21D na Catalunha: uma bizarria, um paradoxo e o marasmo


Diogo Novo,

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 Gráfico El País

 

Ao contrário do dito referendo do passado dia 1 de Outubro, as eleições de ontem na Catalunha ofereceram garantias de liberdade e de transparência. Por essa razão, e por terem sido antecedidas por um período de enorme radicalização em torno da independência, as eleições de ontem foram o verdadeiro plebiscito ao desejo de secessionismo na Catalunha. A importância do acto eleitoral reflecte-se na afluência às urnas, que rondou os 82%, superando o recorde de 79,9% verificado em 1982. É uma participação impressionante, principalmente porque a votação ocorreu num dia laboral.

 

Os eleitores votaram em partidos, mas, uma vez que estava em causa a independência, o poder afere-se mediante a diferença de força entre dois blocos: o dos partidos independentistas; e o dos partidos constitucionalistas. O resultado foi claro: a maioria pretende que a Catalunha continue a fazer parte de Espanha, com 52% dos eleitores a votar em partidos constitucionalistas. No entanto, o método de conversão de votos em mandatos dá a maioria absoluta ao independentismo no Parlamento. O independentismo perdeu votos e perdeu mandatos (tinha 72, fica com 70). Sofre um recuo significativo, mas ainda assim conserva a maioria absoluta (que se faz com 68 deputados). Ou seja, a maioria dos eleitores deseja continuar espanhol, mas a maioria dos deputados no Parlamento não. Assim, desta eleição resulta uma clara dissonância entre a vontade popular e a vontade dos representantes eleitos. É bizarro, além de pouco favorável à confiança dos eleitores na democracia.

 

Ao bizarro junta-se um paradoxo: o nacionalismo radical e segregador do procés fez do Ciudadanos – força política que concilia o catalanismo com a identidade nacional espanhola – o partido mais votado. É a primeira vez que as eleições catalãs são ganhas por um partido que não é abertamente nacionalista. O Ciudadanos surge em 2006 com apenas 3 deputados e consegue agora 37, tornando-se o partido mais votado e com mais mandatos na Catalunha. É um resultado extraordinário. Dividindo os eleitores por partidos, a maioria disse sentir-se catalã e entende que essa identidade é compatível com a cidadania espanhola. Afinal, e contrariamente ao afirmado pelo independentismo radical, a Catalunha e o catalanismo são plurais.

 

Por fim, o marasmo. O bloco independentista recuou bastante, tendo menos votos do que o bloco constitucionalista. Perde votos e mandatos, razão pela qual dificilmente terá força para impor a independência. A isto acresce que os dois principais partidos independentistas, Junts per Cat e ERC, obtiveram resultados semelhantes. Dado o equilíbrio de força entre os dois, e as picardias que os separam desde 1 de Outubro, espera-se luta fratricida pela hegemonia no bloco independentista. Por último, os radicais anti-globalização da CUP passam de 10 para 4 deputados, perdendo peso político e, dessa forma, condições para mediar o potencial conflito entre o Junts per Cat e ERC. Será difícil que os independentistas ofereçam uma solução governativa estável e duradoura. No bloco oposto, o cenário é diferente, embora o marasmo seja o mesmo. Têm mais votos, mas não têm mais mandatos. O Ciudadanos obtém uma vitória histórica e estrondosa, mas o Partido Popular sofre uma derrota pesada e o Partido Socialista da Catalunha não cresce o suficiente para ajudar o Ciudadanos a formar governo. Tudo somado, a Catalunha continua ingovernável.

43 comentários em “21D na Catalunha: uma bizarria, um paradoxo e o marasmo”

  1. “Por essa razão, e por terem sido antecedidas por um período de enorme radicalização em torno da independência”

    Mais de 800 feridos em dia de referendo na Catalunha

    http://www.tvi24.iol.pt/internacional/referendo-catalunha/referendo-na-catalunha-policia-dispara-balas-de-borracha-apos-disturbio

    “O bloco independentista recuou bastante.”

