Mais ou menos como um fumador que decide contabilizar finalmente quanto dinheiro gasta por ano em tabaco, talvez se registasse um sobressalto colectivo se fôssemos calcular a quantidade de tempo – tempo finito, emprestado, como bem lembrou o Pedro na semana passada – que desperdiçamos online a propósito de coisas – sei lá, livros, filmes, séries, jogos, políticos, ideias, pessoas – de que não gostamos. De todos os desperdícios da sociedade contemporânea, talvez este seja mesmo o maior.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

João, interessa-me muito mais a relação entre o trabalho e o Homem, sobretudo do ponto de vista ontológico (Ser-se mãe é ser-se mulher na plenitude; Trabalhar é ser-se homem com total direito ; o Trabalho dignifica; E finalmente o Trabalho como Castigo – Génesis). Assim, importa-me, como amador da natureza humana, saber, mais, quanto tempo gastamos, desse tempo emprestado, a trabalhar em coisas que não gostamos, que humilham, mas, nele, persistimos. E insistimos, primeiro, por uma questão de moralidade, segundo, pelo preconceito fabricado sobre o trabalho. Um preconceito que penso ter surgido com a desgraça da nobreza. Da nobreza, da classe, e da nobreza do homem.
O trabalho é um engodo. Se há mal necessário, é mesmo esse.
Não teria que ser assim. João, como adepto de ficção científica, já ouviu falar sobre Economia Baseada em Recursos (Venus Project)?
Não estou certo de já ter ouvido falar. Mas tenho muita simpatia pela sociedade pós-escassez que o Iain M. Banks descreveu nos livros da série “Culture”. Claro que haver IA muito peculiares ajuda 🙂
O desperdício de tempo a propósito de coisas e pessoas repulsivas que nos fazem engolir à força não será menor do que os contados gastos em tabaco.
O problema não é tanto aquilo que não é evitáveis como aquilo que é facilmente evitável.
Como eu acho que toda a informação é útil, para mim, pesquisar seja o que for gostando ou não , normalmente não é um desperdício de tempo.
Mas que se passa demasiado tempo online, concordo.
Não estava a pensar tanto em pesquisa e em leitura, mas em comentários idiotas e discussões inúteis sobre coisas que, bem vistas as coisas, não nos interessam muito.
Posto nesse contexto, tem toda a razão João. Podemos empregar bem melhor o tempo precioso que nos emprestaram para viver.
Por vezes, seria bom tomarmos opções, sim. É um pouco como a estratégia que adoptei para as doçarias. Deixei de comer doces de que não gosto muito, ou só gosto assim-assim. Se é para engolir bombas calóricas, mais vale ser aquilo de que gosto mesmo
Está bem pensado, Cristina. Mas comigo não resultaria… Sou muito esquisito com a comida, mas nos doces…
João, já sabes a que ponto a excessiva permanência neste mundo paralelo me confunde, por isso não podia estar mais de acordo. Eu, que à medida que envelheço me torno cada vez mais avara em relação ao tempo que nos “é emprestado” (sim, também retive a expressão que o Pedro usou).
Eu gasto imenso tempo online em pesquisas, leituras e videojogos – mas não passo o tempo a ler coisas ou a jogar jogos de que não gosto. Hoje em dia mal tenho tempo para as coisas de que gosto…
Completamente em desacordo.
Opções de vida são todas respeitáveis desde que não interfiram com as opções dos outros.
Só é tempo perdido aquele a que se é obrigado quando contrariando a nossa vontade. Se a pessoa se sente bem na Net, é tanto tempo perdido como o de outra pessoa que se sinta bem no cinema, na praia ou a ver uma qualquer modalidade desportiva.
Serei das últimas pessoas a criticar alguém por passar demasiado tempo online. Não foi bem isso que escrevi.
Não foi bem isso, de facto, mas enquanto não me passarem os nervos da final da taça só vejo inimigos pela frente e ganas de destruição maciça.
A coisas que não gostamos, por exemplo a política, ideias afectam-nos logo.
Por outro lado sempre que falamos estamos a influenciar ou pensamos que estamos a influenciar. A dar-nos importância.
lucklucky
Não posso estar mais de acordo, João.
Nunca irei perceber os trolls online, Pedro. Passar tanto tempo e gastar tanta energia a tentar incomodar estranhos? Há gente com demasiado tempo livre…
Faz parte, João Campos, faz parte.
Também se não houvesse nada a incomodar-nos passávamos pela vida embrutecidos de tanta insipidez.
Depende.
É preciso não ficar numa bolha. Se eu não olhasse para o que “não gosto” nunca teria ouvido jazz – por exemplo. E hoje, com algoritmos a darem-nos cada vez mais do mesmo, a bolha é opaca.
Não era exactamente nisso que estava a pensar, mas percebo como pode ser essa a leitura. E aí dar-lhe-ia toda a razão. Esse fenómeno aínda será muito estudado.
Não sei se concordo por inteiro com a afirmação.
Experimentem a ter que passar a ferro, fazer camas, estar ao computador por trabalho- pelos preços e facturas , limpar as casas de banho, fazer a comida , passar a lixívia no chão da casa por causa do covid, estender roupa etc, para ver se, dar uma só passada pelas redes não é o mesmo que ouvir o Garfunkels… só esta gentinha que anda a pedir para comer, à Ministra da Cultura é que vive somente a espalhar o veneno pelas redes e escrevendo bacoradas que ninguém assimila. Estes assim é que são um estorvo, um cancro, para eles mesmo e para a sociedade. Estes até transportam as redes no telefone que deveria servir só para telefonar, com o fim de ver se acertam na perna de alguém , por “judiaria” e para ver se trás cuecas! Estes é que deveriam infectá-los de propósito com covide, e por-lhe uma etiqueta para eutanásia!! Nem no lixo para reciclagem!!
Ele diz que é o clube do povo porque anteriormente ganhava a vida a vender e a comprar pneus velhos, ou a recauchutá.los … e também assava umas tiras de entrecosto para vender.. onde ia buscar mais algum p`rá bucha…