Os melhores livros do meu ano (3)


Pedro Correia,

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À medida que vamos acumulando leituras, outro prazer os livros nos proporcionam. Refiro-me ao gosto da releitura, que em 2020 cultivei em doses adicionais.

Aproveitando o longo período de reclusão imposto pelas autoridades sanitárias e por força das circunstâncias, revisitei várias obras literárias, de autores muito diversos. Como se fosse um reencontro com velhos amigos, sem precisar de máscara.

Isto aconteceu-me tanto com autores portugueses como estrangeiros. Tratando-se, em certos casos, de uma leitura já em dose tripla. Mas nem por isso menos estimulante.

Fica a lista dos dez melhores livros que fui relendo no ano que agora acaba. Por ordem alfabética, como aconteceu aqui e aqui.

 

……………………………………………………….

 

A CIDADE E AS SERRAS, de Eça de Queiroz (1901). Já longe da estética realista, de que foi um dos principais cultores, Eça escreveu em França esta magnífica declaração de amor a Portugal. Com personagens, cenários e diálogos inesquecíveis, entre o luxo de Paris e a beleza rústica da paisagem duriense.

 

A ILHA DO TESOURO, de Robert Louis Stevenson (1883). Romance de aventuras para todas as idades – um dos mais célebres de sempre. Na sua galeria de personagens fabulosas destaca-se Long John Silver, o marinheiro renegado que abraça a pirataria, cruzando para sempre a linha divisória entre o bem e o mal.

 

A LINHA DE SOMBRA, de Joseph Conrad (1917). Um navio estagnado devido a uma imprevista calmaria oceânica, com dezenas de tripulantes infectados a bordo, parecendo alvo de uma insólita maldição. O protagonista jamais esquecerá esta sua viagem iniciática em mares orientais com galões de comandante.

 

A SELVA, de Ferreira de Castro (1930). Um dos raros romances portugueses com alcance universal. Castro transforma a sua experiência como jovem trabalhador braçal na Amazónia em material literário de inegável qualidade. Uma obra que tem como protagonista a floresta, com os seus mistérios e os seus terrores. 

 

ATÉ AO FIM, de Vergílio Ferreira (1987). Romance crepuscular do autor de Aparição, centrado num pai que vela o corpo do filho numa capela à beira-mar enquanto desfia memórias relacionadas com encontros e desencontros que mantiveram. Vigília povoada de interrogações e perplexidades sobre o homem e o seu destino.

 

CRIME IMPUNE, de Georges Simenon (1954). Obra capital entre os romances que o prolífico autor belga escreveu sem a presença tutelar do seu comissário Maigret. Ambientado numa pensão de Liège, com hóspedes de várias nacionalidades e oriundos de encruzilhadas diversas. Um deles terá um futuro trágico.

 

MAU TEMPO NO CANAL, de Vitorino Nemésio (1944). O melhor romance português do século XX. Imbatível como ficção literária no cenário açoriano – desenrolada em quatro ilhas: Faial, Pico, São Jorge e Terceira. Obra apropriada nestes tempos difíceis: a epidemia (aqui, de peste bubónica) é um dos temas centrais.

 

O MALHADINHAS, de Aquilino Ribeiro (1922). Obra-prima da nossa novelística, escrita na primeira pessoa do singular, com linguagem pícara e castiça, dando voz a um almocreve de meados do século XIX que percorria serranias beirãs no rescaldo da guerra entre liberais e miguelistas que dilacerou Portugal por muitos anos.

 

O TRIGO E O JOIO, de Fernando Namora (1954). A chamada escola neo-realista produziu romances de indiscutível qualidade. Talvez nenhum com tanta autenticidade como este, centrado num humilde camponês alentejano que ambiciona ser proprietário de uma burra e move tudo para concretizar tal sonho. 

