu nome tenho. Falando a sério há mesmo um problema cultural, um furibundismo que faz fenecer
Desta vez foi por excesso de tabalho, mas sim, também já tive paragens por falta de pachorra… mas é dar demasiado poder a quem não o merece, isso de fenecer. Umas férias ocasionais, prontes, ’tá bem, …
Eu explico Lavoura – se há gente tão preocupada com a ditadura islâmica iraniana porque razão são tão amigos da ditadura islâmica quatari (será assim que se escreve?), e depois vão protestar com os que protestam com Bolsonaro e não com Maduro? O resto são moelas …
Eu concordo completamente que nos devemos preocupar com a ditadura islâmica qatari. Mas discordo totalmente que essa preocupação seja levada para o campo do desporto. Política e desporto devem estar separados.
O dever-ser é uma coisa. O ser é outra. De facto política e desporto estão mais do que conjugados. Aliás, como disse Clausewitz, “O desporto é a continuação da política por outros meios”. Mas, de facto, eu não estava nem estou a advogar isso, apenas refiro que um organismo tutelado pelo governo está inserido numa importantíssima actividade planeada para o Qatar (e eu não estou a dizer que não o deveria estar) e que a locutores, prolixos ainda para mais, que tanto vituperam o Irão não lhes ocorre reflectir sobre o assunto. E que depois criticam os críticos de Bolsonaro que não criticam Maduro: é, rigorosamente, apenas isso. A constatação do paleio vácuo de muita gente.
“A guerra é a continuação da política por outros meios”
Carl Phillip Gottlieb von Clausewitz
A questão do Qatar é mais do que promover o desporto. …uma autêntica falácia porque há centenas de países que precisam do mesma promoção.
O problema é que implicou ALTA corrupção compra de votos ( creio que a nossa FPF estará a salvo…) e a exploração selvagem da mão de obra imigrante para construir os estádios e infraestrutura. Qatar é um país minúsculo sem população para um mundial.
Tudo isso. .. ALTA corrupção e exploração selvagem dos trabalhadores fazem desta escolha uma vergonha ASQUEROSA da Fifa.
Aliás Sauditas Emirados e outros Estados tb pouco recomendáveis mas com muito melhores condições têm alertado a Fifa para toda esta podridão.
Mas os muitos milhões gastos nos votos falam mais alto
eu nem falo dessa questão, a anunciada corrupção na FIFA – nem avento a hipótese disso ter acontecido na FPF. Apenas refiro que não choca aos adversários do Irão que um organismo sob tutela estatal articule com a ditadura quatari
nisso concordo.
aliás, eu leio quase todos os dias noticias “oficiosas” sauditas (como de todo o mundo…) e eles são dos mais acérrimos defensores da anulação do mundial no Qatar….
e também inimigos do irão, como é óbvio..
sim, mas isso são coisas lá entre eles. Eu abordava o zarolhismo nacional, que segue muito ufano da sua visão de largo espectro …
A corrupção na FIFA ocorre desde sempre, mas ela se “profissionalizou” a partir da gestão do brasileiro João Havelange.
“A corrupção na FIFA ocorre desde sempre, mas ela se “profissionalizou” a partir da gestão do brasileiro João Havelange.”
O Brasil não deixa de passar vergonha a nível internacional. Basta ler os comentários do HOMEM que assina com Cláudia não sei das quantas.
Há anónimos com fixações …
1) Qual é, precisamente, o mal de a FIFA ser corrupta?
Naturalmente que os corruptos e os corruptores devem ser identificados e penalizados. As pessoas corruptoras, quero eu dizer. O Qatar é um país, não deve ser penalizado.
Mas, repito, não me parece que tenha grande mal a corrupção na FIFA.
2) Quanto à exploração dos trabalhadores, haveria uma coisa ainda pior do que ela – não serem explorados. Os trabalhadores são explorados mas, pelo menos, ganham as suas vidas (e geralmente ganham também para alimentar as suas famílias). Se não estivessem a ser explorados provavelmente estariam a morrer à fome. Prefiro ter indivíduos explorados a construir estádios inúteis do que ter indivíduos a morrer à fome.
um oitocentista, hein …
Claro que o facto de no Qatar se utilizar mão de obra semi escrava, (quando não é escravatura mesmo !), não importa nada, o Maduro da Venezuela é que é um bandido do pior !
o Qatar também não serve para arejar o sacana do Maduro
A grande maioria dos brasileiros não leu os Programas de Governos do Haddad e do Bolsonado. Então aqui vão alguns temas importantes para que façam uma análise pessoal::
Comparativo dos programas Bolsonaro e Lula/Haddad:
*IMPOSTOS*
– Bolsonaro: redução da carga tributária e aumento da receita destinada aos municípios (pág 58)
– Lula/Haddad: ciar imposto sobre a exportação (pág 41), criar imposto sobre lucros e dividendos (pág 42) e aumentar o imposto territorial rural (pág 56)
*IMPRENSA*
– Bolsonaro: rejeição a qualquer regulação ou controle social de mídia (pág 7)
– Lula/Haddad: implantar mecanismos de regulação da imprensa e criar uma empresa pública de comunicação para expor o posicionamento do governo (pág 16)
*OPERAÇÃO LAVA JATO*
– Bolsonaro: a justiça deverá seguir o seu rumo sem interferências políticas (pág 15)
– Lula/Haddad: promover uma reforma do sistema judicial para reduzir o poder de investigação do ministério público federal (pág 6, 15)
*SEGURANÇA*
– Bolsonaro: tolerância zero com o crime (pág 10) e redução da maioridade penal (pág 32)
– Lula/Haddad: desmilitarização das polícias (pág 31) e iluminação com led nas ruas (pág 54)
*MINISTÉRIOS*
– Bolsonaro: reduzir os 29 ministérios existentes atualmente (pág 17)
– Lula/Haddad: criar 6 novos ministérios (pág 19, 20 e 55)
*DITADURAS SOCIALISTAS*
– Bolsonaro: deixar de louvar ditaduras assassinas socialistas (pág 79)
– Lula/Haddad: desenvolvimento da infraestrutura de países do Mercosul (incl a Venezuela) (pág 11)
*AGRONEGÓCIO*
– Bolsonaro: Segurança no campo, políticas para consolidar mercado interno, abrir novos mercados externos, melhoria da logística de distribuição (pág 69)
– Lula/Haddad: regulação do agronegócio para evitar ampliação de grandes latifundiários. Implantar reforma agrária e distribuir terras ao MST (pág 56)
*CONSTITUIÇÃO*
– Bolsonaro: total respeito e obediência à constituição (pág 6)
– Lula/Haddad: estabelecer um novo processo constituinte para aumentar o poder do estado (pág 6)
*PRESÍDIOS*
– Bolsonaro: prender e manter presos quem tiver cometido crimes (pág 30) e acabar com a progressão de pena e as saídas temporárias (pág 32)
– Lula/Haddad: reduzir a massa carcerária do Brasil através da liberação de presidiários (pág 33)
*SINDICATOS*
– Bolsonaro: contra a obrigatoriedade do imposto sindical (pág 64)
– Lula/Haddad: valorização de sindicatos e associações de trabalhadores (pág 40)
*DROGAS*
– Bolsonaro: Combate à ideologia da liberação irrestrita de drogas ilícitas (pág 26)
– Lula/Haddad: Promover a descriminalização das drogas (pág 32)
Obrigado pelo resumo. São, assim postas, diferenças mais do que significativas, mesmo dois modelos de sociedade. Depois haverá a habilidade de por os programas em prática, processos sempre muito … diluídos
Definiu perfeitamente: são dois modelos de sociedade. sendo para salta aos olhos quem quer seguir a ordem e a constituição e quem as irá querer subverter.
depende do que se entende por ordem … mas contrapor isso não valerá muito a pena porque recairá na argumentação da crença. Não vale a pena eu por-me a fazer futurologia. Bolsonaro é o que é, fará o que fará, será apoiado por quem o apoia. E vamos ver, felizmente de longe no meu caso
Esse programa eleitoral reduzido anda por aí pela net. Assim à primeira vista, diria que o de Bolsonaro é bem melhor. Mas como já escrevi num discussão sobre o mesmo no FB, nesses programas há coisas que são muito genéricas ou ambíguas. Por exemplo, na parte onde diz que Haddad quer “Reduzir a massa carcerária do Brasil através da liberação de presidiários”, podemos pensar em tudo. Pode até ser a aplicação de pena diferente de prisão a pequenos delitos e com isso impedir milhares de pobres diabos de se tornarem criminosos a sério nas tenebrosas prisões brasileiras. Por isso pode ser bom, sim.
Claro que sim. Mas olhando para este resumo dá para perceber duas visões ou pelo menos dois discursos radicalmente opostos.
Quanto à cena das prisões isso é óbvio – mas num país ao que consta avassalado pela criminalidade uma proposta securitária (que se inscreve na tipologia fascizante, claro) colhe imenso eco e a adversa, que pode parecer racional e socialmente positiva noutros contextos, é eleitoralmente letal
A discussão sobre as malevolências de Bolsonaro estão por demais poluídas pelas agendas politico-mediaticas europeias e norte-americana, estas também algo tresloucadas. Basta ver a critica americana no postal de hoje de LML – a insistência nas declarações sobre as mulheres (será interessante que efeito é que têm no eleitorado feminino) ou sobre homossexuais. Já vi imensa coisa sobre isso e para aí dezenas de vezes coisas com actores anglófonos homossexuais – não vi nada substantivo dedicado a temáticas socioeconómicas. E se há algumas décadas Sting apareceria para falar da Amazónia, que é a questão crucial pois irreversível, agora só me aparecem figuras públicas a falar de homossexualidade. Isto tem custos, como é – ou deveria ser – óbvio
Tem razão. Ele vem circulando na internet tem uns 2 meses e só resolvi postá-lo por expressar com veracidade a diferença entre alguns temas relevantes dos programas de governo dos 2 candidatos.
E fez muito bem. Por parcelar que possa ser o sumário é uma ajuda para melhor se compreender as diferenças dos projectos, principalmente para quem não acompanha em detalhe a vida política brasileira. Muito obrigado
A BBC Brasil (o mais imparcial dos portais de notícias do Brasil) preparou um especial interativo com as propostas dos candidatos para 6 temas: educação e saúde, segurança, políticas sociais e direitos humanos, economia e emprego, política e corrupção e política externa.
As propostas foram levantadas com base nos Planos de Governo protocolados na Justiça Eleitoral, em informações publicadas em sites e redes sociais oficiais dos candidatos, em propostas enviadas pelas campanhas para a BBC Brasil e, por fim, em propostas feitas em entrevistas e debates eleitorais.
LINK-> https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45 780779
Com tantos comentários que este postal tem tido, e é muito de saudar isso, só agora reparei nesta indicação que deixou, e que é preciosa para o entendimento do processo para quem está de fora. Obrigado
Que pena não ter este comentário surgido no dia do postal, parte dos leitores tê-lo-ão perdido… espero que publique esta ligação em vários postais, para que possa ser lido com atenção pelos mais interessados e pelos mais desinformados. Aos enformados não adiantará muito, mas nunca será demasiado promover a leitura. Aliás, irei divulgar também.
Obrigada pela partilha.
É uma pena, o postal continuou com uma boa dinâmica de comentários informativos, muito pela gentileza de Cláudia Casarinni, mas não sei se as pessoas que leram e comentaram aqui vão, na sua maioria, atentando nisso
Desconfio que passados 4 ou 5 dias um postal perde a sua validade – geralmente é para consumo imediato. Fica para a posteridade, claro, mas será uma posteridade revisitada em tom de pesquisa arqueológica ou não fossem os postais de opinião sobre actualidade soterrados pela actualidade que lhes vai sucedendo. É, efectivamente, de lamentar que tais bons contributos sejam serôdios; mas antes assim que inexistentes.
Num blog muito actualizado (como, felizmente, o é este DO), e ainda por cima colectivo, é assim. Não o era tanto há uns anos (nos “bons velhos tempos” do bloguismo, diz o saudosista bloguista veterano), onde por vezes as conversas em torno de um postal continuavam (como este, ainda que com poucos interlocutores, e muito pela gentileza de Claudia Casterinni – que colocou vários contributos dialogante relevantes, ainda mais interessantes porque esta temática conduz por todo o lado a posturas abrasivas que aqui, excepto logo no princípio, têm estado ausentes)
Sobre posturas abrasivas, respondi mesmo agora noutro postal: muitos comentadores e talvez a generalidade dos juízes da praça pública olham parangonas sem analisar factos, causas e consequências. Criticam acriticamente, valham-nos a Língua Portuguesa e as palavras homónimas.
No postal do Alexandre Guerra resumi a minha opinião sobre o que se passa realmente no Brasil – deixar que a insegurança e o cansaço votem sem que os eleitores defendam realmente as políticas votadas não costuma resultar em países democráticos, temos o exemplo do Brexit e das reviravoltas de Trump como exemplo. Menos provável é que resulte com um candidato que abertamente assume medidas que agridem os elementares direitos humanos – os pertinentes contributos de Claudia Casterinni têm apresentado as diferenças programáticas e as causas para a rejeição do PT. Infelizmente, não (me) mostra estarem os eleitores concordantes com aquilo em que votam, e é aqui que o processo democrático falha, no Brasil ou noutro lado.
E tem outra coisa, neste postal. Pelo menos fica-me como arquivo, para mais tarde, se for caso disso, buscar sensações, impressões e ligações a textos sobre este processo. Que virá a dar que falar, com toda a certeza
Também é uma boa função; mas há textos que “estrategicamente” deixam de estar publicados, sabe disso certamente. Tenho vários arquivos desses…
Há textos que desaparecem (dos sítios dos jornais) e dos blogs (já nem falo das redes sociais). Isso sublinha algo que há mais de uma década me causa alguma inquietação – e que já questionei a historiadores. Como fazer o arquivo da internet, de modo a permitir futuras (e já presentes) análises. Alguém me dirá que o Grande Irmão tudo guarda, etc. e tal, mas o meu ponto é mais prosaico, onde é a Torre do Tombo? Quão exaustiva é ela?
Penso que os arqueólogos que investigarão a net estarão dotados de conhecimentos que lhes permitam escavar entre dll e outras areias demasiadas para a minha camioneta de utilizadora.
Mas sim, a volatilidade – e talvez por isso ter sido éter e ser agora virtual – é uma característica perigosa para o Passado e para o Presente. Enfim, a pele e papiro e o papel também não são eternos – e com o tempo foram os suportes dos registos escritos ficando mais frágeis…
Sim, mas em termos mais realistas, há cerca de 10 anos foi a Maputo um muito conhecido historiador e homem da imprensa, professor universitário e também bloguista. Disse-lhe desta minha interrogação – por exemplo não são havia (e há) autores que apagam os blogs, como havia sistemas que desapareciam (o weblog.com.pt, no quel tive o meu blog durante anos). Disse-me ele que compartilhava da minha preocupação e que tinha uma equipa a projectar um projecto (julgo que para a Biblioteca Nacional ou instituito do Livro, ou coisa assim) para abordar o tema do arquivo da produção blogal e afinal – que será importante para se fazer a história desta época. Mas nunca mais ouvi falar do assunto …
Algumas plataformas agora anunciam que podemos fazer cópias de segurança, mas não sei se será prática comum. Sei que, à superfície, perdi quase tudo o que escrevi entre 1998 e 2015, com excepção de alguns textos que repliquei noutros formatos e guardei. Haverá algures um disco que tenha fiapos de tal informação? Na minha garagem um, talvez, tal como outros terão nas suas, e talvez assim pedacinhos de todos permitam reconstituir um pouco do que fomos – como sempre se fez, afinal; mas acredito que a generalidade das plataformas tenha registos mais duradouros, como aliás demonstrou o Facebook. O acesso a estes é que poderá ser mais ou menos dificultado, entre areias do tempo e areias legais.
Há várias bibliotecas internacionais dedicadas não apenas à liberação da informação mas também à sua preservação, parte delas ligadas a universidades e outras a centros de pesquisa; mas desconheço qual a informação cuja preservação priorizam.
O projecto que menciona seria extremamente valioso, a questão que coloco é como lidará tal projecto com estas coisas de Protecção de Dados e Propriedade Intelectual e Algoritmos.
As questões legais serão muito complicadas – eu ria-me quando se falava de direito sobre isto do blogar: blogando em Moçambique num suporte internacional como me poderiam assacar responsabilidades sobre a Galiza, por exemplo. Claro que há ordenamento internacional mas será muito complicado, não é apenas a comarca a decidir.
Mas o mais importante é que o bloguismo (e os grupos anteriores, as redes sociais hoje arqueológicas, yahoo e H5) foram importantes para a história da comunicação e etc. Como abordar isso se as coisas vão desaparecendo (e como negar o direito de apagar?). Tenho pena, já bloguei sobre isto, já falei com o tal historiador renomado e em vários outros círculos mas nunca ouvi nada de substantivo
Sobre o direito de apagar, tenho algumas dúvidas: tem acesso pago a um jornal. Este acesso, nos moldes actuais, não se restringe às publicações do dia. Se mantiver o acesso durante 10 anos, o jornal terá o direito de apagar textos antigos? Nos blogues torna-se mais fácil – embora eu entenda que quando publicamos algo estamos a ceder aos outros o direito de ler, independentemente de vedarmos ou não o acesso. Não tenho FB, mas há muitos anos, quando tive, poderia restringir o acesso como quisesse que nada impediria os meus “autorizados” de reproduzir as minhas publicações; portanto, o meu direito de apagar estava, logo ali, comprometido. O mesmo num blogue, esfera na qual sou neófita; já os comentários via plataformas Disqus ou Perfis Sapo, por exemplo, podem apagar as notícias e os blogues que quiserem mas os comentários continuam a existir, continuam pertença do comentador (apesar da eventual reprodutibilidade).
É uma matéria complexa, difícil, intricada. Mas pertinente. Quando souber algo, avise 😉 (desculpe lá este hieróglifo moderno da pestana à banda, é um piscar de olho à moda do milénio 2 D.C.)
Eu referi o direito a apagar relativamente aos blogs, páginas pessoais (sim, presumo que haverá possibilidades tecnológicas, que desconheço, de recuperar o seu conteúdo junto das plataformas). As publicações de comunicação social é outra coisa, lá está é comunicação “social”.
Quanto a novidades duvido muito que as venha a conhecer – até porque a febre blogal amansou, agora está tudo, os da geração bloguistica, no fb e no twitter – e nunca vi referido o assunto.
Está disponível alguma alma caridosa para dar conversa ao Luís Lavoura?
Não posso. Vou tirar os ovários a uma gata. Lamento, ossos do ofício
Nã, um lugar mui perigoso!!
P.S. Na verdade aprecio o espírito romântico do Lavoura. É, no fundo, um sentimental
Lamento, tenho que ir arrancar um dente ou dois sem anestesia.
Isto está mal, deixam o homem desamparado … Ainda vai atazanar o juízo alheio noutro postal …
Dei ontem. Logo, estou isento desse penoso tributo até meados de 2020.
Meu caro, por solidariedade intra-DO essa reclamação não poderá ser concedida, e apelo ao coordenador-em-chefe para que o explicite. Que seja concedida essa isenção até meados de 19 será suficiente …
Obrigado pelo artigo , jpt!
por quem sois ..
O fenómeno Bolsonaro traduz-se em uma simples análise: não se pode impor uma corrente de pensamento esmagando uma parte da nação e princípios comuns.
Os neo-esquerdistas, ou os avançados civilizacionais, comportam-se por toda a parte de forma igual, isto é:
fazem-se de filhos pródigos mas actuam como o irmão do pródigo.
O problema dos avançados civilizacionais é não compreenderem que em tudo reproduzem o farisaísmo que encapotadamente fingem não ter, em nome de um humanismo.
Bolsonaro é efectivamente o homem indicado para servir de contra-fogo a esta realidade.
Outros surgirão por todo o mundo ocidental. Hillary Clinton, falsamente, tentou reproduzir os tiques desta corrente, e foi esmagada por Trump. As pessoas estão cansadas de romances na política e de poetas fingidores.
ou seja, os fariseus (bem corruptos, já agora) dos regimes dos “generais” podem impor “à nação”. Os outros não. Já agora o que é que cimpuseram
As ilações são suas, refiro-me ao facto de julgar inferido no meu comentário uns poderem e outros não.
Querem impor, baseado também num sistema anárquico, uma corrente de pensamento e vivência com o objectivo único de satisfazerem suas aspirações políticas. A esta anarquia soma-se a ditadura legal persecutória para fazer do Estado uma espécie de “sinédrio”, que determina condutas e pensamentos.
Os problemas das esquerdas são dois: ambas as correntes, as do socialismo e a dos neo-esquerdistas, aburguesaram-se; e a segunda diz respeito à tentativa da estalinização da vida política e social via jurisprudência.
Como a lei não liberta, prevejo que um dia a lei será liberta.
Aliás o farisaísmo consiste exactamente em determinar o puro e o impuro e o culto do “templo”. Vivemos épocas assim, em nome do humanismo. Mas parece que só uns são humanos.
Eu não sei se o compreendi por completo. Mas há uma coisa que aduzo Eu sei pouco do Brasil mas a “esquerda” brasileira nem se aburguesou. Está corrompida e isso também é um alimento deste desvairado processo
Para melhor entender, aponto agora uma outra situação:
A oposição a Trump veio e vem dos meios de comunicação que se entendem como referência moral e assumem uma atitude patriarcal diante da suposta opinião pública. Mas são eles os fazedores de opiniões e, até agora, nada de consistente apresentaram para além de omitirem as fraquezas de quem apoiam.
O Brasil, desde há muito influenciado pelos “gringos” nestas e outras matérias, cavalgou a mesma onda.
Em conclusão, os neo-esquerdistas e as outras correntes ditas socialistas (vejamos o que fez o socialismo na Grécia e outras partes, e o que não está a fazer presentemente) a única coisa que mantêm é um apoio virtual, pois julgam que os media que os apoiam são a expressão popular. Como os media fazem muito ruído, eles, os neo-esquerdistas e a ala socialista, confundem fluxo de informação com consolidação efectiva de sua base eleitoral. Portanto, ficam em ponto morto e deixam que o seu suposto programa seja feito por outros. E sabe-se que o aburguesamento consiste precisamente em reproduzir os tiques pequeno-burgueses de condutas morais e sociais que entendem prescrever às nações. E nesta matéria essas condutas que prescrevem via jurisprudência nada mais nada menos são que a corrupção de princípios comuns e o esmagamento de uma grande parte das nações.
A semântica humanista de que se socorrem serve somente para justificar encapotadamente a corrupção destes princípios e o esmagamento referido com o objectivo de garantir um posto na cena política.
Finalmente, o socialismo, pretendendo limpar sua imagem, cavalga a corrente e acaba por revelar que tem uma mão cheia de nada para oferecer. Na Europa colocam-se de joelhos perante o diktat de Bruxelas, que reproduz a estalinização política e social via jurisprudência, isto é, procuram em sentido oposto estabelecer a sovietização da UE.
Bem, essa da estalinização via Bruxelas, francamente, é farinha que não uso.
Mas compro esse pacote da ilusão mediática – já não aquela velha versão marxista de que os órgãos de comunicação social nas mãos do capital (até judeu) alienam as massas mas, bem pelo contrário, desta realidade de que a pequena intelligentsia (jornalistas, pequenos-intelectuais liberais (aka franco-atiradores), funcionários públicos docentes) que tem a efectiva posse da comunicação social, com graus elevados de autonomia, criaram a ilusão de que influenciavam decisivamente (ou seja, alienavam) a opinião pública. Estas sucessivas derrotas desses meios de informação e a crescente influência das rizomáticas redes sociais (a auto-informação, em algum grau) mostra bem que os alienados estão nesse meio pequeno-intelectual.
Neoesquerdista era a sua mãe. Você é só mesmo escumalha.
Nunca percebi a pica que dá atirar insultos de modo anónimo …
O imbecil anónimo, passe a redundância, deve estar a falar da mãe do pai. Ou seja, da própria avó.
Pobre velhota, com netos destes. Que cruz
Só mesmo gente como “jpt” ou o Pedro Correia é que acham que “neoesquerdista” é um insulto.
Obrigado pelas aspas
Sou mulher, de Esquerda, Benfiquista, com formação de base em Ciências Naturais – acho que completamente diferente de ambos os mencionados. E também acho “neoesquerdismo” um insulto. Porque os paradigmas mudam, as técnicas evoluem, as políticas adaptam-se mas os Princípios Sociais e Económicos que definem Esquerdas e Direitas não.
Admitir o NeoEsquerdismo é admitir a torção dos Princípios.
É também admitir que as Esquerdas eram iguais porque unidimensionais. (Como as Direitas, já agora). Destas minhas perspectivas, vejo-o como um insulto. Tremendo.
Eu não acho “neoesquerdismo” um insulto, é uma descrição e, como a uso nestes tempos, também uma desvalorização. Mas de facto não é disso que falo (nem o Pedro Correia) A proposito de não sei o quê o comentador anónimo diz “neoesquerdista era a sua mãe. você é escumalha” – é óbvio que o conteúdo insultuoso não está nessa palavra …
Pelos motivos que enunciei, acho.
Filho-da-mãe também é descrição, e nem por isso menos insultuoso.
Claro que ser insulto depende também de o putativo insultado relevar ou não o tema, daí que muitas tentativas de insulto não passem disso mesmo, e outras expressões sejam insultuosas quando talvez o objectivo não fosse bem esse – as generalizações, por exemplo.
