Há dias lembrei-me de uma conversa telefónica que tive durante os tempos da Troika.
Atendi o telefone a alguém que não fazia parte dos meus contactos e que me perguntou se conhecia quem comprasse móveis usados. Indiquei-lhe um armazém aqui próximo que negoceia espólios de falências, mas não sabia se estavam compradores. A conversa desenrolou-se por mais uns instantes e acabei por ficar a par da situação. Era uma rapariga com vinte e poucos anos que trabalhava numa cerâmica – aqui perto existem umas quantas – e que ia emigrar. Além de referir que recebia o salário mínimo, terminou a explicação do que a tinha levado a essa difícil decisão com a seguinte frase:
– E o meu pai morreu há dois meses e já não me pode ajudar.
Depois de engolir em seco, entendi que esta frase resume uma parte silenciosa, esquecida mas significativa do que o Portugal moderno, democrático e europeu conseguiu dar a demasiados dos seus millennials.
A forma como a geração que viveu a mudança de regime anterior definiu as regras com que nos organizamos acabou por levar a que uma imensidão de gente nova não consiga ser financeiramente independente. Não estamos a falar de gente que pede dinheiro aos pais para enfrentar um percalço pontual mas sim de quem o faz sistematicamente como complemento de rendimento.
Os pais, que naturalmente aceitam apoiar os seus filhos, transferem automaticamente uma parte das suas reformas para que os filhos possam evitar o permanente sufoco.
Observando à distância, o que vemos é um sistema em que as gerações mais velhas tem um rendimento garantido e grande parte das mais novas não. E esse rendimento assegurado é alimentado por elevados encargos sociais que são retirados à economia produtiva e que, também por isso, perde a capacidade de remunerar mais condignamente os mais novos.
Falar nisso tem o risco potencial de poder parecer que se está contra os mais velhos, e nenhuma força política arrisca em antagonizar tão importante faixa do eleitorado. E por isso, este desequilíbrio tem todas as condições para ser um ´não assunto´.
Mas mesmo dentro do universo dos reformados existem desequilíbrios indecentes. Nas terras pequenas, como aquela onde vivo, é fácil fazer um exercício de comparação. Numa rua onde vivem oito senhoras reformadas, há uma que recebe metade do valor total que o sistema de pensões ali coloca mensalmente. Era funcionária pública.
O sistema de cálculo das reformas é por isso um factor de desequilíbrio social, dentro dos seus beneficiários, e também por comparação com os contribuintes em idade activa.
A crise com que teremos lidar nos próximos tempos não será por isso igual para todos. Isto é um facto, e um dia no futuro quando estudarem a actualidade essa será uma das características do regime fundado pelo 25 de Abril.

Chiça, o do jpt e agora o do Paulo. Directamente para a Antologia do Delito, prefaciado por moi même 🙂
Excelente reflexão
Só um apontamento. A ajuda paterna está associada há democratização da educação e paradoxalmente à popularidade de salários indignos. Há responsabilidades advindas do sistema económico, via globalização, que os mais velhos decidiram pelos mais novos
Existe uma pressão não visível vinda da ‘fábrica mundial’ que é a China. A sua capacidade de produzir muito a preços impossíveis resulta das condições impensáveis a que sujeita os seus cidadãos, perdão os seus quase escravos. Não há forma de o evitar. Por mais valor acrescentado que se consiga incorporar na nossa industria, o preço dos chineses está sempre ali ao lado.
E isso explica a dificuldade em subir ordenados.
Esses países nunca deveriam ter entrado no mercado mundial, nem às empresas, que só têm razão de existir caso não representem um risco para a comunidade, deveria ser permitida a deslocalização para esses Domínios de mão de obra escrava, sem a imposição de algum tipo de taxa (ex: taxa sob a dignidade humana, por exemplo) .
As empresas “gabam-se “da sua vertente social, ambiental, através da criação de Fundações. Pois teriam ajudado mais e muitos mais não indo para cantos do mundo onde os direitos laborais, sociais e humanos, mais básicos, são jogados para a sarjeta da vida.
Não são só os salários que estão na origem da concorrência desleal.
O comércio livre com países como a China tem tanto sentido, do ponto de vista concorrencial e de justiça, como o comércio de algodão americano, no séc XIX no mercado mundial, numa altura em que a escravatura estava proibida na maioria dos países.
Também ouviu certamente comentários sobre o retrato da sociedade sul-coreana menos afortunada no que foi considerado o melhor filme deste ano, Os Parasitas, pois esse era o rosto esquecido do neo-liberalismo.
Algumas vez um que fosse das centenas de milhões de quase escravos chineses mereceu tal preocupação?
A China no palco internacional comporta-se como um país respeitável, cumpre os acordos firmados, investe a longo prazo e até já foi prestamista na nossa falência. O mais forte de uma relação será sempre o mais forte, e vice-versa. Por isso o mundo é incapaz resistir aos resultados da forma como os chineses são tratados.
Um conhecido meu costuma dizer: ‘E cá vamos ganhando a vida, tão honestamente quanto possível’. Os nossos governantes não o assumem mas funcionam numa atitude que se podia descrever mais ou menos como: ‘E cá vamos governando o país tão condignamente quanto possível’.