 

VINTE MIL LÉGUAS SUBMARINAS, de Júlio Verne (1870). Quinto romance mais traduzido em todo o mundo, tem encantado sucessivas gerações de leitores e mantém intacto o seu fascínio. Quantos de nós não desejámos embarcar no Nautilus – o primeiro submarino da literatura – sob o comando do enigmático capitão Nemo?

30 comentários em “Os melhores livros do meu ano (3)”

  1. Destes dez não li o Simenon (mas gostei muito do Homem que via passar os comboios) nem o Nemésio (falha grave, logo eu que gosto tanto dos Açores).
    Está aqui o meu favorito do Vergílio (embora goste muito de muitos outros), o meu terceiro preferido do Eça (mas gosto de tantos…), um dos melhores de Ferreira de Castro, cuja obra li e reli ainda muito nova.
    Li o Malhadinhas por obrigação e, talvez por isso, não me encantou, gostaria de voltar a ele; li todo o Júlio Verne e também a Ilha do Tesouro no tempos dos livros de aventuras que o meu irmão passava para mim. Também li este do Conrad (já não o tenho), mas recordo vagamente que era muito denso e claustrofóbico.
    Ah, falta o Fernando Namora: gostei deste mas prefiro os Retalhos da vida de um médico.

    Bom Ano Novo, Pedro, para si e todos os seus!
    🌲⛄

    PS: Falta o nome do Autor no Mau Tempo no Canal: apenas um pormenor. 🙂

    Maria

    1. Ora viva, Maria.

      Como creio ter escrito algures, comecei esta maratona literária – ainda em 2019 – para responder à pergunta que formulei a mim próprio: quais os dez melhores romances portugueses do século XX?
      Pergunta que logo se desdobrou noutra: quais os melhores romances portugueses do século XX, década a década?

      E como este acto de perguntar é composto por camadas, como quem descasca uma cebola, daqui surgiu outra questão também à procura de resposta: Quais os melhores romances mundiais do século XX, ano a ano?

      Perguntar é fácil, responder é muito mais difícil.
      Mas após mais cem livros lidos ou relidos, só em 2020, não tenho dúvida em eleger “Mau Tempo no Canal” como o melhor romance português do século XX, sucedendo a “Os Maias”, melhor romance português do século XIX.

      Claro que depois vêm as subdivisões.
      Qual o melhor romance português da segunda metade do século XX?
      Qual o melhor em cada década?
      Qual o melhor em cada ano?
      É impossível responder a qualquer destas perguntas com honestidade intelectual sem termos lido muito.

      Enuncio isto só para referir que podemos criar, com base neste jogo que tem muito de lúdico, uma espécie de motivação extra para a leitura.
      Se funciona comigo, certamente funcionará com outros.

      No final, como acontecia quando éramos garotos, trocamos cromos…

      Desejo-lhe um bom ano, com saúde, e muitas visitas aqui ao blogue em 2021.

      P. S. – Já inscrito, o nome de Nemésio: era omissão imperdoável. Agradeço-lhe o reparo.

      1. Que coincidência! Liguei agora a tv e está a dar o 4º episódio da série Mau tempo no Canal na rtpM. Eu nem sabia que existia uma série…
        Vou ficar a ver, claro.
        Até agora só reconheci a Maria do Céu Guerra, parece que termina amanhã, vou tentar ver os episódios anteriores se estiverem na rtp play.

        Bom almoço, Pedro.
        🥘🍷☕
        Maria

          1. Já por duas vezes tentei ler ” Mau Tempo no Canal”, mas desisto e não passo das primeiras páginas. Despertou-me a vontade de ir “espreitá-lo” na nossa RTP. Espero mudar de ideias. O “pior” são os livros que tenho iniciado e mais dois oferecidos por estes dias que me atropelam.
            Um muito Bom Ano de 2021.

          2. Comecei um texto sobre “Mau Tempo no Canal” para a minha série Grandes Romances, mas tive de interrompê-lo quando ia quase a meio e por um motivo ou outro ainda não pude retomá-lo.

