Uma pergunta: se durante uma lide o touro der uma cornada num desses moços apertadinhos em sedas, adornos, luces, fru-frus, aos gritos de hei, hei, o animal tem direito a palmas, ou fica mal? Só para saber.
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modosdever,
Uma pergunta: se durante uma lide o touro der uma cornada num desses moços apertadinhos em sedas, adornos, luces, fru-frus, aos gritos de hei, hei, o animal tem direito a palmas, ou fica mal? Só para saber.
Depende dos cascos. Eu se tivesse aplaudia.
Pedi uma opinião, não um coice.
Eu vi logo que gostavas de coices. De opiniões duvido muito. É muita cultura urbana chique onde os toiros só entram aos bifes.
Já que anda por aí tanta erudição, será possível pedir uma opinião sobre se os touros a sul do Sado são iguais aos Évora.
Obrigado.
O toiro ia gostar de apanhar na arena ou em qualquer outro lado, só para umas festinhas e brincadeiras.
Não tem resposta.
Pois deve dar-se-lhe beijinhos,festinhas,ao toiro bravo,pedir-lhe muitas desculpas.
O Anónimo não percebeu. Quem deu a cornada foi o touro, quem a levou foi o toureiro, o moço cheio de fru-frus a quem, sim, se quiser, o Anónimo pode dar beijinhos e festinhas, e pedir desculpas.
Se o touro matar o tal rapaz dos adornos, o que lhe acontece? Hipótese 1: vai para o Panteão. Hipótese 2: é condecorado no 10 de junho com a Ordem de Mérito Agrícola.
Como sabe o prémio do touro, saia ele ou não vencedor, é sempre o mesmo. E agora, que já nos percebemos, podemos ficar por aqui? Boas lides.
O animal quando é de uma bravura excepcional, é aplaudido de pé, e em Espanha onde o touro é morto na arena, é indultado e devolvido ao campo onde durante 4 ou mais anos viveu em total liberdade ao contrário dos seus irmãos de “carne” que vivem somente 18 a 24 meses enjaulados a criar carne para o matadouro.
Bem, fico a saber que, por cá, se o touro for apenas bravo nem sentado é aplaudido, e que, em Espanha, é “indultado” e devolvido aos campos aonde o foram buscar para ser picado por heróis e plateias medievais e por fim – na melhor das hipóteses – “indultado” sabe-se lá por que pecado original ou crime cometido nas várzeas.
Indultado. O touro é então indultado. Seria hilariante, mas desgraçadamente é patético: até onde vai a desfaçatez na busca de argumentos que defendam o indefensável… Se o touro recebe um indulto é porque foi condenado; se foi condenado é porque foi sentenciado; se foi sentenciado é porque praticou acto ilícito; e praticou-o estando reunidos pressupostos de culpabilidade (desde logo dolo ou negligência); isto é, o touro distingue o bem do mal e perante o mal deseja conscientemente as suas consequências, ou pelo menos conforma-se com elas; o touro é, portanto, imputável; ou seja, é dotado da razão. Para os “aficionados” o touro é assim um animal racional!
Um igual aos humanos. E todavia fazem-lhe o que lhe fazem. Já agora, onde fica registado, consagrado, o expresso consentimento, devidamente informado, para tanto dado pelo touro?
Quanto à sorte dos animais para abate e consumo, ela – horrível, é facto, por regra – só não é conhecida por quem não quer. Há aí um penosíssimo e urgente caminho a percorrer.
Justifica esse horror, que tem com ele necessidades e práticas alimentares de toda uma espécie (o que não desculpa a barbárie), esse outro, o da tourada? Em que é então a tourada (quase) essencial à subsistência da espécie humana?
Costa
Bem acrescentado, senhor Costa.
Sendo aficionado, lamento não ter a capacidade argumentativa que terá um Vargas Llosa, ou ate o Manuel Alegre, para já não falar no Hemingay, que não está entre nós. As posições são tão extremadas, que não existe qualquer hipótese de uma parte tentar convencer a outra.
Independentemente das posições de cada um, não aceito de maneira nenhuma que controlem administrativamente os meus gostos.
A questão de fundo aqui são as touradas e para mim tanto se me dá que Llosa, Alegre ou Hemingway gostem dela ou não. São tão senhores dos gostos dos outros como a ministra da Cultura. O que aqui está em causa é a festa feita à custa de um animal a sofrer. E é isto que os aficionados em geral, não digo que seja o seu caso, se recusam a ver.
Bravo, Costa!
Como ironizava, e bem, o maestro Vitorino d’ Almeida, “se tourada é cultura, canibalismo é gastronomia”
LOL!!
“Do not go about as a demagogue, encouraging triangles to break out of the prison of their three sides.
If a triangle breaks out of its three sides, its life comes to a lamentable end.
Somebody wrote a work called “The Loves of the Triangles”; I never read it, but I am sure that if triangles ever were loved, they were loved for being triangular”
(J.K. Chesterton, Orthodoxy)
Jorg
Caríssimo sinceramente não sei onde está a demagogia nem para quem é o recado.
Ainda não tomei partido.
Confesso até que tendo para a condenação do espetáculo.
Mas recuso terminantemente que me ponham em igualdade com um qualquer animal irracional.
João de Brito
Não se trata de tomar partido, João; tudo o que está em causa é respeito e compaixão por um animal para mais maltratado para gozo de alguns.
O Homem é dotado de uma extraordinária razão em virtude do Homem ser um grandessíssimo animal. Já ouviu falar na teoria evolutiva?
Eu cá penso assim. Homem é homem e bicho é bicho. Ou seja, por muito horrível que seja o comportamento de uma homem, está sempre muito acima de um animal. Se um touro matar um homem, eu choro o homem. Não fico feliz com a morte de humanos. Bichos não se aplaudem, inclusivamente porque são irracionais e não sabem o que é aplaudir nem têm os nossos conceitos. Nem sequer percebem o que é um direito nem um dever. Mas não acho bem que se inflija sofrimento a um irracional. Apesar de a Natureza os ter fabricado para sofrerem.
Olhe: francamente não sei o que lhe responder.
Quantos de vocês, num campo de futebol, só não matam os adversários, só porque não podem?
Bem, não vem mesmo a propósito a comparação.
Ha quem torça pelos animais…quem torça pela civilização…os citadinos a quererem educar o mundo rural na forma como trata os animais é proprio de animais…
Quê?
De acordo.
Não é possível por no mesmo patamar animais e humanos PONTO
Os mesmos citadinos que atacam o mundo rural ligado aos toiros são os mesmo que têm cães dentro de apartamentos todos o dia e que só saem à noite para a mijinha durante 15 minutos.
O touro de lide é um animal único que a nível mundial só ainda existe porque há touradas. Negar isto é pura ignorância.
Acha então que manter uma raça para a fazer sofrer e sangrar é digno da que o senhor representa? Se acha talvez concorde consigo num ponto: nem todos os animais e nem todos os humanos estão realmente no mesmo patamar.
Acha então que manter uma raça para a fazer sofrer e sangrar é digno da que o senhor representa?
Como é que quer comer carne sem criar e matar o boi?
A sua argumentação é tão pobrezinha que não vamos perder mais tempo. Boas lides.
Igualmente.
shiiiiiii…! – C`alívio …