Simão, o fariseu, convidou Jesus para um banquete. Nesse almoço uma mulher de vida perdida, segundo eles, sabendo que Jesus aí se encontrava, fez-se convidada; e, por detrás de Jesus, verteu lágrimas que lavaram os pés do mensageiro, com seus cabelos enxugou-os e com perfume em frasco de alabastro ungiu sua cabeça.
Em resumo, esta mulher seguiu os rituais que um bom conviva devia oferecer ao receber alguém em sua casa (lavar os pés, ungir o convidado e dar o ósculo).
Mas a história não fica por aqui. Os fariseus ali presentes acusavam aquela mulher de pecadora; e diziam que se Jesus fosse um profeta saberia com quem lidava. Estabeleceu-se por ali uma série de perguntas e respostas e chegou-se à conclusão que a mulher era a que mais devia, mas também a que mais amava; sendo que, por contraste, os fariseus assumiam o contrário.
Porém, os fariseus, os que no seu círculo eram acusadores e mal-educados, cretinos, cobardes e hipócritas, também visitavam as mulheres e as viúvas quando o sol se punha, para não serem vistos. Mas pensavam eles serem os puros, pois seguiam a lei que não os libertava e, por via desta, oprimiam os restantes.
Usando as contradições dos fariseus, bem apontadas na concordância às respostas, poderá também inferir-se neste debate que os próprios fariseus assumem existirem filhos da mãe mas também filhos da pouca sorte.
Em qual deste rol se inclui um destes fariseus?
V. adivinhou o futuro próximo – isto parece um comentário às afirmações da Cancio sobre os brasileiros em Portugal
Concluído o 1º Turno, vejamos uma pequena parte do “Efeito Bolsonaro”:
No SENADO o PT passou de 11 cadeiras para 4, enquanto que o PSL, que não tinha nenhuma, ganhou 4.
Na CÂMARA DE DEPUTADOS o PT perdeu 13 cadeiras e o PSL (o partido do Bolsonaro) passou de 1 (ele mesmo) para 52 deputados federais, tornando-se a 2ª maior bancada da casa.
Na ASSEMBLEIA LEGISLATIVA de São Paulo o PSL não tinha representantes; agora tem 15, que passam a constituir a maior bancada de deputados estaduais.
Na ASSEMBLEIA LEGISLATIVA do Rio de Janeiro o PSL tinha 2 deputados estaduais e agora passou a contar com 13, tornando-se assim a maior bancada desta casa.
Eu não conheço o compósito sistema político brasileiro mas é óbvio, isto foi um maremoto (tsunami, como se diz agora)
Assim é.
Tem razão, está a ser (“é”, como diz) não “foi”, como eu disse. A ver, como um comentador abaixo aventa, se as instituições brasileiras são o suficientemente robustas para se manterem num âmbito de funcionamento democrático – e nisso incluindo a influência no comportamento social
creio que é muito parecido…ou copiado….dos EUA..
cada estado elege um número igual de senadores, independentemente do poder económico e politico, ( 2 nos EUA, 3..!!! no brasil,); para a câmara de deputados (House of representatives, nos EUA) os eleitos dependem do número de leitores..
mas enquanto nos EUA vigora o sistema uninominal (1 por círculo) no brasil há uma confusão tremenda porque são eleitos em lista, mas há também contagem individual de votos em cada candidato (não sei como se faz a conexão entre lista e individual..)
Bem, eu não me referia ao molde. A diferença é na sedimentação do regime: os EUA, por mais grande satã que se daquilo se diga, ou efectiva plutocracia (com tiques de república romana cada vez mais explícitos, e não só no kitsch do ritual político) têm dois séculos e meio de instituições democráticas a funcionar – e se o vector militar existe como pilar do país e do seu ideário não lhe é costume fazer golpes e tomar o poder. Já do Brasil não se poderá dizer o mesmo
No Brasil, a cada 8 anos são eleitos 2 senadores de cada Estado.
Estava relando postagens no DO e precisei ausentar-me para tratar de um assunto do condomínio (sou a síndica), quando a minha filha, uma adolescente de 15 anos, resolveu dar um pitaco e saiu bobagem para todo o lado. rs
Por isso a correção:
A cada quatro anos 1 ou 2 senadores são eleitos, já que apenas 1 ou 2 deles estarão com os seus mandatos para terminar, mas sempre há um total de 3 parlamentares de cada estado no Senado (1 ou 2 nos primeiros 4 anos dos mandatos, e 2 ou 1 nos últimos 4 anos).
E nós esquecemos muito e eu desconheço por completo o conteúdo substantivo do federalismo brasileiro
Penso que esta pode ser uma informação útil para entender um pouco melhor como funcionam as campanhas eleitorais no Brasil.
O empresário Rubens Ometto ocupa o 1º lugar no ranking de doadores “pessoa física” nestas eleições, tendo repassado 70 milhões de reais a 53 candidatos de 14 partidos diferentes. Deste grupo, 24 deles (de 10 partidos diferentes) conseguiram-se eleger, o equivalente a 45,3%.
Segundo a revista Forbes, a fortuna de Ometto é de 1.400 milhões de dólares. Atualmente, o empresário exerce a presidência do Conselho de Administração da COSAN, empresa com negócios nos segmentos de energia, gás e logística.
Rubens Ometto explicou que escolheu candidatos já com experiência e que se posicionaram a favor da “livre iniciativa”, e que um dos seus critérios foi doar para candidatos ligados ao espectro político da direita que se mostraram favoráveis às reformas previdenciária, política e tributária. “Penso apenas no bem do país, em ajudar o futuro presidente e em apoiar reformas que precisam ser feitas com toda a urgência”.
Bem, desde que os financiamentos sejam explícitos, de conhecimento público e como tal escrutináveis não vejo impedimento (a não ser que haja limites na lei). É evidente que pode ter os efeitos “norte-americanos”, fazer político é para ricos que se derem bem com multimilionários mas isso pode ser debatido e combatido
Obrigado
Ainda sobre o “Efeito Bolsonaro”:
Bolsonaro entra no 2º turno com larga vantagem sobre Haddad. Num total de 107 milhões de votos válidos, abocanhou 46% deles. Nas últimos 30 anos de democracia brasileira, ninguém que venceu o 1º turno perdeu o 2º.
A fenomenal arrancada de Bolsonaro no final da campanha trouxe várias surpresas nas eleições estaduais e ao Senado, pois ele arrastou o voto que elegeu apoiadores por todo o Brasil.
Quem olha para o mapa da votação também vê o naufrágio de vários nomes ligados ao petismo – de Lindbergh Farias a Eduardo Suplicy, de Jorge Viana a Fernando Pimentel, de Dilma Rousseff a Vanessa Grazziotin.
Soçobraram também senadores que tiveram papeis de destaque ao longo das gestões Lula e Dilma, como o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira, Romero Jucá, Edison Lobão e Roberto Requião. Políticos tradicionais foram varridos do Parlamento pela onda conservadora ligada a Bolsonaro, que só não ganhou no 1º turno por muito pouco. Ficou 16 pontos percentuais à frente de Haddad e, em média, 5,5 pontos acima das pesquisas da véspera.
Contra qualquer outro rival, é provável que Bolsonaro fosse derrotado por conta da alta rejeição que sofre, mas Haddad é o único que atinge um nível de rejeição quase tão elevado quanto o dele. E nem é exatamente uma rejeição a Haddad, e sim ao PT, a Lula e a tudo o que os 13 anos dos governos petistas significaram negativamente para o Brasil.
O principal fator responsável pela ascensão de Bolsonaro não é o seu programa de governo, nem a sua visão de país, muito embora boa parte do eleitorado concorde com ela. É a sua oposição visceralmente anti-PT. A maior parte dos seus eleitores não é composta por bolsonaristas convictos, e sim de anti-petistas.
Para tentar vencer a onda Bolsonaro, Haddad teria que afastar-se da mitologia petista, das fabulações sobre o impeachment da Dilma e da prisão de Lula. A marca da catastrófica gestão econômica de Dilma Rousseff – derrotada ontem na eleição para o Senado – e a corrupção petista desmascarada pela Operação Lava Jato, cujo ápice foi a prisão de Lula, destruíram a imagem no PT em setores da sociedade que se tinham beneficiado dos governos Lula, em especial na camada que ficou conhecida como “nova classe média”.
As urnas mostraram que a repulsa ao PT parece ser ainda maior do que qualquer aversão que Bolsonaro possa despertar…
Sim, é o comprovativo de que a “narrativa” do PT (para glosar o Lula de cá) não funciona nem funcionou. E que nem hoje falar de ex-petistas colhe algum sucesso nos “analistas” encartados
Dos 18 ministros do governo Temer, 15 não conseguiram se reeleger, assim como 10 dos 15 senadores alvos da Operação Lava Jato (investigados, denunciados ou já réus), o que significa que perderam a imunidade parlamentar. Assim, os seus processos serão transferidos do STF (onde desfrutam de relativa proteção) para as instâncias inferiores, que foi o que aconteceu com o Lula, que “já MORO na cadeia”.
Obs: os 2 filhos de Bolsonaro conseguiram eleger-se como Senador pelo estado do RJ e como o deputado federal mais votado nestas eleições.
Pois, este governo actual também tem fama de predador. E, como diz, é capaz de ser agora um momento de grandes investigações
Quanto a isso dos filhotes, enfim, parentela na política cheira sempre mal
Obrigado pelas informações que aqui sumariou
Não por isso. É uma satisfação poder contribuir para que os seus leitores possam entender melhor o presente quadro eleitoral brasileiro, e as suas consequências no Congresso (Câmara de Deputados e Senado) e nas Assembleias Legislativas.
Já agora, um rápido comentário sobre o governo do Temer: todas as malandragens que podem ser praticadas na política daqui, o PT aprendeu com a turma do PMDB, que recentemente suprimiu o “P” (de Partido), na tentativa de se distanciar das maracutaias que Temer e a sua gangue sempre praticaram, e das quais muito se beneficiaram económicamente, aqui se incluindo o chefão, por cá chamado popularmente de Drácula. Mas não deu certo pois o povo é ingénuo, mas não é burro, o que foi demonstrado nas votações.
O PMDB (e o PSDB do Aécio Neves e do Alkmin) foi absolutamente triturado neste pleito, tendo perdido, em média nacional, 35% das cadeiras que desfrutava nas principais casas legisladoras.
E com o término do seu mandato em 31 de dezembro, Temer é mais um a perder o foro privilegiado (com ele as ações criminais só podem ser julgadas pelo STF) e a cair no prato da sopa do juiz Sérgio Moro.
Isso aí vai ser interessante de ver, se os tribunais conseguirem chegar-se a essa mole plutocrata. Agora, com o estilo deste quase certo novo presidente, arrisca a cair numa caça aos bruxos (e às bruxas) que será terrível
Sempre achei que dos grandes defeitos da partidocracia brasileira (que são muitos), o maior era talvez a contínua existência do PMBD. Teve uma história importante, mas agora não passa de um agrupamento de caciques e burocratas sem ideologia nem princípios, que se agarra ao poder onde ele existe. Se acabasse faria um grande favor ao Brasil.
eu repito-me, sou um grande desconhecedor da realidade política brasileira e do seu sistema político, mas julgo que depois destas eleições será inevitável uma grande transformação das componentes partidárias – e não só pela queda de imensos bonzos. Um pouco, apenas como analogia, como aconteceu em Itália há umas poucas décadas
Sim, caíram todos varridos pela corrupção, embora me pareça que o PT ainda conserve alguma força e muita militância. Mas é inevitável pensar que um congresso com vinte e tal partidos, com siglas muito parecidas (há não sei quantos trabalhistas, democratas, socialistas, o partido comunista brasileiro e o partido comunista do Brasil, etc) e com dirigentes sempre a saltar de partido em partido – não pode dar funcionar muito bem. Daí até aos mensalões para aprovar leis..
Pois, de facto para quem vê (aquilo nem dá para ver à vista desarmada) de fora trata-se de uma enorme confusão … que propicia o caldo perfeito para a corrupção generalizada, os mecanismos de controlo interno nos partidos devem ser praticamente inexistentes.
Existem 35 partidos políticos no Brasi, dos quais 21 conseguiram eleger deputados federais. Jamais a Câmara de Deputados contou com tanta diversidade.
Uma correção: o governo do Temer tem 29 ministros. O que quis dizer é que “dos 18 ministros do Temer que contavam com mandato parlamentar, 15 não conseguiram se reeleger.
porventura que os outros 11 ministros não eram parlamentares
No meio disto, e porque no meio destes comentários me parece com alguma pertinência; deixo ligação a dois textos interessantes sobre estas eleições
https://observador.pt/opiniao/lula-a-iu rd-e-bolsonaro-como-se-ganha-e-como-se-p erde-uma-eleicao-no-brasil-parte-1/
https://observador.pt/opiniao/bolso naro-e-edir-macedo-uma-alianca-para-ganh ar-a-presidencia-do-brasil-parte-2/
Na sua maioria, sim, estando atualmente sem mandato (é comum que por não se conseguirem eleger ou reeleger, os principais figurões do partido consigam uma “boquinha” no governo).
Ainda que o sistema não tenha só virtudes há algumas qualidades na exigência de que os ministros (cargo político por definição) devam ser parlamentares eleitos
Duas caraterísticas têm sido apontadas no Parlamento eleito no domingo. A 1ª é a renovação. Pelas contas do Tribunal Superior Eleitoral apenas 49% dos deputados se reelegeram, a menor taxa desde 1994. No Senado, apenas 8 dos 32 que tentaram um novo mandato conseguiram.
E a 2ª é a nítida inclinação conservadora do novo Parlamento. Pela primeira vez desde a “Redemocratização” (iniciada com o término dos governos militares), partidos identificados com o campo que se convencionou chamar de direita terão presença majoritária sólida na Câmara, e também forte no Senado.
O destaque óbvio é a ascensão do PSL, de Bolsonaro, cuja bancada soma 52 deputados e 4 senadores . A ele somam-se deputados que integram a base evangélica, a base ruralista, os que defendem o liberalismo econômico e os tradicionalmente identificados com a segurança pública, sendo que foram eleitos 25 deputados (eram 10) e 3 senadores com vínculo militar.
Para Bolsonaro, será mais bem mais fácil montar uma coalizão capaz de governar do que para Haddad. O seu líder informal para negociar com o Congresso disse que 300 parlamentares (quase 60%) já declararam apoio ao novo governo, caso o 2º turno confirme a eleição de Bolsonato.
Obrigado Uma transformação radical – o Senado foi nitidamente pontapeado
Pois, dada a situação, por mais Efeito Bolsonaro que tenha desencadeado a coisa não se restringe a isso, os outros partidos foram nitidamente arrasados
Nesse aspeto, bolsonaro conseguiu vitória importante e talvez inesperada.~
normalmente, era o MDB ou PMBD qquem servia de fiel da balança….tinha tantos eleitos que os PR tinham que negociar quer no senado quer na Câmara.
exemplo disso é TEMER……que pertencia ao MDB….
ou seja, o PT/LULA/DILMA previram logo dificuldades em obter maiorias, e escolheram Temer para a chapa……. Vice Presidente…….
Sim, convém sempre lembrar isso, foram eles que o escolheram e depois queixam-se
Acabou de ser divulgada a 1º Pesquisa do Instituto DataFolha para o 2º turno: Bolsonaro 49,5% – Haddad 36%.
Pois, aquilo está decidido …. ou pelo menos parece
A diferença vai baixando mas “tarde piaste” … https://www.publico.pt/2018/10/25/m undo/noticia/bolsonaro-cai-sondagens-man tem-lideranca-haddad-1848940
Também me pareceu que o Brasil não tinha passado a ser-lhe assim tão indiferente quanto proclamava outro dia a pretexto de Bolsonaro.
Sobre o que agora escreve, ofereço-lhe o pecado de em duas ou três linhas ter escrito algo de muito aparentado com o que aqui lamenta. E depois de ponderar o que agora escreve não me arrependo de nenhuma dessas duas ou três linhas.
(aqui: http://passaparedes.blogspot.com/2018/09/b rasil.html
)
“…também não há grandes diferenças quanto à valia dos principios democráticos entre os Fazendas e Mortáguas e estes redutores de Bolsonaro a um atrevido algo grosseiro.”
Há,sim. Há uma esdrúxula e notável diferença: os “redutores de Bolsonaro”, como lhes chama, nunca exigiram o silêncio de ninguém, nunca exigiram a ninguém que se inibisse de votar num qualquer candidato em eleições que nem sequer são as do seu país.
Pode algum Bolsonaro ser pior que os aliados desta canalha anti-democrática? Não creio. Não no séc. XXI. No séc. XX, quem usava tentar fugir dos seus paraísos era impedido a tiro e pelas costas (terá mais ou menos a minha idade e deve lembrar-se). Agora deixam-nos sair. Sem documentos, mas deixam. Acho que agora chamam-lhe “socialismo moderno” (cfr. BE). E por alguma coisa deve ser.
“ousava”…
Como é evidente, caro JPT, e com todas as nuances que possam ser inseridas, não é a mesma coisa falar sobre a Venezuela ou sobre o Brasil. E muito menos sobre as Filipinas.
Se Castela, Galiza, Estremadura e Andaluzia são os únicos povos irmãos, o Brasil é um filho único que se perdeu na vida!
Vive, actualmente, uma crise existencial, severa!! Ou se mantém neste plano inclinado rumo à desagregação ou rompe rumo a um outro horizonte de eventos!
Os dados que dali brotam, criminalidade grave, coesão social (falta) e conflictualidade étnica e cultural são assustadores!! Há cenários de guerra declarada com melhores números per capita!
Será Bolsanaro a salvação ou a ruína final, não sei!! O que, no meio disto tudo, me parece excêntrico é, e repito as circunstancias que atravessa o Brasil, desconsiderar cenários de ruptura extra-sistemática como se o mais importante no meio disto tudo fosse a manutenção da ordem liberal e democrática!! Acho que devem começar pela ordem, como diz a bandeira!! Só assim se percebe a sedução da ideia de reinstituir a ditadura militar!!
Conheço bem esses argumentos, Fidel Castro podia ser ditador mas os cubanos viviam melhor do que os haitianos e isso. “Até amanhã, Camarada Justiniano”, “avante” que “juntos seremos a muralha de aço”
Eu compreendo-lhe o exagero, até a mim me parece blasfémia!!
Mas há momentos na história dos Povos em que estas coisas acontecem! Não exulto com essa desgraça mas reconheço a sua possibilidade no horizonte próximo!
Eu também reconheço a possibilidade – é esse o problema
Não, caro JPT, o problema é que leva a essa possibilidade!!
o ovo e a galinha? O ovo veio primeiro, claro. E antes o Verbo.
Por que Bolsonaro deverá ganhar as eleições? – 1
Num país onde 70% declaram preferir a democracia a qualquer outro regime, é essencial não apenas respeitar a vontade do eleitorado, mas também entender os seus motivos.
É provável que os 2 pró-nazis que agrediram uma jovem lésbica em Porto Alegre, os homófobos que atacam alguns gays em meia dúzia de lugares do Brasil e simpatizantes do fascismo o apoiem, mas nada disso faz de Bolsonaro um fascista ou um nazista.
Classificá-lo como alguém de “extrema-direita” que oferece riscos à democracia e acreditar que estamos na ante-sala de um golpe militar ou da ascensão de um regime autoritário só serve para acirrar ainda mais os ânimos já exaltados e dar razão àqueles que veem comprometimento ideológico tanto na academia quanto na imprensa. E as evidências de que Bolsonaro representa uma ameaça de ruptura legal ou jurídica são muito frágeis, se é que existem.
Um erro de categoria é classificar Bolsonaro de “liberal”, graças à conversão aos princípios de mercado promovida pelo economista Paulo Guedes, que tem vindo a encarregar-se da agenda econômica do candidato desde o final do ano passado.
Liberais não defendem o ensino religioso nas escolas públicas e não veem maiores problemas na privatização da Eletrobras. Qualquer um que já tenha lido Stuart Mill saberá distinguir o pensamento liberal genuíno do conservador, professado por boa parte dos apoiadores de Bolsonaro.
A aliança que permitiu a sua ascensão tem ingredientes do liberalismo econômico, do nacionalismo militar e do conservadorismo religioso, que estão presentes nos 3 ministros que Bolsonaro já confirmou, caso vença as eleições: Paulo Guedes (Economia), o deputado Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e o general Augusto Heleno (Defesa), este representando o retorno de um oficial general ao comando do Ministério da Defesa, algo quebrado nos governos petistas, que forçaram as Forças Armadas a serem comandadas por civis de esquerda, um deles até mesmo comunista convicto: Aldo Rebelo, do PC do B.
Mas o principal fator responsável pela muito provável vitória de Bolsonaro no próximo dia 28 não está entre aqueles que o apoiam. Está naqueles que disputam a eleição contra ele.
A história recente da democracia brasileira pode ser narrada como uma disputa entre petismo e anti-petismo. Bolsonaro é, hoje, o nome que concentra todo o sentimento anti-petista. E se dificilmente os seus apoiadores são todos “fascistas que apoiaram o Regime Militar”, ninguém tem dúvida de que sejam todos contra o PT.
Obrigado pelo seu olhar, muito mais esclarecido do que o deste bloguista, que vê o Brasil de muito longe. E sim, também me parece que o apoio ao confuso Bolsonaro vem muito mais de uma recusa do poder anterior do que de um apoio sistematizado a um seu projecto explicitado Como me dizia um amigo co-bloguista o Bolsonaro ganhou na primeira volta e deverá ganhar na segunda devido ao apoio dos FDTs (fartos disto tudo)
Ora nem mais, nem menos.
Um bom texto em Portugal sobre a situação brasileira https://www.dn.pt/edicao-do-dia/19-o ut-2018/interior/o-arauto-da-revolta-pop ular-10025458.html
Por que Bolsonaro deverá ganhar as eleições? – 2
Bolsonaro soube adaptar para o seu eleitorado a estratégia petista criada por Lula do “nós contra eles”. A oposição anterior ao PT tinha um caráter mais pragmático, de defesa de interesses. Por isso nunca teve a mesma força dos petistas. Com Bolsonaro, não. Os seus estrategistas políticos fazem oposição ideológica, combatendo o PT com as mesmas armas do inimigo, adaptadas para a guerrilha no meio digital.
Para propagar a sua narrativa, o bolsonarismo aperfeiçoou táticas que o PT consagrou. Dispõe de sites e blogueiros “amigos”, trolls e robôs nas redes sociais, um amplo grupo de esportistas, artistas, empresários, intelectuais e celebridades favoráveis a divulgar as suas versões.
Há muita ironia em ver/ler reclamações sobre “fake news” vindas de Haddad, cujo partido sempre financiou centenas de blogs e publicações camaradas para que disseminassem sistematicamente notícias favoráveis e construíssem a narrativa da perseguição ao PT por parte da imprensa, do Judiciário e das elites económicas e sociais.
Não menos irônica é a tentativa de atrair o apoio de políticos e eleitores “centristas”, em nome da reedição de uma Frente Democrática como foi o movimento das “Diretas Já”, que enfrentou o Regime Militar. É como se o horroroso e irresponsável naufrágio econômico provocado pela Dilma ou a mega corrupção desmascarada pela Operação Lava Jato fossem pequenas notas de rodapé na história petista. Não custa lembrar que o “petrolão” foi o maior esquema de desvio de dinheiro público já desvendado no mundo.
Será que o PT espera que o eleitor simplesmente esqueça tudo isto, em nome de uma aliança democrática contra Bolsonaro? Continuará a insistir que Lula é vítima de perseguição política e que o impeachment de Dilma foi um “golpe”, algo que nem nossos adolescentes acreditam? Defenderá a continuação do aumento de gastos públicos e a política de campeões nacionais que aprofundaram a crise fiscal nos governos petistas? Continuará a negar o déficit da Previdência que o PT alavancou a níveis indecorosos?
Tanto no seu Programa de Governo quanto em declarações públicas, o PT errou ao defender mudanças na Constituição visando fortalecê-lo, assim como exercer controle sobre as atividades do Ministério Público e da Polícia Federal, além de defender a criação de mecanismos para limitar a imprensa, ou seja, para a censurar a bel-prazer, e ainda de interferir na independência das Supremas Cortes..
O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujas credenciais democráticas estão acima de qualquer suspeita, constatou o óbvio numa entrevista publicada ontem no “O Estado de S.Paulo”: “Por que temos de apoiar “automaticamente” o Haddad? Quando o PT apoiou alguém “automaticamente”? Nunca. Então, com que autoridade moral o PT diz: ou nos apoiam ou são de direita?”.
O PT e Bolsonaro escolheram-se como adversários mútuos logo no início da campanha, 2 anos atrás, acreditando que um rival mais radical seria mais fácil de derrotar no 2º turno. E a realidade mostra que apenas um dos 2 tinha razão.
No governo, o PT descobriu que a vida não foi fácil num país com imprensa livre e judiciário independente. Já Bolsonaro pode estar feliz com a expressiva bancada que elegeu na Câmara (e até no Senado) e com a sua quase certa vitória, mas pode-se preparar por que o PT irá voltar à sua antiga tática (maldosa) da época do pré-poder, quando vivia para atirar diariamente pedras no telhado e nos vidros de quem se encontrava no poder.
