![34916_46418_93396-860x507-1507817522[1].jpg 34916_46418_93396-860x507-1507817522[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21642255_2z1zd.jpeg)
Faz hoje dez anos, o primeiro-ministro José Sócrates montou um dos monumentais balões de propaganda a que foi habituando os portugueses. Naquele estilo inconfundível de quem parecia acreditar nas próprias patranhas que lhe saíam pela boca, anunciou ao País o vencedor do primeiro projecto de alta velocidade ferroviária em Portugal, correspondendo ao troço Caia-Poceirão: um consórcio entre a Brisa e a Soares da Costa.
Nessa sessão de ilusionismo, semelhante a tantas que marcaram aquela época, o Governo exibia o seu calendário sem margem para dúvidas: a construção do referido troço seria «iniciada em 2010, devendo entrar ao serviço em 2013».
Havia crise? Pormenor irrelevante para o expedito Sócrates, sempre disposto a falar pelos cotovelos: «Este é justamente o momento para que o projecto da alta velocidade passe do papel para o terreno. A crise é mais uma razão para o fazermos. É neste momento que o país precisa de investimento, de oportunidades de emprego. Há muita gente à procura de emprego e muitas empresas à espera desta oportunidade.»
Puro cenário virtual, sem a menor correspondência com a realidade. Mas Sócrates nunca deixava que o factos estragassem uma boa história.
A coisa implicaria um investimento de 1.500 milhões de euros. Dinheiro que não havia, exigindo um empréstimo que ninguém nos creditava, numa altura em que o défice externo se agigantava a um ritmo imparável. Os mais atentos aos sinais do tempo podiam ouvir um tique-taque: a contagem decrescente para a perda de soberania financeira do País já começara.
Nem o troço se construiu nem a alta velocidade saiu do papel: recordar tudo isto, à distância de uma década, chega a ser confrangedor. Como é que este pífio vendedor de ilusões conseguiu enganar tanta gente durante tantos anos?

E vamos ver quantas ilusões nos irão sair na rifa nesta legislatura!
Continuamos a apostar em figuras daquele tempo socrático!
Nenhuma, apesar de tudo, com o “carisma” do antigo chefe da banda.
Já saiu a “reposição de rendimentos”: o dinheiro dos serviços públicos vai para os bolsos das pessoas, que agora o têm nos bolsos mas deixaram de ter serviços públicos fiáveis.
E se o gastarem vão dar dinheiro aos países de onde vêm os bens que nós consumimos, já que a nossa balança comercial de bens é fortemente deficitária.
a ilusão é mais doce que a realidade
Neste caso a ilusão foi bem amarga.
Alguns seguiram-no por benesses recebidas. Outros na utopia delas beneficiarem. Depois há os só-patetas, mas esses são a minoria.
Minoria? Veja as suas fontes… Não digo qu seja a maioria, mas são muitos e muitras.
Não desdigo que sejam muitos. Mas que a maioria estava no “à espera que caia qualquer coisa”
A trupe das benesses agora prebenda na “luta” pelo veganismo anti-falocêntrico e quejandices.
Nas bordas do Bloco e nas raspas do Livre.
O PS é demasiado “patriarcal” para tais criaturas.
Descobriram só agora, ó horror, que o PS nunca teve “um ser humano do género feminino” a comandar as hostes em 46 anos de existência certificada por certidão de nascimento.
uma “pessoa humana”, é isso? (eu sobre essa tralha de gente é melhor não escrever, como sabes a família proibiu-me de praguejar na internet)
A mais irritante redundância que se tornou moda no linguajar comum.
Se falamos do que é confrangedor, aqui vai outra: apanhar o comboio de noite para Madrid, demorar quase 12 horas para lá chegar, ainda por cima estafadíssimo, pois a linha e a máquina são tão tão más que se chega lá sem pregar o olho. Nunca esquecer que até um relógio parado dá a hora certa duas vezes por dia, e que a hora é mais importante do que o mecanismo danificado.
https://www.publico.pt/1999/06/30/jornal/p ortolisboa-em-duas-horas-e-meia-mas-so-p ara-vip-135602
https://www.rtp.pt/noticias/pais/cp-anun cia-reducao-da-ligacao-lisboaporto-para-d uas-horas-e-meia_n43011
https://www.publico.pt/2019/06/30/econom ia/noticia/20-anos-alfa-pendular-continu a-comboio-rapido-anda-devagar-1878132
Este fim-de-semana o Público publicou dois artigos sobre o Alfa – o principal é este. Nos textos, aprende-se que o serviço de alta velocidade português, inaugurado há duas décadas, a 1 de Julho de 1999, continua desaproveitado. Deveria ligar Lisboa e Porto em 2 horas, mas liga as duas cidades em quase 3 horas.
Já a velocidade máxima de 220 km/h só é atingida em 23% do percurso; a justificação reside na infra-estrutura da Linha do Norte, que apesar da modernização feita há 20 anos continua a não permitir que o Alfa acelere em todo o seu esplendor.
