

Há verdadeiros mistérios nos canais informativos. Um deles acontece todas as semanas, na SIC Notícias. Nuno Rogeiro apresenta um excelente espaço de notícia e análise de temas internacionais em condições quase clandestinas: é remetido para o princípio da tarde de domingo, algures no Jornal das 2, numa rubrica de duração incerta intitulada “Leste Oeste”. Com direito a separador próprio, mas tratada como se a quisessem esconder.
Dia impróprio, horário impróprio. Merecia outro tempo e outro espaço. Porque este comentador fala do que mais ninguém diz, não apenas na SIC mas noutros canais de produção doméstica. A sua rubrica é uma genuína janela sobre o mundo num contexto televisivo que reduz o noticiário internacional a fenómenos climáticos, catástrofes naturais e acidentes em larga escala. Rogeiro rema contra esta maré tablóide, alargando-nos horizontes. E não raras vezes destaca o que os outros ignoram. Foi assim, por exemplo, no drama do terrorismo de matriz islâmica em Cabo Delgado: andou meses a mencionar este tema, a que mais ninguém ligava. Calculo o que terão dito vários editores nas mais diversas redacções: milhares de mortos sem ser por fogos ou cheias em Moçambique “não é notícia”.
Quem tem lugar cativo nos alinhamentos televisivos é Marcelo Rebelo de Sousa – o “Tio Celito”, como muitos o conhecem em Angola. Consegue estar em foco precisamente quando não há notícia, fomentando corridas entre canais na tentativa de captar as imagens mais irrelevantes. O prémio, na recente deslocação de Marcelo a Luanda, coube a Tiago Contreiras, um dos enviados especiais da RTP: conseguiu imagens exclusivas do engravatado Presidente a molhar os dedos no oceano interdito a banhos e a dizer: “Está quente!”
Pensando bem, mais vale um político pôr as mãos na água do que no fogo. O “tio Celito” esteve em Luanda, tal como António Costa, para participar na cimeira comemorativa dos 25 anos da CPLP. Apesar das bodas de prata, quatro dos nove chefes do Estado faltaram: Jair Bolsonaro (Brasil), Filipe Nyusi (Moçambique), Francisco Guterres (Timor-Leste) e o controverso ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang. O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Embaló, deu lá um pulo mas saiu mais cedo. E o de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho, só pensa na despedida: o seu mandato chegou ao fim.
O aparente imobilismo da CPLP face ao drama de Cabo Delgado diz muito sobre a ineficácia desta organização, que devia “deixar de ser um clube de países amigos para descer aos cidadãos”, como acentuou Cândida Pinto, outra enviada especial da RTP a Luanda. Eis um tema que Nuno Rogeiro várias vezes tem abordado na sua rubrica. Faria muito bem a SIC Notícias em tirá-lo da clandestinidade, colocando o seu “Leste Oeste” em horário de maior audiência em vez de surgir como tapa-buracos das tardes de domingo. Fica a sugestão. O público-alvo do canal, cada vez mais exigente, certamente agradeceria.
Texto publicado no semanário Novo

Transparência da sujidade a descoberto.
O aparente imobilismo da CPLP face ao drama de Cabo Delgado diz muito sobre a ineficácia desta organização
Que quereria o Pedro que a CPLP fizesse? Que enviasse soldados para Cabo Delgado? Moçambique não deseja nem permite isso.
Nada se pode fazer sem a anuência e o pedido das autoridades moçambicanas.
Moçambique não deseja?
Os países têm desejos?
O que sabe você dos desejos de Moçambique?
Quem é que não deseja? As populações que têm sido massacradas pelos terroristas no norte de Moçambique perante a impotência total do Estado moçambicano não desejam intervenção externa?
No meu comentário eu escrevi “Moçambique” e logo a seguir “autoridades moçambicanas”. Que é aquilo que interessa em matéria de Direito Internacional. Não se pode enviar tropas para um país sem ser a pedido e com a anuência das autoridades desse país. O povo de Moçambique e os seus desejos não são chamados para a matéria de Direito Internacional.
Não se pode?
Diga isso ao camarada Putin, que entrou pela Crimeia adentro sem pedir licença a ninguém.