Aqui o conhecido Sousa Santos já estabeleceu o porquê da vitória na primeira volta de Bolsonaro, três causas: 1) o colonialismo (juro); 2) alguns erros do PT, demonizados pelas campanhas da direita e sua influência na imprensa; 3) a “mão visível” dos EUA. Ficámos assim mais esclarecidos …
O Texto de BSS https://www.publico.pt/2018/10/10/m undo/opiniao/democratas-brasileiros-univ os-1846737
E tem uma mais recente entrevista, mais substantiva do que o seu artigo https://www.pagina12.com.ar/150367-bras il-se-juega-el-destino-de-la-democracia
Você está muito distraído Carlos Gonçalves, e isso é um defeito típico de bloguista que só lê o seu próprio blog (sei do que falo). Aqui no DO houve imensos escritos pró e contra o voto catalão, por exemplo. No bloguismo português ao longo dos últimos 15 anos imenso li sobre os votos em Bush, McCain, Obama, Trump, Roussef, o tonto do Hollande, o Brexit, no ballet Putin e Medvedev, na perenidade para-imortal de Merkel, etc. E etc. E etc.
Ou seja, não há prática alguma nem há obrigações morais – era o que faltava – para que as pessoas exprimam os seus desejos e opiniões sobre os países estrangeiros. É pura imaginação sua. Que aliás dá imenso jeito quando se trata de apoiar um escroque – melhor dizendo, um imundo filhodaputa – que faz apelos ao fuzilamento de 30 000 pessoas, à tortura, à destruição dos restos da floresta. Há gente que gosta disso, desses dizeres, dessas aspirações. Até bloga nessa aspiração. Pobre gente.
como é óbvio quis escrever “para que as pessoas não exprimam”
Aqui a comentá-lo, acerca de “distrações” digo-lhe nada.
Mas era o que mais faltava que não pudéssemos exprimir-nos acerca da política interna brasileira, não sei de onde procede esse seu (aparente) equivoco de que me pronuncio em diferente sentido…
E não “apoio” nenhum escroque. O que acima do “escroque” eu temo são os que sentem que os brasileiros lhes devem obediência acerca não tanto de em quem devem votar, mas acerca de em quem não podem votar. Ou seja, temo os que exigem obediência sem oferecer soluções que não sejam as do costume. Em meu juízo, o escroque padece de grave incontinência verbal mas aquilo que sumariamente resume em “apelos ao fuzilamento de 30 000 pessoas, à tortura, à destruição dos restos da floresta”, a acreditar nas sondagens – e desta vez eu acredito nelas, ao contrário do que sucedeu com Trump… -, parece merecer o favor da maioria dos brasileiros. Ironicamente, até parece sair robustecido na exata proporção do vigor de quem contra si berra nas ruas. O que eu temo são as minorias que na rua exigem que seja feita a sua vontade. Vejo que à primeira oportunidade me enfiariam num forno ou num qualquer gulag se um dia viessem a ter oportunidade de desconfiar em mim um qualquer adn eleito como inimigo de estado.
Vejo-lhes isso nos olhos e em cada gesto. Ou não acredita mesmo que são os cães silenciosos e não os que ladram como Bolsonaro que devemos temer?
O Brasil tem uma constituição e instituições que têm vindo a provar-se suficientemente robustas e funcionais. Não precisa dos medos que aqui lhe inventamos. Já tem os seus.
Teme as minorias que o colocariam no gulag mas não quem apela a fuzilamentos em massa e à tortura? Então este texto era mesmo para si.
pois
Escreveu esse texto para mim? A sério? E eu para aqui convencido que não nos conhecíamos…
Seja como for, foi muito gentil. E agradeço-lho.
Estamos com rodriguinhos? Adequa-se-lhe, é isso mesmo, pela arenga fascista que deixa
Um comentário perfeito.
Os tratados internacionais mudam-se como tudo o mais. Não são eternos – pelo menos não vejo ninguém a rasgar vestes por não vigorar já o texto que estabeleceu, em 2100 a.C. os limites entre as cidades de Lagash e Umma da Mesopotamia,
Isso era internacional?
Óptima reflexão e óptima passagem com o dedo bem na ferida. Porque por muito ruído desagradável que os activistas anti-Bolsonaro possam causar, isso não pode ser desculpa para a tese “os inimigos do meu inimigo meus amigos são”, ou “se é para chatear a esquerdalhada, bora lá votar nele”. Porque ao contrário do que muitos dizem, não é um mero conservador mais empertigado: é um fascista puro e simples. E é um termo que eu uso com muita parcimónia.
também eu, até porque parece mal …
O problema é que é precisamente certas posições radicais da extrema esquerda que está a dar força à extrema direita (como aliás já foi dita acima).
Seja na Europa seja nas Américas já muita gente está farta do discurso da verdade única de artistas, jornalistas e fazedores de opinião. Especialmente fartos das cruzadas de facebook de gente fanática e intolerante que quer impor comportamentos e obrigam quem calha a exorcizar-se de algo que muito provavelmente nem fez ou disse.
pode ser mas, insisto, isso não é o significante
A “extrema-esquerda” matou 5 milhões de nazis durante a Segunda Guerra Mundial. O que é que o João Pestana faz para combater a extrema-direita?
Oops, agora um tipo é convocado para matar uns milhões da extrema-direita? Caramba, e ainda por cima num postal de minha autoria. Vade retro ó matador de nazis (é assim tão velho, você? ou é mesmo só daqueles que passou as últimas décadas a apoiar uns gajos que mataram uns milhões de não-nazis, belas figuras espetadas nas bandeiras e nos corações dos partidos e partidários agora geringoncicos)
É impressão minha ou o jpt acabou de se assumir como nazi?
é impressão sua
Também, mas o princípio de “o inimigo do meu inimigo meu amigo é” é perigoso q.b.
Certíssimo.
Claramente ninguém ou muito pouca gente vive no Brasil neste momento.
Sou português vivendo no Brasil há 5 anos e posso dizer que essas questões posicionamento político (extrema esquerda, extrema direita, centro direita, etc) é o mínimo a ser discutido neste momento.
O país atravessa uma profunda perda de valores morais e cívicos, onde a linha do que é certo ou errado, justo e injusto, moral ou imoral, não está sendo ultrapassada ou pisada, está sendo apagada.
A Polícia é enfraquecida pelo próprio governo, que se preocupa mais com os direitos do criminoso do que dotar o polícia com ferramentas que permitam defender a sociedade e as suas próprias vidas.
A educação nas escolas publicas é uma piada. É de graça? Sim é, mas não ensina nada! Em vez de se preocupar em ensinar português, matemática e ciências, se preocupa em ensinar sexo e ideologia de gênero para crianças a partir dos 6 anos de idade, que nessa idade não são ensinadas, mas sim influenciadas através de vídeos de beijos e sexo entre casais homossexuais (não tenho nada contra homossexuais, cada um vive como quer, mas elas não devem ser influenciadas a agir de certa forma, especialmente na escola).
A economia e finanças bateram no fundo (e estão a cavar um buraco mais fundo ainda). No ultimo ano fecharam mais empresas do que abriram, a burocracia para abrir uma empresa é absurda, o custo com empregados da mesma forma. Para não falar que a dívida do governo está nos trilhões de reais (e aumentando) por conta de um governo corrupto e de tamanho absurdo.
São apenas algumas coisas entre outras que poderia falar.
Jair Bolsonaro é o ÚNICO candidato com propostas para todas essas áreas e o ÚNICO deputado que não tem seu nome envolvido em escândalos de corrupção e o unico que realmente mostra preocupado em resolver algumas das questões mais importantes e urgentes no país.
Infelizmente tem sofrido bastante por conta de uma mídia mentirosa e inclinada para uma ideologia (governo) que financia essa mesma mídia.
É o candidato perfeito? Não, encontrem um que seja! É o homem que o Brasil precisa neste momento. Essa ideia que ele vai militalizar o país é tolice, ele se opõe ao sistema estabelecido no Brasil e por isso sofre tanta perseguição.
O povo está farto, está de saco cheio de sofrer nas mãos de um governo que está encaminhando o país para se tornar numa Venezuela (onde, já agora, o comunismo / socialismo, está funcionando na perfeição!)
“O país atravessa uma profunda perda de valores morais e cívicos”
A que valores de refere? Ao racismo? À homofobia? À misoginia? Dispenso esse tipo de valores.
Quando escreve disparates como “ideologia de género”, dá para ver o tipo de pessoa que você é. E sim, você é homofóbico e escumalha homofóbica como você tem é que ser colocada no lixo da história.
Bolsonaro é corrupto, ele e a família vivem à custa dos contribuintes. Bolsonaro não é patriota pois bate continência para a bandeira americana.
Fique-se por aí no Brasil! Não queremos gente tão burra como você aqui em Portugal! Escumalha!
Tenho cá para mim que estas palavras foram escritas por um certo rapazola barbudinho e ideologicamente raivoso que nasceu numa BURACA da Amadora, e que ganhou a dádiva patronal de ter um blogue seu abrigado no Sapo: Guilherme Duarte.
Se errei, acertei em outro comuna beócio, acéfalo, tendencioso e desprovido de um mínimo de conhecimento sobre a política e o dia a dia dos brasileiros, certamente tendo formado as suas opiniões infantis lendo as manchetes da mídia esquerdista lusitana.
Porque é que este anónimo, que dirige ataques pessoais a um tal “Guilherme Duarte” (quem quer que ele seja), não teve o seu comentário removido nem respondeu pelo crime de difamação?
(subscrevo o comentário do anónimo de 5 de Outubro)
ó anti(?)-idiotas, porque seria uma idiotia tomar como substantivo coisa escrita por um anónimo ainda por cima hipotética. E porque seria nada anti-idiota presumir que um blog possa meter um anónimo em tribunal por algo que diz hipoteticamente sobre um presumível nome – esse seu “nick” para as catacumbas da internet está muito mal escolhido, se é para surgir com estas coisas
Bem, eu vi ontem excertos de um debate televisivo e sobre medidas económicas e financeiras o tipo não avançava nada, não dava uma para a caixa, era até pungente, e acabou por balbuciar “vocês estão a perguntar a um capitão do exército” ao que um jornalista lhe respondeu “estamos a perguntar a um candidato à presidência da república”. De um tipo destes, com uma preparação destas, apontar que “é o único” que tem medidas para sair da crise económica e financeira? É mesmo o sinal do caos …
O Alibabá Escorregadio e Esperneador, que agora “MORO” na cadeia, está com a depressão cada dia mais acentuada, decorrente da compulsória abstinência alcoólica a que está sendo submetido em Curitiba…
E há dias confidenciou estar imensamente desgostoso por não poder mais voltar a empreender negociatas de mútuo benefício com o Sócas.
independentemente do tom sarcástico pelo qual opta não deixa de tocar numa questão que poderá ser interessante, a do conteúdo das relações mais ou menos simpáticas do poder PT com o poder do nosso PT, perdão, do nosso PS
Este “Anónimo” é um HOMEM que costuma assinar como Cláudia qualquer coisa…
é o problema do anonimato no bloguismo, não acha ó “anti-idiotas”?
Face ao despotismo e opressão passando pelo miserabilismo instalados no reino de N. Maduro a posição das supra citadas revelam uma hipocrisia e falta de valores democráticos repugnantes.
Imaginem este pessoal de “facies” mal -encarado, por vezes com laivos de rancor, a governar-nos.
Vislumbro o ambiente anterior ao 25 de Abril, e dos que afirmavam – ” Quem não está por nós está contra nós “.
A constante invectiva dos geringôncicos é muito prova disso.
Não quero viver mais em DITADURA (me desculpem ter falado alto).
O que estão a dizer hoje em relação aos brasileiros imigrados em Portugal comprova exactamente este seu comentário
Depois de ler esta verborreia de início ao fim, que transpira desonestidade intelectual, e cujo anti-esquerdismo-primário impossibilita um texto de crítica aos apoiantes do Bolsonaro sem fazer referência a “Venezuela”, “bolchevique”, etc – como se fosse aceitável relativizar a coisa, já para não falar da comparação entre a factual falta de sentido democrático dos FASCISTAS do Observador, com os sempre democráticos militantes do BE, só porque estes são contra acordos internacionais com conteúdo questionável redigidos por Euro-fanáticos e Globalistas-radicais, então eu só tenho duas palavras para classificar o autor: DÉBIL MENTAL. Não vinha aqui há muito tempo, mas folgo em saber que o Delito de Opinião continua no mesmo nível…
NOTA: o BE é o único partido do Parlamento (e agora o PAN também) que sempre denunciou e criticou todas as ditaduras e regimes autoritários, independentemente da cor política.
O mesmo não se pode dizer do PCP, do PS, dos PSD, e do CDS, tal como o autor do texto assumiu no intervalo em que a desonestidade intelectual foi posta de parte.
Quanto ao Brasil, é triste ver um país com tantos milhões de pessoas mas que não consegue arranjar dois candidatos favoritos às presidenciais que sejam limpos e democratas, tendo em vez disso um fascista a liderar as sondagens, seguido de um suspeito de corrupção. É triste, mesmo!
Quando um artigo, supostamente a criticar a moda que se instalou de suavizar e humanizar uma besta como Bolsonaro, contém na sua maioria críticas, bocas e invectivas a quem, efectivamente, se opõe a Bolsonaro, estamos conversados sobre a honestidade intelectual do seu autor.
Subscrevo o comentador Makiavel.
Tantos que parece não terem nada para fazer e vêm para aqui comentar assuntos internos de outros países como se fossem assuntos nossos e por isso importantes para nós. Devem ter visto na TV comentadores que comentam tudo e mais alguma coisa e fizeram igual! Será que nos outros países eles também comentam assuntos internos nossos ou têm mais que fazer? Deviam pagar direitos ao Trump e ao Bolsonaro, nenhum deles português, por falarem tanto neles!
Obrigada por nos demonstrar, a nós os que parecemos nada ter para fazer, como devemos ocupar o nosso tempo.
O texto, e o autor que me perdoe o fraco resumo, serve também para ilustrar a frase bíblica “vês o argueiro no olho do teu irmão mas não vês a trave no teu” – mas parece-me que ao anónimo se lhe escapou tal subtileza… um mimo!
Enfim, nada como terminar um dia improdutivo com um sermão que envergonharia qualquer ser pensante que o escrevesse.
Eu já esperava um resposta estúpida destas, aliás que outra coisa se podia esperar! Sim eu também vim para aqui comentar, ou melhor criticar os que se divertem a gerar ruído! Eu sei que preferiam que não o fizesse, mas alguém tem de fazer algo de útil! Já na época dos romanos se dizia que o povo gostava de circo, cresçam!
Além de educado e útil à sociedade, é inteligente… cumprimentos ao pessoal aí em Alpha Centaurus.
ainda bem que há que nesse país alguém que faz algo de útil, mesmo produtivo, como isto de andar a comentar nos blogs … O Centeno deve apreciar o esforço E o Vieira da Silva também
A ligação ao texto de Adolfo Mesquita Nunes leva afinal ao texto de Luís Menezes Leitão.
Em nada afecta o seu texto, mas se fizer a gentileza de corrigir sempre poupa um trabalho adicional a cada um de nós, curiosos.
Obrigado pelo aviso, acabo de alterar a ligação. Uma pena, quem viria ler o texto já o leu … decerto que foi acto falhado na minha embirração com o DN
Quem já o leu aparentemente não abriu as ligações, ou abriu e não percebeu, ou abriu e percebeu e não (se?) quis incomodar… pena, apenas por lerem na diagonal – se o autor se dá ao trabalho de criar ligações, quem lê o texto podia pelo menos espreitá-las, não?
Já os que leram na diagonal por falta de tempo, esses voltarão certamente mesmo que o tema seja já passado. Nada se perdeu, portanto.
E agora vou ler o texto do AMN, obrigada por me poupar a busca
Alguns não leram de certeza, tanto resmungo por eu referir as críticas ao Bolsonaro também virá daí …
E também dos ataques a Rosas e Isabeis (declaração de interesse: sou ambos os nomes, mas nenhum dos visados!), que no meio da clareza os ódios viscerais faiscam-lhe a espaços… jpt, deixe lá as tatuagens da moça que em nada lhe afectam o discurso mas desembelezam o seu.
fiz-me desentender; o primeiro texto que refiro (ligo) é uma crítica “às críticas de Bolsonaro” (as deputadas) – sem ter lido esse texto surgem aqui a protestar por eu a elas aludir
Isabel Moreira é uma delas. E está politicamente tatuada. É representativo deste eixo folclórico. Rosas ou Fazenda são líderes do bloco comunista e seguem desde sempre os seus princcípios – eu ouvi uma conferencia de Rosas no ano passado sobre a URSS, em Maputo, que foi inenarrável no seguidismo ás teses mais sovietófilas … Não os devo referir porquê?
Longe de mim dizer quem deve ou não referir! Apenas acrescentei que os resmungos que li referiam também isso.
Sobre as tatuagens, recordo-me de lhe ter lido um texto em que se declara agoniado por tal arte fora do eixo antropológico em que originalmente se enquadra, e lamento se não sintetizo devidamente; desconhecedora que sou das tatuagens, brincos ou penteados ostentados por quem não me é íntimo, ter-lhe-ei lido o desabafo literalmente, daí a (minha) apreciação sobre a irrelevância da tatuagem em tal texto.
Porque são textos como o seu, como o de Adolfo Mesquita Nunes, como o do Eduardo Louro (alguém mencionou algures o Quinta Emenda) que me provam que ainda existe discernimento à Direita, onde se encontra AMN, e à Esquerda, onde EL está, onde estou. Confesso que fico muitas vezes na dúvida onde está jpt
mas o posicionamento é convenção, importam as ideias e os Princípios, e estes ainda há quem os defenda: nem tudo está perdido.
Nota: a minha Esquerda é o terceiro quadrante segundo o modelo de The Political Compass. Equidistante ao centro quanto o fascismo, no primeiro quadrante. As Direitas ou Esquerdas dos mencionados não sei sequer se o são em quadrante ou em mono-eixo, mas sei que reflectem os Direitos Humanos para lá do verbo, e por isso serão antagónicas do fascismo. Neste contexto e por isso recomendam-se a si mesmas.
Esses quadrantes são muito complicados E esses testes a mim o resultado depende muito do humor do dia …
São nada complicados. Mas são os únicos cujas premissas estão tão bem definidas que me levam a aceitar tal distribuição. Isso e gostar de trignometria…
Ao contrário dos seus humores, o Tempo não tem desviado os eixos, talvez porque duas ou três dimensões dão mais raio de acção. Raio de humores esses, jpt
Nem tanto, significam a fluidez do devir. Sempre considerei Berlusconi execrável. E ele acaba de comprar um clube de futebol e impor um código de conduta para jogadores (símbolos) que eu muito aprecio e há anos suspiro para que seja aceite no meu clube (desde para aí 25 anos, pelo menos). Fará isso de mim um ponto extremo nessa trigonometria?
A vantagem desta trignometria é que nenhum ponto é definido apenas sobre um eixo, nenhum arco de seno é calculado por uma ideia de tangente, apenas…
jpt, até os execráveis podem ter atitudes decentes – e é por isso que no Political Compass duas pessoas tidas como “de Direita” podem ser de Direitas antagónicas, e uma de Esquerda defender algumas mesmíssimas políticas que uma de Direita. É que, repare, contrariamente ao que a maioria proclama, as Esquerdas (ou as Direitas) não são mesmo todas iguais.
no Brasil esse compasso, e respectiva trigonometria, deve estar completamente destrambelhado nestes dias que correm
Não me parece, jpt; destrambelhadas andam as pessoas e mormente os políticos.
Os eixos não se desviam, nós é que flutuamos nas coordenadas…
a essas coordenadas (ou ás gentes coordenadas) foi um ar que se lhes deu, verdadeiro furacão
Não é caso para rir, mas a imagem foi muito bem aplicada
e olhe, a propósito dos entendimentos “o inimigo do meu inimigo meu amigo é”, lembrei-me mesmo agora que também se traduzem nos entendimentos “contestar algo é defender o seu oposto”. Nestas gentes, sejam os temas eleições no Brasil ou violações vs falsas vítimas, não há bússolas que lhes valham….
Irra, jpt, há dias em que gostava de ter a verve que lhe dizem para não ter!!!
Solte-se que vai ver que a tem …
Não é constrangimento, é não me ser natural aceitar como insulto mandar um imbecil ir praticar uma actividade prazerosa… quanto à mãezinha do imbecil, tenho muito respeito por mulheres trabalhadoras independentemente da indústria ou mester, e custa-me associa-las a tais falhas de carácter – até porque a sociedade tende a culpar as mães pela deficiente educação dos filhos quando isso, a ser verdade, apenas se aplica a crianças…
Nada a fazer, sou um caso perdido de franqueza que não sabe insultar comme il faut
atenção a essa questão do insulto, que me é particularmente relevante. O meu pai era um homem de humores, e de arreigadas crenças políticas, e nisso de quando em vez atreito a imprecações contra figuras públicas. Várias vezes o ouvi exclamar “patife” relativamente a algumas dessas pessoas – bela e sonora palavra que caiu em desuso. Mais “peludo” do que isso não ia, mas era-lhe bem pior qualificativo do que estes meros impropérios que eu e tantos outros ordinários utilizamos. Como tal tem V. um largo léxico para utilizar sem com isso ser punível por falta de gosto
Totó, idiota, imbecil. É esta a minha gradação no insulto. Geralmente adjectivo as atitudes, adjectivar assim as pessoas é dirigir-lhes insulto profundo. Que, face à banalização das expressões, e também à relevância que o alvo me der, pode passar por inocência
Sabe o que penso sobre a gestão BdC, até porque nunca me coibí de a manifestar onde me aprouvesse; pois apenas lhe chamei imbecil quando afirmou ser JMS pior que a PIDE.
Gosto do vernáculo e do calão. Mas o insulto não é leviano nem ligeiro, ao contrário das conversas onde uso tais léxicos – e não é, exactamente porque dirigido a pessoas concretas.
O BdC foi um dínamo disso, no pré e no contra. Há quase um AO pré-Bruno e um AO pós-Bruno
Honra lhe seja feita, também teve mérito no combate à info-exclusão.
teve. E também no contra a auto-exclusão. Julgo que muita gente que se embrenhou no brunismo não tem qualquer outra participação cívica ou associativa – nem sabe tê-la …
Pois…
Mas deixe, pode haver pior… Deitei agora uma garrafa ao mar, triste por tal traste. Tentou trepar pelo vermelho, tentou trepar pelo laranja, temo que consiga pelo populismo…
hoje em dia parece mal deitar lixo no oceano
Tem razão. Parece mal e é mau.
Mas neste imenso mar que é a net, e usando a analogia em duas rodas, não me chatearia estar na cauda do pelotão com o carro-vassoura a morder-me os calcanhares….
sempre ambicionei subir o Tourmalet, o Van Impe foi-me ídolo, daí a minha aversão ao carro-vassoura …
Desenquadrámo-nos, acho. Falava de postal postado, e que não me importaria se os meus fossem do mais lixo que há. Sem modéstias nem vaidades, não me parece que sejam, nem os mais tontos por preguiça.
De ciclismo percebo pouco, acho saber que Joaquim Agostinho era de Torres Vedras… e agora que Van Impe era belga.
O Van Impe, Lucien de nome próprio, era um grande trepador, rei de montanha vezes seguida no Tour, o qual ganhou uma vez (apenas uma porque não era bom no contra-relógio). Sim, as conversas são como as cerejas (as castanhas do caju, usava eu noutras paragens) e isto já não terá muito a ver com o Bolsonaro e as reacções lusas ao dito cujo
Já há muitos comentários que penso estar a fazer o que alertei outro para evitar :S
Mas como o autor ia ao leme… encostemos então as biclas, Bolsonaro e outras coisas estranhas pedem atenção.
lol
via FB acabei por fazer esse teste que anda por aí. Fiquei meio meio, uma nesga ao lado da “mouch”. Centrista do centrão, que falta de piada
https://www.politicalcompass.org/test/p t-br
No meio está a virtude, mas antes virtuoso vicioso que cheio de boas intenções 😀
Tente o dali de cima…
Deslizei um bocado, tipo rejuvenescer https://www.politicalcompass.org/analys is2?ec=-4.25&soc=-3.59
Agora talvez perceba melhor a minha posição sobre as esquerdas e as direitas e os partidos voláteis 🙂
Sobre a sua posição no diagrama, está onde o supunha… pelas entrelinhas da sua vociferação, pois que numa leitura ligeira vêem-se-lhe a ira e o desagrado com pessoas, não tanto as ideias. Por isso a minha dúvida conforme a expressei – estaria eu a ler entrelinhas que não existiam e a ver princípios onde apenas havia fins? É agradável verificar que não sou má leitora, mesmo sem poder observar respostas neurolinguísticas…
E, confesse lá, antropológica, psicológica, política ou socialmente há coisa mais amorfa que o zero? 🙂
A mim irritam-me as ideias úteis, o primado de um “utilitarismo” ou “pragmatismo” de meter ao bolso individual ou corporativo. É o que resta em Portugal, e a reacção do “povo de Lisboa” a Sócrates e aos seus sequazes que hoje mandam no país é bem mostra disso: “dá cá o meu, o resto que se lixe”
O “zero”? é uma espécie de olho maçónico
Supunha a utilidade nos projectos, não nas ideias… mas percebo a irritação. A mim dá-me mais para ficar agoniada, deve ser das hormonas – isto de andar toda a vida prenhe de anseios democráticos e em cada parto dar de caras com abortos partidários não mata mas mói, já não tenho estômago que aguente programas eleitorais ou “debates na AR”, nome pomposo para o que noutros círculos que não o hemiciclo se chama “peixeirada”.