    Leia-se na Folha de S. Paulo:

    Bloco separatista obtém maioria absoluta em eleições na Catalunha

    https://www.google.pt/amp/m.folha.uol.com.br/amp/mundo/2017/12/1945264-bloco-separatista-obtem-maioria-absoluta-em-eleicoes-na-catalunha.shtml

    Quanto à lógica de terem mais votos podemos usá -la para as autárquicas, deste ano, em Portugal. Nem percebo porque é que o Passos se demitiu (perderam menos de 1000 votos; mas quantas câmaras perderam? 9!!!)

    Agora a culpa é do sistema eleitoral. ….garotos….

    Eu enquanto me preparo para o banho desmonto a sua argumentação enviesada com periódicos de referência. Muito mau trabalho Diogo!! Vive do jornalismo? Espero que não.

    Ah…e não sou separatista. Sou democrata, e ao que me dizem português

    Bom, a água já está quentinha. Abraço

    1. O bloco independentista recuou bastante. Perdeu votos. Perdeu 5 mandatos. Teve menos votos do que o bloco constitucionalista. Se isto não é um recuo, não sei o que será. Admito que isto não seja do seu agrado, mas as coisas são como são.

      A lógica do número de votos, ironia das ironias, deve-se às ambições separatistas que quiseram fazer das eleições de ontem um plebiscito à independência. E, entendendo os resultados segundo essa lógica, o independentismo obteve cerca de 47% dos votos enquanto os constitucionalistas 52%. Desta leitura não resulta necessariamente uma crítica ao sistema eleitoral. É apenas aplicar a lógica escolhida pelo independentismo. Mais uma vez, as coisas são como são.

      Vê, desmontei a sua lógica enquanto tomo um café – bem mais simples e rápido do que preparar um banho.

    2. Disparates. É o que faz emborcar até à rolha.
      Só porque o Diogo é Noivo, não te dá o direito de te atirares ao gajo.

  2. com 52% dos eleitores a votar em partidos constitucionalistas

    1) Não me parece correto (embora seja a prática em Espanha) designar o nacionalismo espanhol por “constitucionalismo”.

    2) Não me parece correto dizer que a candidatura do Podemos é constitucionalista. Essa candidatura propõe um referendo à independência, coisa que é inconstitucional.

    1. 1) Uma coisa não invalida a outra.
      2) O Podemos defende um referendo legal e, portanto, exige uma revisão constitucional. Aliás, desde que apareceu no panorama político espanhol que o partido de Palblo Iglesias pede uma revisão da Constituição – a crise catalã não é mais do que um pretexto para a formação “morada”. Comentários à parte, ao querer um referendo legal, com cobertura constitucional, para efeitos da crise catalã o Podemos pode (e deve) ser considerado constitucionalista.

  3. a Catalunha continua ingovernável

    A Catalunha não é nem nunca foi ingovernável, se o governo espanhol deixar. A Catalunha tinha um governo até outubro e, se o governo espanhol não se opuser, poderá voltar a ter um governo estável, formado pelas mesmas forças políticas. Não é ingovernável: o governo de Madrid é que não permite que ela se governe.

    Convem dizer as coisas de forma clara.

    1. O Governo espanhol deixou e os eleitores votaram em eleições justas, legais e transparentes. A participação bateu todos os recordes. O resultado, uma vez traduzidos os votos em mandatos, não oferece solução política clara.
      Portanto, se antes o unilateralismo ilegal fez da Catalunha um território ingovernável, o resultado de ontem não permite sair desse pântano (pelo menos de forma clara, estável e duradoura). De facto, convém dizer as coisas de forma clara.

  4. “Partido Popular sofre uma derrota pesada”

    El País noticia que o Partido Popular (PP, direita) foi “varrido” da Catalunha e “compromete” o futuro do primeiro-ministro Mariano…..não é bem uma derrota pesada, tipo 4-0….é mais de humilhação, quase de não comparência

  5. Tudo somado, mas tudo, por mais que doa aos “globalizadores” (antes das novas tecnologias da comunicação e da informação, dividia-se para reinar; agora, junta-se para explorar), os movimentos independentistas estão imparáveis. É uma questão de tempo. A não ser que os Mercados usem os braços armados dos trumps, dos putins, de Israel ou da China para os esmagar.
    João de Brito

      1. Diogo explique -me lá. A maioria do deputados não são pró independência? Quem decide o governo e as políticas não são os deputados eleitos, representantes dos eleitores?
        Vou tomar 2 cafés a ver se percebo….