Não custa, nem surpreende, que os nossos governantes não sejam excelentes, custa é ouvi-los a fingir que acreditam nisso.
“A China no palco internacional comporta-se como um país respeitável”
Paulo, a China tem Campos de Extermínio, como os KK.
LONDON (Thomson Reuters Foundation) – China is murdering members of the Falun Gong spiritual group and harvesting their organs for transplant, a panel of lawyers and experts said on Monday as they invited further investigations into a potential genocide.
https://www.google.com/amp/s/mobile.reu ters.com/article/amp/idUSKCN1TI236
A leaked government document shows how people were monitored and selected for internment camps in Xinjiang.
https://www.google.com/amp/s/www.nytime s.com/2020/02/17/world/asia/china-reeduc ation-camps-leaked.amp.html
No tempo de hoje poderíamos usar Auschwitz como critério de aproximação aos monstruosos campos de reeducação.
China Govt Harvesting Human Organs from Falun Gong, Other Prisoners Also Victims
https://youtu.be/aBChYkV6RdM
Abominar os nazi é muito mais fácil agora do que há 70 anos. Veremos como será a nossa opinião sobre o país do Partido Comunista Chinês daqui a 70 anos… isto é… de quem cá estiver
Creio que é uma equação muito simplista. A idade transformou-se em um negócio de muitos milhões. E mesmo neste negócio de muitos milhões, onde os clientes não faltam, os ordenados continuam a ser baixos, excepto para os administradores e outros apoiantes, como médicos e enfermeiros. Sim, refiro-me ao negócio dos lares que agora levam por nome residências seniores ou clubes seniores. Se fizer as contas ao que se paga per capita em uma dessa residências ou lares privados verificará que a estada não fica em menos de 2000,00/mês. Nos sítios mais pequenos andará à volta dos 1200,00/1500,00 mês. Sem extras.
Se transpuser essas mesmas contas para aqueles outros que são recolhidos em lares, cujas reformas ou partes da reforma ficam cativas, e paralelamente são financiados pelo estado, acrescentará certamente um estímulo adicional à economia.
https://www.dinheirovivo.pt/economia/vel hice-tambem-e-negocio-de-luxo/
https://brasil.elpais.com/economia/2019-1 2-15/velhenials-o-grande-negocio-de-apro veitar-a-velhice.html
Portanto, e não me alongando mais, deixo aqui algo que o leve a rever sua reflexão. Não é correcto que a má remuneração dos mais novos se deva a isso. É cultural pagar-se pouco como também é cultural fingir que os negócios não são rentáveis para pagar melhor.
Olhando à minha volta, o lar (centro de dia e residencial) da minha freguesia é gerido por uma IPSS. É um claro exemplo da economia social. Genericamente os seus beneficiários entregam a totalidade das suas reformas e acrescentam com poupanças de uma vida. Não estarei a ser absolutamente rigoroso em relação à totalidade dos casos, mas esta é a lógica habitual. Está sempre lotado e não chega para as encomendas.
Sem as receitas da Segurança Social esta instituição, e inúmeras outras, não seriam viáveis.
Paralelamente a isto, e juntamente com a Junta de Freguesia, Cresce, pré-primária e Primária, o lar dá emprego a várias dezenas de funcionários.
Não sei como se contabilizam estes empregos, mas não sendo funcionários públicos, pertencem à imensidão de gente que depende de transferências públicas.
Alguns deles, fazem apenas contratos temporários e dessa forma vão rodando da Junta para a Pré, para uns meses depois regressarem ao serviço da Junta. Pelo meio vão fazendo uns cursos de formação profissional que entremeiam com alguns meses de subsidio de desemprego.
O ponto do seu comentário não é este, mas esta realidade é uma forma de absorver alguns casos de quem tem dificuldade em manter empregos. É uma forma de caridade pública mas é também uma forma de trazer para dentro o que de outra forma estaria nas margens.
No geral acho que os utentes do Lar, é assim que os designam, são bem tratados. Poderiam estar melhor mas também poderiam estar bem pior. Estamos em Portugal e por isso é uma boa solução.
Quer o Paulo dizer que tenho absoluta razão no que comentei?
Quem sou eu para saber quem tem absoluta razão sobre o que quer que seja??
Defende que a idade se tornou num negócio de milhões, o que é um bocado vago.
Os negócios florescentes no pós-guerra andaram sempre à volta da fase da vida em que os baby-booms se encontravam. Na infância destes a industria dos brinquedos floresceu como nunca, mais tarde foi a automóvel e quando se começaram a casar, disparou a construção. Seguiu-se o turismo de massa e com o tempo a passar começou a criar-se o negócio da terceira idade.
O que me diz é que os negócios em ascensão acompanham os segmentos de mercado mais numerosos. Não serei eu a dar-lhe razão mas a lógica do mercado.
O negócio dos idosos são milionários onde existem idosos milionários, o que infelizmente não é o caso da maioria dos portugueses. Por cá o negócio é grande porque existem muitos fregueses, embora com reduzida capacidade de gerar grandes receitas.