O problema dos “debates parlamentares”, dos quais por vezes há curtos excertos na imprensa, cheios de jogos retóricos e a de “afrontamentos” é muito mais grave do que a “peixeirada”. Pois aqueles tons significam uma outra coisa: os parlamentares entram num jogo verbal de confrontação, sarcástica, agressiva, irreflectida, vazia – e é isso que passa na imprensa, quero crer que há outros muitos momentos de teor diferente – porque creem que é isso que tem valor de troca no mercado eleitoral, que é isso que o “povo quer”. E isso presume que eles julgam que o povo (o eleitorado) está atento ao que se passa no parlamento, nas discussões (“he pá, hoje o não-sei-quantos esteve muito bem lá na assembleia, viste como acabou com os outros gajos?”, diz-se ao fim da tarde na tasca). Mas de facto ninguém liga a isso, aquilo é um circuito fechado, de incomunicabilidade com a sociedade. Eu penso que é isso o mais grave das “peixeiradas”, o quanto denota da ileitura dos políticos da realidade que provocaram, do distanciamento que causaram entre eles e o eleitorado.
No ARTV (não confundir com o ARTE) passam os debates na íntegra. Os diálogos interessantes devem passar-se ao nível das Comissões, pelo que vou vendo dos debates da generalidade…
A alienação vem da carreira. Ser político é, de há uns anos a esta parte, profissão. Entra-se na carreira como estagiário nas jotas, e depois tem a ver com as estofo-só-d’esquilo, “soft skills” em neocoiso.
O ARTV é apenas uma acta … gostava de saber quantas pessoas acompanham aquilo … Bem, antes gravarem e publicarem do que fazerem uma publicação em papel, anti-ecológica
Pelo menos temos acesso a ela… acompanhar não, mas de quando em vez passo-lhe olhos e ouvidos – quanto mais não seja por questões de audiência, não vão eles fechar o canal por falta de.
Sim. É um arquivo audiovisual. Mas o ponto é que muitos dos deputados (e ministros, que lá vão com acinte inaceitável dado que emanam da AR) falam ali com voz grossa, com meneios retóricos e agressividade sarcástica, como se isso tivesse eco alhures. E não tem.
Quanto à retórica deixe-me recomendar, caso não conheça, o “Glória” do Vasco Pulido Valente sobre a graça e a desgraça de um campeão da oratória parlamentar dos 1860s Um livro delicioso E imensamente actual
Mais que arquivo, é montra. E se uma das grandes falhas que aponto à nossa Democracia é exactamente o hermetismo a que votámos os processos de decisão, só posso aplaudir a sua existência.
Que considero mal aproveitada – em vez de repetições ou paragens à noite e fins-de-semana podiam ler o DR, fazer um sumário diário dos trabalhos das especialidades, relatar presenças e ausências, e até as substituições de deputados, enfim, ser efectivamente útil como acta dos trabalhos do centro legislador do país.
Assim, apenas contribui para a notícia-espectáculo…
Discordo do jpt quando diz que não tem eco: tem, na caixinha fechada em que se movimentam.
Mas é bonito de ver, o insulto em grupo a brejeirice na rua a solenidade nas entrevistas a solo.
Não sou contra a ARTV, apenas digo que não funcionará como verdadeiro instrumento comunicacional. E nisso concordo com o que diz, um bom serviço noticioso, condensando e analisando o acontecido, em tom necessariamente algo institucional, seria um contributo para a redução da opacidade (que é um fungo, para não dizer pior, da democracia) e um instrumento importante para os diferentes sectores – os desenvolvimentos sobre determinada matéria trabalhados na AR analisados em determinado momento, etc.
E tem razão no que diz, nisso do tricórnio comportamental dos políticos, bem sacada essa do “o insulto em grupo a brejeirice na rua a solenidade nas entrevistas a solo”. E sim, a retórica inflamada, o sarcasmo agressivo (que será muito encenado, pois depois irão aos mesmos restaurantes almoçar entre as sessões, e isso é positivo), tem eco entre eles, que é o que eu dizia – interagem assim porque acham que isso tem eco “cá fora” mas de facto, para além de um ou outro pequeno cabeçalho em página interior de jornal “de referência” mui pouco lido, a pompa não conta. Para além do seu (deles) circuito fechado
Decididamente, é-nos fácil bater nos políticos – responsabilidade deles não por se colocarem em lugares visíveis mas por se porem mesmo a jeito…
É-nos fácil exactamente por isso. E por o merecerem
O meu “porem-se a jeito” era ambos. Ou trambos, que por vezes merecem por incúria por inépcia e por vaidade.
Bolsonaro é o homem certo na hora certa
diz o anónimo
E talvez por isso queiram, na Comissão Europeia, manter a hora de verão?
essa da hora está bem conseguida … houvesse um cartoonista para a utilizar
Obrigada 🙂
Infelizmente, eu é mais palavras, de desenho só com esquadro e compasso e nem com o editor de fotografias me amanho
talvez por aqui passe algum cartoonista que se decida a inspirar
Prezados,
Ao ler o texto e alguns comentários mais à esquerda, chego a seguinte conclusão: 1) sequer sabem definir fascismo; 2) Não sabem absolutamente nada que está acontecendo no Brasil; O “fenômeno” Bolsonaro ainda será objeto de muito estudo, quando a grande maioria do POVO brasileiro voltou a ter alguma voz, após TRINTA anos da esquerda no poder no Brasil! E, diretamente do Rio de Janeiro, com o “conforto” de viver entre balas perdidas, pois advogo saindo diretamente da zona sul e percorrendo diariamente a temida Baixada Fluminense (vale a pena pesquisar o que é), lhes garanto uma coisa: o Bolsonaro, ao contrário das Dilmas, Lulas, Maduros, Morales, Ciros, e tuti quanti, NADA TEM DE FASCISTA! Apenas propõe valores da família cristã, tradicional, conservadora, trabalhadora e honesta! Se, posicionar-se neste sentido, para alguns, é ser fascista, sugiro retornar aos tenros bancos escolares para algum estudo talvez, e, além disso, estudar com alguma profundidade o que está realmente acontecendo no Brasil, com o apoio maciço ao Sr. Bolsonaro! Pretos, brancos, mulheres, crianças, heteros, homos, enfim, o POVO brasileiro está com ele! Aguardem as urnas no próximo dia 07 e verão. Por último, o atentado que o “coiso” (assim denominado pelos canhotos), sofreu, quase vindo a falecer, praticado por um militante da esquerda “paz e amor”, seria, talvez, fascismo? Com a palavra, os ynteleqkituais de momento! Portanto senhores, estudem, estudem e estudem, por favor, antes de escrever tantas asneiras! Saudações a todos!
Trinta anos de esquerda no poder? Se a burrice matasse o seu funeral já tinha ocorrido há muito!
Que valores da família cristã é que o Bolsonaro propõe? O adultério (já vai no 3º casamento)? A violação? Viver à custa dos contribuintes?
Bolsonaro é escumalha e tu és escumalha ainda maior por seres burro ao ponto de o defender. Não venhas viver para Portugal, onde governa a esquerda e há saúde, segurança e educação, depois de o Bolsonaro destruir o teu país! Fica aí na selva a colher o que semeaste!
A melhor forma de combater um esquerdista é, sem dúvida, deixá-lo falar e tu exemplificas isto perfeitamente! kkkkkkkkkkkkkkkkkk, não consigo parar de rir kkkkkkkkkkkkkkk vou tentar parar kkkkkkkkkkkk, para uma ligeira resposta:
1) “Trinta anos de esquerda no poder?”
Resposta: Sim. ou consideras o PSDB como direita no Brasil? estude um pouquinho, lhe darei uma dica: vá direto nas atas do próprio partido e pesquise; pesquise tambem o que diz o FHC sobre ser de esquerda.
2) “O adultério (já vai no 3º casamento)?”Resposta: desde quando 3º casamento confunde-se com adultério? kkkkkkkk essa foi ótima, conte uma do papagaio agora! Uma dica, pesquise o Código Civil brasileiro bem como o Código Penal, e tente provar algo neste sentido;
3)”A violação?”. Resposta: quem ele violou? quem acusa tem de provar, acho que isso vc deve saber, pelo menos isso, pelo amor de Deus…;
4)”Viver à custa dos contribuintes?” Resposta: ele é capitão do exercito brasileiro reformado e o legislador recordista de votos, pelo Rio de Janeiro, nas ultimas eleiçoes em 2014. Diferente do Sr. Lula (a proposito, que esta devidamente enjaulado) que tem no curriculo de uma vida inteira “trabalho” no sindicato e aposentadoria quando perdeu um Dedo!
5) ” Que valores da família cristã é que o Bolsonaro propõe?” Resposta: todos! contra o aborto, contra a ideologia de genero nas escolas no ensino fundamental, contra legalização das drogas, a favor do ensino religioso nas escolas,… ;
6) “…Não venhas viver para Portugal, onde governa a esquerda e há saúde, segurança e educação…” Resposta: se Deus quiser, um dia o povo português acorda e enxota essa gentalha, que adora uma boquinha! e talvez os níveis da educação (a começar pela sua própria), saude e segurança aumentem inclusive!
No mais, agradeço as palavras carinhosas, que demonstram bem o nível da pessoa e lhe retribuo desejando que Deus lhe dê em dobro! Fique com Deus e boa sorte!
Nada mostra inteligência como escrever “kkkkkk” num comentário. Este blog é PORTUGUÊS, por isso faça o favor de usar português de Portugal.
Sobre este comentário não tenho a mínima dúvida da sua autoria: do mongoloide da Buraca da Amadora (Guilherme Duarte – blogue Contrário aqui no Sapo), que foi batizado por um padre russo auxiliado por um coroinha norte-coreano e mergulhado em esterco cubano. Vade Retro Vermelhão.
Ok Anónimo já fez a publicidade ao (seu?) blog. Passar bem.
O Bolsonaro não é fascista, mas a Dilma é. Está certo. Deve ter sido por isso que o querido militar e sua prole, na votação da sua destituição (com que fundamento, já agora?), dedicaram-na aos militares e torturadores. E o Temer e o Collor, também são de esquerda?
Acho sempre muita piada agitarem o véu do Maduro quando o Bolsonaro tem muito mais a ver com o tirano da Venezuela do que qualquer outro: militarismo, propaganda descabelada, nacionalismo bacoco, etc. E as suas palavras “o povo está tido com ele” é mais do mesmo.
Chamar-lhe “conservador” é insultar os conservadores e fazer das pessoas parvas. Conservadores na América do Sul tem Macri, Duque ou Piñera, à frente dos seus países. Nenhum deles é como Bolsonaro. Como digo acima, raramente uso a palavra fascista para classificar alguém. Mas em relação a Bolsonaro não tenho a menor dúvida: é um fascista. Com todas as letras.
Eu penso que o Bolsonaro não só é fascista como é pretendente a sê-lo, tudo nele o quer parecer
o blog está programado para imitar o tamanho do comentário, razão por que precisei dividi-lo.
——–
Vou reproduzir aqui um comentário que fiz há alguns dias no blog do G1, o portal de notícias da Globo:
o expediente do KIT VAGABUNDO
Como o Partido dos Trabalhadores (é curioso constatar que quem trabalha não está no Partido dos Trabalhares, e quem não trabalha é que faz carreira nele e se enrique usando-se dele…) comprou apoio eleitoral usando o expediente do KIT VAGABUNDO:
Vai transar? O Governo dá camisinha.
Já transou? O Governo dá pílula do dia seguinte.
Teve filhos? O Governo dá Bolsa-Família.
Não fez planejamento familiar e teve vários filhos? O Governo dá Bolsa-Escola.
Vai prestar curso de admissão à Universidade? O Governo dá Bolsa-Cota Racial.
Bebeu a vida toda, não parou em nenhum emprego e agora não tem dinheiro para comprar medicamentos? O Governo dá Remédios de Graça.
Não quis estudar e agora não tem dinheiro? O Governo faz Sorteios de Casas.
Não tem terra? O Governo dá Bolsa-Invasão e ainda lhe garante apoio material e logístico, e depois o aposenta.
E o Governo ainda distribui:
– Vale-Leite (criado por FHC);
– Vale-Gás (criado por FHC);
– Vale-Refeição (criado por FHC);
– Vale-Alimentação (para usar nos supermercados); (criado por FHC);
– Vale-Transporte (criado por FHC);
E ainda tem o revoltante Vale-Crime:
Desde 01/01/2015 o governo dos comunas petralhas (cortesia da DilmAnta) passou a conceder Auxílio-Reclusão para sustentar os filhos: R$ 915,05 mensais para CADA FILHO, pois o coitadinho não pode sustentá-los por estar preso pelo assassinato de filhos de pessoas trabalhadoras…
Será que isto ajuda a explicar o “encosto” (desemprego voluntário) e o aumento absurdo nas taxas de criminalidade?
Caramba, o Brasil deve ser um país horrível. Obrigado pelas informações: mas diga-se uma coisa mais, se puder, e relativamente ao meu texto, o qual tem a gentileza de comentar: considera que o crescimento do apoio a Bolsonaro se deveu a essas situações que indica (e algumas outras) ou aos protestos contra ele feito por algumas deputadas portuguesas nas últimas semanas? É que foram estes que me levaram a escrever este texto.
Ainda que reconheça todo o valor do Jair Bolsonaro, o meu apoio a ele é pontual e com sentido de oportunidade (o meu candidato histórico não tem mais do que 10% das intenções de voto…), por entender que é a única possibilidade de impedir a volta dos petistas ao governo, e do Brasil ganhar uma normalidade política e social, que se faz urgentemente necessária “.
Anónimo parece que será isso que vai acontecer. Vamos ver que “normalidade política e social” virá daí …
Pensar o CDS como direita é um pouco forçado. Será mais à direita ( ou menos à esquerda) que os outros, mas não é nitidamente de direita. E se o Bolsonaro ganhar vai ser o fim do mundo? Não acho. Cada vez mais as pessoas querem alguém fora do marasmo politiqueiro actual.
O fim do mundo não será de certeza. Mas será uma merda.
Mas que fixação mais descabida na Isabel Moreira!
Um artigo sobre uma besta chamada Bolsonaro e uma deputada portuguesa com as suas ideias, tudo misturado?
Reveja lá a escala de valores!
Achei curioso o autor referir a tendência desculpadora/condescendente de Bolsonaro, em dois artigos de opinião, criticando a tendência actual de se atribuir culpas ao críticos de Bolsonaro pelo seu crescimento eleitoral e passa mais de dois terços do artigo, justamente a lançar farpas àqueles que, sem tibiezas, se opõem à tal energúmeno.
O aparecimento e crescimento de bestas como Bolsanaro deve muito à banalização/integração que o centro-direita lhe vai conferindo.
Vem nos livros de História.
Apesar de tudo antes uma besta como Bolsonaro do que uma besta que escreve Maquiavel com K. E, já agora, até porque não duro sempre, isto não é um “artigo”, pá, é um texto num blog, um postal ou coisa assim
Boa estada aí entre os “k”s
Quod eram demonstratu.
A sua afirmação inicial é toda uma declaração de interesses e vem dar força ao meu comentário.
As suas considerações sobre a diferenças entre artigos, textos em blogs e postais ou coisas assim são todo um tratado de como chutar para canto.
Tem problemas com a letra k? Experimente psicoterapia.
Não tenho problemas com ks. E nunca chuto para canto (pendurei as chuteiras há décadas) Tenho nojo de filhos de putas imundas que andam insultando pessoas e escrevem anonimamente, o que é diferente.
(Here we go again).
O rei da desconversa a desenterrar a questão do anonimato quando lhe falta assunto.
Quer saber o quê sobre mim? O NIF? O CC? A minha declaração de IRS? O meu nome de baptismo?
O que interessa aqui é o que se escreve e as ideias que se veiculam. Se não tem nada a dizer sobre isso, deixe lá o mensageiro em paz.
Quanto ao insulto implícito com que acaba o seu último comentariozeco, só preencho um dos requisitos daqueles que tanto lhe metem nojo: escrevo anonimamente. Já o senhor, para mim, chamando-se José Teixeira ou Manuel Retornas, não passa de um anónimo a escrever insultos. Faz o pleno dos que tanto lhe metem nojo.
Caro comentador Makiavel, faço minhas as suas palavras. Não há nada mais hipócrita do que queixar-se de anónimos que insultam ao mesmo tempo que assinando com “jpt” (há centenas de nomes com essas iniciais) insinuam que as progenitoras desses anónimos são profissionais do sexo (como se isso fosse algo mau, pelo contrário, acho as prostitutas bem mais dignas que certos comentadores profissionais).
O Sr. Jair Bolsonaro que eu espero seja o próximo presidente do Brasil fala como fala um oficial brasileiro para os seus subordinados, se tivessem sido soldados do exército brasileiro como eu fui entenderiam o que quero dizer, ele ainda não se apercebeu apesar de ter uma carreira com anos que um politico tem que falar uma coisa e dizer outra .O cidadão comum brasileiro que morre diariamente nas ruas das grandes cidades vitimas da violência ,é que vai decidir se quer continuar a morrer ou vai votar em quem se compromete a meter bala em quem não tem o menor constrangimento em assassinar um idoso para roubar a reforma ,uma mulher grávida para lhe roubar o carro e por aí além, senhores o brasileiro não acha assim tão chocante a maneira do candidato falar ,claro está os senhores de ideologia de cor rubra ficam encarnados de raiva ,os democratas liberais chocados e aqueles brasileiros a fazer manifestações em Lisboa ridículos as brasileiras os portugueses é que sabem.BOLSONARO PRESIDENTE .
E tu o que fazes a comentar num blog português? Fica-te aí na selva! Escumalha!
e tu ó anónimo, que andas aqui a fazer a dizer quem pode comentar ou não. Suca, cão rafeiro
Ó “jpt”, eu cá gosto muito de cães. São bem mais simpáticos do que o senhor.
Nisso eu estou de acordo, em termos gerais E não gosto que os aticem aos estrangeiros
… por serem estrangeiros, presumo.
Porque Bolsonaro é estrangeiro e apenas não lhe atiço os cães porque prefiro travar as minhas próprias guerras – e porque os cães têm a vidinha deles alheia a tais guerras, deixá-los em paz.
Um pouco por isso. Que cada um seja o cão das suas lutas e deixe em descanso os verdadeiros canídeos
A escumalha anónima que defende Bolsonaro está a comentar de onde? É que não quero esse tipo de lixo em Portugal, onde governa a esquerda e há saúde, segurança e educação. Que se fiquem por aí na selva!
Imigrantes sim, escumalha fascista não.
você não acha que com este tipo de argumentação está a contradizer a alcunha com que bota?
JPT, este ANTI-IDIOTAS é seu colega de blog no Sapo: o diabinho barbudinho que atende pelo nome de Guilherme Duarte, nascido e criado numa Buraca da Amadora, sarjeta de onde jamais deveria ter saído.
Vocês têm aí um problema. Que um juiz de paz vos valha, é o meu voto.
afinal era a fernanda cancio a comentar aqui no blog …
Um artigo perfeito de alguém que realmente sabe analisar a política com a cabeça fria e muita sabedoria. Parabéns.
Agradeço a simpatia
A utilização de adjetivos significa muitas vezes incapacidade de definir. .porque dá muito mais trabalho intelectual.
Não me refiro em especial a jpf..mas ao jornalixo que controla as redações dos media que abusam do insulto e calúnia.
(Xenofobia islamofobia extrema direita racismo etc ) sem perceberem coitadinhos que nem um milímetro alteram da realidade.
Mas este texto sofre também desse handicap.
QUE FUNDAMENTOS RAZÕES FACTOS LEVAM A ROTULAR BOLSONARO DE FASCISTA ? ?
Ter a coragem de denunciar a maior corrupção do mundo Ocidental investiga da na lava jato sem tentar malabarismos para a fazer abortar a investigação?
Ser dos poucos congressistas sem qualquer acusação de corrupção ? (e seria muito fácil inventar isso)
Ter a coragem de propor reformas profundas no sistema político minado pela corrupção até à raiz dos cabelos ?
Porque em termos delinguagem há muito pior do que ele..
E fica sempre a pergunta. …ests mais para o TRUMP; o que é pior a linguagem truculenta ou a atuação política criminosa como foi LULA e OBAMA /CLINTON ? ?
Que fundamentos? Acha que as declarações de apoio à tortura, morte e ditadura militar são coisa pouca? Nem sequer devia ser motivo de discussão, mas está visto que há quem esteja muito distraído, ou finja estar. Isso a juntar à indigência intelectual da personagem.
Quanto á corrupção, prefiro uma ditadura corrupta do que uma ditadura (supostamente) incorrupta. Sempre preferia ladrões a assassinos. Mas não me deixo enganar com Messias de ocasião: o próprio Lula não era a figura incorruptível e pura? O Jânio Quadros não tinha como símbolo uma vassoura para limpar os corruptos quando o próprio tinha contas bancárias escondidas na Suíça? E ao que parece, Bolsonaro não é assim tão imune ao vil metal. E ao que me parece, a corrupção não nasceu com o PT nem morreu com ele: é só pensar em Maluf, Collor, Temer, na própria destituição de Dilma porque ela não estava a impedir suficientemente as investigações ao Lava-Jacto, etc.
Meu caro
Nunca acreditei no Lula
Foi uma ficção criada pelos media da esquerdalhada. Que agora escondem a maior corrupção do mundo Ocidental.
E afinal vc defende ditaduras. ..certo ?
Quando Bolsonaro tem a coragem de dizer o que disse está a pensar no POVO do Brasil. e faz muito bem em marimbar se para a hipocrisia da esquerda e da Europa em geral.
Os bandos armados que lutaram contra os militares tb assassinaram torturaram roubaram etc Dilma pot ex.
E as famílias das vítimas mostram essas marcas…e o POVO dá lhes razão.
Basta falar com imigrantes brasileiros em Portugal. …ou seja POVO. ..todos dizem. ..o maior problema é a insegurança. ..
Admirem se de votar em Bolsonaro ?
Ah, o Povo, essa entidade que normalmente é usado em sentido colectivo, como se cada pessoa não tivesse ideias diversas. Mas já que diz “Lula é uma ficção criada pelos media”, explique-me como é que esse Povo, por quatro vezes seguidas deu a presidência ao PT e por outras 3 o pôs em segundo lugar. Isso já não é povo? E se o Haddad ganhar? Já não é o Povo? E os que foram ilegitimamente vítimas da polícia militar, são o quê?
De resto, o caro Sátiro não acredita nos media mas, dando uma pequena vista de olhos à sua página, continua a acreditar que a pequena que aparece na festinha do Sócrates era Lucília Gago. Mas cada um acredita no que quer, independentemente da sua maior ou menor veracidade.
Antes de se fazerem afirmações, o mínimo que espera de quem deseja ter “credibilidade jornalística”, é que o blogueio (quem sbe um dia jornalista) se informe adequadamente sobre o assunto.
Jamais o povo brasileiro deu 4 presidências ao PT, nem seguidas e nem alternadas.
Lula elegeu-se em 2003 e reelegeu-se em 2006, conseguindo levar à presidência a Dilma Poste, irmã do Haddad Poste, suas marionetes preferidas.
Portanto, foram 3 presidências.
E também o povo não colocou Lula em 2º lugar por 3 vezes, porquanto em 2 das eleições FHC as ganhou ainda no 1º turno.
A única vez que Lula ficou em 2º lugar, foi em 1989, quando Collor ganhou dele no 2º turno.
Este comentário da “credibilidade jornalística” é uma pérola, serve mesmo para juntar ao meu texto sobre os comentários, o “Embuçados”
Sabia que ia gostar.
Fico então grato pela gentileza
O caro anónimo consegue desafiar os factos com uma desfaçatez que envergonha as próprias fake news.
Lula ganhou em 2002 e 2006, e Dilma ganhou em 2010 e 2014. Por isso sim, as eleições deram por quatro vezes seguidas a presidência ao PT. Onde é que está a dúvida?
Lula ficou em segundo lugar em 1989, 1994 e 1998. Perder no primeira volta ou na segunda é irrelevante para o caso, ficou em segundo. E agora Haddad ficou em segundo também.
Se ainda assim não está convencido é porque o seu estudo tem graves falhas ou a sua especialidade é história alternativa, mas para universos paralelas não conte comigo.
Ora nem mais. O que me dá, mais uma vez, para me interrogar sobre a atitude do comentador agressivo – o João Pedro Pimenta comenta de boa-fé e até poderia estar enganado, nisto dos dados muitas vezes isso acontece, um diz três e afinal são quatro. A resposta é logo agressiva, “informa-te antes de falar”. Afinal o João Pedro Pimenta está certo (e que não fosse por isso, o seu argumento não seria rebatível por uma ligeira falha quantitativa) e o agressivo comentador está errado. Retirará o mal-disposto anónimo que se deverá informar antes de falar, que está condenado ao silêncio opinativo devido ao seu erro? Não, decerto que não, avançará na sua senda de caneladas e cotoveladas … no ar, ainda por cima.
O “Povo” serve muito, imenso mesmo, para dizer “o Povo sou eu” …
por acaso quando falo em POVO refiro-me aos eleitores.
não há outra maneira de saber….
claro, se umas dezenas fizeram uma manif que agrada (ou combinada..) com as TVs, têm dezenas de minutos de propaganda gratuita…e podem influenciar alguma coisa.
como ó óbvio não representam nada o povo….e isto é feito diariamente nos media.
ainda há semanas a CNN foi apanha a criar uma manif na Alemanha (como se fosse novela, com atores e tudo) para intoxicar que os anti refugiados são tenebrosos fascistas (a Merkel tem vergonhosamente colaborado nessa falácia, que a vai fazendo perder votos …e poder)
mas não intoxicam para sempre.
mais dia menos dia, ~descobrem se as fake..
só se pode falar em POVO nas eleições, (voto secreto, individual e totalmente livre)….
caso contrário, o povo era a cgtp
Sim, mas saberá que há sinónimos que são menos apropriados, parecem menos apropriáveis (o tão salutar população, o burocrático eleitorado). “Povo” tem essa vertente retórica um bocadinho grandiloquente. Eu por mim gosto muito daquela grei, mas tenho pejo de usar, rir-se-ão de mim
Lendo o meu texto é fácil de perceber que não falava de rua nem de manifestações. Falava, como é evidente de eleições, daí ter escrito que o mesmo povo elegeu Lula e Dilma.
