Elegância no Parlamento


jmmcc,

Ainda ontem Jaime Gama teve de repetir uma chamada de atenção na sessão plenária com o governo. O presidente da Assembleia da República precisou de conter o ministro Manuel Pinho, que insistia em dirigir-se aos parlamentares tratando-os por «vocês». Cada vez mais elegantes, os nossos políticos.

Longe vai o tempo em que todos se tratavam por "Vossa Excelência" no hemiciclo, o que até servia para elevar os momentos mais acesos dos debates. De "Vossas Excelências" a "vocês" foi um percurso à TGV, sem paragem na estação dos "Senhores". Eles lá saberão porquê. Ou nem sabem, mas está-lhes no subconsciente.

Três colheres de chá de Maizena


Pedro Correia,

  

 

 

Primeira. Um político – e um ministro do Governo da República por maioria de razão, tenha a cor política que tiver – deve cumprir os mínimos de elegância no debate público. Manuel Pinho mostrou, uma vez mais, que não consegue.

Segunda. Convém recordar: este é o mesmo ministro que decretou o fim da crise em 2006. Espero, para bem dele, que tenha comido muita papa Maizena de então para cá.

Terceira. É enternecedor ver como os socialistas acarinham agora Basílio Horta. Sobretudo depois do que o candidato presidencial Basílio Horta disse do PS e de Mário Soares na campanha eleitoral de 1991.

 

Imagens roubadas daqui.

Às vezes o silêncio vale ouro


André Couto,

Todos percebemos o que queria dizer Manuel Pinho com a história das "papas maizena". Inclusivamente, na maioria dos casos creio, saberemos concordar com a sua opinião. Basílio Horta foi Ministro em quatro Governos Constitucionais com as pastas do "Comércio e Turismo", "Agricultura, Comércio e Pescas" e "Ministro de Estado, Adjunto do Primeiro-Ministro". Foi posteriormente candidato à Presidência da República. Nem todos se podem orgulhar de semelhante percurso, ainda para mais criado nos quadros do CDS. Paulo Rangel tem um tímido percurso político e nada provou, em abono da verdade.

Paulo Rangel geriu mal a situação, foi muito arrogante e não admitiu o óbvio. Podia facilmente ter-se justificado dizendo que não sabia da existência do programa, creio que ninguém lhe exige que saiba todos os projectos da AICEP.

Com as palavras de Manuel Pinho já ninguém recorda isso, involuntariamente deu razão a alguém que não a tinha, tirando o foco da essência do problema, passando este para algo completamente acessório.

Obviamente, demitam-no


Pedro Correia,

Este senhor diz que não gosta de ser ministro: é uma forma, menos subtil que outras, de implorar para ser remodelado. Foi o que sucedeu ao espanhol Pedro Solbes, que acaba de ser demitido por Zapatero – pouco mais de um mês após ter dito isto. Como ontem escrevia Raúl del Pozo, na sua imperdível coluna do El Mundo, "nessa profissão de antropófagos que é a política ninguém chega ao topo sem ser canibal."

Aberturas


jmmcc,

Manuel Pinho avistou-se com o seu homólogo alemão para falarem da Qimonda. No final, o nosso ministro da Economia disse que encontrou no ministro alemão a maior abertura. E disse que lhe correspondeu na mesma moeda, mostrando toda a abertura. Fechar algum acordo, nada. Foram só aberturas. Com o surto de gripe que vai por aí, não auguro nada de bom perante tamanha exposição às correntes de ar…

Desemprego é sinal de esperança


Pedro Correia,

 

Se a crise em Portugal acabou no dia 13 de Outubro de 2006, os números actuais do desemprego também só podem ser um sinal de esperança. Sempre pela boca do mesmo ministro visionário. Com Mário Lino agora remetido a um sábio silêncio, mesmo nos mais eufóricos momentos pós-prandiais, de que outra boca governativa poderia brotar uma pérola de sabedoria tão arrasadora? Só mesmo do ministro que mandou arrasar a golpes de camartelo a antiga casa de Garrett…