Os negócios dos idosos são milionários onde alguns se aproveitam dos milionários e dos miseráveis para os transformar em benefícios pessoais e de uns quantos poucos. Também são milionários devido ao segmento de emprego, refiro-me ao número total de empregos directos e indirectos, que criam. Concomitantemente as receitas que os estado recolhe directamente e indirectamente.
Em resumo, todos somos beneficiados pela actividade desenvolvida por esses idosos.
Se me disser que há empresários sem escrúpulos, e são muitos, que se aproveitam para pagar pouco e muito pouco, encerraremos este diálogo como ouro sobre azul.
Volto a perguntar: Quer o Paulo dizer que tenho absoluta razão em meu comentário?
Tenho um amigo que tem um lar que se dirige a um segmento médio alto desse mercado. Os valores cobrados ultrapassam os exigidos no lar da minha terra.
Tem um espaço verde à volta do edifício e uma pessoa só para se ocupar de entreter os fregueses, com actividades que estimulam a sua mobilidade. Um sonho.
A maior parte, em muito significativa percentagem, dos seus ‘utentes’ são … imagine … reformados do Estado.
Até na velhice merecem um tratamento dos Patrícios da Antiga Roma.
O negócio dele é um negócio, direi à distância pois não lhe conheço as contas, bem mais próximo de ser um negócio milionário porque se dirige a um mercado abastado. Pena que não haja mais portugueses que consigam aspirar a tal tratamento.
O negócio é milionário tendo em conta a escala. No restante mantenho os princípios de meus comentários e a interpelação feita.
Olhe que são muitos do privado nas mesmas condições, como “utentes”; eu direi clientes.
E as actividades proporcionadas, se as proporcionarem, estão incluídas no serviço. Pretendo com isto dizer que seu amigo ou outros não fazem mais que sua obrigação. E não é favor tratar bem seja quem for.
os utentes do Lar, é assim que os designam, são bem tratados
Se o covid-19 ainda não entrou dentro do Lar, então não têm uma importante causa de queixa.
Além da ameaça efectiva do covid, a diferença dos lares resulta da capacidade de entreter e distrair activamente os seus fregueses. Nisso não são todos iguais.
Quando os entretêm. Não ocorra que eventualmente eles tenham demasiada actividade e seja necessário aconselhar uns sedativos para os aquietar, sentar e daí surgirem outras consequências para a saúde deles.
E não aconteça também que algumas famílias se deleitem com isso, pois livram-se de trabalhos.
Não se preocupe: com o corona nós vamos (quase) todos desaparecer e aliviaremos as contas da Segurança Social.
Deixemos essas contas para o CR7 das finanças.
A longevidade é um indicador dos avanços do mundo ocidental e todos desejamos que se mantenha e se alargue. O ponto do texto não é esse, mas apenas o desequilíbrio entre os valores de algumas reformas e a remuneração da população activa.
Não era em Esparta que tinham um método que resolvia o problema dos idosos que não trabalham nem produzem? De facto, improdutivos para que servem? Incluindo gente com deficiências graves? Só dão despesa.
Como disse em cima, não partilho dessa visão. Essa é uma evasiva ao debate do ponto do texto, e que é o desequilíbrio entre os valores da algumas reformas e a remuneração de alguma população activa.
Boa noite , será que iremos continuar a pagar reformas de 2500, 3000, 4000 , 5000 euros e a pagar ordenados de 1000 euros a enfermeiros , 800 euros a polícias , 2500 euros a médicos ?
Ainda haverá mais exemplos .
Lembro que o tribunal constitucional declarou inconstitucional fazer alguns cortes propostos por Passos Coelho em pensões acima 5000 euros .
Luis Almeida
Esse é um excelente exemplo ao qual acrescentaria apenas que o tribunal decidiu claramente em causa própria. Eram as reformas dos próprios e e dos seus pares que estava em causa.
Ouvi esta semana que os enfermeiros recebem menos no seu trabalho que um servente de pedreiro. As palmas nas varandas, e os obrigados nas redes sociais não pagam as contas de casa.
Eu não sei porque razão um enfermeiro tem de ser diferente de todo o mundo em matéria de remuneração. Não me venha com a conversa de salvar vidas. O médico e enfermeiro, juntamente com outros mais, onde se incluem familiares, estão aí para fazer o papel que devem. Pois para isto as escolas públicas de saúde também são financiadas pelo erário público.
Aproveito e deixo aqui o link que o Pedro Correia usou no post dele:
https://www.sabado.pt/portugal/deta lhe/enfermeira-desabafa-642-euroshora-e-o-q ue-querem-pagar-a-quem-vai-salvar-a-voss a-vida?ref=hp_destaquesprincipais
Se quiser fazer uma reparação não arranja um canalizador por menos de 10€ e, concordará que se exige a um enfermeiro mais conhecimento cientifico e sangue frio que a um canalizador. Ao se pagar 800€ a um enfermeiro e 2800€ a um reformado está-se simplesmente a reforçar o NHS britânico que absorve com alegria os enfermeiros bem formados pelas nossas escolas pagas pelo erário público.
