Europeias (4)


Pedro Correia,

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A PEIXEIRADA

 

Monumental peixeirada, ontem, na TVI 24. Aquilo que prometia ser um debate vivo mas cordato descambou numa gritaria em modo taberneiro, daquelas que nem no futebol. Com prejuízo para todos os participantes e sobretudo para os telespectadores: vários candidatos falavam por cima uns dos outros, em tom cada vez mais elevado, tentando silenciar a mensagem do oponente, perante a total impotência do moderador, José Alberto Carvalho, claramente sem pedalada nem ganas para pôr fim à barafunda. «Quem é que paga a multa?», chegou a questionar-se o jornalista ao perceber que lhe fugia a capacidade de cronometrar o tempo de intervenções no debate. «O que é que eu faço? Ponho-me à frente das pessoas?», desabafou em forma interrogativa, um pouco mais à frente. Percebendo que aquilo já descarrilara de vez, também por sua culpa.

A coisa foi de tal maneira que desisti de recolher as frases mais significativas desta sessão de pugilato verbal. Ninguém percebeu, ninguém ficou esclarecido, certamente muita gente mudou de canal antes do fim. Debates como este só contribuem para avolumar a abstenção – que nas anteriores eleições europeias, em 2014, abrangeu dois terços dos eleitores.

Valha a verdade que o dedo acusador não pode ser apontado a todos os participantes. As mais lamentáveis prestações couberam (por esta ordem) a Nuno Melo, do CDS, Pedro Marques, do PS, e Paulo Rangel, do PSD. Com prejuízo de todos, incluindo de Marisa Matias, do BE – única mulher presente em estúdio, única que não interrompeu ninguém e chegou quase a implorar para conseguir dizer duas frases seguidas de forma audível.

Verdadeiramente lamentável. Para haver debates destes mais vale não haver nenhum.

0 comentários em “Europeias (4)”

  1. Não vi o debate (ou antes, vi apenas uns 5 minutos), mas acredito totalmente na descrição que o Pedro dele faz, pois este é o normal nos debates em Portugal. O debate na SIC-N foi uma exceção louvável.
    Estas peixeiradas são sempe feitas em desfavor das candidatas, que, por as mulheres terem em geral vozes mais fracas, ficam totalmente ultrapassadas pela vozearia dos candidatos homens.
    É nojento, e quem participa nesta nojice merece e deve ser penalizado nos votos dos cidadãos. CDS, PSD e PS ficam portanto excluídos. Candidatos mal-educados não merecem votos.

    1. As mulheres não têm vozes mais fracas nem ideias menores, muito pelo contrário.
      Têm é outra educação e postura civilizacional que a grande parte da obtusidade masculina não conhece.

    2. Marisa Matias merece uma palavra de apreço por ter ficado à margem da peixeirada. Pagou um preço por isso: foi a que falou menos e quase não conseguiu dizer três frases seguidas.
      Mas atendendo ao chavascal que reinava naquele estúdio até foi preferível assim.

  2. Para bem da minha própria sanidade mental, não vi.
    Só espero que a peixeirada se reflita nos votos nestes gajos.
    A abstenção deve disparar e se as pessoas forem votar nos novos partidos, pode haver um efeito surpresa que ponha os cabelos em pé aos “senhores dos votos”.
    Era bem feito.

    1. Julgo que alguns dos novos partidos irão beneficiar do efeito de cansaço que os partidos mais instalados já provocam.
      Esses partidos terão mais hipóteses de sucesso se a abstenção for maior, o que se prevê venha a acontecer a 26 de Maio.

      1. Infelizmente, creio que não irá acontecer o que você prevê.
        O povo português tem repetidamente demonstrado, ao longo de sucessivas eleições, que não é afim de novos partidos. Têm surgido imensos novos partidos em Portugal, e todos eles têm sido um insucesso. (O Bloco de Esquerda não é uma exceção, porque não foi um novo partido, somente a junção de dois partidos – UDP e PSR – já bem instalados e com um eleitorado fixo.) As únicas exceções foram o PRD e o MPT, em ambos os casos devido a personalidades carismáticas, e o PAN, que veio dar voz a uma corrente de pensamento animalista que apareceu na sociedade.
        Creio que todos os pequenos partidos, sem exceção, não conseguirão eleger qualquer eurodeputado. Somente PS, PSD, CDS e CDU conseguirão.
        Oxalá eu esteja errado.

  3. Aqui ao lado em Espanha, conseguem fazer debates com moderadores que os têm no sítio!

    Não vi peixeiradas.

    A.Vieira

      1. Por acaso não concordo, a Marisa Matias é bastante feiosa e, além disso, tem uma voz horrível, muito desgradável para os meus ouvidos.

        Mas, curiosamente, tenho a impressão de que, com a idade, está a ficar menos má em ambos os aspetos.

        1. Isso é que é uma tragédia empírica, para ela, ser-lhe a entoação desagradável para os seus ouvidos
          Segundo notícias recentes, ao saber disso ficou de tal maneira traumatizada que já tentou o suicídio duas vezes.
          Primeiro jogou-se de uma cadeira abaixo, e depois calçou os sapatos ao contrário na tentativa de tropeçar na calçada.


