20 motivos para amar Portugal (XIV)


Pedro Correia,

AZENHAS DO MAR

15 comentários em “20 motivos para amar Portugal (XIV)”

  1. Como qualquer mortal que se preza, tenho uma foto semelhante, igualmente tirada em dia de temporal.
    A vila em cascata sobre o mar e a sua piscina natural, é qualquer coisa … vale a visita, pois!

  2. O nosso país, na sua beleza natural infindável e genuína é o bálsamo para as afrontas que lhe são infringidas tantas vezes , descaracterizando-o física e moralmente.

  3. Esta imagem acordou em mim uma série de memórias.
    Um dia comprei em Andorra uma máquina fotografica que viria a tornar-se um objecto quase mitico da minha juventude. A marca prometia facilidades, Práktica, no fundo tinha inscrito o país de fabrico que pouco tempo depois deixou de existir, DDR.
    Com ela aprendi a usar a luz e a velocidade para guardar imagens em películas, que depois de reveladas se guardavam em envelopes especiais que as protegiam da luz e do pó. Os pixeis chegaram muito mais tarde. Ver o resultado apenas depois da revelação fazia do disparo um momento solene.
    Viajou comigo muito menos do que a nossa vontade exigia, mas sempre cumpriu na ilusão de ser possível guardar vivências para sempre.
    Um dia nas Azenhas do Mar, exactamente no local onde a imagem que o Pedro aqui colocou foi recolhida, um elemento do obturador, cansado, soltou-se e a máquina deixou de funcionar. Após várias visitas a casas da espacialidade o diagnóstico foi unanime, não vale a pena reparar.
    Como quem vê um amigo a partir, consolou-me que o ultimo disparo tivesse acontecido ali, de frente nas Azenhas.
    Durante algum tempo pensei que este seria o fim da história, mas alguns anos mais tarde, já no tempo dos pixeis, encontrei uma máquina usada do mesmo modelo à venda. Comprei-a para dar de prenda de anos à minha irmã, alguns anos mais nova e também interessada pela estranha química das imagens congeladas.
    Hoje usa-a em simultâneo com uma poderosa máquina digital, e exibe-a com falsa modéstia entre os amigos designers que num silêncio esverdeado a invejam. Ao lado da Praktica BMS os iPod’s, iPad’s, iPhone’s, etc, ficam todos em segundo plano.
    Sem este post não me daria ao trabalho de escrever este texto. E tudo por causa das Azenhas do Mar. Agora tenho mesmo de lá regressar em breve. Obrigado por isso, Pedro.

    1. Meu caro Paulo,
      Só para ter o prazer de ler esta sua história já teria valido a pena trazer aqui este postal das Azenhas. Votos de muitas e boas fotos, seja onde for.

      1. Desta história familiar desconhecia o detalhe das Azenhas.
        Este objecto é mítico para mim também.
        A primeira parte da minha relação com esta máquina prende-se com repetidas memórias de infância em que observava o meu irmão, as suas experiências e por vezes servia de modelo.
        Lembro me que desde sempre o objecto exercia sobre mim um enorme fascínio , despertava uma curiosidade tremenda de experimentar mas também um certo respeito!
        Anos passados, lembro me de ter imensa curiosidade de experimentar a máquina, mas nessa altura já não funcionava.
        A segunda parte da história começa num Natal (foi uma prenda de Natal Paulo!) e lembro me de ficar super entusiasmada com a possibilidade de finalmente experimentar a máquina.
        Descobri passado poucas experiencias que essa máquina tinha também uma avaria irreparável , descobrimos por sorte um habilidoso mecânico fotógrafo que quase com magia juntou as duas máquinas numa só a funcionar.
        Uso a máquina regularmente e de facto devo confessar que a exibo com o maior orgulho, além desta história por trás, produz imagens incríveis!
        Foi com certeza o melhor presente que o meu irmão já me deu!

    1. Perdigão Queiroga, autor de alguns sucessos do cinema português, nomeadamente ‘Sonhar é Fácil’, com três actores enormes: Laura Alves, António Silva e Eugénio Salvador.

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