  6. Resumindo e concluindo:
    Se em vez de se deixar arrastar na radicalização o governo Espanhol e os partidos que o apoiam tivesse achado maneira de deixar fazer um referendo legal, tinha vencido o referendo e a situação ficava despoletada.

    Mas 155 vezes burros, meterem-se num confronto, tendo por resultado um governo pró-independência e o desaparecimento do PP da Catalunha (o que lhes deve dar muito jeito nas próximas eleições gerais). Parece que Rajoi estudou política com a Teresa May.

    1. Se cá nevasse fazia-se cá ski. E, além disso, referendar a independencia é ilegal no quadro da Constituição espanhola, assim como no quadro da maioria das Constituições (honrosa excepção feita a esse potentado que é a Constituição etíope).
      Concordo que talvez Rajoy tenha estudado política com Teresa May. Mas esqueceu-se – estou certo que por lapso – que os dirigentes da CUP também estavam na aula.

      1. “honrosa excepção feita a esse potentado que é a Constituição etíope”
        E a constituição inglesa… E a constituição canadiana… Quantos escoceses é que a polícia britânica agrediu no referendo de 2014 por quererem votar?

      2. A revolução de 25 de Abril de 1974 também foi ilegal à luz da constituição de 1933. Vamos mesmo por esse caminho?

  7. Evidentemente que o texto denuncia os desejos do seu autor.
    As eleições foram apenas isso: eleições para o parlamento catalão.
    Não foram um referendo. Esse ocorreu em outubro, nas condições impossíveis criadas pelo Estado espanhol. E o Sim, goste-se ou não, ganhou.
    Continua-se sem saber qual a vontade do povo catalão sobre a independência e as condições em que essa veria a luz do dia.

    As eleições foram apenas parcialmente livres, já que nem todos os candidatos tiveram as mesmas oportunidades para se apresentarem ao eleitorado, graças à perseguição judicial por crimes que, em Portugal e na esmagadora maioria da Europa, não existem. O caso dos dois presidentes de associações cívicas é bem evidente de uma perseguição judicial por crime de pensamento.

    A “maioria silenciosa” de Rajoy e Arrimadas levantou-se a votou massivamente.
    E perderam as eleições. Se, com estas condições únicas de tomada de poder pelo Governo central, prisão de líderes políticos e associativos, fuga de sedes de empresas, gigantesca campanha de propaganda e manipulação da generalidade dos meios de comunicação social, frontalmente contra os independentistas, criando medo e tentando criar pânico na população, se nem assim a “maioria silenciosa” ganhou as eleições, parece claro que os independentistas ganharam, estão bem e recomendam-se.

    Constitucionalistas são todos. Apenas que uns têm palas e outros reconhecem a necessidade de ultrapassar um documento, escrito em condições difíceis, saindo de uma ditadura e sob vigilância dos militares, principais guardiões da herança franquista nos anos 70.

    A política de “avestruz” que Rajoy quer agora implementar, como se a maioria independentista nada significasse, somente vem clarificar que a democracia e o voto popular pouco representa para o establishment castelhano.

    Dificilmente Rajoy continuará no poder. Mais difícil ainda, será vingar na UE a tese castelhana de que, por mais que os catalães votem, nunca terão a sua independência por via legal.

    1. Em relação ao comentário de absurdo a 22.12.2017 às 17:19: você diz o que eu pretendia dizer. Até o disse, mas de uma maneira muito tosca. Concordo em absoluto consigo e faço minhas as suas palavras. Parabéns pela clareza e oportunidade do seu comentário. Põe as coisas no seu devido lugar.

    2. As eleições foram um plebiscito ao independentismo porque os partidos separatistas assim o quiseram. Percebo que, face aos resultados obtidos, este enquadramento seja agora menos atraente para quem defende a independência da Catalunha. É tarde.

      As eleições foram livres porque, ao contrário do que sucedeu a 1 de Outubro, desta vez houve censo, houve cadernos eleitorais, houve a garantia de que as urnas estavam vazias no início da eleição, cada pessoa só pode votar uma vez, etc. Olhando para o modus operandi do independentismo, estas eleições foram de uma transparência e de uma liberdade estonteantes.