        1. Aí, eu não tinha dúvida em quem votava.

          Admira-me acontecer tal com o José Alberto Carvalho. A bem da verdade, eu não conheço a sua capacidade para moderar debates, mas sempre pensei que fosse um jornalista competente.

          Pedro, aproveito este comentário para lhe falar noutro assunto (espero que me desculpe). Não tenho conseguido contactá-lo por email. Enviei-lhe dois, na última semana, e não recebi resposta, por isso, penso que não se apercebeu. Talvez tenham ido parar ao “spam” (embora eu não faça ideia porquê). Mas como já aconteceu no passado…
          Envie-me um email, por favor, para eu responder, pode ser que assim funcione. Ou, se os encontrar, responda o Pedro!

    1. O meu comentário não é brejeiro. Sim, a senhora é-me agradável, reconheço-o com bonomia – e se acharem preconceituosa a minha preferência, face aos outros candidatos, paciência … Mas cada vez estou mais cansado com o vácuo do chamado “europeísmo” de pacote, à mera gestão, de facto suicidária, que os outros três propagandeiam (dois, dado que uma candidatura PS é para mim sempre infra-humana), e o sovietismo do pcp. Nas listas ausentes desta I Liga há uma outra candidatura que, pelo pouco que ouvi, mais me agrada – a IL do candidato Arroja: mas neste caso o agrado é mais exclusivamente político, não sou sensível ao tipo de encanto do candidato. O tal meu preconceito …

      1. Ora ora, jpt.
        Então que mais pensou de mim?
        Não quis insinuar nada, senhor. O seu comentário propiciou-me um momento de humor, apenas.
        🙂

        1. Nada disso, Corvo, compreendi-o perfeitamente. Apenas respondi ao comentário do prestigiado comentador Luís Lavoura, o qual, como bem se sabe, é danado para a brincadeira

      2. “As empresas privadas são quem contribui para a riqueza de um país. A soma do seu valor acrescentado bruto resulta no produto interno bruto. O Estado é um mero consumidor de recursos; não acrescenta, apenas consome.”

        Ricardo Arroja.

        Todo um manifesto anarco-capitalista. Uma excelente ideia para Portugal.

        Eu diria que o Estado consome recursos para que as empresas privadas criem riqueza….mas eu sou mais bolos.

        1. O Ricardo Arroja disse tal disparate? Porra!!! Inacreditável.
          O Estado acrescenta na saúde, na educação, na segurança, e em 1001 outros serviços que presta às empresas e aos cidadãos. Parece impossível que um economista como o Ricardo Arroja não saiba isso!

  4. fui ver isto, alertado pelo teu postal – https://tviplayer.iol.pt/programa/a-caminho-das-europeias/5cd183c50cf2709d14600cda/video/5cd359cb0cf276f39d658195

    Nos primeiros momentos, e após Rangel, Marinho e Pinto falou calmamente e falou bem. Depois Melo voltou ao combate a Pedro Marques e ao bruaah Mas ouve-se José Alberto Carvalho a dizer “o que é que eu faço?” E lembro que criticaste, e não só tu pois vi outros a dizerem o mesmo, o moderador dos debates televisivos anteriores por ser excessivamente interventivo (e se calhar foi). Grande confusão …. E a seguir fala o candidato comunista, com veemência, mas teve um discurso coerente e seguido. Isto até aos 14 minutos – acabou o cigarro, não vejo mais.

  5. Estas cenas dos debates por “atacado” nunca (que me lembre) foram proveitosas para ninguém no que respeita ao esclarecimento da generalidade popular.
    Todavia há sempre quem possa ganhar qq coisinha: as televisões que de alguma maneira garantem um mínimo de audiências.
    Acreditando na minha capacidade/esperteza (que na verdade não são nada de especial) sugiro que apresentem um não debate diário de mais ou menos 15 minutos, previamente gravados e em separado, onde cada “promissor-eurodeputado” dissesse o que quisesse.
    Claro que depois de ouvido cada um deles todos os outros se abespinhariam no afã dum contraditório; mas e depois?, o que fora dito estava dito e não poderia ser apagado por mais contraditório que houvesse.
    Dizem: tu não percebes nada de política pá e isso seria uma parvoíce!
    Admito. Mas, e por muito parva que seja, é a minha ideia. E tenho para mim que o resultado não seria pior do que o que é tratado nesta “post”.
    Cumprimentos

    1. Se me permite….penso que os assentos dos candidatos deveriam estar ligados a pequenas baterias. Seria depois disponibilizado, ao público, uma aplicação para telemóvel permitindo ao telespectador sujeitar os parlamentares a descargas eléctricas crescentes conforme a avaliação dos seus discursos e civilidade. No final ganharia o menos chamuscado.

  6. É tão fácil resolver este tipo de questões! Basta atribuir um tempo a cada intervenção e, chegado ao fim desse tempo, desligar o microfone. Quem continuar a falar, deixa de ser ouvido por quem vê televisão. Perde-se um pouco em espontaneidade, mas ganha-se em equidade de tratamento.

  7. O estilo trauliteiro da CMTV está a fazer escola!! Mais cedo do que tarde vamo-nos todos arrepender de permitir estas atitudes

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