            Por coincidência ou talvez não, ao fim da tarde de hoje vi o primeiro episódio da série televisiva, produzida em 1992 pela RTP Açores. Série de grande qualidade, sem dúvida, e que só pode suscitar apetite pela leitura do magnífico romance de Nemésio. Com Maria do Céu Guerra entre os principais nomes do elenco.

  2. Com votos de um muito bom ano de 2021, com saúde e força para defendermos aquilo em que acreditamos, estanho não ver na lista de livros 2020 nenhum dessa quase Premio “NOVEL”, a Cristina Ferreira. Fica para 2021.

    1. Cristina (Tininha, para os mais íntimos) será a feliz contemplada em 2021 com o Prémio Balio, outrora conhecido como Prémio Lavoura.

      Feliz Ano Novo. Que 2021 seja o inverso de 2020.

  3. Bem, a este naipe de livros li-o quase todo.
    Mas o que venho desejar aqui, num pulinho rápido, é que o novo ano seja bom para o Delito, para os seus responsáveis e colaboradores e também para os leitores, sejam eles comentadores ou não. Todos partimos para esse tempo ainda incógnito com muita esperança, isso é inegável.
    Boas entradas em 2021.

  4. Já que estamos a falar de leituras vou dar-lhe quatro autores que na minha opinião também merecem um lugar de destaque.
    Herberto Helder, tanto em poesia como em prosa.
    Haruki Murakami, de leitura fácil a puxar para a filosofia.
    Stephen King, livros de terror com adaptação ao cinema. O seu ultimo livro “escrever” tem óptimos conselhos para quem se quiser lançar na arte da escrita.
    E por último John Grisham, para quem gosta de leitura sobre justiça e tribunais.
    Não lhe vou desejar bom ano porque o ano passado desejei e deu azar. Mas vou desejar a continuação de boas leituras, o ano todo. 🎉

    1. Agradeço-lhe a partilha de sugestões de leitura. Eu nestes últimos dois anos concentrei-me muito, por opção própria, em autores portugueses do século XX, tentando colmatar lacunas do meu conhecimento. Passei já em 2020 para autores estrangeiros do século XX. King conheço e aprecio muito, nomeadamente romances como “Carrie”, “Shining” e “Misery”, que também geraram filmes de qualidade muito acima da média.

      Já tracei planos de leitura para 2021. Inclui clássicos da literatura universal que ainda desconheço e autores portugueses enfim deste século XXI.

      Melhor mesmo não esbanjarmos votos de bom ano. Preferível irmos renovando votos de mês a mês. Desejo-lhe, portanto, um excelente mês de Janeiro.

  5. Excelentes escolhas, Pedro. Já os li todos. Ando a reler os casos de Maigret. Numa recente produção da BBC, se não estou em erro, o Rowan Atkinson intrepreta o personagem. Está bem feito, mas é-me difícil atribuir ao comissário o rosto do Mr. Bean.
    Tem aí livros intemporais, que nunca se é velho demais para reler, muito pelo contrário.

    1. Há, de facto, livros que são intemporais. Decretar-lhes prazo de validade por terem sido escritos no século XIX ou no século XX (ou na Idade Média, ou na Antiguidade Clássica) é pura estupidez. De quem concebe a cultura à dimensão duma pastilha elástica.
      O confinamento, que tanto mal nos trouxe, pelo menos a mim proporcionou-me muitas horas extra dedicadas à leitura. Tempo que tentei aproveitar o melhor possível.
      Feliz ano novo, Maria Dulce.

    2. “Numa recente produção da BBC, se não estou em erro, o Rowan Atkinson intrepreta o personagem. Está bem feito, mas é-me difícil atribuir ao comissário o rosto do Mr. Bean.” Mas um belíssimo actor num belíssimo desempenho, até porque inesperado, que nos demonstra ser bem mais do que Mr. Bean, conceder-me-á. E uma magnífica produção.

