Espero que no próximo ano o mais antigo feriado civil português volte a ser o que já foi. Pondo-se fim a uma das mais absurdas decisões desta legislatura.
Um Estado que preza a soberania nacional, princípio expresso no artigo inaugural da Constituição da República Portuguesa, deve orgulhar-se da efeméride que evoca a restauração da independência: o 1º de Dezembro tem de regressar à lista dos feriados oficiais.
Isso vai acontecer, não tenho a menor dúvida.

Precisamos mesmo de ter 4 dias de Portugal: do Camões, da Indepedência, da República e da Liberdade? Ou simplesmente não gosta dos 2 que foram escolhidos?
Eu também preferia que tivesse sido escolhidos outros, mas acho que ter 4 é muito pouco razoável.
Há quem prefira celebrar o Dia das Bruxas, de inspiração americana. Sinal dos tempos. ‘Que las hay, las hay’.
Sendo duas datas históricas, o 25 de abril de 1974 e o 1 de dezembro de 1640, que sentido faz celebrar uma data e não celebrar a outra? e porque é que não deixou a primeira data de ser feriado em vez da segunda?
Porque sim. Ou porque não, já nem sei.
Mais importante do que repôr o 1º de Dezembro seria mais agregador da identidade nacional abolir o Acordo Ortográfico. Pior ainda, o Dr Costa, tão preocupadinho com a reposição da verdade histórica sobre um golpe palaciano, fala ao mesmo tempo em aprofundar a lusofonia — que mais não é do que dissolver a nacionalidade (perguntem aos Brasileiros se querem perder a sua…). A extensão da inteligência do fulano está patente na contradição — para não falar da nulidade absoluta do seu projecto tardo-maçónico que qualquer verdadeiro Português deve combater se pretende continuar a sê-lo.
A “lusofonia” parece ser um projecto ideológico, político sobre o qual os portugueses nunca foram chamados a pronunciarem-se.
Quanto aos brasileiros aproveitam-se desta lorpice para imporem os seus interesses – desde a sua ortografia aos seus negócios – e a venda da PT a capital francês devia fazer reflectir sobre mais esta tolice.
Ponho em paralelo os feriados suprimidos e a ortografia estropiada. Duas faces da mesma má moeda.
Concordo ! A nossa história está repleta de grandes portugueses,
“[…]aqueles que por obras valerosas
se vão da lei da morte libertando[…]”
Dom Antão de Almada, Dom Afonso de Menezes, Dom Álvaro de Abranches da Câmara, Dom Francisco de Noronha, Dom Miguel de Almeida… devagarinho chegamos aos 35 que faltam…
É bem mais difícil esquecer os nomes dos Conjurados que aprendemos em pequenos, do que lembrar os nomes de todos os ministros dos últimos 3 governos constitucionais… talvez seja isso das obras valerosas que tem faltado na vontade dos homens.
Os feriados podem apagar-se do calendário, mas o que eles evocam não se apaga da memória.
Todos devíamos saber de cor os nomes dos principais conjurados de 1640, Dulce. Sem dúvida.
De preferência, comemorações com umas senhoras avantajadas.
Umas Lolas com castanholas.
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interio r.aspx?content_id=4267586
Por sinal, o video (para já) parece que só arranca se estivermos na página inicial.
http://www.dn.pt/inicio/
Um triste e desolador sinal dos tempos.
Nunca o feriado do 1º de Dezembro foi melhor celebrado do que agora que já o não é.
Nada como perder algo para apreciarmos o seu valor!
Isso é verdade, Xico.
A propósito do dia de hoje, uma amiga grega perguntou-me se houve reação (protestos) nas ruas contra o facto do governo ter abolido o feriado do 1º de Dezembro.
“Na Grécia nos nossos feriados ninguém toca! Há que manter a memória”, disse-me.
Pois, mas os portugueses de hoje já não são feitos da mesma fibra dos que venceram a Espanha, a maior potência mundial em 1640 ao mesmo tempo que travavam uma guerra com os Países Baixos para segurar um império global. A malta rija, valente, deu lugar, como escreveu Miguel Torga, a “…uma colectividade pacífica de revoltados”.
Pois.
Também gosto de celebrar a reconquista da Independência de Portugal. Mas não entendo a celebração das instaurações de meros regimes políticos — quando não se comemora, e ninguém fala disso, o nascimento da Nação, ou seja, o Tratado de Zamora. Por ironia das coincidências, em 5 de Outubro de 1143, há nada menos de 871 anos!
Gostava muito de conhecer a opinião de Pedro Correia sobre este assunto.
A minha opinião é clara: devemos festejar o 5 de Outubro também.