Espero que não esteja a sugerir que a CPLP, ou qualquer dos seus países membros, faça em Cabo Delgado o mesmo que a Rússia fez na Crimeia.
Claro que não, até porque fui – e sou – contra a anexação da Crimeira, em evidente violação do direito internacional.
o engravatado Presidente a molhar os dedos no oceano interdito a banhos
Porque é que o oceano está (ou estava) interdito a banhos?
As questões pertinentes do balio 🙄
Nunca desilude.
É o mesmo problema da praia da Batata mas numa escala maior.
Olá Pedro,
Acabou de descrever uma realidade portuguesa, pelo que não é só na SIC Notícias… É geral, com umas nuances aqui e acolá, mas essas nuances nem se ouvem…
Abraço,
Talvez, meu caro, mas reparo mais neste canal talvez por ser o que vejo com mais frequência.
É por isto que costumo dizer: o principal objectivo da maioria dos nossos meios de informação não é produzir jornalismo mas sim produzir narrativas. A Marques Mendes, Louçã, Medina e Ana Gomes, tal como no passado a Marcelo, é dado todo o tempo do mundo; já Nuno Rogeiro tem de condensar todos os seus temas numa correria permanente que o impede de aprofundá-los como poderia. Felizmente que as suas intervenções estão disponíveis na página da Sic Notícias.
Sim, mas não é a mesma coisa. Estes programas perdem sempre quando não são vistos em tempo real.
Gosto do horário de Nuno Rogeiro cujo, desde que apareceu como comentador, tem evoluído. Costumo ouvi-lo. E admito: escolhe outros assuntos. Ou aborda os mesmos por outro ângulo. As entrevistas que, por vezes, passa também são interessntes.
Sim, escolhe outros assuntos e outros ângulos. Vale a pena por isso.
Tudo o que não possa ser culpa do aquecimento global e do Trump não interessa aos jornalistas actuais. O que se passa no mundo (fora destes temas) não interessa à grande maioria dos espectadores. Logo o Nuno Rogeiro está no horário adequado.
O canal televisivo que se deixa guiar pelos índices de audiência só interessa a essa mesma maioria. Os tempos mortos são animados por estes espécimes extravagantes como o Nuno Rogeiro.
O que mais me espanta é que os jornalistas da própria SIC não desenvolvam nos telediários as pistas e dicas que Rogeiro deixa em antena. Talvez porque neste momento só lhes interesse “a covid” e nada mais.
Nuno Rogeiro tá um pouco careca e por isso não é tão fotogênico, compreende-se então a decisão de relega-lo para a matinê da tarde.
Ana Gomes é fotogénica?
Gosto muito desta rubrica televisiva. Gravo e vejo à noite
Nem sempre a consigo ver em diferido, puxando atrás. Por vezes está indisponível à primeira. Poucos, nestas circunstâncias, tentam segunda vez.
Os horários dos não generalistas cada vez sao menos relevantes. A box explica. Desde o 60 minutos (a altas horas) até outros encavalitados nos noticiários.
A tv caminha para isso, tirando os directos, cada um vê o que quer quando quer.
Não são irrelevantes. Implicam uma hierarquia. Ter Ana Gomes ou Francisco Louçã à noite, em horário nobre, é uma escolha. Empurrar Rogeiro para o princípio da tarde de domingo também. O que cada um possa ver mais tarde, via caixa ou via net, não conta para as audiências certificadas do canal.
Nao sei como se medem actualmente as audiências. O que importará para os canais (de “cabo”) mais que o share, será o número de horas de visualização por dia.
Claro que ter homilias em vez de notícias e reportagens têm o seu quê de escolha ideológica, mas o pc tem que perceber que cada vez mais as teves se orientam para o novo público (eu tb sou cota, algumas coisas custam-me a perceber, como aquilo de ver uma série inteira seguida…), que escolhe o que vê quando vê.
Também não entendo como é que um programa com a qualidade/rigor jornalístico – acima da média – como é de facto o “60 Minutos”, é “atirado” para fora d’horas.
Quanto a Nuno Rogeiro, idem. Um dos melhores comentadores ou até mesmo “o melhor” em política internacional.
E já que estamos numa de criticar “grelhas” aproveito a oportunidade para dizer que também
preferia o “Eixo do Mal” ao sábado à noite em vez de quinta-feira à noite. Obrigada, Pedro Correia.