      Quanto ao ganhar ou perder as eleições, e em contra corrente com o facciocismo que impregna estas caixas de comentários, limito-me a constatar o facto de que o constitucionalismo teve mais votos e o independentismo mais mandatos, razão pela qual há uma dissonância entre a vontade popular e a vontade dos respresentantes eleitos.

      Não perceber isto é fazer jus ao seu nome.

      1. As regras são claras: um referendo é um referendo, umas eleições parlamentares são umas eleições parlamentares.
        Defender que umas podem ser outras ou vice-versa, é, sim, absurdo.
        Se, ainda assim quisessem, e de novo respeitando as regras eleitorais, os espanholistas perderam, já que, como se sabe, em eleições parlamentares o que conta é o número de deputados eleitos.
        Tal como nos EUA, o presidente eleito teve menos votos do que a candidata derrotada. Tough… mas são as regras, e ninguém deixa de o reconhecer como legitimamente eleito.
        Aliás, nem se precisa de sair de Portugal, para fazer a demonstração à saciedade dessa regra…

        Quem pretendia fazer disto um plebiscito, foram os espanholistas, com a fantástica “maioria silenciosa”. Perderam. A “maioria silenciosa” não votou nos partidos nacionais defensores do 155.

        Querer chamar o Podemos para o lado dos espanholistas, é, sim, de um facciosismo que nem ao El Pais ou ao ABC lembrou!

        Que se saiba, o referendo de outubro não foi regular. Não porque, que se saiba, tenham sido manipulados votos, que haja quem tenha votado mais do que uma vez, que as urnas estavam cheias logo no início da votação. Nem o ABC se atreveu a inventar tal.
        Não foi uma votação regular, porque tal não foi permitido pelo Estado espanhol, que reprimiu quem queria votar, que boicotou e impediu todo o processo regular de uma votação democrática.
        Que me recorde, as últimas vezes que similar situação tinha ocorrido na Europa, que o desejo de votar livremente foi reprimido pela força do aparelho policial, foi atrás da Cortina de Ferro, muitas décadas atrás.
        Belíssimas referências democráticas para o Estado espanhol!

        Verdade: a liberdade destas eleições estonteou ainda mais alguns. Aqueles que acham que as condições foram iguais para todos, com candidatos presos, com candidatos exilados, com o governo central no lugar do governo regional, com a manipulação do medo da comunicação social nacional, enfim… os desejos e as frustrações estonteiam ainda mais, toda a razão.

        Por fim: não, ainda ninguém sabe qual a vontade dos catalães no que à independência diz respeito. Pelo simples facto de que ainda não tiveram a oportunidade de se pronunciar regular e livremente.

        Não sou catalão. Nem castelhanófobo. Repugnam-me regimes autoritários e democracias deficientes, ainda que a coberto de constituições democraticamente referendadas, mas de redação vigiada, e de leis repressoras dos direitos políticos, sustentadas em constituições evidentemente datadas no tempo.

        1. http://www.lasexta.com/noticias/nacional/votos-duplicados-papeletas-sin-sobres-y-sin-junta-electoral-las-irregularidades-del-referendum-del-1-o-en-cataluna_2017100259d255820cf202015661ad86.html

          http://www.lasexta.com/noticias/nacional/varias-personas-votan-en-el-referendum-en-una-urna-situada-en-plena-calle_2017100159d0cbed0cf213697992735a.html

          https://www.elindependiente.com/politica/2017/10/01/denuncian-que-ha-sido-posible-votar-mas-de-una-vez-en-distintos-colegios-el-1-o/

          A lista continua.

      2. “o constitucionalismo teve mais votos”
        Falso. O nacionalismo (não lhe chame constitucionalismo porque PP, PSOE e C’s não respeitam princípios básicos da constituição espanhola como a liberdade de expressão e o direito à habitação e a um trabalho digno) NÃO teve mais votos que o independentismo. Tente ligar um ou dois neurónios e descobrirá que o Podemos não é nacionalista e defende a realização de um referendo. Não meta os outros no seu bloco nacionalista e reaccionário só porque lhe dá jeito. O Podemos só iria viabilizar um governo da senhora Arrimadas quando o inferno congelasse.