A interpretação é um acto voluntário, e independe do real – essa da nova PGR na festa socratista é letal (afinal o Sátiro existe e tem página e tudo?)
é verdade, existe..
o facto de aparecer, nos comentários, em letras vermelhas com link significa isso…como sabe tão bem como eu…
quanto á foto de Sócrates, e como digo no postal, foi copiada do blog ITUGA…..que tem sido credível…….
claro que sei, não leve a mal, honestamente não tinha reparado
Ó “sátiro”, as palavras “xenofobia”, “islamofobia”, “extrema-direita” e “racismo” ofendem-te assim tanto? Deixa de ser politicamente correcto! Se não queres ler ou ouvir essas palavras o melhor mesmo é desligares a televisão e o computador e fechares-te em casa! E não se perdia nada.
E eu, ao contrário de ti, não sou politicamente correcto, por isso digo-te: não passas de lixo virtual e nunca vi um comentário inteligente feito por ti, se é que possuis alguma inteligência que seja. Vives completamente alheado da realidade, optando por ignorar que os teus ídolos são corruptos e anti-patriotas (o Bolsonaro é uma prostituta dos americanos e o Trump é uma prostituta dos russos). És escumalha do mais reles que há.
Exatamente
Nem perco tempo com os media portugueses. Nem com os grandes nomes em geral tipo CNN. NYT etc.
Mas sei muito bem o que dizem / escrevem ao ler outros verdadeiramente pluralistas
A questão é.
Utilizar esses chavões só significa falta de argumentos. difamação e descrédito de quem os usa. …
E fazem de otários pensando que mudam a realidade. ..
As votações nos partidos caluniados e difamados por essa Europa comprova isso mesmo
Num espírito de bom samaritano seria de partilhar quem são esses verdadeiramente pluralistas para que os outros leitores se pudessem iluminar
só agora posso dizer algo…..
e sem querer ser bom samaritano…..mas não tenho problemas em dizer as fontes…porque elas constam dos links do blog…..
mas leio quase todos os dias a AL ARABYIA em inglês (tento depois a correspondência de páginas e fotos nas versões árabe, urdu e farsi, para ver até que ponto alteram as versões…..) a AL JAZEERA…. ARAB NEWS ..ASIANEWS….NEWS 24SOUTHAFRICA…REALPOLITICS…THE HILL…NEVER AGAIN CANADA…JIHAD WATCH….JEWSNEWS…..BREITBART….LIFES ITE LIFE GATESTONE INSTITUTE…O ANTAGONISTA…CRUSOÉ….MARTHA COLMENARES…
a base são estes..depois..há mais alguns consultados com menos frequência…
caramba, que V. é mesmo do contra …
procuro ser….embora gostasse de ser mais
e com muitas razões….
ver rally (o nome EUA para comícios ) do Trump com milhares de apoiantes, enquanto a Hillary andava á míngua (o seu candidato a VP Tim Caine chegou a ter que anular comícios por falta de …people..!) foi digamos a gota de água que me fez mudar radicalmente
porque em Portugal os media TEIMAVAM em martelar que Hillary tinha muto apoio popular, e o Trump era uma espécie de mafarrico
ora é exatamente o contrário….
assim como Merkel está a matar a liberdade de expressão na Alemanha………
A comunicação social tem características sociológicas interessantes. Antes a esquerda dizia-a presa ao capitalismo dos proprietários. Mas os seus praticantes são classe média baixa, algo letrada, nas nossas sociedades tendencialmente na esquerda versão inculta – o jornal Público era um bom exemplo disso. O resultado é o que se vê, apartada da realidade e, assim, do próprio público
Essa do grande satã Merkel é que já, enfim, não papo …
Ó Sátiro, por isso é que a Hillary Clinton teve mais votos que o Trump, não? Se a estupidez matasse o teu funeral já tinha decorrido há muito.
anónimo, para quê tanta agressividade … anónima?
V. coloca várias questões mas uma é-me particularmente relevante, ainda que perceba que, como diz, não se referir propriamente a mim. É nisso, que várias vezes me dizem, da aversão à utilização de adjectivos. Ora eu não sei escrever sem adjectivos. por um lado porque gosto, é a minha preferência no olhar o circundante; por outro lado por defeito, pois as capacidades descritivas exigem outra dimensão na escrita, que eu não possuo. Mas disto isto a questão é outra, o que V. convoca é uma acção conceptualizadora, e não uma descrição – e uma conceptualização, um ensaio, não requer um blog como local. Mas há ponto fundamental, é que Bolsonaro não requer uma conceptualização: as suas referências, patentes nos constantes elogios ao longo de décadas, radicam no regime militar anterior; as suas declarações apelando a um prática violenta e a uma guerra civil e a uma mortandade, têm todos os conteúdos da ideologia fascista face às democracias; a própria campanha contra uma corrupta democracia está nos canones da ascensão fascista. E o discurso anti direitos fundiários das populações amazónicas tem todo o peso da ideologia e das práticas dos poderes autocráticos fascizantes. Ele não precisa de conceptualização, ele explana – e há décadas – o seu fascismo. Que as pessoas a isso adiram, por serem fascistas ou por outras causas ligadas à desilusão com outros projectos, é lamentável. E não é negável.
quando me refiro aos adjetivos, não é a todos como é óbvio..
Portugal é dos países onde menos NOTICIAS se fazem…normalmente, o jornalista põe a sua opinião ideológica na noticia.
creio que estamos de acordo que isto não é noticia..é opinião
quando se escreve uma noticia copiada ..sei lá da AFP..Reuters…bloomberg..EEF..etc….e o jornalista acrescenta…….”conservador”, “extrema direita”, “progressista” , “xenófobo”…claro que está a induzir e tentar influenciar os leitores
um exemplo muito frequente é sobre a sigla dos partidos…se é socialista ou de esquerda e facilmente se percebe, nada se acrescenta…se for a CDU alemã..já dizem conservador ou direita…mas não é esse o nome do partido………..mesmo na Alemanha há o temor XENÓFOBO…este sim…de dizer CRISTÃ…e reduzem para ..UNION….seja a CDU ou CSU..
mas se dissermos…gigantesca afluência às urnas..e corresponder á verdade, creio que o adjetivo é correto e bem empregue..
quando escrevi adjetivos referia me mais especificamente aos ideológicos…
entretanto, estou a ver no facebook amigos brasileiros que contam fraudes com as urnas eletrónicas…..carregavam no 17…e aparecia …13……….
também não é tanto de admirar…a empresa é da Venezuela.
ok, há uma adjectivite e uma crescente adjectivose Mas é como com as gorduras, sem elas que prazer damos ao palato?
lol
boa comparação……
Sou italiana de nascimento com cidadania brasileira e professora universitária doutorada em Ciências Políticas.
Permita-me reproduzir um email que acabei de enviar a uma estimada amiga portuguesa, escritora e jornalista, que hoje me disse estar apreensiva com os efeitos provocados pela eventual eleição do Jair Bolsonato.
Obrigado.
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” Períodos eleitorais sempre são tumultuados em quase todos os países, e no Brasil não seria diferente.
Aqui, quem vem agitando o processo eleitoral, já há uns 2 anos, de forma negativa e muito perigosa, é a esquerda e a extrema esquerda (PT, PSTU. PC do B e, especialmente, os ultrarradicais do PSOL). Todos têm incentivado a divisão entre os brasileiros e o uso de violência em reação às investigações e prisões decorrentes da Operação Lava Jato, à conduta imparcial do juiz Sérgio Moro, à tenacidade demonstrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que não se dobraram às pressões políticas e econômicas contrárias às investigações e ao inconformismo dos comunas por verem enjaulada a sua liderança de maior expressão.
O agressor de Bolsonaro foi filiado ao PSOL por quase 1 década, tendo-se desfiliado poucos meses (uns 6) antes de praticar o atentado. Tudo indica não ter sido um ato individual e impulsivo, e sim planejado com antecedência, para afastar (de vez ou temporariamente) o Bolsonaro do processo eleitoral.
Todos os institutos de verificação de opinião pública vem demonstrando que ele foi o único dos 13 candidatos que ganhou apoio de forma sempre crescente, sendo que as últimas pesquisas, feitas ontem, apresentaram algo que me surpreendeu: a existência de uma possibilidade matemática, ainda que bastante improvável, de que ele consiga ganhar as eleições já hoje, no 1º turno…
Para nós, no Brasil, jamais entendemos Bolsonaro como um extremista da direita. Por ter sido militar até se aposentar como capitão da artilharia, a esquerda vem-o “pintando” com as cores do fantasma da ditadura, que é o que lhes interessa vender. Ele é um linha dura, sim, mas em questão de princípios éticos e morais, e jamais foi investigado ou condenado por qualquer ato seu, muito menos por corrupção. Na única ação judicial a que respondeu, por injúria (disse a uma deputada do PT que ela não merecia ser estuprada por que era feia demais), foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. Entre amigos costumo definir Bolsonaro como uma mula destrambelhada sem freio na língua, mas antes assim por que nos permite saber o realmente pensa sobre certos assuntos, do que agir como os políticos tradicionais que pensam uma coisa e dizem outra
No congresso Bolsonaro destacou-se por ser uma voz de permanente oposição ao PT e à bandalheira da corrupção e dos roubos que promoveram no atacado os seus 3 governos (2 do Alibabá e 1 da sua marionete preferida, a Dilma beócia e acéfala). Com isto ganhou forte apoio popular, a ponto de decidir candidatar-se à presidência, apoiado por um grupo de generais inconformados com a atuação dos governos petistas que atuaram para desaparelhar as Forças Armadas, negando-lhe a atualização de armas, veículos e equipamentos, tornando-as, assim, potencialmente menos perigosas para o plano petista de governar, pelo menos, por 20 anos.
Obrigado pela partilha. Eu não questiono o destrambelhamento do PT, no poder e no processo de demissão de Roussef. Nem a sua radical imersão nas teias do nepotismo, patrimonialização e criminalização estatal. Aquilo que me parece óbvio – e muito disso virá da responsabilidade desse mesmo PT – é que a oposição ao PT se centrou num homem que não é apenas o que V. refere: explícito na desprotecção da terra florestal, afirmando a necessidade da tortura e do morticínio, etc, não são apenas “boutades”. Ou se o são isso significa o grau zero da reflexão e do discurso político, inconsciente dos efeitos na população dos discrusos dos seus dirigentes.
É incrível que este processo eleitoral venha a ser gerenciado pelo Lula de dentro de uma cela, tendo escolhido mais uma marionete para o representar no pleito. Se eleito, Haddad iria comandar o país com um telefone linha-direta na sua mesa, permanentemente conectado com Lula, tal como aconteceu com a Dilma, que era pau-mandado do grande mentor de todo o esquema da bandalheira.
Já agora, que a Justiça negou ao Lula o direito de sair para votar, ele conseguiu tornar-se no único petista que não votou no Haddad. A vida é cheia de agradáveis surpresas…
Olhe que o Haddad afinal teve tão poucos votos que o Lula não deve ter sido o único
Durante os 3 governos do PT a média de surgimento de novos escândalos foi de 1 a cada 3 dias, um absurdo. Era roubo e corrupção por todos os lados, em todos os níveis, dos vereadores e prefeitos municipais aos deputados estaduais e federais e senadores. Do PT e dos partidos da sua Base Aliada, popularmente chamada de “Base Alugada”.
Saquearam as maiores empresas estatais brasileiras, sem qualquer parcimônia ou limite de escrúpulos e ganância… Somente na Petrobrás, entre roubos e prejuízos indiretos (queda absurda no seu valor de mercado, ações judiciais – especialmente internacionais -, indenizações, etc.) a brincadeira ultrapassou os 30.000 milhões de dólares!!!…
Hoje, Lula é um homem rico, tendo levado no elevador do enriquecimento ilícito boa parte dos seus parentes (esposa, irmãos, primos, etc), especialmente o mais velho dos seus filhos. Conhecido como Lulinha, trabalhava no Zoológico de São Paulo, mas 1 década depois da eleição do pai para presidente já tinha fazendas no Brasil (uma delas concentra o maior rebanho de bovinos do mundo), imóveis de alto padrão e participações acionárias em empresas estrangeiras, além de carros de luxo e até um jatinho executivo novo, cujo valor chega aos 50 milhões de dólares. Infelizmente nada disto é ficção…
No final de 2010, a Folha de S. Paulo revelou que familiares de Lula, incluindo Lulinha, tinham recebido passaportes diplomáticos fornecidos pelo Ministério das Relações Exteriores, popularmente chamado de Itamaraty. O jornal apurou que os documentos tinham sido emitidos “em caráter excepcional” e por haver “interesse do país”.
Obs.: o Passaporte Diplomático é concedido a presidentes, vice-presidentes, ministros, parlamentares, chefes de missões diplomáticas, magistrados dos tribunais superiores e ex- presidentes. Também têm direito a ele cônjuges e filhos de até 21 anos, ou sem limite de idade caso sejam deficientes, o que não era a situação do filho de Lula. Por decisão judicial de novembro de 2013, estes passaportes foram formalmente cancelados.
Um dos episódios que mais denegriram a biografia do Lula, e que mais revoltaram o país, ocorreu na sua saída do Palácio do Planalto, no final de 2012. Lula e a mulher tinham chegado a Brasília de mãos a abanar e saíram de lá puxando uma caravana composta por 6 caminhões carregando tudo o que puderam levar do Palácio, incluindo bens patrimoniais que jamais poderiam ter sido retirados de lá. Além disso, Lula levou consigo presentes que ganhara (não a nível pessoal, e sim na qualidade de presidente de um país) durante as suas dezenas e dezenas de visitas ao exterior, algo proibido pela lei brasileira, já que tais objetos devem ser incorporados de forma automática ao patrimônio da União. E, como não podia deixar de ser, foi o único presidente que fez isto…
Em 2004, por exemplo, FHC criou um Instituto com objetivo histórico de preservar documentação relacionada com o governo FHC. Já Lula fez o mesmo para dar sede às suas atividades “comerciais”, colocando a Rose, sua amante, como secretária-executiva (foi ela quem Lula mandou levar 20 milhões de dólares para Portugal, num dos jatos oficiais da Presidência da República – portanto, com imunidade diplomática).
Lula é um escroque que foi endeusado pela esquerda internacional sob o argumento de que tirou da miséria 20 milhões de brasileiros. Só a Dilma se encarregou de mandar de volta para lá 13 milhões. Além de tudo, isto também poderia ter sido feito sem corrução e roubos, após ele ter ampliado os programas sociais criados por FHC, e que o PT sempre faz ignorar, chamando para si o mérito da criação de tais programas de auxílio social à população (o que Lula fez foi unificar e dilatar estes programas sociais e dar-lhe um novo nome: Bolsa Família).
Eu sei quase nada do Brasil Vivendo em Mocambique e convivendo com gente que trabalhava nas empresas brasileiras entretanto lá deslocadas era-me referido a participação dos familiares de Lula da Silva nesses grandes negócios. Dizendo-o eu em Portugal a amigos/conhecidos, por razões socioculturais e profissionais associáveis ao espectro do funcionalismo público reproduzido no socratismo, eles refutavam essas realidades, invectivando-me ou sarcasmando, e aflorando a política social do PT e suas virtudes. Não sei o que estarão a dizer hoje. Como tal não é essa a minha questão, não faço aqui qualquer apologia do poder anterior: mas que as afirmações de Bolsonaro ao longo da sua carreira fazem antever o pior em termos de política isso é uma realidade. E a história, que serve para algo em termos de antevisão do futuro, ensina-nos que este tipo de figuras pretensamente carismáticas e ordenadoras trazem do inverso do que prometem
O Bolsonaro apenas quer meter ordem na “casa”.
O povo está farto de esquemas de corrupção, petrolão, mensalão, doutrinação nas escolas, Foro de São Paulo ( aliança comunista sul americana onde estava presente tb as FARC), controle da midia, insegurança, proteção dos bandidos, audiências de custódia, maior consumo de crack do mundo, desrespeito pela religião, descontração familiar, ideologia de género nas escolas para crianças a partir de 6 anos, lei Rouanet … miséria física e moral. O Bolsonaro representa a esperança de mudança. Eu sou português, estou emigrado no médio Oriente e apoio o Bolsonaro para limpar o Brasil dessa esquerda suja e corrupta.
Boa sorte aí, patrício ..
Aplaudo e subscrevo este comentário.
Eu insisto, como se pode “subscrever” algo sem assinar? Anónimo 1, Anónimo 2? Isto não tem pés nem cabeça, é quase tão absurdo como o repetir os argumentos bolsonaristas …
concordo plenamente
o bolsonaro pode dizer diatribes que nem consegue cumprir…..
mas lula e os outros comparsas ……….fizeram sem falar
a corrupção lulista atingiu níveis astronómicos que os media portugueses esconderam criminosamente…porque há brasileiros que votam em Portugal…
imaginar que bolsonaro vai ser um Mussolini ou Hitler………….francamente..só delírios
quem fez muito mal ao povo brasileiro foi a governação PT…..
e como sabe quem anda bem informado..aquilo de que até agora foi acusado é uma ínfima parte…
Ceasescu não foi Mao-tse-tung (como se escrevia no meu tempo) nem Kadar foi Estaline, mas não deixaram de ser líderes comunistas. Não se trata de afirmar Bolsonaro um Hitler (como há gente que traduz) mas sim de dizer que tem e expressa um ideário fascista. Como vai ser presidente, é praticamente dado assente, será conveniente que não possa por em causa muitas das coisas que vem afirmando …
que bolsonaro teve afirmações condenáveis, é verdade…
que não vai impor nenhuma ditadura, também creio que será verdade (embora nem sonhe em ser o prof.bambo…)
porque a comunicação social sempre foi muito ativa no Brasil (mesmo no regime militar, a globo enchia o país de novelas…………..e havia o carnaval com total liberdade….mesmo sexual…) com tarimba de investigação e muito inclinada para a esquerda..
e apesar da corrupção endémica, o congresso tem força politica e constitucional….
repare se em pormenores que são fantásticos:
a investigação criminal é feita quase diante da população: o MºPº explica o que se passa na investigação……em Portugal é tudo segredo…exceto as fugas cirúrgicas
A sessão do STF que analisou o recurso de “Habeas Corpus” de Lula foi transmitida em direto…………….algo impensável na europa..e muito menos em Portugal
vimos os juízes (ministros, como são chamados no brasil) a expor argumentos EM DIRETO…e dar o voto
isto é uma riqueza extraordinária da democracia e da independência de poderes………apesar dos juízes do STF serem nomeados pelo PR!!!..(lá está a cópia EUA)
mas que é uma base fortíssima de democracia, é sem dúvida
o que sabemos nós dos debates no nosso CSM,,,ou do STJ…ou do TB…?
NADA, absolutamente NADA..só o que nos querem dizer
Sim – isso da abertura dos tribunais é importantíssimo Nós aqui ainda estamos aprisionados ao secretismo diante do senhor doutor juiz. E, claro, com as trapalhadas todas que os políticos vão praticando – mas também no Brasil, como tal o segredo para as evitar terá que ser outro
Na questão da prisão do Lula e de todo o alto comando petista, muitos portugueses não entendem por que só se fala no juiz Sérgio Moro, titular da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba..
Acontece que a Operação Lava Jato está concentrada nele, mas temos outros juízes com tenacidade e imparcialidade similares às do Moro, como, por exemplo, o também juiz federal Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, que possui competência para julgar casos envolvendo crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem / ocultação de bens.
Foi este juiz que condenou Sérgio Cabral, ex-governador do RJ por corrupção, evasão de divisas, branqueamento de capitais e por chefiar uma quadrilha criminosa. Cabral ainda responde a outros 13 processos na Justiça Federal do Rio e as penas que lhe foram impostas já ultrapassam 100 anos de prisão.
Pois, ouve-se falar de Moro mas não de outros processos. Esse silêncio também isola o caso de corrupção em Lula (e Moro), dando aspecto de ser apenas um trabalho político contra o ex-presidente, como muitos ainda acreditam. O estado que aí chegou é terrível. Aqui também, mas o sistema político já reagiu e as formas de investigação vão ser controladas de modo a isentar os políticos e apaniguados de investigações.
Li hoje este seu comentário.
A foto de Lucília Gago com Sócrates já foi desmentida
https://www.google.pt/amp/s/ptjornal.co m/psd-serpa-pede-desculpa-por-juntar-jos e-socrates-com-a-nova-pgr-341946/amp
E sobre JMV,
https://sarin-nemlixivianemlimonada.blo gs.sapo.pt/jmv-o-veneno-na-hora-da-despe dida-42511
eu nunca falei dessa fotografia, uma historia que era obviamente uma patetice
Quanto à sua leitura das declarações da ex-procuradora não me parece que seja um veneno ou uma cobardia. O mandato é o que é, a opinião dela é o que é, o facto de não ter sido convidada para continuar é um facto, e ela não devia pronunciar-se durante o mandato sobre se deveria ou não continuar em funções PRincipalmente num momento destes – quem poderia ter acabado com a discussão pública eram o PM e o PR, nunca a subordinada …
Se foi o sentido do dever que a manteve em silêncio durante a polémica, cf digo, bem poderia ter aguardado que a sucessora aquecesse o lugar. Não gostei do sentido de oportunidade, e não gostei porque lhe mancha a verticalidade que lhe suponho.
Li-lhe algo nesse sentido, ou pelo menos assim me pareceu, noutro postal – qualquer coisa como “pertencer à comitiva”. De resto, e pelo que me chegou, LG foi sugerida por JMV para apreciação por Costa e Marcelo, pelo que não vejo onde terá o poder actuado para limitar as formas de investigação – a PJ continua sob a tutela que tinha, alguns dos sindicatos da polícia gozam com o ministro que lhes tutela a profissão, a PGR vem da linha da anterior e os códigos penal nacional e deontológico dos políticos permanecem ambos inalterados…
Sobre o caso das declarações de JMV (e recordo que ela sempre foi muito parca em declarações públicas, contrariamente aos antecessores, que até na rua davam pequenas conferências de imprensa) aquele era o último momento em que poderia ter falado. Concluído o mandato justifica-se o silêncio sobre as circunstâncias da transição. E antes não deveria ter falado pois o debate público ultrapassava-a – enfim, a sua posição é o caso típico do presa por ter cão ….
Quanto ao resto vamos ver. Eu não sou jurista nem acompanhante, mas tenho a imagem de que será necessário, em Portugal, um Alexandre disposto a cortar o nó
Um? Eu diria vários.
Se por um lado tivemos políticos corruptos, pelo outro não fizemos o luto judicial e mantivemos sem reparo os criados na tradição, se não mesmo os que criaram a tradição!, de não afrontar o executivo…
Concordo com a tipicidade do caso. Ainda assim, penso que poderia ter adiado um pouco. Claro que há quem lance memórias com oportunidade cirúrgica, e mais semana menos semana não tem impacto nos objectivos; no caso, mais semana teria sido menos tóxico, mas é a minha opinião.
“Memórias”? Está a aludir ao lançamento das memòrias do ex-presidente? Se é o caso a que se refere, a Soares ou a Sampaio?
Mas não conheço os livros, não leitor de memòrias contemporâneas – nem o long walk to freedom acabei
A todos os três, jpt. Que recorde, anos pré-eleitorais foram sempre anos de grande actividade na “memorabilia” de ex-governantes.
Talvez, se o diz, pois já não recordo as publicações pretéritas, nem seu contexto de lançmanto, seus conteúdos mais pitorescos ou polémicas levantadas. Mas sei, por contemporâneo, que a publicação destas memórias presidenciais – quase um costume republicano – causaram reacções: a do PM, mostrando mais uma vez a sua rasteirice moral e intelectual, e a daquele abjecto presidente do PS, o nepotista explícito, mostrando a este propósito a sua execrável desonestidade. Ou seja, estas memórias, independentemente do seu conteúdo, têm a virtude de explicitar a essência, imoral e ignara, do poder socialista que nos desgraça desde o início deste XXI e devasta a formação das gerações futuras, conspurcadas na sua maturação por esta escória
Dificilmente serão virtude quando saídas da pena de Cavaco, com quem começou a onda de imoralidade e pela qual tantos teimam em o isentar de responsabilidades – não sobre o maior caso de corrupção, mas pelos muitos casos que proliferaram pela administração pública durante o seu reinado ministerial e onde os indícios de corrupção, peculato e abuso estavam patentes a olho nu. (Sem falar de SNL e etc… hélas!)
As memórias têm sempre uma característica: são contadas por uma única perspectiva, a de quem as contas. Cabe a quem as lê aceitá-las como registo fiel dos factos ou entendê-las como mais um dos registos que poderão ajudar a esclarecê-los. Ámen!
Eu não digo “imoralidade”, é mais uma questão política, de apropriação do regime para um fartar vilanagem (será imoral, mas é também algo mais do que isso). Que cresceu (pudera) após a entrada na então CEE, com o seu PSD no poder em Portugal e o PS a “formar quadros” durante uma década e meia no ocaso da administração de Macau.
