16 comentários em “1º de Maio no mundo”

  1. Diz muito sobre o nosso estado actual… De um lado uma empresa que se deslocaliza, pressiona trabalhadores para trabalharem no Dia do Trabalhador e que, contra o lema “sem cartão ou promoção”, agenda uma grande promoção (dumping?) para um dia com um significado tão específico.

    Do outro, consumidores que muitas vezes não podem manter-se fiéis ao que acreditam, porque cada vez é mais difícil pagar as contas neste país e qualquer oportunidade tem de ser aproveitada.

    A mim não me apanham num supermercado neste dia. Tenho todos os outros dias para lá ir, porra. Há valores que não podem ser esquecidos ou vendidos e a minha consciência não está em promoção.

    1. O meu objectivo com este post foi o de mostrar o estado do país real, Sara.
      O Pingo Doce poderia ter escolhido outro dia para fazer esta promoção. Há mais feriados e fins-de-semana. Não me parece que a escolha do 1º de Maio tenha sido ingénua.
      As pessoas estão desesperadas e se por metade do preço podem trazer o dobro dos produtos obviamente nem hesitaram. Os pobres não têm escolha. É claro que não foram apenas as pessoas em necessidade extrema mas esta situação dá que pensar.

    1. É, é, triste, Sérgio, mas em verdade te digo que conseguir gastar 300 euros de supermercado e dispor deles numa altura destas também me pareceu estranho. Como cantariam os Doors “people are strange’.

  2. Percebo o que queres dizer, Leonor. Mas quanto a mim o que é muito, muito mau sinal é que seja a notícia do Pingo Doce a levar a palma às celebrações do 1º de Maio. A escolha é só nossa. E aí é que está o cerne da questão… Não achas?
    – Quem abafou o 1º de Maio? Não terá sido o próprio?
    (…)
    O que o Pingo Doce fez foi uma manobra de mercado que nem chega, tecnicamente, a ter contornos de concorrência desleal. Foi concorrência pura e dura, ponto final, e brilhante, num dia em que quase todos os consumidores estavam disponíveis e puderam ser desviados pelo apelo à poupança, num contexto de mercado em que todos os outros ‘hipers’ também funcionaram. Gostava de ter podido aproveitar.
    É assim a economia, é assim a estratégia…

    1. Mas eu nunca disse o contrário, Laura, aliás as fotografias que escolhi ilustram o que dizes: o acontecimento do 1º de Maio não foi o 1º de maio foi a promoção do Pingo Doce e isso é significativo do estado do país, independentemente de tudo o resto.
      Quanto ao Pingo Doce propriamente dito, e marketing à parte, não gostei da atitude. Acho que a escolha desta data quando houve controvérsia em torno da abertura dos hipermercados é uma provocação.
      Eu não critico quem lá foi, Laura, em momento alguma, mas que as pessoas tenham tido comportamentos pouco civilizados já é outra coisa. Se há culpados, o Pingo Doce não é de certeza.

      1. Claro que houve intencionalidade na data. Mas isto deveria ser um fait divers e foi muito mais do que isso por alguma razão…
        Penso assim, por mim, muito pragmaticamente:
        Eu trabalho o dia todo até às tantas; Não tenho horas mortas; Sou dona de casa em acumulação; Passei a ponderar cada despesa ao mm; Vivo num dos países europeus onde a alimentação mais onera o orçamento familiar; Costumo, desde sempre, fazer compras de alimentação maioritariamente em regime mensal; estou no princípio do mês, sei que há um sítio qualquer de confiança onde fazem 50% de desconto, e não vou a correr fazer essas mesmíssimas compras, as do costume, para obter uma brilhante poupança no meu caderno de encargos? Mas qual consumismo, qual açambarcamento!
        Sei que concordas comigo…
        E eu só não fui porque o meu tempo livre também é dinheiro e não tenho quem me substitua nessa tarefa de formiga despenseira.

        1. Mas a questão é essa, Laura: nos tempos que correm não há escolha. Não fui eu que falei em consumismo ou açambarcamento. Ando desde ontem a dizer que não critico quem lá foi.

          1. Só fala em açambarcamento quem vive fora da realidade, Laura e pouco me interessa se é a direita ou a esquerda, aliás a bipolarização desta questão aborrece-me. As pessoas estão a passar mal.

  3. O dia de S. Pingo Doce ou de S. Jerónimo, parece-me bem, na verdade toda a nossa comunicação social está ” vendida “, abrir jornais nacionais e manter a noticia no ar por 30 minutos é deveras degradante. Fazer a promoção no dia do Trabalhador é mais que certo, intencional.
    Se o Pingo Doce pode vender a metade do custo isto quer dizer que nos restantes dias do ano, nos anda a enganar a todos com margem de lucro nos produtos, altíssimas. Das duas uma, ou faz ” dumping ” ou nos engana.
    Classifico esta campanha como uma vergonha nacional de uma empresa que mostrou que tem mais poder que o próprio estado.
    Leonor todos nós precisamos de comprar mais barato, todos nós estamos a atravessar dificuldades,mas tratarem-nos como animais a quem acenam uma cenoura é vil.
    Ontem o dono dos Pingo Doce, não teve pena dos portugueses que passam dificuldades, ele tomou conta dos noticiários da Tv, sem pagar a campanha publicitária e mostrou que ele é que manda, nas suas lojas e nos seus empregados!

    1. É claro que a escolha não foi inocente, cr, e é claro que ninguém está em situação de recusar uma promoção destas. É o país que temos, perdeu-se o Norte, em vários sentidos.

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