  8. Sou um simples e analfabeto cidadão. Mas há coisas que me intrigam. Por exemplo: a actual Constituição não foi torpedeada, para não dizer viciada, no seguimento dos ‘bons ofícios’ do Rajoy? As condições para esta eleição foram iguais para todos os partidos concorrentes? A senhorita advogada, muy guapa, que ganhou, não terá recebido muitos dos votos por medo de muitos eleitores, sobre o que poderia(á) acontecer a uma Catalunha independente e rejeitada pela UE? Um reformado eu ouvi, indeciso, pois não sabia o que lhe aconteceria, claro que à sua pensão, se a Catalunha se tornar(sse) independente. Mas não há problemas: repete(m)-se a(s) eleição(ões) até que os independentistas sejam corridos e os constitucionalistas consigam subir ao poleiro. Mas é de direita, esse Ciudadanos? Não terá nada a ver como os franquistas de Madrid? Poderá esclarecer-me?

    1. Não. Sim, embora o custo de cada mandato (em votos, bem entendido) varia muito de partido para partido. Não terão sido muitos, mas seja como for justificam-se. E, por fim, não, pertence à família dos Liberais europeus.

    1. Houve censo, houve cadernos eleitorais, houve a garantia de que as urnas estavam vazias no início da eleição, cada pessoa só pode votar uma vez, etc. Enfim, meu caro Luís, tudo o que não existiu no 1 de Outubro.

      1. Também não houve brutalidade policial. O estado espanhol não confiscou urnas de voto. Acho curioso que os espanholistas se esqueçam destes muito importantes pormenores…

  9. espetaculo. Parece um numero de circo, com os numeros mas ás claras.

    A base e a essencia historica é esta, tanto na catalunha, como no pais basco : os partidos tradicionais, e absolutos na espanha; o PP e o PSOE eram e sao ali residuais.

    E isso é que convinha ser, repetidamente, desenhado.

    E estas foram as eleiçoes menos democraticas de todas, com as pessoas ameaçadas de perderem os frigorificos.

  10. Nunca deixo de me espantar com o contorcionismo intelectual de certas pessoas.
    Atribuir características referendarias a estas eleições não é mais que a continuação da batota quando as convocaram e meteram na prisão ou emitiram pedidos de extradição de todos os dirigentes pró-independência.
    Se querem fazer leituras referendárias, convém que façam um referendo.
    Devem ser os mesmos que defendem a legalidade da eleição de Trump, mesmo tendo tido menos votos que a sua opositora.
    A dualidade de critérios tem limites.

    1. Correndo o risco de me tornar repetitivo (o V. apego a factos à medida a isso me obriga): As eleições foram um plebiscito ao independentismo porque os partidos separatistas assim o quiseram; percebo que, face aos resultados obtidos, este enquadramento seja agora menos atraente para quem defende a independência da Catalunha.

      1. Não invente que fica mal na foto.
        “As eleições foram um plebiscito porque os partidos separatistas assim o quiseram”? Apetece-lhe dizer isso. Quem é que forçou a convocação de eleições, para alterar o equilíbrio de forças e se deu mal? Resposta: Rajoy. Quem condicionou a comunicação social catalã contra os independentistas, ao ponto de saírem sondagens que davam Puigdemont em 4o lugar? Resposta: o poder madrileno. Eleições com candidatos presos ou fugidos para não serem presos, que me lembre só em ditaduras.
        Pode usar os critérios que quiser e inventar intenções plebiscitárias numas eleições que o não eram, os factos são estes: os movimentos pró-independência têm maioria absoluta no parlamento catalão. Querem referendar? Convoquem um referendo!

    2. Trump vence com menos votos que Hillary: os espanholistas aceitam.
      Rajoy teve maioria absoluta em 2011 com 45% dos votos: os espanholistas aceitam.
      Rajoy é actualmente primeiro-ministro de Espanha com apenas 33% dos votos: os espanholistas aceitam.
      David Cameron teve maioria absoluta em 2015 com 37% dos votos: os espanholistas aceitam.
      Macron conseguiu 60% dos deputados franceses apesar de nas presidenciais ter sido a primeira escolha de apenas 24% dos eleitores franceses: os espanholistas aceitam.
      O bloco independentista tem maioria absoluta com 47.5% dos votos: os espanholistas queixam-se que os independentistas não representam o povo catalão.

