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O antigo presidente Jorge Sampaio cumpre 80 anos e o jornal “Público” dedicou-lhe bastante espaço. Grande entrevista, artigo encomiástico de um seu colaborador, inúmeros depoimentos de personalidades conhecidas. Eu simpatizo com Sampaio: esteve duas vezes em Moçambique, com elegância e competência. É um grande sportinguista (condição não suficiente mas que me impulsiona o apreço). Mas não é sobre ele que boto. É sobre o jornal. E sobre quem lá trabalha.
No café acabo de folhear o “Público”. Leio em vigorosa diagonal as várias páginas sobre o antigo presidente da república, antigo presidente da câmara de Lisboa e antigo secretário-geral do PS. Não há uma única alusão ao momento crucial da sua presidência. Quando – no exercício dos seus legítimos poderes – demitiu um governo maioritário e abriu caminho à ascensão ao poder do seu sucessor no PS, José Sócrates. Não há uma única alusão a isso, repito. Nem uma única reflexão sobre o processo subsequente, de degenerescência do poder político. E da degenerescência do próprio PS, e da esmagadora maioria dos seus apoiantes (alguns dos quais são meus amigos reais e devem ler isto, sabendo, claro, do quanto os desprezo apesar da entristecida amizade que ainda lhes dedico), reduzidos a apoiantes nada envergonhados da roubalheira. A qual continua, neste incessante esforço de esconder e fazer esquecer a cumplicidade de todo o aparelho socialista e dos seus “companheiros de estrada” (e dos prostitutos a la Jugular) com a criminalização do Estado.
E o que temos agora, nas vésperas de mais umas eleições, controlado que já está o aparelho judicial, calados que estão os pequenos núcleos contestatários ou meramente analíticos na imprensa estatal (vejam o que aconteceu ao “Sexta às 9” na RTP, suspenso no período eleitoral pela nova direcção de informação, ali colocada – exactamente como Sócrates fazia com a imprensa toda – para controlar os danos da ladroagem do aparelho socialista)? O que temos agora? O jornal “Público” a fazer o frete ao PS, a produzir “amnésia organizada”, a reforçá-la.
A propósito de Sampaio tudo o que haveria para saber sobre o “Público” e seus profissionais, e colaboradores cúmplices, está dito.

Não que faça grande diferença, mas julgo que o director do Público é PSD
Nem sei quem é o director. Mas caso seja desse PSD não faz qualquer diferença.
Foi o que eu disse.
“Não há uma única alusão a isso, repito. Nem uma única reflexão sobre o processo subsequente, de degenerescência do poder político. “
Não pode ter havido um processo subsequente de degenerescência político.
Não depois do governo de Durão Barroso, o tal que começou por dizer que o país estava de tanga, seguidamente tentou arrastar o mesmo país para uma guerra imbecil mentido descaradamente, e seguidamente foi fazer o estágio para a Goldman Sachs em Bruxelas. Deixou como substituto um homem tão capaz que o xamã do próprio partido lhe chamava “má moeda”.
Depois disto, descer já era teoria.
Tá bem. Você depois de Santana Lopes hibernou, não foi? Acordou bem, entretanto?
Muito bem dito.
A propósito do jornal em tema, deixei de comprar há alguns anos. Perdeu a imparcialidade.
Às vezes folheio no café.
De forma breve: Santana Lopes foi vitima da ambição de Durão Barroso. Este, Durão, não pode ser dissociado da atitude de Sampaio.
A futura Venezuela da Europa, os sinais só não vê quem não quer.
A.Vieira
Qual a legitimidade do presidente para derrubar o Governo?
Porque não o fez imediatamente após Santana tomar posse?
A. Costa também sofre de amnésia. Faz constar que a Troika foi uma ilusão, que emprestou 78.000Mihôes pelos lindos olhos do Passos Coelho para gastar em mulheres e regabofe como dizia o outro.
Um povo anestesiado!
A minha assinatura do Público já foi por interesse, mais tarde passou a rotina e há desde há algum tempo reparei que era apenas caridade.
Apesar de assinante não li o texto, mas fiquei curioso em saber se é referida a frase que deu o cognome a Jorge há mais vida para além do défice Sampaio.
Caridade não será, no meu caso. Suponho que a SONAE não precisará da caridade de um cidadãozito de classe – ainda, suponho – média. E, em todo o caso, já me tem como cliente mais ou menos cativo (pela conveniência da proximidade geográfica), lá deixando eu, num dos seus hipermercados e com a submissa disciplina de um solene rito hebdomadário, parte muito considerável do que ganho; logo (ou quase) depois da parte de leão que nem chego a conhecer, por patriótica obra e graça do milagreiro Ronaldo das Finanças.
Mas lá vou assinando o Público, ainda. Por ser, creio – salvo alguma imprensa regional de que não tenho conhecimento -, uma espécie de “aldeia gaulesa” que insiste em resistir ao império do AO. Mas, de facto, com a excepção do ocasional artigo de opinião e uma ou outra sugestão do Fugas, a coisa é crescentemente intragável.
Fala-se disso que refere, de facto, nesse fervoroso panegírico (um de vários, na mesma edição). Mas já nem me lembro da resposta. É irrelevante: não terá sido para admitir responsabilidades e, quanto ao mais, já se sabe, pagamos nós. Subvenções e demais sinecuras e prebendas do cidadão Sampaio, incluídas.
Costa
Será caridade.
Não monetária, mas se ninguém ler aquilo, acaba.
Deixei-o desde que o Vicente saiu.
O Observador comemora com lembranças antigas, apontando laços de amizade,
quase privado,não faria uma desfeita na festa de aniversário.