Paulo, creio que não entendeu o ponto. Isso não me comove em um país onde existe cerca de 3 milhões de pobres, repito pobres, cerca de 800 mil desempregados, que aumentarão, e uma classe empresarial que se deleita com números para encapotar sua inépcia mental em compreender uma realidade social.
Sabe qual o custo efectivo que um empresário suporta por cada ordenado mínimo pago?
Não tem de responder.
Ver o mundo a preto e branco facilita as análises. Os empresários estão numa situação tão privilegiada, segundo diz, que ninguém quer criar negócios nem emprego.
Paulo, desculpe, mas nessa matéria não me trará certamente novidade alguma.
Se os “enfermeiros” não estão bem no seu trabalho aprendam a arte da “canalização” e mudem de vida. É tão simples!
O pessoal esquece-se dos factos simples: a dada altura, nestas últimas décadas, a malta jovem decidiu que havia trabalhos “pouco dignos”. E agora há pouquíssimos “canalizadores”.
os enfermeiros recebem menos no seu trabalho que um servente de pedreiro
Parece escandaloso, mas será?
É verdade que o servente de pedreiro só puxa pelo corpo. Mas puxa…
Eu não acho escandaloso que todas as profissões ganhem o mesmo. Acho escandaloso é que todas ganhem tão pouco.
Todos estas profissões são nobres e dignas se forem exercidas com nobreza e dignidade. O ponto não é esse.
Exige-se a um enfermeiro um maior investimento em acumular conhecimento cientifico em cima de uma capacidade pessoal de lidar com sangue e agulhas, que muita gente não tem, do que a um servente de pedreiro, serviço que qualquer pessoal com mobilidade pode exercer.
O valor da respectiva remuneração tem também a ver com a abundância de quem é capaz de fazer o que eles fazem. Por isso os futebolistas bons ganham o que ganham.
Os enfermeiros recebem pouco porque o orçamento de estado não chega para mais.
O Paulo Sousa tem muita razão. Instalou-se em Portugal o paradigma da “carreira”. A “carreira” quer dizer, na prática, que as pessoas têm direito a subir de posto – e, portanto, de salário – com a idade. De forma totalmente independente da produtividade ou do mérito, as pessoas têm direito à “carreira”, como dizem, ou seja, na prática, a subir de salário com a idade. Como é evidente, isto é feito à custa dos salários dos mais jovens: se os mais idosos ganham mais, os mais jovens têm que ganhar menos.
A “carreira” em Portugal terá começado por ser nas Forças Armadas, daí passou para toda a Função Pública, e atualmente é o paradigma também nos empregos privados. Mesmo por entre muitos trabalhadores privados, está instalada a noção de que o seu salário é independente da sua produtividade e do seu mérito, mas função basicamente da sua idade.
O carreirismo em Portugal não é só isso; é também o carreirismo que outros desejam para si e ainda não conseguiram.
No privado o carreirismo só existe para administradores ou donos de empresas e uns quantos serventes ditos intermédios que ficam nesta órbitra pelo servilismo.
Quanto ao mérito e produtividade: o que é isso? Quer ser mais específico?
É o servilismo de anónimos ‘serventes’ intermédios que permite que as prateleiras dos frescos continuem preenchidos nesta época de recolhimento sanitário.
Isso resulta de mérito e produtividade, mesmo num cenário em que dezenas de milhares de trabalhadores do privado estejam a caminho do lay-off com perdas de rendimento, enquanto que quem trabalha no público tenha 100% da remuneração garantida, sem sair de casa, e com aumentos garantidos para este mês de Abril.
Não Paulo, essa não cola. O servilismo é outra matéria. E o que agora se faz não é favor, é obrigação remunerada. Porque o que está nas prateleiras é pago.
Por isso, paguem-lhes ainda melhor, aos serventes e não aos servis.
E não me fale do lay-off, porque este país com crise e sem crise está sempre em crise em matéria de pagamentos de ordenados.
E a associação dos ordenados com a função pública está aí não para melhorar os ordenados do privado, mas, se possível, ainda os baixar mais.
O conceito de carreira e da evolução que encerra é positivo e salutar. Deixa de o ser quando é desligado de ganhos de produtividade.
Um professor um dia contou-me que uns anos antes teve de promover alguém sob a sua hierarquia. Depois de ter feito a escolha que achava mais adequada foi confrontado por um outro subordinado insatisfeito dizendo que já tinha 30(?) anos de carreira e o promovido não. Ao responder, o meu professor ter-lhe-á dito que não tinha 30 anos de carreira, mas 30×1 ano pois os erros que cometia eram iguais aos dos iniciados.
Faz falta esta lógica nas promoções e nos aumentos salariais.
É verdade.
É ainda pior. Ter o curso – aristocracia – dentro de uma empresa ou estado dá mais dinheiro independente da produtividade ou sequer necessidade, pode estar a fazer um trabalho que o curso nada signifique.
Num pais de doutores quem lava o WC’s deveria ser milionário.
Mas a cultura vence quase sempre o economicismo.
lucklucky
Nada contra as carreiras, mas toda a gente tem privilégios por trabalhar para o Estado. Ou seja, não há serviço público nenhum — se as pessoas recebem mais pelo seu sacrifício a ideia do sacrifício fica anulada.