As memórias são evidentemente um ponto de vista: é a sua condição, qualidade e não defeito. O que é defeituoso, e de que maneira, é contestar a sua publicação, atribuir-lhe “falta de sentido de Estado”, menorizar a sua produção (“espero ter melhor para fazer”), etc; Este episódio mostra bem o quão rasteiro, intelectual e moralmente, é o actual binómio dirigente PS, o “morgado” César, um homem que até os socialistas açorianos sofrem, e este Costa que nos coube em sortes.
Usei o termo imoralidade porque me é difícil sintetizar tantas falhas concomitantes de carácter, de cidadania e de sentido de Estado – falamos de gestores da coisa coisa pública.
E nada tem a ver com o “sentido de Estado” que acusam Cavaco de não ter – também acho que não tem, mas não é por escrever memórias.
Tenho que ver o que se passou – alguns assuntos exigiram-me de tal forma tempo e atenção, e não me refiro a notícias (há mais vida), que encontrei hoje a caravana dos milhões de emigrantes hondurenhos e salvadorenhos, o telefonema de Joana Marques Vidal e, por si, as más críticas ao livro de Cavaco (menos mal, do livro soube há dias. Pelo Quinta Emenda, ou também me passaria ao lado!)
Mas o teor acintoso das críticas feitas por políticos e por gente com responsabilidade em cargos públicos iguala-se no tom de parte a parte, jpt – aquela história de falarem para as audiências. Poucos, muito poucos escapam, embora entre os outros (a maioria) haja gradações. Já César é graduado e com alta patente, acima de Costa e até de Portas, o ex-Vice.
“eles, que são brancos, que se entendam …”, velha expressão, de época, mas que se adequa …
Como também na expressão, de época e da época, “e entretanto nós, pretos, é que alombamos”.
Mas, jpt, se anatomicamente dificilmente aceito os “caucasóide, negróide e mongolóide”, muito menos aceito “a melanina” a separar cidadãos e políticos. Uma seca, ser adulto!
è provável que entre a persistência das instituições democráticas (mas ainda que estas recentes) e o contexto internacional a deriva para o autoritarismo do regime militar que ele explicitamente saúda seja sustida. Quanto ao resto, à situação global, a onda bolsonarista é fruto do estado da arte, insegurança e crise, o calamitoso rumo do PT.
Para conhecer Bolsonaro estive a ver estes 20 minutos. É um discurso facilista mas atrai pelo agitar do pântano. Afasta os miasmas, é óbvio – o problema é que esses miasmas causadores das doenças são, como sabemos, inexistentes.
https://www.youtube.com/watch?v=r06ZBDu S_K8
É este o filme
Uma Ditadura (1)
As eleições para eleger o novo presidente colocam o eleitor brasileiro numa situação que nunca aconteceu antes. Normalmente, eleições são uma das ferramentas mais importantes da democracia, mas na eleição deste fim de semana um dos lados tem como objetivo, caso ganhe a eleição, acabar com o regime democrático no Brasil. É uma droga de democracia, como todo mundo está cansado de saber, mas por pior que seja ainda é menos ruim do que uma droga de ditadura, e é justamente isso que o consórcio formado pelo ex-presidente Lula, o PT e a sua vizinhança querem fazer no país. Não falam assim, é claro, mas os atos concretos que prometem praticar depois de assumir o governo vão deformar de tal maneira o poder público, os direitos individuais e a máquina do Estado que o resultado prático vai ser a construção de um regime de força no Brasil. Não se trata apenas, como já aconteceu tantas outras vezes, de eleger um presidente ruim. O problema, agora, é que um dos possíveis finalistas, pelo que dizem há meses as “pesquisas de opinião”, tem um projeto público de ditadura para o país.
Uma Ditadura (2)
Acabar com o Poder Judiciário, por exemplo, anulando o seu tribunal mais elevado e interferindo nas decisões dos juízes e desembargadores, isto é ou não é uma providência básica que a toda ditadura, sem exceção, julga indispensável tomar? Sim, é. Então: o candidato a presidente do PT promete que, se eleito, irá criar um negócio chamado “controle social na administração da Justiça”. Isso quer dizer que as sentenças dos magistrados estarão sujeitas, no mundo real, a comitês externos ao Poder Judiciário, com membros nomeados pelo governo. Promete-se, também, “repensar” os conselhos nacionais da Justiça e do Ministério Público. Todo mundo sabe muito bem o que significa “repensar” alguma coisa neste país: é virar a mesa. No caso, querem criar “ouvidorias”, compostas por pessoas que representem a “sociedade”, para vigiar juízes e o Ministério Público. Também querem criar algum sistema de cotas para a escolha de juízes, de forma a “favorecer o ingresso e a ascensão” de “todos os segmentos da população” nas carreiras do Judiciário, sobretudo as “vítimas históricas de desigualdades”. A coisa vai por aí afora, de mal a pior, mas o ex-deputado José Dirceu achou uma boa ideia acrescentar um plus: segundo disse, “deveriam ser tirados todos os poderes do Supremo Tribunal Federal”. Segundo o pensador-chefe do PT, “o Judiciário não é um poder da República. Quem manda é o povo, através do voto. Além do mais, o que interessa é ‘tomar o poder’. Eleição é outra coisa”.
Uma Ditadura (3)
O futuro governo Lula também promete criar oficialmente a censura à imprensa no Brasil (isso mesmo, ‘governo Lula’: o ex-presidente está na cadeia, condenado como ladrão em 1ª e 2ª instâncias, mas toda a estratégia do PT é provar que quem vai mandar de verdade no país é ele, e não o seu preposto nas eleições). Como acontece em relação à democracia, não se utiliza a palavra “censura”, assim abertamente; o que anunciam é o “controle social dos meios de comunicação”. O que é exatamente a mesma coisa. Esse “controle” não vai ser exercido pelo Espírito Santo. Quem vai “controlar” são pessoas de carne e osso nomeadas pelo governo, e “controlar” significa decidir o que a mídia pode ou não pode publicar. Isso é censura, e o resto é conversa, sobretudo os desmentidos de que haverá censura. A partir daí, só fica pior. Falam em “fortalecer” a prodigiosa TV Brasil, que eles mesmos inventaram, consegue gastar 1 bilhão de reais por ano de dinheiro publico e até hoje tem audiência próxima de zero. Falam em dar concessões de tevês e de rádios para sindicatos, “coletivos” e “movimentos sociais” ─ e mais do mesmo.
Uma Ditadura (4)
O projeto do PT também inclui uma “Assembleia Constituinte” paralela ao Congresso, como se fez na Venezuela, para criar um novo regime político e social no país. O que será isso? Nada fica dito em português claro, mas nem é preciso, basta ouvir o que dizem todos os dias as lideranças do partido. Propõe-se orientação “política” para o ensino básico, a parceria com governos criminosos, como os da Venezuela e Nicarágua, e com ditaduras africanas, e um governo dos “povos do campo, das águas e das florestas”, seja lá o que isso for. Mais do que tudo, a candidatura do PT quer a volta dos governos Lula-Dilma, que acabam de ser acusados pelo ex-ministro Antonio Palocci (o nrº 3 do PT depois de Lula e José Dirceu, e que está preso) de gastarem 800 milhões de reais em dinheiro basicamente sujo para se manterem no poder na última campanha presidencial. Enfim, não é preciso mais nada…
Fonte: Revista Veja, 05/10/2018
Obrigado pelo resumo das propostas, a fazer crescer a vontade de ir ler a revista (espero que esse material esteja acessível na internet). Confesso que a ser um sumário correcto das propostas do PT, no sentido de não ser uma interpretação enviesada do programa (a da revista, não digo a sua), ainda me faz mais franzir o cenho face ao PT. Mas em nada adoça a visão escatológica (hiperbolicamente falando, claro) que tenho de Bolsonaro
É uma pena que o texto seja só para assinantes mas esta visão de Adolfo Mesquita Nunes parece-me fundamental, em contraposição com as reacções portuguesas ao fenómeno Bolsonaro provenientes (aparentemente, de facto) do mesmo espectro político-partidário
https://www.jornaldenegocios.pt/opi niao/colunistas/adolfo-mesquita-nunes/de talhe/rejeitar-bolsonaro
Que pena, mas é um texto exclusivo para assinantes Negócios Premium.
É uma pena. E é também estranho que após tantos dias o texto ainda não esteja acessível a todos, ainda para mais sendo da autoria de um político
E se ainda aqui alguém passar eis uma palestra interessante bem adequada sobre esta questão 0-1M
https://www.youtube.com/watch?v=8bX7EdK
Pesquisa IBOPE/Rede Globo/Jornal Estado S.Paulo divulgada hoje (17/Outº) junto ao eleitorado do maior e mais populoso estado brasileiro mostra que 63% dos paulistas declararam voto em Bolsonaro e 37% em Bolsonaro.
Pois, o homem está eleito. Terão que se aguentar
A “Cláudia Casarinni” não é aquele HOMEM que anda a escrever disparates a torto e a direito noutros blogs?
Não sei anónimo, apenas sei que a cada um o seu género, segundo a vontade própria E você anda por aí com que traje?
Gostei d resposta.
faz-se o que se pode para informar os visitantes
Caso WhatsApp revoluciona pensamento do PT (1)
A notícia de que empresários financiam ilegalmente o envio massivo de mensagens anti-PT via WhatsApp revolucionou o pensamento do Partido dos Trabalhadores sobre as prisões, as delações e o trabalho da imprensa. Em menos de 24 horas tudo o que o partido considerava como afronta ao Estado Democrático de Direito nos quatro anos e meio de duração da Lava Jato passou a ser legal, necessário e urgente.
Em sua primeira manifestação sobre o caso, o presidenciável petista Fernando Haddad disse que o rival Jair Bolsonaro “deixou rastro” que permite vinculá-lo ao esquema de difusão de mensagens. Implacável, Haddad defendeu o uso da prisão como meio de obtenção de confissões. Mesmo que disponha, por ora, apenas de uma notícia da “Folha de São Paulo”, jornal que o petismo incluía até ontem no rol da “mídia golpista”.
“Se você prender um empresário desses, ele vai fazer delação premiada”, declarou Haddad. ”Basta prender um empresário que vai ter delação premiada e vão entregar a quadrilha toda. Nós estamos falando de 20 a 30 empresários envolvidos nesse esquema. Se prender um, em menos de dez dias a gente vai ter a relação de todos os empresários que estão financiando com caixa dois uma campanha difamatória”.
No esquema do “Petrolão”, o PT condena as prisões mesmo quando são precedidas de meticulosos inquéritos. Em junho de 2015, a Executiva Nacional da legenda divulgou uma resolução para manifestar sua preocupação com as consequências do “prejulgamento de empresas acusadas no âmbito da Operação Lava-Jato.”
A manifestação do PT ocorreu cinco dias depois do encarceramento preventivo dos executivos das duas maiores empreiteiras do país: Marcelo Odebrecht, da empresa que leva o sobrenome de sua família, e Otávio Azevedo, da Construtora Andrade Gutierrez. Hoje, sabe-se que ambos estavam lambuzados com o óleo queimado da Petrobras até o último fio de cabelo.
No item de número quatro, o texto da resolução do PT desautoriza prisões como as que Haddad passou a defender: “Se o princípio de presunção de inocência é violado, se o espetáculo jurídico-político-midiático se sobrepõe à necessária produção de provas para inculpar previamente réus e indiciados; se as prisões preventivas sem fundamento se prolongam para constranger psicologicamente e induzir denúncias, tudo isso que se passa às vistas da cidadania, não é a corrupção que está sendo extirpada. É um Estado de exceção sendo gestado em afronta à Constituição e à democracia.”
Dias depois da divulgação da resolução petista, ainda em junho de 2015, a então presidente Dilma Rousseff torpedeou numa entrevista o instituto da delação premiada, incluído numa lei que ela própria havia sancionado. Um dos delatores da Lava Jato, o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, informara em depoimento que fizera repasses ilegais à campanha de Dilma à reeleição, em 2014. E ela: ”Não respeito delator, até porque estive presa na ditadura militar e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora (…) e garanto que resisti bravamente”.
Uma inversão radical, nestes dias? O habitual na política, infelizmente …
mas tenho que lhe (re)agradecer estas informações, que julgo preciosas para que cá de longe eu possa (e espero que ainda haja quem passe por este postal) ir compreendendo um pouco mais do que aí se passa
Não bastasse o ataque a um mecanismo que se revelou vital para o êxito do combate à corrupção, Dilma misturou democracia com ditadura. Deu de ombros para o fato de que a delação que sancionara, longe de assemelhar-se à tortura, é uma ferramenta que a legislação oferece à defesa dos encrencados. É uma oportunidade que o criminoso tem de trocar a confissão por benefícios penais.
No mês passado, o próprio Haddad foi denunciado pelo Ministério Público paulista com base numa delação do mesmo empreiteiro Ricardo Pessoa. Acusaram-no de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. De acordo com a denúncia, Haddad recebeu da UTC propina de R$ 2,6 milhões para pagamento de dívida contraída durante sua campanha à prefeitura de São Paulo, em 2012.
A exemplo de Dilma, Haddad desqualificou o delator. O adjetivo mais brando que utilizou foi “mentiroso”. Em nota, o comitê de campanha do PT esculachou também o Ministério Público: ”Surpreende que, no período eleitoral, uma narrativa do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sem qualquer prova, fundamente três ações propostas pelo Ministério Público de São Paulo contra o ex-prefeito e candidato a vice-presidente da República, Fernando Haddad”.
No episódio das mensagens de WhatsApp, cuja divulgação é atribuída a empresários a serviço de Bolsonaro, o PT é bem mais rigoroso. Trata o noticiário da ex-mídia golpista como elemento de prova: “Reportagem da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (18) confirma o que o PT vem denunciando ao longo do processo eleitoral: a campanha do deputado Jair Bolsonaro recebe financiamento ilegal e milionário de grandes empresas para manter uma indústria de mentiras na rede social WhatsApp”, escreveu o partido em texto veiculado no seu site.
Está em jogo agora, segundo o novo conceito do PT, “a sobrevivência do processo democrático.” A legenda tem razão. O surpreendente é que, no ano passado, o PT pediu e obteve no Tribunal Superior Eleitoral o arquivamento da denúncia de abuso de poder econômico praticado pela chapa Dilma Rousseff-Michel Temer na eleição de 2014.
O processo foi arquivado por excesso de provas. Por um placar apertado (4 votos a 3) os ministros do TSE decidiram enterrar evidências vivas de que a Odebrecht pagara com dinheiro sujo da Petrobras o marketing que moeu adversários do PT como Marina Silva e produziu o estelionato eleitoral que reconduziu Dilma e Temer ao Planalto.
Nessa época, o PT não via no financiamento ilegal de campanhas um risco ao “processo democrático”. Fraude mesmo, alardeou a legenda neste ano de 2018, é uma eleição sem Lula, um político preso que o PT tentou, sem sucesso, transformar em ”preso político”. Não é à toa que Jair Bolsonaro está prestes a ser eleito pela maior força política existente no país: o anti-petismo. Em matéria criminal, o PT é capaz de quase tudo, menos de oferecer algo que se pareça com um mea-culpa.
Caso WhatsApp revoluciona pensamento do PT (2)
Artigo do jornalista Josias de Souza no portal UOL Notícias
19/10/2018
LINK p/ Fonte: https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.b r/2018/10/19/caso-whatsapp-revoluciona-p ensamento-do-pt/
Obrigado, o que temos aí é o caso típico dos dois pesos e duas medidas.
Para além da solidariedade com o Brasil e, acima de tudo no meu caso, a preocupação com a gestão da floresta, isto tem um evidente aspecto generalizado, como a corrupção dos regimes democráticos os faz perigar.
Não sei se viu mas partilhei hoje aqui no blog um texto do FHC publicado no El País e este texto português de Jaime Nogueira Pinto, lá referência da direita https://www.dn.pt/edicao-do-dia/19-o ut-2018/interior/o-arauto-da-revolta-pop ular-10025458.html
Li, apreciei e agradeço-lhe pela indicação.
Leio diariamente os principais jornais on line brasileiros, e não só do eixo Rio-S.Paulo, assim como os principais portais de notícias (de várias tendências). Por isso, artigos e textos não me faltariam para postar aqui, mas seria um exagero se o fizesse. Contudo, alguns há que entendi que deveria fazê-lo para que ajudar a compreender mais adequadamente o presente momento desta campanha eleitoral.
Sinto-me gratificada por notar o seu interesse no assunto.
Fontes claro que existem, mas temos pouco acesso e, acima de tudo, elas estão muito enviesadas, tomando excessivamente partido
Ainda não li o artigo do FHC, mas o de Nogueira Pinto… eis a subversão oportunista das causas aos efeitos desejados!
E este é o verdadeiro perigo destas personagens: em nome da segurança, as gentes de países váris estão dispostas a abdicar de quase tudo – como escrevi antes, as consequências só surgem amanhã e a generalidade quer é chegar viva ao fim de hoje… É tão simples como isto – mas os JNP desta vida logo encontram nesta busca de segurança uma celebração de todas as outras “benesses”, que vindas por atacado são depois vendidas como verdadeiros anseios. Um pouco como “os copos do Juá” – compravam pelo copo, mas o Juá era o detergente mais vendido….
Será o que vai acontecer? Temo que sim. Em troca da segurança abdicarão de vários outros valores. Infelizmente não confio nas instituições brasileiras para equilibrarem os pratos da balança – outras bem mais sólidas não conseguem equilibrar comportamentos erráticos nos EUA, duvido de auto-equilíbrios no caldo fervente sul-americano.
E Jaime Nogueira Pinto preparou já o caminho para na eleição de Bolsonaro elogiar os “factores que, pela positiva, o favorecem: a afirmação da nação e do seu valor central na equação política e a campanha cultural pelos valores religiosos e familiares”. Assim, despudoradamente. O discurso à medida do orador.
Entretanto, chateia assistir ao jogo de vólei “se Bolsonaro ganhar a culpa é da Esquerda” – caramba, ninguém assume incapacidade em dar melhor resposta?!
Bem, sobre isso do “se o Bolsonaro ganhar a culpa é da esquerda” é o tema (um dos temas, pelo menos) do postal. Que resmunga contra essa posição.
Quanto ao que diz do texto do Nogueira Pinto não estou de acordo nessa leitura. Que vejo expressa por vários, mais no FB. As pessoas criticam-no, de facto, por não ser uma deúncia de Bolsonaro (ainda que não seja elogioso da personagem). Mas de facto ele tem razão em muito do que afirma – no seu discurso muito pobre Bolsonaro faz apelos a alguns valores (grosso modo Deus, Patria, Família – e Autoridade), que são apelativos para muitos, seja conjunturalmente (principalmente em tempos de crise económica e social) seja estruturalmente (em meios culturalmente conservadores). E Nogueira Pinto valoriza esses valores, cultua-os. E refere que Bolsonaro é inserível (na sua grosseria) no momento internacional de recuperação em vários contextos sociológicos desses valores. É lapidável esta posição, esta análise? Acho que nada mesmo
A minha crítica não é pela denúncia pouco clara ou inexistente; é pelo aproveitamente, pela colagem que faz a esse valores – porque, jpt, a leitura que faço do que se passa no Brasil é, cada vez mais crua, apenas uma: uma muito grossa fatia dos votantes em Bolsonaro não vota as políticas de Bolsonaro, vota apenas e só contra o PT e quaisquer possíveis associações ao PT.
A leitura de JNP é, aos meus olhos, não apenas desmontável como oportunista.
Caramba, quantos apoiantes no Brasil lhe ouve/vê/lê defenderem as políticas? Veja as faixas nas manifestações de apoio, as frases de exaltação, os cabeçalhos a favor: “Bolsonaro sim, PT nunca mais”. Tudo se resume a isto. Ler aqui a recuperação dos valores tradicionais exige demasiados volteios e piruetas.
V. está a utilizar o bisturi para entender o sentido dos votos, segundo os seus “interesses”. Sim, diz que o voto é contra o PT e não segundo os valores mais conservadores propalados pelo Bolsonaro. E depois, ou antes, diz que não vale considerar o voto em Bolsonaro como culpa da esquerda, do PT, que as pessoas votam por outras razões. Não é que tenha que se decidir, pois isto não é uma banca na praça, com outros clientes atrás já impacientes. Mas é óbvio que há uma incongruência – talvez potenciada por esse gauchisme aziago no Nogueira Pinto
Algures o fio quebrou-se: considerarem que votar em Bolsonaro é “culpa da esquerda” é falho, pois (e afirmo-o claramente) enquanto a esquerda teve falhas profundas e notórias, a direita moderada também não se conseguiu descolar e apresentar alternativas – a “culpa” é da incapacidade do sistema partidário se renovar ou, pelo menos, se revestir de credibilidade.
Ainda pensei, sim, que quisessem Bolsonaro pelas suas políticas, e enquanto assim foi abstive-me de comentar – mas ao longo dos meses o único argumento pró-Bolsonaro que li/ouvi foi mesmo “PT nunca mais”, com excepção do comunicado emitido ontem pelo Episcopado brasileiro que, não sendo uma indicação nítida de voto, apela aos valores Ordem e Família.
Entrei no debate Bolsonaro recentemente por isso mesmo – o voto útil sempre me deixou desconfortável por o entender pouco democrático, “votar em fulano para evitar outro” parece-me pouco quando é suposto votarmos políticas e não políticos; mas o voto útil é relativamente inócuo quando os políticos não têm discursos radicais, sejam ou não nos sejam simpáticos. Não é o caso.
Não concordo com JNP politicamente, sem margem para dúvida; mas isso não impede reconhecer-lhe argumentos válidos na defesa das suas políticas, e como exemplo recente recordo o caso dos alunos que queriam organizar um seminário na Nova e que muitos consideraram ofensivo (fui mesmo apelidada de fascista por defender o direito de organizarem o que bem entendiam). Mas também não é o caso; e não terei pejo em me retractar e refazer a minha leitura se JNP, o jpt ou alguém me apresentar indícios de estarem os eleitores de Bolsonaro a votar as políticas de Bolsonaro e não a rejeitar o PT e quaisquer possíveis associações com este.
Bem, o postal que escrevi é no sentido que avança no primeiro parágrafo. O que notei é a incongruência relativa dos seus argumentos. Sim, Bolsonaro não é apenas o fruto do falhanço da esquerda mas da incapacidade do centro, direita e esquerda moderada avançarem novas práticas políticas e modelos não revolucionários de organização política. Mas é também o falhanço económico, político e sociocultural da esquerda revolucionária (vi umas declarações de um rapper de ontem ou anteontem num comício de Haddad, diante dele, a bater forte e feio, nesse sentido).
Quanto ao resto – o povo não vota nas propostas políticas de Bolsonaro? Eu não lhe posso provar nem o sim nem o não, e não sei se Nogueira Pinto o poderá. Mas então vota em quê? Contra o PT (mas então a “culpa” de Bolsonaro é da esquerda, o que V. nega)? Ou vota contra o PT e num conjunto de propostas e dichotes que ele vai avançando? Ou o povo (as massas) é alienado (bruto) e vota desconhecendo do porquê? (típica resolução da esquerda radical quando o povo nela não vota)
Penso que incongruência seria eu defender que o PT não tinha culpa e afirmar que votavam contra o PT.
Uso as palavras pelo valor que têm: “a culpa não é do PT” difere de “o PT não tem culpa” – nunca jpt nem ninguém me ouviu/leu não ter o PT responsabilidade e culpa. Uma grossa fatia de ambas. Mas não é o único culpado – o artigo definido faz toda a diferença, jpt.
Luís Menezes Leitão dizia num postal que Haddad deveria desistir a favor de Ciro. O Centro e as Esquerda e Direita moderadas não se conseguiram reinventar nem distanciar… se o tivessem logrado, Ciro ou Alkmin teriam sido os mais votado.
Mas Ciro e Alkmin têm sido activos na política, têm feito parte do tabuleiro onde jogou o PT – o que os coloca sob o manto, justo ou injusto, da desconfiança sentida pelos eleitores perante a corrupção transversal.
Queimados por proximidade à exposição, mesmo que isentos de culpa.
E foi isto que à Direita não viram. Bolsonaro percebeu-o muito bem – um político inactivamente na política há anos, num partido que nunca teve grande expressão, e ei-lo no topo. De cara limpa, caído de nenhures, com chavões fascistas a que os cansados esperançadamente chamam “exageros de campanha” e “falta de jeito”.
O PT tem muita culpa. Muita culpa, muita responsabilidade e muito pouca auto-consciência. Mas “a culpa não é do PT”, como clamam os tais outros que nada conseguiram e também eles aparentemente incapazes de perceber a dinâmica que os ultrapassou.
Não me parece que o povo seja bruto – o povo ouve o que tem capacidade para ouvir, e o cansaço e o medo condicionam a audição. Tanto, que os argumentos que se ouvem são “PT não” – o farol, o canto mavioso, a luz no túnel. Nada mais se ouve após este argumento, como se tudo o mais fosse de somenos e por isso não valesse a pena reter.
Só que os piratas acendiam fogueiras nas praias de recifes, as sereias cantavam dulcemente e a luz no túnel é geralmente um comboio.
Como disse antes, falo pelo que ouço e leio, e a entrevista de que lhe dei nota foi “mais uma”.
Não conheço o sentir de cada um dos eleitores; e como bem diz, nem jpt nem JNP podem provar em que votam os eleitores, tal como eu não o posso. Baseio a minha leitura no que vejo e leio das manifestações e apoiantes de Bolsonaro – dito e escrito por eles. Acredite que preferia a versão de JNP – teriam um fascista ao leme, mas seria por quererem o fascismo e não por não quererem corrupção e insegurança.