  11. FACTO #1: o “En Comú Podem” não pertence ao bloco nacionalista espanhol, nem ao bloco independentista catalão. É um partido não-alinhado, pois defende a realização do referendo, defende o direito à Autodetemrinação dos povos (independência), e tem dirigentes e eleitores com diferentes sentidos de voto em relação à independência.

    FACTO #2: as eleições foram para escolher o governo, não foram para referendar coisa nenhuma. Por isso, num referendo, que numa Democracia a sério, já teria sido permitido, o voto é directo, enquanto numa eleição parlamentar tem de haver uma fórmula de cálculo menos direta, que não permite 100% de proporcionalidade, como é o Método de Hondt, tal como é usado em Portugal (e dá maiorias absolutas a PS e PSD só com 45% dos votos), como como em França (que deu 60% dos deputados na 2ª ronda das eleições parlamentares a um partido com 24% dos votos na 1ª ronda das eleições presidenciais (eleições que estão diretamente ligadas num regime presidencialista como o Francês).

    FACTO #3: os partidos independentistas mantêm a votação que tinham, de 47 e tal %, os partidos espanholistas sobem de 39 para 43 e tal %, e no meio, o bloco dos não alinhados (Em Comú Podem) foi o que pagou pela indefinição ao perder espaço eleitoral.

    FACTO #4: Há uma maioria absoluta claríssima desde há vários anos, e que se manteve, de Catalães que quertem fazer o referendo.

    FACTO #5: Há uma maioria ainda maior, de mais de 2 terços (incluindo o PSC), que não estão satisfeitos com a manutenção do estado das coisas, e querem mudanças na Constituição, e o respeito pelo Estatuto Autonómico, que Rajoy e os seus camaradas do Constitucional chumbaram.

    FACTO #6: A única bizarria é a falta de noção da direita-radical portuguesa (ala Passista do PSD, sensivelmente 1 terço do partido, e todo o CDS), que passa os dias, desde 26 de Novembro de 2015, a fazer de conta que a realidade é a que vem na cartilha que lhes é transmitida pela newsletter do PPE e outros meios de transmissão de propaganda NeoLib e NeoCon.

    FACTO #7: Serei eleitor do BE em 2019 (não o fui em 2015), e estou muitíssimo satisfeito com a governaçãod a Geringonça. Tal como a maioria absolutíssima dos Portugueses, inclusive boa parte do eleitorado (bases) dos PSD, segundo sondagem publicada recentemente nos Órgãos de Comunicação Social do grupo Cofina, insuspeito pois é altamente alinhado com a “elite” NeoCon e NeoLib portuguesa.

    FACTO #8: Sendo de esquerda e democrata, sou obviamente a favor do cumprimento da lei internacional (Carta da ONU, que reconhece o direito à Autodeterminação dos povos), e da Constituição das nações demoráticas, desde que esta tenha sido escrita e aprovada em democracia plena, como em Portugal. Algo que não se passou no período de transição da ditadura Franquista, para a “democracia” dos seus herdeiros políticos: PP – camarada da direita-radicalo portuguesa no PPE (Partido popular Europeu).

    FACTO #9: Já vários especialistas alertaram que a Constituição Espanhola tem artigos que ditam a prioridade da lei internacional (ex: Carta da ONU) sobre a lei nacional (ex: indivisão do Estado Espanhol), assim como a ilegalidade que foi a prisão política de vários dos VENCEDORES destas eleições na Catalunha.

    FACTO #10: Tudo isto só mostra a vossa falta de vergonha, por apoiarem quem não é democrata nem sequer cumpridor da lei, só por mera “simpatia” partidária. O vosso blog pode muito bem mduar de nome, do sarcástico “Delito de Opinião” para um muito mais prócimo da vossa realidade “Democracia é só quando votam como eu quero, e se votarem diferente, repetem-se as eleições até concordarem comigo”.
    É isso em que os radicais da direita NeoCon e os radicais europeístas NeoLib se têm especializado. É essa a verdadeira e única BIZARRIA aqui presente.

    Postum Scriptum: Não se esqueçam agora de fazer como os vossos camaradas autoritários do PPE, na Polónia, na Hungria, e em Espanha, e de censurar o meu comentário.

