2º ep. de: “Moribundo!? Como se em 2017 o jazz se fartou de espernear?”(Relatório à Godard, i.e., com princí­pio, meio e fim, não necessariamente por essa ordem.)


enlil,

Ó Donald põe tento nisto que os monhés estão a tomar conta do pagode. É uma conspiração: pela calada do Outono saiu”Unfiltered Universe” do guitarrista Rez Abbasi e lá dentro insinuam-se Vijay Iyer e Rudresh Mahantappa. Vê-se logo pelos nomes que é malta de fora.

Abbasi é um paka de Carachi e aos 4 anos foi na trouxa dos pais para Los Angeles onde se calhar abriram mercearia ou loja de tapetes.

O Rudresh tem fino bico. Só foi para a América porque o pai roubou aos nativos um lugar de professor de fí­sica na Universidade do Colorado (põe os olhos em Portugal Donald, onde as academias são impermeáveis à estranja, era o que faltava).

Dos três Vijay Iyer é o mais perigoso. Já nasceu em Nova Jérsia fabricado à  pressa pelos pais que chegaram como estudantes e assim ganharam direito de residência. Pior: trocou um doutoramento em fí­sica (nesse vespeiro que é Yale) pelo jazz e agora anda de crista levantada a dar aulas em Harvard.

A malfeitoria que estes malandrins perpetram é a de mestiçar o jazz com a música carnática, original lá do Sul das Í­ndias donde eles vêm. E como são sub-reptícios fazem-no com primor e denodo. Os manhosos, ao lerem este texto, perceberão de imediato que “Unfiltered Universe” além das qualidades que lhe acham intrí­nsecas tem a perversidade de ser como um portal para a prolí­fica actividade da quadriha.

Este Vijay Iyer há quem discuta se não será o melhor pianista de jazz da actualidade. Em 2017 publicou na ECM “Far From Over” e logo o alçaram aos pí­ncaros. Uma vergonha que se repete todos os anos.

À margem, e só por desfaçatez, Rudresh e Abbasi puseram num site à venda “Agrima” por $2,50… Sim leram bem, $2,50. E logo houve quem incensasse o despautério.

Não sei onde isto irá parar Donald.

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