Sobre o povo alienado, espero que estes sejam os únicos exemplares.
https://magg.pt/2018/10/21/inventam os-a-tendencia-spinders-e-dissemos-que-f oi-lancada-pelo-designer-jair-bolsonaro-v eja-as-reacoes/
Isto está uma delícia Ainda que me custe sempre esta tendência televisiva de gozar com a ignorância alheia esta mania arrivista de estar na onda, pontapeada desta forma, é brilhante Espero que sirva de lição aos jovens, a inteligência é ignorante, a estupidez é sábia
Também me sinto sempre dividida com estes inquéritos, mas quando os inquiridores são maliciosos no inquérito mas não na inquirição e análise, acabo por sucumbir ao aspecto pedagógico. A dúvida sobre a edição dos resultados (qual a amostragem? quantos não foram publicados por serem correctos e não terem interesse lúdico?… …) faz com que não se possa considerar o exercício como amostra da sociedade, embora haja uma muito elevadenorme fatia de internautas que assim o entenda, neste ou noutros. Mas é exactamente como diz, serve de lição. Resta saber se a percebem quando a vêem.
Sintonizei há minutos a TSF. Entrevista-se uma bolsonarista.
Disse “ah, ele pensa como eu estou dizendo, mas não o sabe dizer, precisa aprender a moderar a linguagem” e “ah, ele disse isso (sobre prender os “vermelhos”) mas foi retórica, ele não pensa isso”…
O resto tem sido “o PT fez, eles disseram, eles roubaram”.
Percebi agora que quem fala é candidata a alguma coisa por São Paulo.
Há essa crença, que julgo também ser esperança, a de que Bolsonaro náo seja exactamente como diz, uma espécie de infantilização do indivíduo, que aquilo é boca para fora … que amadurecerá, que isto é demagogia para ganhar votos e depois amansará. Será bom se assim for. Mas duvido imenso. Aquilo vale pelo valor facial … Quem vê aquela cara vê o coração.
O meu receio pelos brasileiros é, exactamente, esse – esta entrevista é apenas uma das várias que li/ouvi e que confirmam que votam Bolsonaro não pelas políticas mas pelo anti-petismo.
Isso é óbvio: o que demonstra a enorme responsabilidade de esquerda (socialista-comunista) brasileira neste processo. E demonstra também, como hipótese, que as propostas de Bolsonaro, mais ou menos “telúricas”, surgiram aos eleitores como a melhor resposta ao actual estado das coisas, comparativamente às propostas da míriade de candidaturas opostas ao proposto pelo PT. Não há muito como sair desta formulação, a não se que se defina aprioristicamente que as pessoas votam Bolsonaro apesar dele próprio, pelo menos na primeira volta (46 por cento de 80 por cento de votantes). Honestamente dizer isso é um negacionismo do apelo que a “linha dura” verbalizada pelo fascista colhe neste momento.
Não sou negacionista, jpt, como poderá constatar nos meus postais e comentários a propósito da vinda da Le Pen à WebSummit, e repito que (embora muito triste e apreensivamente) não me manifestaria tanto sobre as eleições do Brasil se visse, como vi nos EUA ou pela Europa, apoio explícito às políticas. Não digo que não exista pelo Brasil quem suspire pelas políticas, e até poderá ser a generalidade dos votantes em Bolsonaro – mas não é o que evidenciam, não é o que escrevem, não é o que frisam ou abordam nas entrevistas e manifestos.
A minha leitura não olha a resultados eleitorais com gráficos e historiais, nem rebusca explicações em movimentos e psicologias de massas ou nas recusas de Bolsonaro em participar em debates; é empírica, resulta da observação possível a esta distância e tendo fontes distintas mas na primeira pessoa – entrevistas e manifestos aventados em canais vários. Terei azar e não encontro os outros que me demonstrarão o erro da minha leitura? Se assim for, e não coloco de lado a hipótese, não me está a ser fácil encontrá-los.
Desculpe mas é o discurso habitual da esquerda. Se as massas votam “mal” é porque estão obscurecidas ou votam reactivamente (um pouco a mesma coisa) Se as massas votam “bem” foram esclarecidas ou iluminadas (pelo partido-vanguarda ou seu avatar)
Bom, poderá ser esse o discurso habitual de alguém ou até de muitos alguéns, mas meu não é certamente.
Defendo que, bem ou mal informada, cada pessoa votará de acordo com os seus desejos e o seu entendimento. É esse o princípio da Democracia, e se as pessoas estão mal informadas será sobre os seus direitos e deveres enquanto cidadãos, e contra isso Educação, Formação, Discussão.
Sobre as Presidenciais 2018 no Brasil, e di-lo-ei até me mostrarem exemplos que contrariem o que digo, as pessoas vão votar o não desejo do PT. Legítimo e justificado? Certamente. Válido como voto? Inteiramente. Leviano? Nem por sombras. Consequente e consentâneo com o governo que desejam? Duvido que para a maioria dos votantes.
“Me disseram porém
Que viesse aqui
P’ra pedir de romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar”
Não é considerá-los pouco esclarecidos, é considerá-los exaustos.
Assim concordo, e não só por causa da memória da verdadeira Rainha que aqui me provocou
Obrigada por perceber o meu ponto de vista, por me perceber.
Oxalá esta nossa conversa acabe por se mostrar desadequada.
Nada desadequada – de facto “conversas desadequadas” é a ideia dominante no bolsonarismo (que nos trouxe até aqui) – lulismo ( e nos castrismos ainda mais radicais), que escrutinam as conversas segundo a “correcção” moral dos princípios
Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) mostra as razões pelas quais eleitores justificam a intenção de voto em Jair Bolsonaro (PSL) e em Fernando Haddad (PT) no 2º turno das eleições presidenciais. O levantamento considerou as respostas espontâneas e múltiplas para a pergunta “Por quais motivos você pretende votar em… Por quais outras razões? Como assim?”.
Abaixo, veja os números:
Razões pelas quais votaria em Jair Bolsonaro
Renovação/alternância/ mudança/um candidato novo/candidato que nunca foi presidente/ tentar outro – 30%
Porque rejeita o PT – 30%
Pelas propostas para segurança – 17%
Imagem e valores pessoais – 13%
Tem as melhores propostas/ plano de governo – 12%
Combate à corrupção/impunidade – 10%
Porque rejeita Haddad – 5%
Experiência e capacidade para governar – 5%
Pelas proposta para educação – 5%
Pelas proposta para saúde – 5%
Melhor para o Brasil/Querer o melhor/Melhorar o Brasil/Para o desenvolvimento do Brasil – 5%
Esperança de melhorias/ otimismo – 1%
Por ele ser contra/ ter fim a ideologia de gênero/ homossexuais – 1%
Família toda vota no candidato/ família quer que vote no candidato/ marido/ esposa vai votar nele/ amigos – 1%
Outras respostas – 11%
Não sabe – 1%
Nenhuma razão específica – 1%
Razões pelas quais votaria em Fernando Haddad
Porque rejeita Bolsonaro – 20%
Por causa do Lula – 20%
Tem as melhores propostas/ plano de governo – 15%
Por ideologias do partido – 13%
Experiência e capacidade para governar – 11%
magem e valores pessoais – 7%
Governo voltado para o povo/ pobres/ pensa mais na população pobre – 6%
Pelas propostas para educação – 6%
É o menos ruim/ pior/ falta de opção – 4%
Pelas propostas para gerar empregos – 4%
Melhor para o Brasil/Querer o melhor/melhorar o Brasil/Para o desenvolvimento do Brasil – 3%
Pela democracia/ democracia s/esp. – 2%
Pelas propostas para segurança – 2%
Pelas propostas da área econômica – 1%
Por ser contra o fascismo/ ditadura/ ter medo do fascismo – 1%
Outras respostas – 10%
Não sabe – 3%
Nenhuma razão específica – 2%
Recusa/ não respondeu – 1%
E o texto do FHC, caso não o tenha apanhado que vem um pouco na sequência do que aqui transcreve, isso de poucos dos apoiantes do PT expressarem a sua intenção de voto devido ao medo do fascismo ou ditadura/ https://elpais.com/elpais/2018/10/18/op inion/1539880016_293081.html?id_externo_ rsoc=FB_CC
Tentei mas não consegui chegar no texto do FHC. Por gentileza, poderia indicar-me o link? Grata.
Está aqui https://elpais.com/elpais/2018/10/18/op inion/1539880016_293081.html?id_externo_ rsoc=FB_CC
Obrigada.
E esta é uma entrevista publicada hoje com o meu escritor de eleição. undo/noticia/reclusao-raduan-nassar-acab a-onde-comeca-fascismo-1848354?fbclid=Iw AR2Htiq-v3NLs8t9zCyurYB_9XSgzc-pXboaHXrv NDhbNNJ-h0nwg-RGef8
https://www.publico.pt/2018/10/22/m
Um bom texto aqui sobre os candidatos a vice-presidentes. Tantos textos e ainda nada lera e nada atentara sobre eles. Está bonito, um general “faca na liga”, obviamente fascista, secundando Bolsonaro, uma jovem comunista na lista PT; Ou seja, confrontos radicalizadíssimos https://observador.pt/especiais/polemic os-desbocados-e-ainda-mais-extremos-que-b olsonaro-e-haddad-quem-sao-os-vices-dos-c andidatos/
a Operação Lava Jato
A Operação Lava Jato é a maior e mais bem sucedida operação de combate à corrupção no Brasil – quiçá a nível mundial -, realizada pela Polícia Federal do Estado do Paraná em conjunto com uma Força-Tarefa do Ministério Público Federal de Curitiba, e que só conseguiu desenvolver-se – enfrentando todo um conjunto de manobras por parte das forças políticas envolvidas nas investigações – graças à atuação imparcial e determinada do juiz federal Sérgio Moro, titular da 13ª Vara da Justiça Criminal de Curitiba, que resultou em desvendar o intrincado esquema nacional e internacional de corrupção, lavagem de dinheiro e pagamento de propinas feito por um cartel formado por 1 dúzia das maiores construtoras e empreiteiras brasileiras que pagaram propinas milionárias a 28 dos 35 partidos políticos brasileiros, centenas de parlamentares e executivos das maiores empresas estatais brasileiras, especialmente da Petrobras, BR Distribuidora, Transpetro e Eletrobras e Eletronuclear.
Seguem alguns números
(dados até julho/2017, e a Operação continua…):
60.000 milhões de reais foi o valor pago envolvendo propinas, ressarcimentos, multas, repatriações e bloqueio de bens;
4.220 policiais federais foram envolvidos ao longo das suas várias fases;
4.375 provas materiais foram apreendidas e periciadas pela Polícia Federal;
1.765 processos criminais foram instaurados;
840 mandados de busca e apreensão foram executados;
207 prisões foram realizadas;
158 delações premiadas;
450 autoridades e políticos com Foro Privilegiado foram indiciados, dos quais 66 se tornaram réus.
167 condenações;
1.564 anos em penas aplicadas pelo juiz Sérgio Moro;
178 inquéritos instaurados no STF;
2.500.000 de assinaturas foram colectadas pedindo a aprovação de uma lista com 10 medidas anti-corrupção elaborada pelo Ministério Público Federal, as quais foram ignoradas pelo Congresso Nacional.
A ONU declarou que o Brasil perde anualmente 200.000 milhões de reais por conta de múltiplos esquemas de corrupção.
Durante um simpósio, o ministro do STF Luís Roberto Barroso declarou que “a fotografia do presente momento pode dar a impressão de que o crime compensa. Mas está ficando cada vez mais claro que esta é uma visão enganadora. O Brasil já mudou e nada mais voltará a ser como era antes”.
Impressionante. Ainda assim a ideia que passa é a de que a corrupção do sistema político se centra quase exclusivamente no PT, decerto pela mediatização da prisão de Lula da Silva
O ‘queijo’, digamos assim, estava nas mãos de quem ocupava o poder (Lula), que também tinha a faca. Por isso decidia quem e como poderia dividi-lo. Mas o principal do propinoduto destinou-se ao PT e aos seus quadros superiores, a maioria destacada para ocupar cargos públicos.
O ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, relator do escândalo do Mensalão, enquadrou Lula como chefe da organização criminosa, o mesmo acontecendo com o líder da Força Tarefa da Operação Lava Jato do MPF, Deltan Dellagnol, em relação ao assalto à Petrobras.
E, nos dois casos, as acusações foram transmitidas ao vivo pela mídia brasileira e pelos correspondentes estrangeiros.
Reconhecidamente Dilma, além de ser intelectualmente confusa, não estava preparada para ocupar a presidência e não tinha experiência para tanto, mas foi escolhida por Lula para sucedê-lo, tal como acontece nestas eleições com o Haddad, que é o seu “representante”, já que a justiça eleitoral classificou-o de inelegível por 8 anos. Nos dois casos, a sua intenção, claro, era a de ser ele a manter o comando do governo.
Rapidamente Dilma tornou-se conhecida por demonstrar a todo o momento uma personalidade excessivamente forte e por ser muito autoritária e desagradável (ofensas, gritos e palavrões eram uma constante no seu dia-a-dia) no trato com os ministros, assessores e parlamentares.
No seu 1º governo ela seguiu todas as ordens/orientações de Lula, mas no 2º rebelou-se recudando-se a obedecer-lhe e até a ceder-lhe os palanques. Bateu o pé de um jeito que conseguiu recandidatar-se, “fazendo o diabo” para ganhar a eleição de 2014. A consequência mais desastrosa desta teimosia (por aqui acreditamos que ela tenha feito isto apenas por vaidade pessoal e não por ganância de poder) foi ter virado de pernas para o ar a economia do país, o que gerou a volta à situação de miséria de 13 das 20 milhões de pessoas que tinham sido beneficiadas por Lula, e de criar um desemprego recorde que atingiu 14 milhões de postos de trabalho formais.
O único ponto que se mostrou positivo nela foi em relação aos indícios de favorecimento no esquemas das propinas. Realmente parece que ela não se deixou corromper, ainda que tendo compactuado com quem se deixava e que ocupava cargos-chave nas estatais saqueadas.
Os megas esquemas de corrupção foram idealizados por Lula e José Dirceu, com a ajuda posterior de António Palocci, hoje todos presos, dentro de um projeto que garantisse que o PT governasse por, pelo menos, 2 décadas consecutivas.
Essa gente deixou correr tudo até ao tutano. O problema, e repito-me até à exaustão, é o do doente morrer da cura …
“hoje todos presos”…
Exactamente…
E os meus compatriotas preocupados com a democracia no Brasil.
Este texto foi-me inspirado pelo que aqui li:
https://passaparedes.blogspot.com/2018/1 0/ele-sim-se-os-brasileiros-assim.html
Vim aqui rever o estado de espírito do senhor jpt que decidiu que eu sou fascista já nem sei porquê, mas desconfio que foi por não concordar com as palermices que ele escreveu.
Fico grato pelo seu cuidado. O estado de espírito não vai nada mal, felizmente. Isto desde que me deixem escrever as minhas palermices, mesmo que não as leiam, não enquista e reduz o desconforto
Mas diante dessa situaçáo, apocalíptica quase, a opção por saídas autocráticas como Bolsonaro sempre defendeu, é o caso típico do pior a emenda do que o soneto. Isto é uma verdade incontornável:
https://www.facebook.com/enioverri/vide os/1150165095113565/?fref=mentions&__xts__[0]=68.ARDpt-pMpmfB4AWz9SV_IRPSJn jAuBjHIAFUyZIMIJf8bwi93UkssAjnRW8mQgaZ8K vFgqhWGqG1qjqTNHF_-S2UK6CUnL8w_mLaTOW9Oi Osy2ny1K2mfLXfPLz74npmwvJCqhTVd7IjaPJZag FetpsedvbrF3ldRuWwhXwlvfCVB3PAXjk1htZQ-8 yzt6XSjnaeGBU4fk_egyQ_bs0aJCBotj-mtXkPAs 6K62L_aQ&__tn__=K-R
https://www.facebook.com/jornalistasliv res/videos/193443538215445/?__tn__=kCH-R&eid=ARCi4jwXcAF-rd2pJYDEBVgivmqi_wVA2Qiy w8gmdRkeJCyxrA_toKiZiSBRE-uAyUEHyzw64MBh Haei&hc_ref=ARTLyfFxU5Gzx1sHN-_qTMQnhlmC-GnK2 GzxF0k-goknMlXIv5Wu7MKd4x6R9s-Bh4g&fref=nf&__xts__[0]=68.ARAwo7RYPQOcMs06WhjzwnfbTI 0zx5j7ZYK70kencCXkdN-OmcyB1jHKxojEZBb8_q eZrx2swm2qYOLe2MNFhtBiy6waM1aAcLwEbkkJlA mUG0wKgSi8-T1fh6IAYENDdUK_LIl9t3VAKd3y7B AZ_BSfR1wKxeogRCqDa_GlAuBUwTgEFdsv7xEvi-y bju0kFsoe04SfDHd4KXttIgCB29ILrbBYknhxBtd JoxIeBg
Aqui no Brasil é do conhecimento geral que tudo o que o Lula possui está em nome de laranjas. E isto é coisa que vem desde sempre:
Em dezembro de 1989, poucos dias após a eleição que elegeu Collor, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP),almoçava no restaurante Piantella, em Brasília, quando entrou a cantora Fafá de Belém, amiga de Lula, que passara ao lado dele o domingo da sua derrota para Collor.
“Como vai Lula?”, perguntou Ulysses.
“Lula ficou muito chateado, mas começamos a beber e a comer, aí os meninos foram para a piscina e ele acabou por relaxar”.
“Mas tem piscina na casa de Lula?”
“Tem, mas a casa é de um amigo dele, o Roberto Teixeira”.
Depois Ulysses comentou com os amigos: “O mal de Lula é que ele sempre gostou de viver de favores”.
Essa é deliciosa, nós cá também temos um tipo com queda para ter bons amigos, que lhe emprestam casas e dinheiro …
Conclusão: estudaram na mesma escola. rss
e são muito amigos, basta ver isto https://sicnoticias.sapo.pt/pais/2013-1 0-24-Socrates-lanca-livro-sobre-tortura-c om-prefacio-de-Lula-da-Silva
BOLSONARO E O AGRONEGÓCIO
Segundo Bolsonaro, os agricultores querem “segurança jurídica para A terra”. O candidato criticou as demarcações indiscriminadas de terras indígenas e as constantes invasões de fazendas.
“Eles querem uma segurança jurídica para a sua terra. Você não pode acordar hoje e de repente tomar conhecimento pelo jornal que a sua fazenda vai ser demarcada como terra indígena. Você não pode ter a sua fazenda invadida e ser obrigado a entrar com uma ação de integração de posse, e de acordo com o perfil político-ideológico do governador daquele estado ele decide não cumprir com a reintegração de posse”, afirmou.
Ele disse que, se eleito, apresentará propostas através de projetos de lei para dar “paz ao homem do campo” para que ele aumente a produtividade.
“No que depender de mim, as ações do MST (Movimento dos Sem Terras coordenado pelo PSOL, o partido ultrarradical da esquerda) serão tipificadas como terrorismo. Esse pessoal não pode continuar a levar o terror ao campo e ficar imune em nome do movimento social”, afirmou.
MAis uma vez, não tenho conhecimentos sobre essa situação. E a questão da terra parece-me a mais denotativa do pendor ideológico e social do candidato – notoriamente tem sido a menos referida na oposição a Bolsonaro aqui na Europa. Julgo que virá na sequência dos ataques à corporação dos antropólogos, meus colegas, ditos viciosos por defenderem a demarcação de terra para as comunidades ameríndias. E julgo que será o ponto mais negro desta candidatura, até irremediável nos danos, dado o suporte aos vorazes apetites sobre a floresta amazónica
“Raposa Serra do Sol” é uma área de Terra Indígena situada no nordeste do estado brasileiro de Roraima, junto à fronteira com a Venezuela. É destinada à posse permanente dos grupos indígenas ingaricós, macuxis, patamonas, taurepangues e uapixanas.
Mais da metade da área é constituída por vegetação de Cerrado, denominada regionalmente de “lavrado”. A porção montanhosa culmina com o monte Roraima, em cujo topo se encontra a tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela. É uma das maiores Terras Indígenas do país, com 1.743.089 hectares e 1.000 km de perímetro.
Atualmente o Brasil tem cerca de 600 terras indígenas, que abrigam 227 povos, abrigando aproximadamente meio milhão de pessoas. Estas terras representam 13% do território nacional, ou seja, 109.600.000 hectares. A maior parte das Terras Indígenas – 108.000.000 de hectares – está na chamada “Amazônia Legal”, que abrange os estados de Tocantins, Mato Grosso, Maranhão, Roraima, Rondônia, Pará, Amapá, Acre e Amazonas. Quase 30% do território amazônico é ocupado hoje por Terras Indígenas, sendo que 46,37% do estado de Roraima corresponde a estas áreas.
A “Raposa Terra do Sol” foi identificada em 1993 pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), tendo sido demarcada durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso. Foi homologada em 2005 pelo seu sucessor, Luís Inácio Lula da Silva, que triplicou o tamanho da área inicialmente prevista. É formada por imensas planícies, semelhantes às das regiões de Cerrado, e por cadeias de montanhas. Nos seus limites, encontram-se o monte Roraima, ponto culminante do Estado – a origem do seu nome – e uma das montanhas mais altas do Brasil, e o Monte Caburaí, onde fica a nascente do rio Ailã, ponto extremo norte do país. Na área, vivem cerca de 20.000 índios, a maioria deles da etnia macuxi.
Assim, apenas 20.000 indígenas ocupam uma área maior que metade de Portugal.
Bolsonaro não se mostrou a favor de acabar com as Terras Indígenas, ou Reservas. Demonstrou-se favorável, sim, a criar critérios mais razoáveis para determinar as suas dimensões.
Tenho muitas dúvidas que seja esse o fito. Lamento mas aqui torço mesmo o nariz. Mais que não seja porque o desmatar tem continuado de forma implacável durante décadas e a questão é universal. A mim pouco me interessam se estão muitos ou poucos habitantes – temos que nos libertar deste homocentrismo (antropocentrismo). Mas acredito que tudo vai levar uma grande volta nestes próximos anos.
a surpreendente resiliência do PT – 1
Engana-se quem acredita que a derrota de Fernando Haddad no próximo domingo representará o fim do PT. Apesar da provável derrota, o partido que protagonizou os maiores escândalos de corrupção na história, e ainda foi responsável pela maior recessão em décadas, emergirá das urnas inteiro, como a maior força da oposição.
A resiliência petista é resultado da estratégia adotada desde o início da campanha eleitoral pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Da cadeia, em Curitiba, Lula manobrou para adiar quanto pôde o lançamento da candidatura Haddad, preferindo perder para Jair Bolsonaro a deixar emergir na campanha outro candidato anti-petista com chance de derrotar o partido.
Mesmo que não resultasse em vitória na eleição presidencial, Lula sabia que tal estratégia era essencial para manter os petistas na liderança da esquerda. Com o desmoronamento do PSDB e do MDB nas urnas, a polarização na campanha fez do PT o centro natural das forças políticas que se aglutinarão na oposição a um eventual governo Bolsonaro.
As fabulações petistas, a insistência em chamar a deposição de Dilma Rousseff de “golpe”, a narrativa que desvaloriza a Operação Lava Jato. que questiona a imparcialidade do juiz Sérgio Moro e que considera a prisão de Lula uma perseguição política cederam lugar na campanha de Haddad ao discurso de defesa da democracia e de combate ao risco autoritário atribuído a Bolsonaro.
A metamorfose do partido das bandeiras vermelhas em esteio da social-democracia não foi convincente para a maioria do eleitorado, mas serviu para atrair parte dos eleitores de centro para o PT. Haddad obteve 31 milhões de votos no 1º e no 2º deverá atingir um patamar de pelo menos 43 milhões de eleitores.
É uma quantidade nada desprezível de brasileiros, que Bolsonaro não poderá qualificar simplesmente como “esquerdistas”, “comunistas” ou “petralhada”. Sobretudo, não é pouco para um partido que nas eleições municipais de 2016, encolhera 61%, somara apenas 6,8 milhões de votos e cuja votação caíra 10 pontos percentuais, voltando ao tamanho da era pré-Lula (6,7% dos votos válidos).
Na eleição para o Parlamento, o PT encolheu muito menos do que os seus adversários esperavam ou desejavam. Na Câmara, perdeu 5 cadeiras, mas é a maior bancada, com 56 deputados, contra 52 do PSL de Bolsonaro. Obteve 25% menos votos do que em 2014 – 10,1 milhões, ante 13,6 milhões. Mas essa foi a menor queda entre os grandes partidos: o MDB caiu quase 50% e o PSDB, 47%. No Senado, o PT perdeu 7 cadeiras. A sua representação encolheu para 6 senadores, mas ainda é a 4ª maior bancada. Está ao lado do DEM, atrás de MDB, PSDB e PSD, mas à frente do PSL, que tem 4.
a surpreendente resiliência do PT – 2
A bancada petista ainda poderá sofrer uma transfusão de alguns deputados de partidos de esquerda que não atingiram a votação mínima exigida pela “cláusula de barreira”, em especial do PCdoB, aliado na chapa presidencial que elegeu 9 deputados. Mesmo que não mantenha o maior tamanho, diante do crescimento do PSL de Bolsonaro, será com certeza o maior partido da oposição na Câmara.