Eu sei, eu sei …. na Alemanha, o ICE sofre de um problema parecido porque, em vez de terem criado linhas dedicadas à alta velocidade, sem paragens nas gares centrais, como fizeram em França, continuam a entrar e a sair das cidades durante todo o percurso. Por exemplo, o ICE demora 5h30m de Mannheim a Berlim quando não devia demorar mais de 3h. Mas eles ao menos têm o território bem servido.
Em Portugal, é necessária uma rede ferroviária que cubra todo o território, além de linha(s) de alta velocidade que façam a ligação com o resto da Europa. Estamos completamente dependentes dos combustíveis fósseis, sem os quais o país volta ao tradicional isolamento (interno e externo).
Trabalho a 100km de casa.
Duas cidades “grandes”.
Transporte, somente carro ou autocarro.
Metam a descarbonização onde o sol não brilha
PS: aquando de uma supressão por parte da CP, foram enviadas cartas aos grupos parlamentares, com aquelas coisas da coesão territorial, o comboio ser ecológico, etc… apenas um se dignou a responder. Qual terá sido, qual?
“Em Portugal, é necessária uma rede ferroviária que cubra todo o território, além de linha(s) de alta velocidade que façam a ligação com o resto da Europa.”
Rídiculo.
Nada bate a flexibilidade e liberdade do transporte individual.
Há mais coisas a mudar no transporte , porque é que o A380- que falhou -, o já velhinho Boeing 747 assim como mesmo aviões de porte médio estão cada a vez mais a perder quota de mercado? porque as ligações são cada vez mais feitas com aviões entre os 100 e 200 lugares para muitos aeroportos em vez da teoria dos hubs que apaixona todo especialista de transportes porque assim pode desenhar….criar. Infelizmente a realidade não se compadece com Grandes Desenhos.
Porque é que Airbus está a bater a Boeing aos pontos? porque a Boeing tem para esse mercado um avião com 50 anos o 737, e não consegue colocar motores de maior dimensão. E quando o fez deu o desastre do MAX.
Mais uma vez a flexibilidade bate os ideólogos do transporte publico.
lucklucky
Sim, sim, tá bem. O resto da Europa ocidental tem uma rede ferroviária a cobrir todo o território. Nas horas vagas, também se dedicam à indústria automóvel, mas como ideólogos do transporte público que são, a deles não é tão florescente como a portuguesa, .
Sei bem o que isso é, Miguel.
Não repetirei.
And the clock is still ticking…
Agora o relógio é mais fino. Marca Centeno, bracelete Eurogrupo.
O Centeno do Eurogrupo que criticou o esboço de orçamento enviado pelo Centeno de Portugal por “registar um desvio significativo na trajetória de ajustamento orçamental face aos seus objetivos de médio prazo”? (O que, traduzido por miúdos, significa aquilo que já sabemos… mais cativações para o ano.)
Esse mesmo. A versão recauchutada da Olívia costureira, Olívia patroa.
Acima de tudo, apostar na ferrovia em detrimento do transporte individual e do motor de combustão
https://rr.sapo.pt/noticia/118897/lisboa-p orto-cp-acaba-com-primeiro-alfa-da-manha
A “aposta na ferrovia” é a maior treta dos políticos, nas últimas décadas, no sector dos transportes.
Mas nisto Sócrates é verdadeiramente imbatível. Não vale a pena fazer de conta que são todos iguais.
Mais uma mentira (crime ?) entre muitos que contou com a prestimosa ajuda dos “liberais democratas” da altura que por sinal são os mesmos de hoje.
WW
Caramba. Estava a ver que Sócrates já não tinha testemunhas abonatórias.
Eis que chega a primeira.
Temos a cópia geringonçada:
O vendedor de vacas voadoras, que vai espatifar-se com mais estilhaços.atingindo a famiglia herdada de Sócrates, os novos jovens galambinos , os que votaram neles e todos os outros que não votaram .
“Porcos,feios e maus” o filme da Geringonça.
A.Vieira
A geringonça já não é o que era. Aí estão os comunistas aos gritinhos, todos os dias, a “manifestar-se contra o Governo”.
Agora até descobriram que o País está infestado de “escolas com amianto”. Nos últimos quatro anos não devia haver amianto nas escolas: andava tudo na boa.
Há um problema grave de iliteracia económica, até em pessoas com formação média.
Por exemplo, é de crer que muita gente ainda não tenha percebido bem o que a falta de moeda própria significa, ou a irrealidade de medidas “keynesianas” (que, justiça seja feita a Keynes, nada têm a ver com o que ele propôs).
É cansativo ver que, não é percebido que sem poder usar medidas de política monetária (desvalorização) nem orçamentais (déficit) é difícil sair de uma necessária austeridade – que forçosamente há-de de continuar, visto que o país não tem capital para investir – público ou privado – mesmo que não houvesse corrupção e má gestão.
Quanto à medida de “reposição de rendimentos” e consequente aumento do consumo, apenas operaria eventualmente bons resultados se o consumo fosse de bens produzidos em Portugal…
Tudo isto é o be-a-bá de qualquer conhecimento da macro-economia.
Concordo.