      Entre as séries americanas, cheias de tiros, carros partidos, explosões, recursos informáticos e outros, praticamente infinitos que tudo desvendam e a tudo respondem em minutos e a humana verosimilhança que nos oferecem a BBC e a ITV, a minha escolha está feita. Gostos…

      1. Viva, Costa, Bom Ano Novo.
        Já tive oportunidade de referir aqui no Delito que as séries inglesas dão dez a zero às séries americanas sem grande dificuldade. Menos acção e melhor interpretação. O Maigret não é excepção. Eu sou núcleo duro Jean Richard e apesar do RA ter um excelente desempenho num registo completamente diferente do habitual, é-me difícil habituar a esta fisionomia. Pelo mesmo motivo o meu Poirot de eleição ser o Peter Ustinov, que até nem faz o boneco dos livros ao contrário do David Suchet.

  6. Excelentes livros, Pedro. Que belas conversas proporcionam – como era hábito quando era jovem – a leitura destes livros. Sou um cultor de conversas suscitadas pelos livros, mas estas são cada vez mais raras, dada a heterogeneidade (dos gostos) e a rigidez
    comportamental dos grupos (familiares, profissionais, etc.), formados quase sempre por uma grande diversidade de interesses que não me permitem dar asas ao desejo. Quando era jovem, permitia-me escolher com quem estar em função do impulso lúdico do momento. Havia cultores de todo o tipo de gostos sempre à mão de semear. Quando nos tornamos adultos, a socialização assume um carácter de dever que se sobrepõe ao prazer, o que nos castra o desejo e a natural expansão rizomática do ser.
    Resta-nos o solitário prazer da leitura, que, felizmente, ninguém no-lo pode roubar.
    Bom ano novo, na companhia dos seus livros, sem esquecer as pessoas, claro!

    1. Diz que ninguém nos poderá roubar o solitário prazer da leitura. É bem verdade. Mesmo em prisão domiciliária – com este ou outro nome mais politicamente correcto.
      Mesmo nestes tempos excepcionais que normalizam algo tão inusual e grave como um estado de emergência: houve sete em 2020.
      Mesmo quando se banaliza o recolher obrigatório, as “cercas sanitárias” ou o impedimento de circulação entre concelhos, resta-nos a leitura.
      Também como acto de resistência à “normalização”, à formatação, à americanização e à estupidificação em curso.

      Dantes lia ao sabor de impulsos e do que calhasse. Agora não: elaboro planos deliberados de leitura. Traçando objectivos – por temas, épocas, autores. É a única forma de chegarmos ao fim de um ano com aproveitamento do tempo para este efeito.
      Tempo que de bom grado vou desviando dos artefactos electrónicos e dos ‘gadgets’ digitais para me dedicar à leitura.
      Quase toda a gente procede ao contrário: dizem não ter tempo para a leitura mas são incapazes de desviar a atenção de um ecrã – seja de televisão, seja de computador, seja de tablete, seja de telemóvel.

      Infelizmente é muito mais vulgar encontrarmos alguém que passa um ano sem abrir um livro do que conhecermos quem leia 30, 50 ou 100 livros nesse mesmo período.

      Grato pelos seus votos de bom ano, que retribuo com gosto.

  7. Boa tarde, caro Amigo

    Sou capaz de já ter lido quase tudo o que, em boa hora, aqui deixou sugerido.
    Este ano também pude tirar a barriga de misérias e ler e reler coisas que por aí tinha.
    Estou neste momento a reler o, por cá, quase desconhecido Patrick Leigh Fermor, personagem fascinante, recomeçando o A Time of Gifts, jornada a pé, da costa holandesa a Constantinopla, pouco tempo antes da segunda guerra mundial, uma crónica de tempos,gentes e locais que estavam condenados, muitos sem o saberem.