Embora tenha perdido várias disputas para governos estaduais, a mais importante delas em Minas Gerais, o PT elegeu os governadores da Bahia, do Ceará e do Piauí. Os seus aliados venceram no Maranhão, em Alagoas, na Paraíba e em Pernambuco. No 2º turno, PT ou aliados têm chances no Rio Grande do Norte, Amapá e Sergipe. Qualquer que seja o resultado, tal quadro manterá a força regional sobre o Nordeste nas mãos do lulismo, de modo que será impossível para o governo Bolsonaro desprezá-la.
Mesmo que tenha sido vítima do WhatsApp nesta campanha, o PT continua a ser o partido político que tem maior número de filiados, capilaridade mais extensa e maior presença em sindicatos, associações de bairro ou organizações da sociedade civil. A história política recente do Brasil, para empregar a imagem dos cientistas políticos César Zucco e David Samuels, pode ser narrada como o embate entre petistas e anti-petistas.
Quem se lembra do governo Fernando Henrique Cardoso, ou, mais recentemente, da atuação do PT e dos seus aliados contra a reforma da Previdência, sabe bem como a oposição petista pode incomodar e obstruir projetos do governo. Não apenas no Parlamento, mas também com manifestações, protestos e denúncias plantadas sob medida na imprensa para prejudicar os seus adversários.
Bolsonaro provavelmente terá algum tipo de maioria operacional no Congresso, que lhe trará vitórias no início do governo. Mas o mercado, que aposta num “rolo compressor” capaz de aprovar reformas e privatizações em passo veloz, deveria parar para refazer as suas contas.
A próxima segunda-feira poderá trazer um certo clima de velório para o PT e para a esquerda, mas a partir do início do ano que vem é provável que o partido repita a frase atribuída a Mark Twain ao se deparar com o próprio obituário: “Os relatos sobre minha morte têm sido muito exagerados”.
Artigo do jornalista Hélio Gurovitz no Portal G1 – 24/10/2018
Parece-me um bocado uma teoria conspiratória, botada a posteriori, isso de que o PT e Lula preferiram uma estratégia perdedora no curto prazo para segurarem a influência determinante no futuro, susterem a sangria de apoio popular, que é um bocado a tese implícita do texto. Mas sim, a crispação terrível desta campanha terá levado à bipolarização tendencial e assim à resiliencia eleitoral do PT, malgré tout
Mas, por outro lado, desfeito este processo eleitoral, e o elan anti-Bolsonaro que poderá ter favorecido o resultado final do PT, como será a reacção face ao PT daqueles que, de modo mais ou menos militante, nele votaram agora. Quantos se afastarão voltando aos seus “partidos de origem”, ou de simpatia anterior, e/ou invectivando e responsabilizando o PT e Lula por terem aberto o caminho a uma política vincadamente oposta como a de Bolsonaro? Ou seja, os pressupostos “maquiavélicos” que o jornalista anuncia parecem-me muito frágeis
Penso ser cedo para saber como irão comportar-se os que se afastaram dos seus “partidos de origem” para votar no Bolsonaro na tentativa de impedir a vitória do PT.
Da minha parte, ou mantenho o apoio ao Bolsonaro, caso cessem os seus arroubos intempestivos populistas e se ele mantiver distância de ações políticas e sociais extremistas – priorizando aos poucos o que foi distorcido durantes os governos do PT -, ou passarei a apoiar o senador Álvaro Dias do Podemos, o partido que ele fundou após desfiliar-se do PSDB por ter-se decepcionado com o surgimento de denúncias de corrupção envolvendo algumas lideranças tucanas, com destaque para o Aécio Neves.
De qualquer forma só o tempo poderá mostrar-nos o que fazer. Para já há que aguardar o resultado das urnas no próximo domingo e, caso eleito, ver como Bolsonaro irá comportar-se nos próximos 2 meses e, especialmente, como serão os primeiros meses na condução do seu governo, que se iniciará em 1° janeiro do próximo ano.
Julgo que entendeu que as minhas aspas nos “partidos de origem” sublinham a volatilidade, flutuação normal de votos, querendo descrever a deriva de votos (de todos os quadrantes?) para Bolsonaro.
Quanto ao futuro duvido que Bolsonaro não venha a ser o que anuncia. Mas, claro, eu não conheço essa realidade e os motores da retórica que o poderáo ter feito exagerar o tom. Mas não me parece. PAra além disso há os efeitos sociais – após a eleição não haverá um surto de revanchismo espontâneo, popular? Temo isso (e não vou sozinho nesse temor)
Obrigado por essa indicação do Podemos – irei acompanhar o seu percurso, que desconheço Mas será bom que os votantes de Bolsonaro, massa heterogénea, possam sinalizar desde logo que não são uma força orgânica, fiel a quaisquer desmandos que o homem possa protagonizar, induzir ou permitir
Entendi perfeitamente o uso das aspas.
E vou ficar com um olho no Bolsonarto e o outro no Podemos. Conforme for, saberei o que fazer
Entrentanto saiba que a nossa líder democrata-cristã (um pouco ao invés de um outro dirigente do seu partido que refiro no postal) declarou a sua neutralidade nesta segunda volta – é o processo de “integração” de Bolsonaro na comunidade internacional … https://rr.sapo.pt/noticia/128521/assun cao-cristas-entre-bolsonaro-e-haddad-esc olhia-nao-votar
Aqui no blog voltei a este assunto brasileiro https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/c ristas-e-o-brasil-10341467
Tem aqui um belo texto de um homem da democracia-cristã portuguesa a explicitar bem o porquê é tão impossível um apoio a Bolsonaro e similares. Espero, se não me leva a mal, que possa influenciar a sua reflexão de última hora – ainda por cima tendo o homem insistido nesta semana que se prepara para prender e matar https://www.jornaldenegocios.pt/opi niao/colunistas/francisco-mendes-da-silv a/detalhe/conservador-nos-tempos-de-cole ra?ref=francisco-mendes-da-silva_maislid as
A minha posição nestas eleições está firmemente tomada e não sou pessoa de zig-zags. Entre a certeza da continuação de um desgoverno corrupto e corruptor que pretende interferir no judiciário, na imprensa e na Constituição e a incerteza de um Bolsonaro, fico com este.
Pois, o que vem de trás não ajuda nada. Esperemos então, brasileiros e amigos, o melhor para o Brasil …
Que assim seja.
E se ainda tiver interesse, nesta véspera de eleições aí, para ler opiniões portuguesas, neste caso relativamente simpáticas para como Bolsonaro, aqui lhe deixo https://observador.pt/opiniao/por-que-f ernando-henrique-cardoso-tem-razao/
Parabéns pelo texto!
CFN
Obrigado
Após 2 vitórias de Lula e 2 de Dilma, todas contra o PSDB, Bolsonaro (PSL) derrotou o petista Haddad por 55,13% contra 44,87% dos votos válidos.
A geografia do voto ajuda a entender esta mudança histórica. No país inteiro o PT teve 7,5 milhões de votos a menos do que em 2014, quando venceu com bastante dificuldade Aécio Neves (PSDB) com 51,6% dos votos contra 48,6%.
A maior parte desta perda ocorreu nas regiões Sul e Sudeste: 6,5 milhões de votos a menos. Portanto, estas 2 regiões tiveram um peso decisivo na derrota do PT.
No Sul (RS-SC-PR) e no Sudeste (SP-MG-RJ-ES), Bolsonaro abriu grande vantagem, conquistando o dobro dos votos de Haddad: 40 milhões contra 20 milhões.
Já no Nordeste, a votação do PT manteve-se no mesmo patamar das eleições anteriores, fazendo com que Haddad tivesse mais do dobro de votos de Bolsonaro: 20 milhões contra 9 milhões, a maioria destes nas capitais.
No balanço geral, Haddad venceu nos estados do Nordeste e em 2 do Norte, e Bolsonaro venceu no Distrito Federal. nos restantes 15 estados e também no exterior, onde residem 500.727 brasileiros (71,02% contra 28,98%), a maioria nos EUA e Japão.
Obrigado pelos dados. Vou utilizar, noutro postal, os números dos votos dos brasileiros emigrados.
Como começou a Operação Lava-Jato – 4
Em 14 de dezembro de 2014, os procuradores da República protocolaram denúncia criminal contra quatro pessoas, incluindo o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, pela prática de corrupção envolvendo US$ 53 milhões, crimes financeiros, e de lavagem de dinheiro. Foram dois atos de corrupção, 64 de lavagem e sete crimes financeiros. O ressarcimento pedido é da ordem de R$ 140 milhões, que se soma ao pedido de perdimento de R$ 156 milhões.
A prisão de Nestor Cerveró
Em 14 de janeiro de 2015, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cuñat Cerveró foi preso preventivamente ao desembarcar no Aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, quando chegava de viagem de Londres. No dia 13 de janeiro, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência de Cerveró e de seus familiares, em função de seu envolvimento em crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro que foram denunciados pelo MPF em dezembro de 2014 (Ação Penal nº 5083838-59.2014.404.7000).
A prisão e as buscas foram obtidas pelo MPF durante o recesso judiciário. A prisão preventiva foi requerida por haver fortes indícios de que Cerveró continuava a praticar crimes, como a ocultação do produto e proveito do crime no exterior, e pela transferência de bens (valores e imóveis) para familiares. Também havia evidências de que ele buscaria frustrar o cumprimento de penalidades futuras.
Em 22 de janeiro de 2015, foi decretada nova prisão preventiva de Nestor Cuñat Cerveró, atendendo a pedido de aditamento da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) que atua no caso Lava Jato. Segundo o juiz Sérgio Moro, responsável pela ação penal que investiga esquema de corrupção na Petrobras, a nova prisão foi decretada para assegurar a aplicação da lei penal, tendo em vista a possibilidade de Cerveró dissipar seu patrimônio, dificultado futura punição. A isso se somou a existência de cidadania e passaporte espanhóis, o que ex-diretor omitiu das autoridades.
O juiz também assentou sua decisão em novas evidências, trazidas pelo MPF, de que a empresa Jolmey, proprietária de imóvel em que o investigado residiu por vários anos, pertence de fato ao ex-diretor. Os documentos oferecidos pela Força Tarefa indicaram que a empresa foi usada para que Cerveró internalizasse e usufruísse no Brasil a propina que ganhou no exterior, conferindo-lhe aparência de dinheiro legítimo. Reforçou a prisão, também, a existência de operações imobiliárias subvaloradas, o que pode caracterizar outro tipo de subterfúgio para lavar dinheiro. Esses tipos de prática tornam mais difícil a identificação e a recuperação dos valores desviados.
Aprofundamento das investigações
Em 5 de fevereiro, a pedido da Força-tarefa do MPF, a Polícia Federal desencadeou mais uma fase da Operação Lava Jato. Com o deferimento dos pedidos pela 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, foram cumpridos um mandado de prisão preventiva, três de prisão temporária, 18 de condução coercitiva e 40 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina.
O objetivo foi produzir provas sobre pagamentos de propinas para agentes públicos relacionados à diretoria de serviço da Petrobras e à BR Distribuidora, subsidiária da empresa. Os trabalhos realizados foram desdobramentos das fases anteriores da operação, dentro do compromisso do MPF de aprofundamento das investigações e, assim como aconteceu nas outras fases, contaram com apoio da Receita Federal.
Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão cumpridos no estado de Santa Catarina, por sua vez, tiveram seus pedidos baseados em depoimentos prestados por uma testemunha ao MPF e à PF e em indícios de prática de lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes em licitações relacionadas a contratos firmados entre a empresa que foi alvo dos mandados e a BR Distribuidora. O que mais chamou a atenção foi que o esquema de corrupção, envolvendo a BR distribuidora, ainda era um esquema atual, que não foi estancado apesar de todas as investigações e ações até então feitas.
E por aí vai…
Como começou a Operação Lava Jato – 3
Colaborações
Em 27 de agosto de 2014, Paulo Roberto Costa assinou acordo de colaboração com o Ministério Público Federal. A iniciativa foi do próprio ex-diretor, que prestou importante auxílio para a apuração dos fatos em troca de benefícios.
No acordo, negociado com procuradores da República da força-tarefa , Costa se compromete a devolver a propina que recebeu (incluindo os milhões bloqueados no exterior), a contar todos os crimes cometidos, bem como a indicar quem foram os outros criminosos. Caso ficasse provado que, em algum momento, ele mentiu ou ocultou fatos, todos os benefícios seriam perdidos.
Como houve a sinalização de que políticos do Congresso Nacional, sujeitos à atuação do Supremo Tribunal Federal, estariam envolvidos, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que tem atribuição originária para atuar em tais casos, autorizou o processo de negociação, ratificando o acordo de colaboração e determinando que os procuradores da República da força-tarefa, por delegação, e os policiais federais do caso colhessem os depoimentos de Paulo Roberto Costa, o que foi feito ao longo do mês que se seguiu. O acordo de colaboração foi então homologado pelo STF, que decide sobre o encaminhamento das investigações em relação a parlamentares.
Depois de Paulo Roberto Costa, foi a vez de Alberto Youssef recorrer aos procuradores da República para colaborar em troca de benefícios.
Alguns outros acordos de colaboração, não menos importantes, foram negociados pela força-tarefa do caso Lava Jato e submetidos, por não envolverem situações especiais como a de parlamentares, ao juiz federal da 13ª Vara Federal, em primeiro grau de jurisdição. As informações e provas decorrentes desses acordos feitos em primeiro grau alavancaram as investigações, permitindo sua expansão e maior eficiência.
As primeiras denúncias da 2ª Fase
Os depoimentos e provas colhidas em decorrência das colaborações, bem como a análise de materiais apreendidos, documentos, dados bancários e interceptações telefônicas, permitiram o avanço das apurações em direção às grandes empresas que corromperam os agentes públicos.
Em 14 de novembro de 2014, foram executados, pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal, 85 mandados, sendo 4 de prisão preventiva, 13 de prisão temporária, 49 de busca e apreensão e 9 de condução coercitiva, em diversas cidades do país, especialmente em grandes e renomadas empresas de construção como Engevix, Mendes Júnior Trading Engenharia, Grupo OAS, Camargo Correa, Galvão Engenharia, UTC Engenharia, IESA Engenharia, Construtora Queiroz Galvão e Odebrecht Plantas Industriais e Participações.
No dia 11 de dezembro de 2014, na semana de combate à corrupção, os procuradores da República da força-tarefa ofereceram cinco denúncias criminais contra 36 pessoas pela prática de 154 crimes de corrupção, 215 de lavagem de dinheiro e de organização criminosa. Dentre os acusados, 23 pertencem aos quadros das construtoras OAS, Camargo Correa, UTC, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Engevix. O valor da propina apontado nas acusações é da ordem de R$ 300 milhões. O Ministério Público pediu o ressarcimento de aproximadamente R$ 1,2 bilhão. As penas individuais podem somar mais de cem anos de prisão.
Como começou a Operação Lava Jato – 2
Para analisar todo o material apreendido nas primeiras etapas da investigação e propor acusações, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, designou, em abril, um grupo de procuradores da República. No mês que se seguiu, os integrantes dessa força-tarefa chegaram às conclusões que culminaram no oferecimento das primeiras denúncias .
Foram oferecidas 12 ações penais em face dos grupos criminosos, envolvendo 74 denunciados (número a ser ajustado para 55 caso se considere a parcial sobreposição de réus nas diferentes acusações), pela prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, formação de organização criminosa e lavagem de recursos provenientes desses crimes, de corrupção e de peculato.
Paralelamente, os procuradores da República fizeram pedidos à Justiça (15 medidas cautelares), obtendo o bloqueio de praticamente todo o patrimônio dos acusados no Brasil, o que somou mais de R$ 50 milhões, valor esse que, se espera, seja revertido aos cofres públicos.
a 2ª Fase
As provas colhidas apontavam para a existência de um grande esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras. O aprofundamento das investigações para apurar os crimes marcou o início da segunda fase do caso.
Foram expedidos pela Justiça mandados de intimação, cumpridos em 11 de abril de 2014, quando a estatal voluntariamente colaborou e entregou os documentos procurados, evitando buscas e apreensões. Nesse mesmo dia, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, 2 de prisão temporária, 6 de condução coercitiva e 15 de busca e apreensão, em cinco cidades. O objetivo era o aprofundamento da investigação sobre os doleiros.
Em maio de 2014, uma reclamação da defesa para o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu as investigações por algumas semanas. Levando informações parciais ao STF, a defesa alegou que haviam sido investigadas pessoas que somente o Supremo poderia investigar, em especial deputados federais. Após receber informações adicionais sobre o caso, o ministro Teori Zavascki concluiu que não houve usurpação por parte do juiz, porque a identificação de parlamentares era recente e o STF já havia sido informado sobre o fato. O julgamento determinou a cisão do caso, para que apenas a parte relativa aos parlamentares indicados permanecesse no STF.
Nessa mesma época, o Ministério Público da Suíça entrou em contato com o MPF e informou que Paulo Roberto Costa tinha mais de US$ 23 milhões em bancos suíços, dinheiro incompatível com seus rendimentos lícitos. Os valores foram bloqueados.
Em trabalho integrado com a força-tarefa do Ministério Público Federal, os auditores fiscais da Receita Federal forneceram um dossiê contendo provas de que Paulo Roberto Costa e familiares estavam envolvidos na lavagem de milhões de reais oriundos da Petrobras. Os procuradores da República obtiveram então, perante a Justiça, 11 mandados de busca e apreensão e um mandado de condução coercitiva, que foram cumpridos pela Polícia Federal em 22 de agosto de 2014.
Já se sabia que algumas diretorias da estatal, como a que foi chefiada por Costa, têm orçamentos que podem ser superiores aos de alguns dos 39 Ministérios vinculados à Presidência da República. Também era do conhecimento dos procuradores da República a corrupção em que o ex-diretor estava envolvido, bem como se suspeitava que a abrangência do esquema era maior. Aconteceu, então, outro evento que representou um avanço da investigação: a colaboração de Paulo Roberto Costa por meio de um acordo de delação premiada.
Como começou a Operação Lava Jato -1
a 1ª Fase
A Lava Jato começou em 2009 com a investigação de crimes de lavagem de recursos relacionados ao ex-deputado federal José Janene, em Londrina, no Paraná. Além do ex-deputado, estavam envolvidos nos crimes os doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater. Alberto Youssef era um antigo conhecido dos procuradores da República e policiais federais. Ele já havia sido investigado e processado por crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro no caso Banestado .
Interceptações telefônicas
Em julho de 2013, a investigação começa a monitorar as conversas do doleiro Carlos Habib Chater. Pelas interceptações, foram identificadas quatro organizações criminosas que se relacionavam entre si, todas lideradas por doleiros. A primeira era chefiada por Chater (cuja investigação ficou conhecida como “Operação Lava Jato”, nome que acabou sendo usado, mais tarde, para se referir também a todos os casos); a segunda, por Nelma Kodama (cuja investigação foi chamada “Operação Dolce Vita”); a terceira, por Alberto Youssef (cuja apuração foi nomeada “Operação Bidone”); e a quarta, por Raul Srour (cuja investigação foi denominada “Operação Casa Blanca”).
O monitoramento das comunicações dos doleiros revelou que Alberto Youssef, mediante pagamentos feitos por terceiros, “doou” um Land Rover Evoque para o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
As primeiras medidas
Em 17 de março de 2014, foi deflagrada a primeira fase ostensiva da operação sobre as organizações criminosas dos doleiros e Paulo Roberto Costa. Foram cumpridos 81 mandados de busca e apreensão, 18 mandados de prisão preventiva, 10 mandados de prisão temporária e 19 mandados de condução coercitiva, em 17 cidades de 6 estados e no Distrito Federal.
Ao comparecerem a um dos endereços das buscas, um prédio onde funcionava a empresa Costa Global, vinculada a Paulo Roberto Costa, policiais federais decidiram ir até a residência do investigado para pegar as chaves da empresa, em vez de arrombá-la. Enquanto os policiais se deslocavam, parentes do ex-diretor foram flagrados, por câmeras de monitoramento do edifício, retirando do local sacolas e mochilas contendo provas de crimes.
Em 20 de março de 2014, aconteceu a segunda fase ostensiva da operação. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa foi preso e foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro. Em seguida, os procuradores da República do caso viriam a acusar o ex-diretor e seus familiares pelo crime de obstrução à investigação de organização criminosa.
Nessas medidas iniciais, mais de 80 mil documentos foram apreendidos pela Polícia Federal, além de diversos equipamentos de informática e celulares. A análise desse material somou-se aos monitoramentos de conversas e aos dados bancários dos investigados que foram coletados e analisados eletronicamente no sistema Simba (Sistema de Investigação de Movimentações Bancárias), do Ministério Público Federal.
Sérgio Moro, o juiz que ganhou projeção mundial com a Lava Jato
Sérgio Moro, que atualmente trabalha na 13ª Vara Criminal de Curitiba – especializada em crimes financeiros, de lavagem de dinheiro e praticados por grupos criminosos organizados – tornou-se conhecido mundialmente por ser o juiz responsável pelos processos da Operação Lava Jato na 1ª instância.
Antes da operação, ele trabalhou no caso Banestado – que investigou, entre 2003 e 2007, evasão de divisas por meio de doleiros – e atuou como auxiliar da ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber no caso do Mensalão, em 2012.
Sérgio Moro nasceu em 1972 em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, mas cresceu em Maringá, no norte do estado. É casado com a advogada Rosêngela Wolf Moro, com quem tem 2 filhos.
Entrou na Justiça Federal em 1996. Em 1997, começou o mestrado em Direito do Estado na Universidade Federal do Paraná, que concluiu em 2000.
Segundo o currículo Lattes do magistrado, ele deu aula entre 2007 e 2016 como professor adjunto de Direito Processual Penal na UFPR. Atualmente, é professor da graduação e da pós-graduação do Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba).
O currículo do magistrado também informa que ele cursou um programa de instrução na Escola de Direito de Harvard, em 1998. Em abril deste ano, ele voltou à universidade, onde participou de um painel sobre crimes de “colarinho branco”.
Na ocasião, Moro disse que a lei e a democracia estavam sendo fortalecidas no Brasil.
Em 2018, recebeu o título de Doctor of Laws, honoris causa, pela University of Notre Dame du Lac, South Bend, Indiana.
Após o encontro, por intermédio do Twitter, o presidente Jair Bolsonaro confirmou a escolha e Sérgio Moro divulgou uma nota à imprensa.
Jair M. Bolsonaro
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@jairbolsonaro
O juiz federal Sérgio Moro aceitou nosso convite para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sua agenda anti-corrupção, anti-crime organizado, bem como respeito à Constituição e às leis será o nosso norte!
11:25 AM – Nov 1, 2018
Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite.
Aceitei com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão.
Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais.
De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.
Curitiba, 01 de novembro de 2018.
Sérgio Fernando Moro
Gabriela Hardt, a substituta de Sérgio Moro
Com o afastamento de Sérgio Moro dos processos da Lava Jato, a operação passará a ser comandada pela juíza-substituta da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná.
Gabriela Hardt ficará à frente dos processos da Lava Jato até que seja escolhido um novo juiz titular (não poderá assumir em definitivo por ser juíza-substituta), cuja seleção ficará a cargo do Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4).
A partir da próxima 2ª-feira, os réus do processo que investiga a compra do Sítio de Atibaia começarão a ser interrogados (o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será interrogado no dia 14 de novembro).
Gabriela Hardt é paranaense, tem 42 anos, é alta com porte atlético e cresceu em São Mateus do Sul, a 150 km de Curitiba. O pai dela trabalhou como engenheiro da Petrobras numa unidade que fica na cidade.
É formada em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde o juiz Sérgio Moro dava aulas de Direito Criminal. Prestou concurso para a Justiça Federal em 2007 e 2 anos depois foi nomeada juíza para uma vaga em Paranaguá, no litoral do estado do Paraná.
Em 2014 foi nomeada juíza-substituta na 13ª Vara Criminal Federal, quando passou a assumir os trabalhos sempre que o juiz Sergio Moro ficava de férias ou de licença médica.
Numa dessas ocasiões, em maio deste ano, Gabriela Hardt mandou prender o ex-ministro José Dirceu, o ex-todo poderoso nº 2 do PT, que um mês depois seria beneficiado por um habeas corpus concedido pelo juiz Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que lhe proporcionou responder ao processo em prisão domiciliar.
Por curiosidade, a juíza começou a nadar ainda jovem e atualmente compete em provas de maratonas aquáticas, nadando 5 km em águas abertas.
(Quase) um mês depois deste texto e eleições cumpridas é interessante ver estas declarações de um homem insuspeito de pertencer à esquerda radical, e deixo a ligação porque o postal continua a ser comentado. Exactamente isso, a reacço da direita portuguesa a Bolsonaro mostra a superficialidade da adeão à democracia liberal. Foi uma espécie de saída do armário, digo eu https://www.publico.pt/2018/10/31/polit ica/noticia/parcela-substancial-dita-dir eita-portuguesa-menos-liberal-julgava-18 49491
O HOMEM que assina como Cláudia não sei das quantas deve ser spammer profissional. Quanto é que lhe pagam?
Se o é não sei. Quanto à hipotética remuneração também nada posso adiantar: este blog não paga aos bloguistas quanto mais aos comentadores …
Jair Messias Bolsonaro é um homem honesto, com carácter de homem bom. Por isso é amado pela grande maioria dos Brasileiros. Isso incomoda muito ; os que não são como ele. Ficará na história como grande figura universal. Precisamos no mundo inteiro de muitos homens como Bolsonaro!!!