1º de Dezembro


Pedro Correia,

Espero que no próximo ano o mais antigo feriado civil português volte a ser o que já foi. Pondo-se fim a uma das mais absurdas decisões desta legislatura.

Um Estado que preza a soberania nacional, princípio expresso no artigo inaugural da Constituição da República Portuguesa, deve orgulhar-se da efeméride que evoca a restauração da independência: o 1º de Dezembro tem de regressar à lista dos feriados oficiais.

Isso vai acontecer, não tenho a menor dúvida.

20 comentários em “1º de Dezembro”

  1. Precisamos mesmo de ter 4 dias de Portugal: do Camões, da Indepedência, da República e da Liberdade? Ou simplesmente não gosta dos 2 que foram escolhidos?

    Eu também preferia que tivesse sido escolhidos outros, mas acho que ter 4 é muito pouco razoável.

  2. Sendo duas datas históricas, o 25 de abril de 1974 e o 1 de dezembro de 1640, que sentido faz celebrar uma data e não celebrar a outra? e porque é que não deixou a primeira data de ser feriado em vez da segunda?

  3. Mais importante do que repôr o 1º de Dezembro seria mais agregador da identidade nacional abolir o Acordo Ortográfico. Pior ainda, o Dr Costa, tão preocupadinho com a reposição da verdade histórica sobre um golpe palaciano, fala ao mesmo tempo em aprofundar a lusofonia — que mais não é do que dissolver a nacionalidade (perguntem aos Brasileiros se querem perder a sua…). A extensão da inteligência do fulano está patente na contradição — para não falar da nulidade absoluta do seu projecto tardo-maçónico que qualquer verdadeiro Português deve combater se pretende continuar a sê-lo.

    1. A “lusofonia” parece ser um projecto ideológico, político sobre o qual os portugueses nunca foram chamados a pronunciarem-se.
      Quanto aos brasileiros aproveitam-se desta lorpice para imporem os seus interesses – desde a sua ortografia aos seus negócios – e a venda da PT a capital francês devia fazer reflectir sobre mais esta tolice.

  4. Concordo ! A nossa história está repleta de grandes portugueses,

    “[…]aqueles que por obras valerosas
    se vão da lei da morte libertando[…]”

    Dom Antão de Almada, Dom Afonso de Menezes, Dom Álvaro de Abranches da Câmara, Dom Francisco de Noronha, Dom Miguel de Almeida… devagarinho chegamos aos 35 que faltam…

    É bem mais difícil esquecer os nomes dos Conjurados que aprendemos em pequenos, do que lembrar os nomes de todos os ministros dos últimos 3 governos constitucionais… talvez seja isso das obras valerosas que tem faltado na vontade dos homens.
    Os feriados podem apagar-se do calendário, mas o que eles evocam não se apaga da memória.

  5. Nunca o feriado do 1º de Dezembro foi melhor celebrado do que agora que já o não é.
    Nada como perder algo para apreciarmos o seu valor!

  6. A propósito do dia de hoje, uma amiga grega perguntou-me se houve reação (protestos) nas ruas contra o facto do governo ter abolido o feriado do 1º de Dezembro.

    “Na Grécia nos nossos feriados ninguém toca! Há que manter a memória”, disse-me.
    Pois, mas os portugueses de hoje já não são feitos da mesma fibra dos que venceram a Espanha, a maior potência mundial em 1640 ao mesmo tempo que travavam uma guerra com os Países Baixos para segurar um império global. A malta rija, valente, deu lugar, como escreveu Miguel Torga, a “…uma colectividade pacífica de revoltados”.

  7. Também gosto de celebrar a reconquista da Independência de Portugal. Mas não entendo a celebração das instaurações de meros regimes políticos — quando não se comemora, e ninguém fala disso, o nascimento da Nação, ou seja, o Tratado de Zamora. Por ironia das coincidências, em 5 de Outubro de 1143, há nada menos de 871 anos!
    Gostava muito de conhecer a opinião de Pedro Correia sobre este assunto.

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