O medo global


Rui Rocha,

“(…)

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.

Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.

Quem não tem medo da fome, tem medo da comida.

Os automibilistas têm medo de caminhar e os peões têm medo de ser atropelados.

A democracia tem medo de recordar e a linguagem medo de dizer.

Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras.

É o tempo do medo.

Medo da mulher da violência do homem e medo do homem da mulher sem medo.

Medo dos ladrões, medo da polícia.

Medo da porta sem fechadura, do tempo sem relógios, da criança sem televisão, da noite sem comprimidos para dormir e medo do dia sem comprimidos para despertar.

Medo da multidão, medo da solidão, medo do que foi e do que pode ser, medo de morrer, medo de viver…”

 

Eduardo Galeano, El miedo global (tradução livre).

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André Couto,

(O medo que se instalou nas pessoas é preocupante. / Assustadas, as pessoas retraem-se e não consomem, o que prejudica o crescimento da economia. / Então é preciso que as pessoas percam o medo. / Está louco? Isso é um perigo! Se as pessoas perderem o medo não vão querer consumir, vão querer mudar a sociedade!…)

“Os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torne amado, que outro que se torne temido, pois o amor quebra-se, mas o medo mantém-se” (Maquiavel).

o medo


Patrícia Reis,

 

O medo é instinto. O medo não é piegas, mesmo que o PM ache que possa ser, vem de dentro, instala-se e pode ser controlado, mas não ignorado. Vivemos a medo. Dias seguidos e a pretexto de coisas distintas. Medo de perder do emprego, dos filhos e dos maus caminhos ( por existirem maus caminhos), do frio e da fome, da falta e da solidão, da incompreensão, da rejeição, de não sermos aplaudidos por A ou B, medo da traição do corpo, de ser frontal ou politicamente incorrecto. O medo. Uma variante de vida? Não, para a maioria é uma forma de vida, de estar, de ser. Infelizmente.