    1. Facto 1: O Podemos defende um referendo legal e, portanto, exige uma revisão constitucional. Desde que apareceu no panorama político espanhol que o partido de Pablo Iglesias pede uma revisão da Constituição – a crise catalã não é mais do que um pretexto para a formação “morada”. Ao querer um referendo legal, com cobertura constitucional, para efeitos da crise catalã o Podemos pode (e deve) ser considerado constitucionalista.

      Facto 2: Os partidos e movimentos separatistas não o entendem (ou entenderam) assim pois fizeram campanha com base na ideia de que dia 21 de Dezembro havia plebiscito à independência. O resultado foi de cerca de 52% para os constitucionalistas e de 47% para os separatistas. Uma vez que, por força do método de conversão de votos em mandatos, há uma maioria independentista no Parlamento, há uma dissonância entre a votade popular e a vontade da maioria dos parlamentares.

      Facto 3: Ver facto 2.

      Facto 4: Talvez. Mas não há como demonstrá-lo.

      Facto 5: Certo. O problema é que essa maioria quer coisas diferentes da revisão Constitucional.

      Facto 6: Medicação. Urgente.

      Facto 7: Irrelevante para o assunto em apreço (isto para não insistir na recomendação que lhe fiz no ponto anterior).

      Facto 8: Estamos de acordo quanto à primeira frase. A segunda já é um pouco delírio.

      Facto 9: Isto já não é facto, comentário, elucubração, ou sectarismo. É birra.

      Facto 10: Uma camisa branca, daquelas com manga completa, que se fecha atrás, com atilhos. E uma sala almofadada.

      PS – Enquanto espécie, acho que nos precipitámos um pouco com aquela história do “sapiens”.

  12. Lembre-se Diogo Noivo que o ditador Franco inundou a Catalunha de não catalães, por exemplo de andaluzes, como fez Estaline na URSS com a Ucrânia … os métodos são os mesmos e que pêlos vistos o “democrata” Rajoy aproveita … se fossem apenas cidadãos nascidos na Catalunha o resultado seria outro … tenho pena que não tenha vivido em Portugal entre 1580-1640 para ver o que são castelhanos … e sobre Olivença que tal ???

    1. Sacana do Franco que inundou uma região de Espanha com… Espanhóis. Não se faz… Ainda por cima, e não contente com a aleivosia demográfica, o Caudillo juntou o insulto à pancada e vai de lixar a alta burguesia catalã – já altamente prejudicada com farta e baratíssima mão-de-obra exógena – com umas leis de proteção aos produtos “made in Catalunya” que arrasaram o tecido industrial catalão. Não há direito, ó Franquito…
      Quanto a essa Ucrânia inundada de russos, ela corresponde a uma situação ainda hoje facilmente verificável, basta olhar para a diminuta região separatista de Kiev que, cheia de russos étnicos e linguísticos, luta denodadamente contra a hegemonia dos monstruosos e demograficamente esmagadores Donbass e Lugansk inundados de ucranianos puríssimos.
      Não há como ser claro nas afirmações para aquilatarmos o que cada um defende. E o que se defende, consciente ou inconscientemente, são as mais rançosas teorias racistas e eugenistas: afinal de contas, o problema da Catalunha resume-se à pureza de sangue e a independência viu-se eternamente postergada pela poluição do ADN catalão pelo impuro vírus da água choca que corre nas veias de Andaluzes, Galegos, Castelhanos e Navarros e um punhado de… Portugueses. Que fazer? Promover a expulsão ou a aniquilação física daqueles 50% de eleitores que não se sentem independentistas como fizeram os “Kosovares” do UÇK aos Sérvios, Ciganos, Romenos e demais minorias da província sérvia do Kosovo? Ora aí está uma solução radicalmente definitiva – sem eleições nem referendos, esses aborrecimentos – para o “problema catalão”.
      Uma pergunta se me coloca: e, na perspetiva catalã da coisa, nas veias dos Portugueses, correrá o quê? A seiva da Herrenvolk cuja mescla com o puríssimo ADN catalão é um maná no apuramento da peninsular raça dos eleitos?

  13. Alguém tem de avisar o sr. Rajoy k ele não passa de um cadáver político! Enjoa e cheira a mofo o discurso à moda do sec. XVI deste produto de uma rapidinha entre o Hitler e o Franco!

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