
Aconteceu-me este fim-de-semana aterrar numa urgência de hospital. Foi no sábado, às 20h, em plena hora de jantar, um dos períodos em que, por norma, aflui menos gente a estes serviços. À chegada confirmei as minhas expectativas. Estavam realmente poucas pessoas na sala de espera. A meio de um fim-de-semana de Julho não era de esperar outra coisa. No entanto tive que esperar duas horas até que chamassem a pessoa que eu acompanhava. Depois foi preciso aguentar firme até à 1.30 da madrugada pelo diagnóstico. Foram mais de cinco horas de espera numa noite morta de Verão.
Enquanto secava passou-me pela cabeça o óbvio: como é que vai ser quando chegar o Outono e com o cair da folha começarem a cair nas urgências milhares e milhares de utentes com gripe e com medo da gripe, já para não falar dos excêntricos que em plena pandemia vão desaguar nos hospitais com enfartes, apendicites e outras maleitas, completamente em contraciclo. Não dá para imaginar. Nem creio que os profissionais directamente implicados queiram fazê-lo. Por muitas medidas que se tomem, não será possível resolver de um momento para o outro a falta crónica de médicos, a falta de camas e a falta de condições que estão na origem de tantos casos de contaminação em ambiente hospitalar.
Se eu fosse à Ana Jorge acendia também umas velinhas ao santo da sua devoção, porque ou me engano muito, ou sem intervenção divina, o SNS não se vai aguentar nas canetas.