Eu é que agradeço, Té.
tens razão nos vários pontos que referes. E, de modo muito especial, no que referes relativamente ao programa de Nuno Rogeiro. Sublinho um ponto, porque acompanhei a questão: sobre Cabo Delgado Rogeiro não só (muito) informou de modo pioneiro como imenso incomodou. Há melhor elogio para um programa informativo?
É verdade. No tratamento dessa tão importante questão – que te motivou também textos de alerta muito antes dos demais, aqui no blogue – Rogeiro andou sempre à frente de todo o jornalismo português. Incluindo o jornalismo da própria SIC.
na SIC Notícias […] algures no Jornal das 2
Além do horário supostamente impróprio (o que não importa muito: quem tem SIC Notícias tem quase sempre uma box na qual pode ver programas que já deram), é colocado num canal por cabo (coisa que nem toda a gente tem), ao contrário dos comentadores importantes que falam nos canais que toda a gente tem. E ainda, é colocado no meio de um telejornal que dura uma hora, tanto pode dar ao princípio como no meio como no fim, a pessoa tem que ver o telejornal todo para apanhar a pequena parte que lhe interessa.
“Comentadores importantes” são, por exemplo, Marques Mendes, Paulo Portas e João Soares. Todos falam em horário nobre, em sinal aberto.
Podem chegar a presidentes da nação… ou primeiros-ministros.
Exatamente, é a esses mesmos que eu me referia.
O Leste/Oeste é dos poucos programas que de facto vale a pena ver na SIC. Procuro não perder e gosto do horário. Não é horário nobre, o que nos tempos que correm equivale a dizer que não é lixo. Espero que continue.
Também espero que continue. Daí ter escrito estas palavras de incentivo.
»Quem tem lugar cativo nos alinhamentos televisivos é Marcelo Rebelo de Sousa – o “Tio Celito”, como muitos o conhecem em Angola. Consegue estar em foco precisamente quando não há notícia, fomentando corridas entre canais na tentativa de captar as imagens mais irrelevantes. O prémio, na recente deslocação de Marcelo a Luanda, coube a Tiago Contreiras, um dos enviados especiais da RTP: conseguiu imagens exclusivas do engravatado Presidente a molhar os dedos no oceano interdito a banhos e a dizer: “Está quente!”«
Tendo plena consciência de que estou a fugir ao tema proposto, peço antes de mais desculpa pelo abuso, mas não resisto a dizer aqui duas coisas aproveitando esta janela de oportunidade, sem prejuízo de vir a endossar a minha indignação diretamente aos visados.
Acabo de saber que uma das vantagens de possuir o cartão de antigo combatente, como a possibilidade de obter gratuitidade nos transportes está em banho maria, dado que o governo ainda não faz ideia quando esse beneficio poderá ser acionado. Pela minha parte declaro que podem abater o meu pedido de cartão bem como a atribuição da correspondente insignia.
Quanto à bandeira para o meu funeral podem guarda-la, pela simples razão de que não a merecem.
Mais confrangedoramente lamentável é o facto de o chefe supremo das forças armadas não conseguir debitar uma frase sobre o tema.
O facto de não ter sido militar não lhe diminui o estatuto de comandante supremo. Para mais objetiva identificação fica o meu BI: 1795908
Descobri o que passava em Cabo Delgado precisamente no programa com o Nuno Rogeiro. Fiquei incrédulo, porque não via essas noticias em lado nenhum. O Programa é excelente, vejo sempre que posso. As dicas que ele dá sobre filmes também são de qualidade.
Também eu. Soube desse drama ouvindo Rogeiro e lendo o nosso JPT cá no blogue.
E é sempre a correr, o Rogeiro passa o tempo todo a ser pressionado para acelerar “porque já temos pouco tempo”. E à excepção de uma ou outro (mais uma que outro, na realidade), todos parecem estar a fazer(-lhe) um frete.
É verdade. Tem de falar sempre muito acelerado porque, mal começou, já está para acabar. Para depois porem um enlatado qualquer.
