25 de Abril (atrasado)


eventhorizon,

Fim-de-semana na santa terrinha significa, invariavelmente, fim-de-semana desligado do mundo, por falta de ligação à internet ou aos canais por cabo. Tinha planeado prolongar este último pelo menos até amanhã, mas a greve dos maquinistas da CP fez-me mudar de ideias, ou a única alternativa que tinha para fugir de lá seria o autocarro expresso, que demora quatro horas a percorrer a distância entre o terminal rodoviário de Odemira e o terminal de Sete Rios, em Lisboa. Quatro horas para duzentos e poucos quilómetros – da última vez que fiz o percurso, em Junho, estava um calor daqueles alentejanos, e o autocarro não tinha ar condicionado, pelo que ando a evitar essa alternativa. Resultado: regresso antecipado num comboio que chegou atrasado (é a CP a piorar de dia para dia). Estou a tentar actualizar-me agora, a ler blogues e notícias, mas já vi que não aconteceu nada de especial. Enfim, foi o 25 de Abril, mais um que passou. Não costumo celebrar feriados, mas normalmente não falho um 25 de Abril lá na terra (desde que vim para Lisboa, falhei um, e foi por causa de uma rapariga). É que por lá, a data é sempre sinónimo de festa rija: bifanas e cerveja à venda na rua a preços de amigo, concertos, foguetes (consta que este ano foi mais fumo que fogo; eu não os vi, estava na cerveja). Este ano foram lá os nossos Blind Zero, e deram um bom concerto, ainda que curtinho. Mais importante, a data serve também para rever amigos e conhecidos dos anos de escola, que todo o concelho acorre à vila na noite de vinte e quatro para vinte e cinco. Noto que muitos continuam na mesma, e não sei se deva achar isso cómico ou triste. A vila, essa, vai conhecendo mudanças. Ainda ninguém se lembrou de remover o “chaparro mecânico” que enfeita a rotunda à entrada da vila, mas, e a título de exemplo, fico a saber que a minha antiga escola secundária, um edifício com menos de trinta anos e sem nenhum problema estrutural conhecido, vai ser demolida, e no seu lugar será construída uma nova. Certamente haverá no concelho quem precise do tacho, e como hoje em dia anda mais difícil construir em cima das falésias do Parque Natural do Sudeste Alentejano, há que pensar noutras alternativas. No resto, o fim-de-semana deu Benfica, e deu o clube da aldeia a vencer fora. Ainda chegam à primeira divisão distrital, e aí faremos lá na aldeia festa maior do que a que se espera para a semana ali ao Marquês. Relativamente falando, claro.

Um comentário em “25 de Abril (atrasado)”

  1. Lendo, quase me senti lá… no seu fim-de-semana. Gostei particularmente do 25 de Abril a que se viu forçado a faltar por motivo maior…eheh
    Por outro lado, conheço a realidade: os autocarros que demoram a chegar, as pessoas que continuam na mesma, as poucas mudanças que ocorrem e as muitas que não acontecem…
    🙂

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