Todos os cargos de chefia da FP são extraordinariamente recompensados, quer em salários, regalias, reformas antecipadas como reformas milionárias bem acima do seu desempenho e utilidade — mesmo depois de deixarem de prestar o tal serviço que tanto os sacrificou continuam a auferir o subsídio de sacrifício.
Eu acho que deviam era todos ir à merda. Era pôr um tecto nas reformas do Estado e ponto final no assunto.
Caro Paulo, acha tudo isso errado? Então adicione a essa injusta inequação o facto de ao longo dos tempos muitos dos visados (funcionários públicos) se terem reformado com idades pouco acima dos 50 anos. Eu tenho vários casos na família (tios direitos, pessoas que sempre gozaram de boa saúde)
Caro Vitor,
Esses casos são tantos que no dia que algum político pegar nesse assunto perde automaticamente centenas de milhares de votos. Só por força de uma Troika musculada seria possível, o que também não é desejável.
Também quero partilhar em algum conhecimento que tenho sobre essa matéria. Será que os senhores já equacionaram que muitos desses que se retiraram da vida profissional em idades diferentes das que agora se praticam começaram a trabalhar com 8,9,10 e 11 anos? Trabalho esse que ou não era remunerado, por ser desenvolvido em uma “economia” de subsistência, ou simplesmente era pessimamente pago e sem descontos.
Será que se lembram dos motivos da criação das denominadas casas do povo, antes do 25 de Abril?
Conheço muita gente nessas condições que se está a tentar reformar com 35 anos de descontos e 40 ou mais de trabalho. Esses fazem parte daqueles que se têm de juntar aos oito e aos nove para ganharem tanto como um aposentado da Função Pública. É uma injustiça doentia, com que o regime que Abril fundou lida com indiferença.
Meu caro, quem começou a trabalhar aos 8 e 9 anos não foram os funcionário públicos, obviamente. Tenhamos um debate sério e sem falácias. O senhor sabe muito bem que a função pública não incluía pessoas nos seus quadros com essas idades, e pessoas que começaram a trabalhar com essas idades, por deixarem o sistema de ensino prematuramente, nunca teriam habilitações para mais tarde serem absorvidos pela função pública, pelo menos de forma massiva. Deixe-mo-nos pois de sofismas. E sim, tem razão quando diz que há, ou houve, porque é uma geração que já terá, pelo menos parcialmente desaparecido, uma geração de agricultores que nunca descontaram, durante toda a vida útil, para qualquer regime de apoio social da reforma e no entanto, foram todos incluídos no regime geral. Individualmente, este grupo não tem o significado que têm os funcionários públicos, e que o Paulo aqui refere, mas o grupo foi muito grande e não sabemos, porque ninguém nos diz, o peso dele no sistema global. E já agora, foi para isso que foi criada a casa do povo nas zonas rurais deste país, para dar apoio de saúde aos lavradores que nunca descontavam à data para subsistema de saúde nenhum.
E actualmente também há muitos casos, e não são assim tão poucos, que a grande maioria das pessoas que não lida com eles nem os conhece, de pessoas com idade a rondar os 50 anos, que chegam à empresa para trabalhar e vê-se que o número de contribuinte deles é mais recente do que os números de contribuinte dos nossos filhos de 15 anos, e que pura e simplesmente, até à data nunca foram contribuintes de coisa nenhuma, e não me venham dizer que a culpa só é e foi sempre do empregador. São as mesmas pessoas que numa accção de formação SBV (suporte básico de vida) paga, e bem, pela empresa se insurgem contra o facto de, supostamente, as ambulâncias do INEM chegarem sempre muito atrasadas aos locais onde são solicitadas. Pessoas que nunca contribuíram para coisa nenhuma na vida, mas acham que na esquina da rua onde moram deveria estar noite e dia, uma ambulância do INEM, de prontidão, para quando elas de lembram de “discar” o 112 no smartphone.
Há uma ideia de antiga de fazer um orçamento de base zero, que serviria não para saber que valores se deveriam alocar em cada rubrica do OE de acordo com o valor do ano anterior mas sim de acordo com o que achamos que deveria ser o papel do estado. Isto deveria ser feito pelo menos uma vez em cada década. Nesse exercício deveria ser comparadas as condições de vida dos portugueses e sua expectativas. É natural que o OE de 2020 já esteja desactualizado pois não incluiu qualquer efeito covid.
O mundo evolui e muda em permanência e o imobilismo do estado pretende garantir alguma estabilidade, o que até certo ponto é aceitável, mas no fundo só simula estabilidade e com o tempo acaba por colocar o país fora da realidade.
Pois, meu caro, mas muitos desses que começaram a trabalhar nessas idades também progrediram para funcionários públicos, carreiras militares, paramilitares e outras mais. É esta seriedade que deve ser incluída no debate, na medida também em que muitos dos que aí se formaram, nomeadamente nas escolas/formação militares, nas mais diversas áreas, também foram absorvidos na actividade privada.