    Bom ano novo, abraço amigo
    do
    Fernando Antolin

    1. Grato pela visita, caro Fernando. Uma vez mais.
      Gosto desta nossa ocasional “troca de cromos” sobre gostos literários. Acabamos sempre por aprender alguma coisa uns com os outros.
      Eu gostaria muito de ter um blogue só sobre livros. É um projecto antigo que ainda não pus de parte.

      Com a passagem dos anos, como referi, ao prazer da leitura soma-se o prazer da releitura. Que não fica atrás do primeiro, antes pelo contrário.

      Abraço cordial, com votos de bom ano. Haja saúde, a melhor das prendas e o maior dos bens.

  8. 2020 foi ano de menos ficção do que gostaria, É sempre assim. Temo até que de pouca leitura. Ficção, lida ou relida: Eça (as Minas de Salomão, O Conde de Abranhos e A Catástrofe, alguns contos); Agustina (Deuses de Barro, Ternos Guerreiros); Miguel Real (O Feitiço da Índia); Joel Neto (Arquipélago, A Vida no Campo – os Anos da Maturidade); Júlio Diniz (Os Fidalgos da Casa Mourisca); Vergílio Ferreira (Aparição, faltou confesso a coragem para reler Até ao Fim – e o próximo será Cartas a Sandra).

    A Cidade e as Serras é uma memória feliz a que há que voltar. Lido inicialmente, algures na adolescência, em volume da Livros do Brasil, a ele voltei muito depois, num exemplar que me é precioso, de 1928, da Chardron. E lá voltarei.

    Aquilino é uma séria lacuna. Dele apenas li Mónica e A Batalha sem Fim (este por se passar na, digamos, “minha terra”).

    Escreve que Mau Tempo no Canal será o melhor romance português do século XX. Não posso contestar, não li deles o suficiente para poder firmar uma opinião. Um que me causou funda e muito perene impressão, foi Sinais de Fogo. Apetece chamar-lhe, muito subjectivamente, claro, monumental. E não pelo número de páginas. Mas é um desafio para reler Mau Tempo. Vai sendo tempo.

    Bom ano.
    Costa

    1. Aproveitei a “prisão domiciliária” para reler Nemésio porque pretendia elaborar com critério e fundamento a lista dos dez melhores romances portugueses do século XX, como já revelei aqui.
      A releitura confirmou a minha ideia inicial da obra, que li pela primeira vez com 27 anos: é um monumento da nossa ficção literária do século XX. Reunindo os ingredientes que considero fundamentais numa obra-prima do género: amor, morte, guerra (em pano de fundo) e referências temporais e espaciais muito específicas – no caso, essencialmente o ano de 1917, em que Portugal entrou na Grande Guerra, e o arquipélago açoriano, sobretudo nas ilhas do Faial e Pico.

      “Sinais de Fogo” está, sem sombra de dúvida, entre os títulos que elejo para os dez melhores romances do século. Eleição mais fácil de proceder se mencionarmos um livro por cada década. A obra de Sena, por exemplo, é a melhor da década de 70 e “Mau Tempo no Canal” a melhor da década de 40.

      Bom ano para si também. Grato pelas suas palavras.

  9. Viva Pedro,

    adorei ler Mau tempo no Canal. Acima de tudo porque já fiz aquele trajecto entre Faial, Pico e S. Jorge.
    Uma obra sublime e imperdível.
    Forte abraço e um ano de 2021 com muita saúde.
    Forte abraço de amizade.
    PS- Curiosamente também li este ano “o trigo e o Joio”.

    1. Só me faltou esse condimento suplementar, meu amigo: reler “Mau Tempo no Canal” em cenário açoriano.
      Infelizmente a pandemia impediu-me de concretizar um período de férias na ilha de Santa Maria, que continuo assim sem conhecer.

      Votos de bom ano, muita saúde, boas leituras. E que a gente volte a ver-se em 2021.

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