O comentário da semana


Pedro Correia,

«Desde o princípio que havia alguma coisa dissonante nesta eleição de Joacine e que lhe alterava a harmonia. Lembro-me das apresentações da imprensa que me pareciam até irónicas; da alegria da deputada quando foi eleita e falou apenas por si mesma, facto que achei estranhíssimo; do primeiro dia na Assembleia da República que também não foi nada consensual. E não é pelo choque que constituíram que o digo, gosto um bocadinho desse aspecto de agitar as águas. É mais pelo afã em chocar, aquele espírito de quase vingança em conseguir. E não sei mesmo se o avesso do preconceito não é ele também preconceito.
Por outro lado, a senhora parece não saber que representa um partido e não que se representa a si mesma. Se sabe, tem de entender-se com o partido. As lutas internas não nos interessam, mas não venham dar espectáculo para a praça pública nem apresentar desculpas esfarrapadas. Resumindo: de Rui Tavares, esperava melhor.»

 

Da nossa leitora Bea. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

13 comentários em “O comentário da semana”

  1. “…a senhora parece não saber que representa um partido e não que se representa a si mesma….”. A Lei Eleitoral cria e não resolve a situação.

    Os deputados na AR representam partidos. O sistema eleitoral exerce-se exclusivamente via partidário. Não é uninominal.
    Por demagogia ou ignorância, muitos afirmam que “os deputados são eleitos pelos eleitores”. Não. Os eleitores adicionam votos aos partidos que, a seu gosto interno -já não escrutinável pelo eleitor- vão movendo os escolhidos no partido.

    Curiosamente o nome de Joacine Elysees era, no círculo eleitoral de Lisboa em que se apresentou, a única candidata, a nomeada pelo Livre.
    Dir-se-ia que, no excepcional caso em apreço, tratou-se de uma votação (ipso facto) nominal !.
    Os 22 mil votos em Lisboa são tanto exclusivamente dela ( só por ser a única candidata), como do Livre em cujo icon se votou.

    1. e por essa mesma razão, sendo a eleição de Joacine meio por meio unipessoal e do Livre não devia transparecer como tal?

  2. Portugal continua como sempre, alguém sai da capelinha e todos os apoiantes do sistema das capelinhas ficam em transe.
    Toda a aldeia voltou-se contra quem saiu do trilho marcado.

    É que isto de ser extremista de esquerda é uma coisa muito controlada.

    lucklucky

    1. lucklucky, todos os humanos vivendo em sociedade são controlados de uma forma ou de outra, chama-se civismo, cultura, delicadeza, e outros nomes . As pessoas têm de saber a que se vinculam quando aceitam representar um partido na AR. E isto serve para todos os deputados em todos os partidos com assento na AR.
      E não, não se pode ou não se deve sair da capelinha quando assinámos a relação de pertença. Mas errar é próprio da condição humana. Espero que ambos – joacine e o Livre – saibam limar arestas. Para o bem de ambas as partes.

    1. Neste caso específico, Joacine ou qualquer deputado na Assembleia representa também o partido a que pertence e pelo qual foi eleito. É assim. E quem não o aceite, ou cria uma nova legislação para a Assembleia da República Portuguesa, ou atina, ou sai de cena. E a legislação que rege a AR não é secreta.

        1. António, não sou mesmo nada entendida em política, mas suponho que uma pessoa eleita pelo Livre não pode ser independente nos anos de governação a que respeita o acto eleitoral. A constituição da AR é determinada pelos votos em partidos políticos que concorreram a eleição.

          1. É possível que eu tenha feito confusão com as autárquicas. De qualquer forma, não creio nem que ela atine nem que saia de cena. De certo modo ela tem razão, o partido escolheu um retrato-robô politicamente correcto, e esse retrato-robô ganhou um lugar, tornando-se mais importante para o partido do que o partido para ela. Provavelmente esqueceram-se de falar com ela antes sobre a linha oficial do partido. Que nem sei qual é.

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