Acontece que pós 25 de Abril existiu um excesso de funcionários, absorvidos os funcionários oriundos das ex-colónias, bem como o aumento exponencial de efectivos militares nos quadros. Quadros estes que a actividade privada em Portugal não tinha nem capacidade para absorver nem estrutura para pagar salários, com ligeiras excepções como foi o caso da banca nacionalizada.
Mas as casas do povo também funcionavam como auxílio, modesto é certo, para sobrevivência.
Quanto ao sistema empresarial, este sempre viveu e ainda hoje vive das benesses do estado e daqueles que o estado emprega. A única diferença entre o estado antigo e o estado actual foi o aumento de corporações, onde se inclui as corporações privadas e os lóbis que uns fazem em seu nome.
Portanto não me conte a estória dos que não descontavam porque esse mesmo sector empresarial privado também vivia de recibos verdes, pagamentos por fora, ordenados baixos e conta-quilómetros que funcionavam como ajudas de custo contabilizadas sempre a favor da empresa e não para os descontos futuros dos funcionários.
Por isto não me venha com piadas dessas para adornar um sector empresarial que de empreendimento revelava mais habilidade e pouca contabilidade para o futuro do funcionário. É esta a grande diferença entre o público e o privado: a moral.
Moral ou imoralidade esta que corrompia e ainda corrompe, com a absorção dos imigrantes, em particular os não legalizados, a própria competitividade e compromete a sustentabilidade.
Sejamos abrangentes nas análises.
Ainda para incluir que o sector empresarial privado gravita entre dois eixos: o oportunismo e em redor de meia dúzia de empresas como prestadores de serviços. Isto é, são funcionários com actividade privada.
Pois o que aqui diz é tão razoável como alguém dizer que os FP são todos os preguiçosos, o que claramente não é verdade.
Alguns se-lo-ão, mas na sua esmagadora maioria são pessoas capazes e dedicadas. O problema reside acima de tudo no facto do estado estar mal organizado e seria possível fazer mais, com menos pessoas. Sei que se esforçam, mas quanto desse esforço resume-se em fazer cumprir e verificar normas e procedimentos que voltarão a ser verificados por outros, e que de caminham infernizam a vida aos cidadãos?
Com a franqueza com que temos conversado, com gosto e consideração da minha parte, permita que lhe diga que a sua visão dos empresários é preconceituosa, limitada, maniqueísta e injusta.
Não é correcto o que afirma sobre que escrevi no que diz respeito aos FP. Recomendo que leia melhor o sentido.
Mas sobre o sistema empresarial português reafirmo os seguintes pontos: É oportunista, pois vive de oportunidades e isto verifica-se pela volatilidade das empresas;
É dependente, pois sem o estado pouco seria capaz de fazer.
Há excepções? Sim, mas são excepções.
Podemos agora falar de pequenas empresas familiares e de algumas médias empresas, muitas delas também familiares. Uma grande parte destas surgiram como auto-emprego. São exactamente aqueles e aquelas que procuraram fugir ao esquema tradicional que se impunha e ainda se impõe a um funcionário ou colaborador, isto é: pouco se reconhecem capacidades, esforço e, acima de tudo, visão. Originando desmotivação.
Concluindo, o discurso do mérito e da produtividade é uma falácia que é usada para justificar uma conduta empresarial que com pouco mérito é incapaz de reconhecer mérito e produtividade.
O sistema empresarial português circunscreve-se ainda, mas mudará, ao marialvismo e ao paternalismo. Marialvismo este que não vem somente do empresário mas também de quadros dirigentes.
Em Portugal trabalha-se muitas horas, mas a produtividade é inferior à média das empresas do mesmo escalão na UE. Portanto, não é com esforço e sobrecarga horária dos trabalhadores que se resolve este problema. O problema resolve-se com visão estratégica. Os que a têm, vingam.
Temos empresas de referência. Mas estas, e não nomeei, são as excepções em matéria de produtividade e visão.
Uma parte substancial do tecido empresarial sustenta-se, pouco se importando com a mão de obra a não ser em termos de ordenados baixos. Mas isto faz parte da tradição, que mudará.
O conhecimento que terá sobre o que acha que é o nosso tecido empresarial, é apenas isso mesmo, é um conhecimento que acha que tem.
Sabe qual a dimensão média das empresas portuguesas? Sabe quantas horas de trabalho são necessárias para assegurar o cumprimento de regras e imposições do estado? Sabe qual o custo efectivo para o empregador que corresponde a salário líquido de 1000€? Sabe quais os custos indirectos que um posto de trabalho implica? Refiro-me por exemplo a seguros de acidentes, vestuário e proteção, consultas de higiene no trabalho, entre muitos outros? Sabia que uma imensidão de famílias portuguesas não pode fazer férias, e outras nãs as faz juntas de forma a poder manter um estabelecimento aberto? Eu antes de ler, já conhecia as letras que via nas caixas de produtos onde passava as tardes sentado e aprendi matemática a fazer trocos, por isso quando me diz que a diferença entre o público e o privado é a moral eu, se tivesse a superioridade moral da esquerda, ficaria ofendido. Mas como com cepticismo me defendo apenas sorrio com tristeza perante a sua ignorância da realidade.
