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RIO TUELA
Nascente: Parque Natural do Lago de Sanábria, Serra Secundera (Castela e Leão, Espanha)
Foz: Rio Tua, que forma ao juntar-se ao Rio Rabaçal, perto de Mirandela
Afluente: Rio Baceiro
Extensão: cerca de 100 km
«O melhor deste dia será a passagem do Rio Tuela. Da ponte não tem o viajante memória, nem sequer do rio, talvez, e só, o espumejar da água entre as pedras, mas isto é o que tem para oferecer qualquer rio ou ribeira destes sítios. Aquilo que ao viajante não esquecerá enquanto viver é a sufocante beleza do vale neste lugar, nesta hora, nesta luz, neste dia.»
José Saramago, Viagem a Portugal

Pescado no blogue “Ferrado de Cabrões”:
-No café, junto à ponte, disseram-me que no dia anterior alguém tinha pescado uma truta de dois quilos! História de pescadores? Mas trutas no rio Tuela, que las hai, las hai! Garantem!-
E sardinhas de rio
“Sufocante beleza” não funciona muito bem — Saramago às vezes tinha estas coisas assim meio achouriçadas.
mas olhe que “espumejar” está muito bem conseguido…
Os escritores dizem tudo melhor e mais perto de ser verdade, é o caso da expressão, “a sufocante beleza do vale”.
Já ouvi alguém dizer sobre uma criança que a mãe foi mostrar às colegas de trabalho:
“Um monstro, um monstro de beleza”. E caiu muito bem.
Nesse já me banhei. Óptimas condições para dar umas braçadas no Verão.
Se todos os rios são doces,
de onde chega o sal do Mar?
Como sabem as estações do ano
quando devem mudar o seu trajar?
Por que são lentas no Inverno
e depois tão agitadas?
E as raízes?
Como sabem que devem elevar-se
até à luz e saudar a paisagem
com tantos odores de flores
e a profusão de mil cores?
É sempre a mesma Primavera
que representa na Natureza o seu papel?
E o Outono?… Ele chega legalmente
ou é uma estação clandestina?
E os Rios? Quem lhes ensina o caminho
Para irem descansar no Mar?…
A vida é um mistério,
que ninguém sabe explicar….
Adaptação de um poema de Pablo Neruda,
com o acréscimo dos quatro últimos versos.