Bem prega fei Filipe


Rui Rocha,

Numa das piadas que corriam na antiga URSS, dizia-se que Brejnev tinha pedido a vários artistas que pintassem um quadro de Lenine na Polónia. Os pintores, fiéis à estrita escola do realismo socialista, declaravam-se invariavelmente incapazes de pintar sobre algo que nunca tinha acontecido. Desesperado, Brejnev teria recorrido a Levy, um velho pintor judeu que acabaria por aceitar a encomenda. Chegado finalmente o dia da apresentação pública, Levy fez correr a tela que tapava o quadro e a nomenklatura soviética contemplou uma cena em que um homem estava deitado numa cama ao lado de uma mulher muito parecida com a companheira de Lenine. Horrorizado, Brejnev perguntou quem era o homem. É Trotsky, respondeu Levy. E a mulher, Levy? É Nadezhda Krupskaya, a mulher de Lenine, respondeu o pintor. Mas… e onde está Lenine, Levy? Lenine está na Polónia, camarada Presidente.

Isto tem de facto a sua graça. Mas também tem piada se substituirem Lenine pelo deputado comunista António Filipe e a Polónia pelo Serviço Nacional de Saúde.

7 comentários em “Bem prega fei Filipe”

  1. Se o SNS não estivesse a ser subalternizado e colonizado por hospitais e instituições privadas que sobrevivem de convenções com o Estado, talvez não estivesse tão mal que fosse necessário ir a um hospital privado.

    O problema não é que um deputado do PCP não utilize o SNS. O problema é que o controlo de entradas nos privados feito pelo preço, excluí os
    pobres (ao menos isso), mas não funciona com deputados comunistas.

    1. Não percebi a sua última frase…

      Um deputado comunista ganha tanto como um deputado de outro partido, pelo que se a escreveu pela piada do “comunista rico” perdeu-se o efeito…

      Já se tivesse escrito apenas “deputado”, aí sim! É que, quanto a mim, o problema reside no facto de um agente do Estado estar abrangido por um sistema de saúde paralelo ao do próprio Estado – desvia para privados aquilo que o SNS deveria assegurar.

      Discutir a ADSE é que é!
      Enquanto houver, usem-na – todos os meses descontam para isso, e pagam impostos que financiam o SNS que afinal só usam em urgência. Se bem que sairia mais barato ao Estado protocolar seguros de saúde com alguma seguradora.

  2. Não me choca que alguém que tem direito a ADSE a use.
    Choca-me quem usa aquilo a que não tem direito, como ambulâncias do INEM para não chegar tarde ao emprego e absurdos do género.

    Mais: sou uma acérrima defensora do SNS e tenho um bom seguro de saúde pago do meu bolso, que uso por comodidade (flexibilidade nas marcações) mas não deixo de actualizar o meu médico de família. E posso libertar o SNS para outros que não terão tal possibilidade – chorando o que dos meus impostos sai para tal sistema. Por ser muito pouco!! Fosse mais e o SNS teria mais recursos, mais disponibilidade… e eu não precisaria de seguro.

    E por isso a anedota não se aplicará a este deputado mas aos ministros da saúde que não lutaram por melhores orçamentos e por melhores políticas no SNS, passando inclusivamente hospitais para as mãos dos privados.
    Ministros que provavelmente também tinham ADSE.

  3. Sr. Rui Rocha devia respeitar as hierarquias.Não pode equiparar os nossos representantes avançados,os nossos guias, não deve tratá-los como aos obreiros indiferenciados. É esta a lição de Lenine e de Brejeneve.
    As suas vidas e saúdes são preciosas de mais para se sujeitarem a um SNS burguês.

  4. Os Comunistas e Socialistas que querem destruir o “Grande Capital” fazem negócios de livre vontade com o “Grande Capital”….

    Criarem cooperativas e comunas que fabriquem produtos ou forneçam serviços é que não é nada com eles.

    Basicamente só acreditam na violência e coerção.

  5. Não vejo qual a contradição entre defender a existência de um SNS com qualidade e capacidade e não utilizar o SNS.
    As pessoas são livres: livres de exprimir a sua opinião sobre os serviços de saúde e livres de utilizar os serviços de saúde que entenderem. E minguém pode elidir essa liberdade delas.

  6. O já clássico orwelliano…e tudo embrulhado na embrulhada vigarice ” dialéctica científica”…que continua com “claque” seguidorA…
    Sempre certeiro, “o outro” : Biblicamente estúpidos.

    JSP

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