E mais uma vez, se tivesse a superioridade moral da esquerda, não lhe voltaria a aprovar comentários enquanto não recuasse no que diz, mas como liberal e por achar que toda a gente tem o direito de dizer coisas, não o farei. Ponha por escrito o que pensa que um dia no futuro poderá ser uma interessante fonte para a historiografia.
Paulo, eu logo vi que você pretendia pessoalizar e até mesmo trazer ideologias para estes nossos diálogos. Mas não vou por aí. Se quiser entender o contexto, faça-o. Porém:
1 – Não acho, sei o que é o tecido empresarial português. Conheço-lhe os vícios tradicionais, em particular os que foram sendo implementados pós 25 de Abril;
2 – Conheço também a falta de cultura no que à transparência fiscal dizia respeito, fomentando-se um círculo vicioso, que começou a ser reprimida pós bolha com a crise de 2008/9 e seguinte;
3 – Conheço, sim, as moscambilhas em torno das remunerações salarias que fizeram cultura;
O que o meu caro parece não querer entender é que a nossa economia transformou-se em economia especulativa – que também foi fomentada por dirigentes políticos -, oportunista e pouco dada a visões estratégicas. E mais tarde assentou nas premissas de uma banca francesa ou de cassino.
Posso referir, entre outras, algumas excepções neste tabuleiro, Salvador Caetano (um grande empresário em matéria de visão e diálogo com seus colaboradores), Grupo Nabeiro, liderado pelo comendador Nabeiro, um homem de perfil único e que deve ser tomado como exemplo.
Recordo-me também da indignação revelada por um empresário recentemente falecido (líder também da cadeia Pingo Doce) contra os baixos ordenados que se praticam em Portugal.
Penso que também o Paulo se indignará com a defesa que os anteriores faziam e fazem de bons e justos salários para os funcionários.
Nas empresas estruturadas e visionárias, em nenhuma situação as contas que me apresenta em resposta se constituiu ou constitui como óbice à prossecução de suas actividades. Isto é: as empresas estruturadas compreenderam que existia duas vias que lhes permitisse manter a sustentabilidade: a dimensão estratégica e a especialização.
Não é por acaso que nesta especialização que refiro tivessem surgido na área das TI, em particular no desenvolvimento de software, excelentes, repito excelentes, empresas, e pequenas empresas, na área do desenvolvimento e inovação com aplicações nas mais diversas áreas (industriais, saúde e comerciais).
Este exemplo não é único.
Ao focar-me nos exemplos anteriores, pretendo transmitir-lhe que as regras dos custos per capita/funcionário são as mesmas para todos, mas há uns que se queixam mais que outros e andam sempre em torno do estado para garantir a sua sobrevivência.
Em matéria de sobrevivência importa referir que não se pode continuar a financiar empresas e empresários que de actividade económica, financeira e empresarial só conhecem o que lhes poderá ser dado ou proporcionado e não o que poderão fazer para também receber.
E neste quadro incluo, sim, os auxílios que devem ser prestados em períodos de crise, mas somente a quem demonstre viabilidade.
E concluindo, o tecido empresarial português assentou e ainda assenta, mas com tendência para acabar, no marialvismo e paternalismo de muitos dos ditos empresários e alguns de seus servis, eu disse servis e não serventes.
Sim, sei o que é uma pequena e média empresa e sei o que é resultado do auto-emprego e também o que é uma herança ou transmissibilidade de empresas ou negócios familiares.
Se o meu caro Paulo, que também considero, quiser interromper ou bloquear minha argumentações, faça-o. Mas não lhe digo isto por eu ser de direita ou esquerda ou liberal ou neo-liberal, afirmo-o porque sim.
Gostaria de dizer-lhe que comento por aqui não para que me publiquem (mas para debater), pois quem quiser pode e deve bloquear meus comentários com a mesma liberdade que eu escolho as caixas em que devo comentar. Não me fazem favor nem eu faço favor.
No que tenho vindo a comentar nesta matéria, mantenho tudo quanto escrevi.
É o meu caso, dependo da família monoparental e quando ela desaparecer vou ter de me atirar da Ponte Sobre o Tejo cá para baixo.
Não há indústrias nem sequer empregos de transição — o que existe está tudo crivado de brasileiros (sempre a dizer que o Brasil é muito melhor) e estudantes que alugam casas aos grupos de 10 e mantêm o arrendamento imobiliário em preços insustentáveis para pessoas sozinhas. Agora com o Covid vai implodir tudo. Existe toda uma geração que foi enganada pelo Estado e por universidades de caca com cursos de merda que não servem para nada. Só o facto de o Estado e os partidos não admitirem as suas ENORMES, TOTAIS culpas na destruição de Portugal e a permanente mentira sobre os números reais do desemprego e da des-industrialização do país afasta milhares de eleitores das urnas e coloca as pessoas numa trajectória de antagonismo com a sociedade.
O que diz é mais notório e afunilante para quem vive numa cidade onde o custo de vida e o apelo ao consumo é sempre superior.
