As palavras do Presidente da República, que acabei de ouvir, mantêm a nebulosidade. É evidente que há ali uma visão complexada e uma ideia distorcida do papel que deve ser desempenhado pelos membros da sua Casa Civil. E mesmo uma leitura enviesada das funções presidenciais. A boa fé não é posta em causa, mas isso não esconde a infelicidade da escolha e o papel que a comunicação social teve nisto tudo.
Nebulosas
Sérgio de Almeida Correia,

O Presidente da República manteve o silêncio e dessa forma não interferiu na campanha, quer dizer acabou por intervir e não foi pouco, mas a favor do PS. O PSD fica com efectivas razões de queixa da sua decisão, mas se o PR falasse antes das eleições perderia a autoridade de estar acima da vida partidária. Será fácil de imaginar que a vontade do cidadão Cavaco Silva não seria de todo favorecer o PS, como fez, mas o seu sentido de Estado e a sua responsabilidade levaram-no a aguardar pelo fim das eleições.
Sabemos que este PS é capaz de tudo e ninguém de surpreende com a pressão referida pelo PR.
Repararam que o caso dos Submarinos, que fragiliza o CDS, regressa a público num momento que o PS poderá estar a negociar algum acordo de governação?
Concordo com a sua análise, Paulo. Sobretudo porque também acho que, com o seu silêncio, Cavaco Silva acabou por favorecer o PS (atacou-o só agora, depois de ganhas as eleições), quando poderia ter cedido à tentação de favorecer o seu próprio partido político e ainda teria o álibi de estar apenas a responder às mil solicitações que tinha de todos para esclarecer a situação.
Também concordo com o Paulo Sousa…
Na mouche . Apoucar Cavaco Silva e tomar a sua intervenção por mais uma qualquer jogada política é em si a essência do povo que somos.
Nem percebemos que banalizar qualquer intervenção do PR é auto-desprezarmo-nos , e achincalhar a defesa dos altos interesses que o movem e ele representa.
Entretanto, para não variar, o tom dos comentários televisivos a que assisti são o maior atestado da menoridade cívica que podíamos ter (camisola amarela para o Luís Delgado, que inviabiliza qualquer beatífica digestão).
Quanto à cena Paulo Portas, um nojo. Cá temos o PS a exercer o mando ao seu melhor estilo. Chantagem e troca de favores, é o costume. Prevejo que vá aumentar a ritmo crescente, na medida inversa da perda de poder que sofreram.
E a nossa Justiça, han ?
Quem disse que isto é uma democracia?
Ouvi com atenção o senhor Presidente, mas fiquei sem perceber o porquê da demissão do Fernando Lima. Deve ter-me passado. É da idade, isso é que é.
Falou, em pose de oráculo, mas em linguagem apologética pouco frequente nos discursos presidenciais em qualquer País.
Fez acusações graves ao PS.
Não se compreende que as não tenha feito na altura em que elas se suscitaram, deixando que o seu silêncio se tivesse tornado em puro veneno para um dos partidos concorrentes à eleição, por acaso o seu antigo partido.
Ou seja, fez exactamente o que contrário do que dizia pretender: prejudicou gravemente um dos partidos concorrentes, influenciando decisivamente a eleição.
Não explicou o timing da demissão do seu assessor Fernando Lima – e foi esse timing que despoletou as maiores atoardas eleitorais, o que era previsível antes da demissão.
Eu, que não sou do PSD nem tenho nada a ver com eles, estou fulo com esta actuação do so called presidente de todos os portugueses.
Imagino como a malta do dito PSD não estará.
Com amigos destes…
Mas também, valha a verdade: só somos amigos de quem queremos.
Socorroooooo ! Chamem por favor o D. Duarte. Vou converter-me à monarquia.
Ponto prévio: só vi os resumos televisivos e radiofónicos da comunicação do PR. Mas, a crer na fidedignidade e síntese adequada destes, ocorre-me dizer que o mais alto magistrado da nação foi patético. O que pressupõe, ou pelo menos indicia fortemente, que o senhor perdeu qualquer espécie de sentido de Estado.
Então, o que saiu dali? Uma acusação directa ao governo de espionagem e a consequente demissão do PM?… Não.
Uma afirmação inequívoca de que nunca suspeitou de qualquer escuta por parte do governo?… Também não.
Alguma revelação de que, perante factos suspeitos, cujos respectivos rumores circulavam há mais de um ano, ele tenha solicitado assistência policial/de serviços secretos para averiguar?… Sim, esta sim. Só que, a averiguação que solicitou (quando?) foi feita “hoje mesmo”. Isso, hoje mesmo! E tal averiguação concluiu o quê? Que existem “vulnerabilidades” na rede de comunicações da Presidência da República…
Eu sei que o tipo do outro lado não é melhor do que ele, até pode tê-lo watergatado. Mas a este PR, como cantava aquela banda pop, só me apetece dizer-lhe “You’re Unbelievable!”.
O homem passou-se de vez ou talvez não.
Esta farto de dar tiro no próprio pé.
Será que ele sabe o que é um Presidente da República?
A escolha desta data não é avulsa para falar.
Isto cheira-me a um novo estilo de golpe de tão ingénuo difícil de classificar.Então esteve preocupado em não desestabilizar o acto eleitoral e não se preocupa com o próximo acto eleitoral?
Antes das eleições existia uma anterior constituição do hemiciclo depois das eleições passou a ser outra daí a pontaria fosse qual fosse a alteração.
Chego a pensar que algo está ou estará para passar.
Mas existe uma questão quase existencial; como vai o Senhor Silva indigitar um Primeiro Ministro após esta surreal diarreia mental, ou será que agora já tudo lhe é permitido até achincalhar o lugar e o superior estatuto do principal Magistrado da Nação?
A carapaça “socrática”…
Casos manipulados
por mãos insidiosas,
políticos rebolados
em teias espinhosas.
A arte de manipular
exige saber e trapaça,
neste caso exemplar
é escusada a carapaça.
O Sr. Silva fez um discurso cheio de insinuações e não respondeu à principal acusação que recai sobre ele e sobre a Presidência da República: é ou não verdade que a Presidência da República “plantou” aquela notícia no Público? Se é, a Presidência da República teve um comportamento inqualificável e o Sr. Silva devia retirar daí as devidas consequências. Se não é, porque é que o Sr. Silva não desmentiu desde logo essa notícia? Neste caso, o Sr. Silva agiu deliberadamente para provocar danos eleitorais ao PS. Em qualquer dos casos, creio que hoje o Sr. Silva, enquanto titular do principal órgão de soberania do país, provocou hoje uma enorme desilusão na maioria dos portugueses. Será que ele tem noção disso?