É visível a ansiedade de Nuno Rogeiro nos programas. E percebe-se: deve ser frustrante dar-se ao cuidado de pensar e fazer trabalho sério, preparar tudo e além de ser pressionado com o tempo, ser confrontado com comentários facciosos e totalmente desfasados da realidade de alguns dos pivot que conduzem a ‘entrevista’ (uns por desconhecimento, outros por não terem senão vocação para televangelização). Em muitos casos nem a equipa de realização o ajuda com as imagens. Gabo a paciência de Nuno Rogeiro.
Se não fosse Leste/Oeste, o programa poder-se-ia chamar Paciência de Jó.
Ele vê-se forçado a falar a uma velocidade supersónica e nem sempre tem ao lado quem saiba dialogar com ele. O que torna aquilo um pouco penoso, sem qualquer necessidade.
Ainda bem que alguém se lembrou de chamar e com mestria, a atenção para o espaço reduzido que tem um comentador/jornalista como é Nuno Rogeiro. É sempre ouvido atentamente em minha casa impreterivelmente. Reparo que tem o cuidado de se expressar rapidamente, quase pedindo desculpas à moderadora ou moderador, para “ver se pode mostrar mais isto ou mais aquilo”, coisas sempre da maior importância, quase secretas, que fico sempre a pensar como pode conseguir aquelas informações todas! Tudo que interessa, a televisão passa acorrer. Não se compreende a maneira de pensar desta gente. Será que não há quem faça triagem daquilo que é mais valoroso, mais interessante, mais invulgar para todos nós?!
Mais “espaço” para Nuno Rogeiro!
Subscrevo.
Sim, as imagens é uma autêntica saga. Às vezes, o Rogeiro parece à beira de perder as estribeiras e partir a loiça toda. Espero que se contenha, para bem de todos nós e dele próprio, obviamente. Se não é propositado, parece.
Espero o mesmo.
Duplamente de acordo.
Nuno Rogeiro merece mais tempo em horário nobre. Comparado com outros analistas/comentadores de política elevaria o nível das audiências da SIC. Só masoquistas não fazem zaping com algumas alminhas que por ali aparecem a gaguejar óbvia propaganda e a papaguear incoerências.
Quanto a Moçambique. É como a ex-Jugoslávia do Marechal Tito que se desmembrou em 5 Países assim que aquela cola artificial desapareceu.
Moçambique poderia, poderá desmembrar-se, virtuosamente, em 3 relativamente homogéneos Países. De preferência sem mais sangue inocente.
Pena é que o governo português tenha decidido ajudar militarmente! “os do Sul”, na gíria moçambicana. Afinal ajudar os Vátuas de Gungunhana e Samora Machel a conquistar o Centro e o Norte de onda não são, e aonde tentaram ser colonizadores….
Porque será que as autoridades portuguêsas, os ex-colonizadores, não reconhecem a sua ignorâcia e os seus sucessivos grave erros politico/administrativos?. E porque não tentam corregir os erros em vez de reincidir naqueles e novos em erros?.
Nunca perco. Todas as semanas sei coisas por ele e apenas por ele. Os telejornais têm três temas: pandemia, jogos olímpicos (antes era a bola) e casos de polícia.
Muito bom. Mas muito mal tratado pela estação que parece não ter grande vontade de lhe dar destaque.
Censura dissimulada.
Moçambique, um dos países mais atrasados do mundo, consequência da miserável descolonização, dificilmente terá paz. O islamismo é predominante no norte (Cabo Delgado e Niassa) e segundo notícias há terroristas moçambicanos.
A CPLP tem de ser extinta, antes que seja tarde de mais.
Fica o aviso. Depois não digam que não avisei. Estúpidos como sempre, na altura em que for tarde de mais, lembrar-vos-ei do que acabo de dizer agora.
A CPLP não pode ser extinta, pois não existe.
A não formalização é só mais um truque deles — na prática está lá a arrastar-nos para o terceiro mundo e para os trópicos.
Ao Presidente Marcelo arrastou até à praia dos trópicos. A RTP estava lá para mostrar.
Deixo outra sugestão: muito mais verificação, sobretudo por parte da SIC. O Nuno Rogeiro demonstra (quase) semanalmente que não tem pejo em partilhar ‘factos alternativos’ no #LesteOeste. Há tempos partilhei este apanhado (não exaustivo): 50961316372482
https://twitter.com/LGalrao/status/14083