A juntar ao que descreve existe uma tremenda barreira burocrática, fiscal e cultural para quem tenta criar o seu próprio emprego. O estado que temos funciona numa lógica de atrair para si a vida dos cidadãos e de complicar quem fica fora da sua esfera. Se ingressar na função pública a sua situação mudará, mas não se esqueça que o estado somos nós. Existe no nosso panorama político quem defenda uma mudança desta situação e refiro-me à IL. Acompanho com curiosidade a evolução da adesão dos portugueses à abordagem que defendem.
O que é certo é que a emigração como forma de sair desta crise do Covid, não poderá funcionar como na crise anterior, pois agora as fronteiras foram levantadas, Schengen está suspenso, e não sabemos como e quando será retomado.
A IL começou bem mas ficou como chefe o elemento menos carismático. Suspeito que o outro fulano que tinha possibilidades (i.e., jeito) para dar tracção à coisa — era mais genuíno. Este que lá está é um tipo mais opaco e não se distingue muito de centenas de outros tipos opacos que andam por aí.
A mensagem só por si às vezes não chega — precisa de um Mercúrio.
Apesar disso, é um sinal de esperança. É o único partido decente a defender que o estado deve ser menor.
O gráfico mais importante das ultimas décadas no Ocidente é o que compara o preço da economia livre – sempre a baixarem – e o preço da economia política sempre a subir.
Claro não aparece nas “notícias”
Há umas décadas um aspirador custava um ordenado, hoje uma licença camarária custa um ordenado. Um aspirador custa 1/10.
lucklucky
Ao baixarem os preço dos bens mais pessoas os podem adquirir e assim são satisfeitas mais necessidades. Mas isso só é possível com optimização dos processos e competição pelo preço. E a pressão que a mão de obra quase escrava chinesa entra nesta equação.
Quando o estado complica a existência dos cidadãos, consubstancia apenas a sua natureza.
No tempo da “troika”, uma das queixas dos pensionistas e reformados (comparativamente) de luxo era, precisamente, que os cortes os impediam de “ajudar os filhos”. E foram eles a decidir as eleições de 2015 (uso sempre, como amostra da minha “rica e reaccionária” freguesia, onde os partidos da PAF tiveram o seu pior resultado de sempre). Ora, é uma sociedade doente esta em que são os pais a “ajudar” sistematicamente os filhos adultos. Acresce que essa “ajuda” é uma efectiva falácia, pois o dinheiro com que os pais reformados ajudam os filhos adultos é dinheiro que foi retirado à economia, logo, (também) a esses filhos adultos. Mas o mais doentio mesmo (e, na minha actividade profissional, sou repetidamente confrontado com estas situações) é o prazer (pouco) secreto que muitos extraem de manter um filho dependente e, por isso, presente e reverente. Há mais de 30 anos que me choca não existir um tecto para o valor das pensões em Portugal (e continua a chocar-me, agora que estou mais perto da reforma do que do início da carreira), e o facto de haver pensionistas que ganham mais do décuplo de outros. Que a defesa destas pensões (assente na enorme mentira de que se “descontou” para a mesma) seja, desde sempre, uma “causa de esquerda”, demonstra que o que passa por “esquerda”, em Portugal, não passa de um esquema dos instalados para roubar aos pobres e se manterem, ontem como hoje e amanhã, instalados.
Sobre esses casos de filhos permanentemente dependentes, que também conheço, só são adultos de acordo com um critério demográfico.
Estamos de acordo.
Sobre a manutenção dos privilégios dos patrícios (como eram conhecidos na Antiga Roma) e como alguém já disse, foi preciso Abril mudar quase tudo … para que tudo ficasse na mesma.
O mosaico estava muito interessante, quase pungente, assim a modos como a estória do ursinho do Rodrigo Guedes de Carvalho…Depois vem a culpa (a culpa é sempre alheia)…dos “culpados”: os Velhos !! Desta vez são os Velhos !! Foi aí, que a minha lágrima se recusou a seguir o seu destino e morreu na fonte…
Os nossos Velhos sejam públicos ou privados, são ou deveriam ser os nossos Deuses por tudo o que deram e dão ás nossas sociedades…
Não Os abandonem à sua sorte; acarinhem-nos !!
E Oh PS !! No dia em que chegar a hora deles,os Velhos, certifique(m)-se, que eles os Velhos, não ressuscitam ao 3º dia para reclamar a reforma com efeitos retroactivos !!
James
Epá, ainda não oraram por sua intenção à medida da sua precisão.
Com o tempo há-de alcançar as graças a que aspira.
Haja fé
Se um dia eu orasse…rezava para que o meu caro Oh PS !! não arranjasse culpados onde eles não existem. Vou reflectir sobre o assunto… Uma parede ou um painel pode e deve ser feita de vários mosaicos…
James
Um aspirador custa 1/10, mas como a qualidade dos mesmos baixou muitíssimo na prática durante a sua vida você é obrigado a comprar 5 ou 6 para onde é vai essa vantagem do preço?
Tem garantia durante dois anos e assim, ao ser reposto e substituído, garante emprego durante a mais pessoas. Não estou a afirmar que essa abordagem é a mais madura relativamente aos recursos da terra, mas essa é a lógica de médio prazo que alimenta essa lógica, e se o Carlos trabalhar numa fábrica de aspiradores concordará com isso.